{"id":202036,"date":"2025-07-22T10:39:59","date_gmt":"2025-07-22T13:39:59","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/?p=202036"},"modified":"2025-07-22T10:40:00","modified_gmt":"2025-07-22T13:40:00","slug":"com-estrategia-coordenada-carne-bovina-brasileira-tem-mercado-interessante-nos-eua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2025\/07\/22\/com-estrategia-coordenada-carne-bovina-brasileira-tem-mercado-interessante-nos-eua\/","title":{"rendered":"Com estrat\u00e9gia coordenada, carne bovina brasileira tem mercado interessante nos EUA"},"content":{"rendered":"\n<p><strong><em>*Magno Maia<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Brasil \u00e9, hoje, um dos maiores exportadores de carne bovina do mundo, com presen\u00e7a consolidada em mercados como China, Egito, Emirados \u00c1rabes, Chile e Estados Unidos. A abertura e manuten\u00e7\u00e3o do mercado americano representam n\u00e3o apenas um avan\u00e7o comercial, mas uma oportunidade estrat\u00e9gica para consolidar o pa\u00eds como um dos principais fornecedores da cadeia global de prote\u00edna animal.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2024, foram exportadas 2,89 milh\u00f5es de toneladas, movimentando US$ 12,8 bilh\u00f5es, segundo os dados do Minist\u00e9rio do Desenvolvimento, Ind\u00fastria, Com\u00e9rcio e Servi\u00e7os (MDIC), compilados pela Associa\u00e7\u00e3o Brasileira das Ind\u00fastrias Exportadoras de Carnes (Abiec). Os americanos foram respons\u00e1veis pela compra de 229 mil toneladas, somando US$ 1,35 bilh\u00e3o, especialmente cortes do dianteiro bovino, destinados \u00e0 ind\u00fastria de processados. Trata-se de um mercado altamente t\u00e9cnico, exigente em crit\u00e9rios sanit\u00e1rios e de rastreabilidade, mas com um potencial de expans\u00e3o significativo, especialmente para o pecuarista que entende a din\u00e2mica de agrega\u00e7\u00e3o de valor por segmento.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar da abertura parcial do mercado americano para a carne bovina in natura do Brasil em 2020, o tipo de corte exportado continua majoritariamente posicionado como commodity. Os principais destinos dentro dos EUA s\u00e3o ind\u00fastrias de processamento alimentar: fabricantes de hamb\u00fargueres, pratos prontos congelados, refei\u00e7\u00f5es r\u00e1pidas e produtos embutidos. N\u00e3o \u00e9, portanto, a carne que chega \u00e0 g\u00f4ndola do supermercado com selo de origem brasileira, nem aquela que vai \u00e0 mesa dos restaurantes gourmet em Nova York ou Chicago.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa realidade decorre de dois fatores principais: a percep\u00e7\u00e3o do consumidor americano, muitas vezes bairrista, em rela\u00e7\u00e3o ao gado brasileiro e a l\u00f3gica de competitividade dos custos. O nosso boi, criado majoritariamente a pasto, apresenta caracter\u00edsticas de carca\u00e7a e marmoreio distintas do gado confinado nos Estados Unidos. Ainda assim, sua carne \u00e9 valorizada por ser livre de horm\u00f4nios, com baixo teor de gordura, alto rendimento e excelente custo-benef\u00edcio, ideal para o uso industrial.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse modelo se encaixa perfeitamente na estrat\u00e9gia comercial americana. Eles conseguem substituir parte da produ\u00e7\u00e3o interna, que \u00e9 mais cara, pela carne brasileira para abastecer seu mercado dom\u00e9stico industrial. Ao mesmo tempo, reservam a carne bovina premium local para exporta\u00e7\u00f5es com maior valor agregado, como para Jap\u00e3o, Coreia do Sul e Europa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Barreiras tarif\u00e1rias e conjuntura pol\u00edtica<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Apesar do bom desempenho, o Brasil ainda enfrenta entraves comerciais significativos. A cota atual de exporta\u00e7\u00e3o de carne bovina brasileira para os EUA sem tarifa de importa\u00e7\u00e3o \u00e9 extremamente limitada, representando menos de 1% da capacidade de importa\u00e7\u00e3o dos EUA. Todo o excedente est\u00e1 sujeito a tarifas de 26,4%, o que reduz drasticamente a competitividade do nosso produto frente a pa\u00edses como Austr\u00e1lia, M\u00e9xico e Uruguai, que possuem acordos comerciais mais favor\u00e1veis com os americanos.<\/p>\n\n\n\n<p>A recente eleva\u00e7\u00e3o de tens\u00f5es pol\u00edticas e tarif\u00e1rias impacta diretamente o setor. No entanto, entendo que essas barreiras s\u00e3o conjunturais e que os Estados Unidos t\u00eam mais a perder do que o Brasil no m\u00e9dio e longo prazo. Ao limitar a entrada de carne brasileira \u2014 mais barata, com qualidade industrial excelente \u2014, os EUA passam a depender de sua produ\u00e7\u00e3o interna para abastecer esse segmento. Isso pressiona os custos da ind\u00fastria de alimentos, podendo refletir em infla\u00e7\u00e3o no consumo interno e prejudicando o pr\u00f3prio consumidor americano.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, h\u00e1 uma expectativa de que o cen\u00e1rio pol\u00edtico evolua. Uma eventual mudan\u00e7a de governo&nbsp;<strong>nos EUA<\/strong>, especialmente com a volta de uma gest\u00e3o mais alinhada ao agroneg\u00f3cio, como a de Donald Trump, pode facilitar as renegocia\u00e7\u00f5es de cotas e redu\u00e7\u00e3o de tarifas, criando espa\u00e7o para um novo patamar na rela\u00e7\u00e3o comercial bilateral.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante desse cen\u00e1rio, o pecuarista brasileiro precisa enxergar os EUA n\u00e3o como um destino de produto gourmet, mas como um dos mercados industriais mais promissores do planeta. A carne de dianteiro bovino, especialmente cortes como ac\u00e9m, paleta, peito e costela, historicamente subvalorizados no mercado interno, encontra alta demanda e valoriza\u00e7\u00e3o nas ind\u00fastrias americanas. \u00c9 uma \u00f3tima oportunidade!<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, para aproveitar esse potencial, \u00e9 fundamental investir em tr\u00eas pilares. O primeiro \u00e9 a rastreabilidade e conformidade sanit\u00e1ria: cumprir exig\u00eancias rigorosas de controle sanit\u00e1rio, bem-estar animal e certifica\u00e7\u00f5es de origem, garantindo acesso e competitividade no mercado internacional. Depois, efici\u00eancia produtiva: ado\u00e7\u00e3o de boas pr\u00e1ticas de manejo, nutri\u00e7\u00e3o e gen\u00e9tica, para garantir uniformidade e padroniza\u00e7\u00e3o dos cortes. E, por \u00faltimo, mas n\u00e3o menos importante, parcerias estrat\u00e9gicas com ind\u00fastrias exportadoras, como a Ramax Group, que atua diretamente no abate, desossa e fornecimento de prote\u00edna para o mercado externo, otimizando a conex\u00e3o entre o campo e o mercado internacional.<\/p>\n\n\n\n<p>O sucesso do Brasil na exporta\u00e7\u00e3o para os Estados Unidos depende de vis\u00e3o estrat\u00e9gica e a\u00e7\u00e3o coordenada entre produtores, ind\u00fastria e governo. Temos a oportunidade de nos consolidar como o principal fornecedor das ind\u00fastrias aliment\u00edcias americanas, substituindo produtos de alto custo por prote\u00edna de qualidade, com pre\u00e7os mais competitivos.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o se trata apenas de vender carne: trata-se de entender o papel do Brasil dentro da cadeia global de valor da prote\u00edna animal. E, nesse sentido, temos a estrutura, o rebanho, o know-how e a voca\u00e7\u00e3o para sermos parceiros estrat\u00e9gicos dos Estados Unidos \u2014 mesmo diante de entraves moment\u00e2neos.<\/p>\n\n\n\n<p>A Ramax Group aposta fortemente nesse mercado. Seguimos ampliando nossa capacidade industrial e log\u00edstica para atender \u00e0 crescente demanda internacional, e convidamos o pecuarista brasileiro a caminhar conosco nessa dire\u00e7\u00e3o. O futuro da carne brasileira est\u00e1 al\u00e9m da porteira, e o mercado americano \u00e9 um dos caminhos mais promissores para chegarmos l\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>*CEO da Ramax Group<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/files.pressmanager.net\/clientes\/d520c92a8cefa6c531073c08f38bc3a5\/imagens\/2019\/08\/01\/4aac47d9f778f6b4409defdaacd891af.png\" alt=\"Ruralpress\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Kassiana Bonissoni<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>*Magno Maia O Brasil \u00e9, hoje, um dos maiores exportadores de carne bovina do mundo,<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":202037,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[11,2],"tags":[],"class_list":["post-202036","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-economia","category-agronoticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/202036","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=202036"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/202036\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":202038,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/202036\/revisions\/202038"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/202037"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=202036"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=202036"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=202036"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}