{"id":199570,"date":"2025-03-11T11:59:01","date_gmt":"2025-03-11T14:59:01","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/?p=199570"},"modified":"2025-03-11T11:59:15","modified_gmt":"2025-03-11T14:59:15","slug":"governo-zera-aliquota-de-importacao-de-algumas-commodities-e-gera-riscos-ao-agro-nacional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2025\/03\/11\/governo-zera-aliquota-de-importacao-de-algumas-commodities-e-gera-riscos-ao-agro-nacional\/","title":{"rendered":"Governo zera al\u00edquota de importa\u00e7\u00e3o de algumas commodities e gera riscos ao agro nacional"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>*Leandro Viegas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Governo Federal anunciou recentemente a redu\u00e7\u00e3o a zero das al\u00edquotas de importa\u00e7\u00e3o para produtos estrat\u00e9gicos do setor agropecu\u00e1rio, como carne, caf\u00e9, a\u00e7\u00facar, milho e azeite. A medida, segundo o Minist\u00e9rio da Agricultura e Pecu\u00e1ria (MAPA), tem como objetivo conter a alta dos pre\u00e7os dos alimentos e amenizar os impactos da infla\u00e7\u00e3o, que vem pressionando o custo de vida da popula\u00e7\u00e3o. No entanto, especialistas do setor questionam a real efetividade dessa decis\u00e3o, considerando que o Brasil j\u00e1 \u00e9 um dos maiores e mais competitivos produtores desses itens no cen\u00e1rio global.<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, ocupamos posi\u00e7\u00f5es de lideran\u00e7a na produ\u00e7\u00e3o e exporta\u00e7\u00e3o dos produtos contemplados na medida. Para se ter uma ideia, de acordo com os \u00faltimos dados do MAPA, o Brasil \u00e9 o maior exportador mundial de carne bovina e est\u00e1 entre os tr\u00eas maiores produtores globais, com um custo de produ\u00e7\u00e3o mais baixo que o de concorrentes como Estados Unidos, Austr\u00e1lia e Argentina. Tamb\u00e9m somos l\u00edderes mundiais na exporta\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facar, sendo respons\u00e1vel por mais de 50% do mercado internacional.<\/p>\n\n\n\n<p>No cultivo de caf\u00e9, os agricultores brasileiros alcan\u00e7aram a posi\u00e7\u00e3o de maior produtor e exportador do mundo, detendo cerca de 37% da oferta global. J\u00e1 o milho \u00e9 o segundo mais embarcado do planeta, atr\u00e1s apenas dos Estados Unidos, e se tornou essencial para a seguran\u00e7a alimentar de pa\u00edses como China, Ir\u00e3 e M\u00e9xico.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante desse cen\u00e1rio, a decis\u00e3o do governo levanta uma quest\u00e3o importante: quem vender\u00e1 mais barato para o Brasil do que o pr\u00f3prio Brasil? Embora a medida abarque diversos produtos, o setor de carnes tem recebido destaque na discuss\u00e3o. J\u00e1 que hoje, a carne bovina importada pelo Brasil \u00e9 predominantemente de cortes premium, destinados a um p\u00fablico de maior poder aquisitivo. Pa\u00edses como Paraguai, Uruguai, Argentina, Austr\u00e1lia e Jap\u00e3o fornecem carnes de alto valor agregado, como Wagyu e cortes nobres selecionados.<\/p>\n\n\n\n<p>Dados da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Frigor\u00edficos (Abrafrigo) indicam que as importa\u00e7\u00f5es de carne representam menos de 1% do consumo total interno, sendo direcionadas, sobretudo, para restaurantes e mercados especializados. Como o Pa\u00eds j\u00e1 oferece a carne bovina mais barata entre seus concorrentes internacionais, parece pouco prov\u00e1vel que a redu\u00e7\u00e3o da al\u00edquota impacte o pre\u00e7o para o consumidor m\u00e9dio.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro ponto que enfraquece a justificativa da medida \u00e9 o custo log\u00edstico envolvido na importa\u00e7\u00e3o desses produtos. Ainda que a al\u00edquota seja zerada, fatores como transporte, armazenamento, c\u00e2mbio e burocracia alfandeg\u00e1ria continuam a encarecer o pre\u00e7o final da mercadoria.<\/p>\n\n\n\n<p>Para ilustrar, um carregamento de milho ou a\u00e7\u00facar importado precisa passar por processos de desembara\u00e7o aduaneiro, pagamento de taxas portu\u00e1rias e distribui\u00e7\u00e3o para o mercado interno, competindo com um produto nacional que j\u00e1 est\u00e1 pr\u00f3ximo dos centros de consumo. No caso da carne, a importa\u00e7\u00e3o exige ainda certifica\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias rigorosas, aumentando o tempo e o custo do processo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Impactos para o agro e a economia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A decis\u00e3o governamental gera preocupa\u00e7\u00f5es no setor agropecu\u00e1rio, que v\u00ea a medida como um risco \u00e0 competitividade dos produtores nacionais. Ao estimular a importa\u00e7\u00e3o de produtos que o Brasil j\u00e1 produz com efici\u00eancia e competitividade, h\u00e1 receios de que pequenos e m\u00e9dios produtores sejam os mais prejudicados.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, o setor agr\u00edcola desempenha um papel central na nossa economia, respondendo por cerca de 25% do PIB nacional e 48% das exporta\u00e7\u00f5es do pa\u00eds. Qualquer desest\u00edmulo \u00e0 produ\u00e7\u00e3o interna pode comprometer investimentos no setor e afetar empregos diretos e indiretos ligados ao agroneg\u00f3cio.<\/p>\n\n\n\n<p>E a\u00ed chegamos a uma conclus\u00e3o? Essa redu\u00e7\u00e3o \u00e9 uma solu\u00e7\u00e3o ou algo paliativo e desesperado? Embora a zeragem das al\u00edquotas de importa\u00e7\u00e3o tenha sido apresentada como uma solu\u00e7\u00e3o para conter a infla\u00e7\u00e3o, os fundamentos econ\u00f4micos e log\u00edsticos indicam que seu impacto pode ser limitado. O Brasil j\u00e1 possui uma cadeia produtiva consolidada e pre\u00e7os competitivos nos produtos afetados, tornando question\u00e1vel a real necessidade da medida.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais do que desonerar importa\u00e7\u00f5es, o desafio do governo est\u00e1 na cria\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas que estimulem a produtividade, a efici\u00eancia da log\u00edstica e a previsibilidade do mercado interno. Caso contr\u00e1rio, medidas pontuais como essa podem acabar gerando mais incertezas do que solu\u00e7\u00f5es para o setor e para o consumidor brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>*Administrador, bacharel em Direito e CEO da Sell Agro.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"681\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/roteironoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Fotografia-de-Retrato-Corporativo-de-Leandro-Viegas-Fotografo-Sergio-Simoes-de-Rondonopolis-141-copiar-editado-681x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-199571\" srcset=\"https:\/\/roteironoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Fotografia-de-Retrato-Corporativo-de-Leandro-Viegas-Fotografo-Sergio-Simoes-de-Rondonopolis-141-copiar-editado-681x1024.jpg 681w, https:\/\/roteironoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Fotografia-de-Retrato-Corporativo-de-Leandro-Viegas-Fotografo-Sergio-Simoes-de-Rondonopolis-141-copiar-editado-200x300.jpg 200w, https:\/\/roteironoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Fotografia-de-Retrato-Corporativo-de-Leandro-Viegas-Fotografo-Sergio-Simoes-de-Rondonopolis-141-copiar-editado-768x1154.jpg 768w, https:\/\/roteironoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Fotografia-de-Retrato-Corporativo-de-Leandro-Viegas-Fotografo-Sergio-Simoes-de-Rondonopolis-141-copiar-editado-1022x1536.jpg 1022w, https:\/\/roteironoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Fotografia-de-Retrato-Corporativo-de-Leandro-Viegas-Fotografo-Sergio-Simoes-de-Rondonopolis-141-copiar-editado-1363x2048.jpg 1363w, https:\/\/roteironoticias.com.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/Fotografia-de-Retrato-Corporativo-de-Leandro-Viegas-Fotografo-Sergio-Simoes-de-Rondonopolis-141-copiar-editado-scaled.jpg 1703w\" sizes=\"auto, (max-width: 681px) 100vw, 681px\" \/><figcaption>Leandro Viegas, CEO da Sell Agro   <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/files.pressmanager.net\/clientes\/d520c92a8cefa6c531073c08f38bc3a5\/imagens\/2019\/08\/01\/4aac47d9f778f6b4409defdaacd891af.png\" alt=\"Ruralpress\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Kassiana Bonissoni<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>*Leandro Viegas O Governo Federal anunciou recentemente a redu\u00e7\u00e3o a zero das al\u00edquotas de importa\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":199572,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-199570","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-agronoticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/199570","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=199570"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/199570\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":199573,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/199570\/revisions\/199573"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/199572"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=199570"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=199570"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=199570"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}