{"id":19924,"date":"2021-06-28T15:11:11","date_gmt":"2021-06-28T18:11:11","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/06\/28\/familias-buscam-superar-dificuldades-para-criancas-aprenderem-na-pandemia\/"},"modified":"2021-06-28T15:11:11","modified_gmt":"2021-06-28T18:11:11","slug":"familias-buscam-superar-dificuldades-para-criancas-aprenderem-na-pandemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/06\/28\/familias-buscam-superar-dificuldades-para-criancas-aprenderem-na-pandemia\/","title":{"rendered":"Fam\u00edlias buscam superar dificuldades para crian\u00e7as aprenderem na pandemia"},"content":{"rendered":"<p>Samuel, de 7 anos, aprende r\u00e1pido, \u00e9 curioso e pergunta muito. Antes da pandemia, ganhou medalha de &#8220;aluno destaque&#8221; na educa\u00e7\u00e3o infantil, quando morava na Serra do Mundeu, zona rural do munic\u00edpio de Araripe, no Cear\u00e1. Mas quando a pandemia interrompeu as aulas presenciais, em mar\u00e7o de 2020, ele estacionou. Analfabeta, a agricultora Zenilda Freire Barbosa, de 47 anos, m\u00e3e do menino, n\u00e3o conseguia ajudar nas li\u00e7\u00f5es que chegavam da escola no ensino a dist\u00e2ncia. &#8220;Eu n\u00e3o sei ler para ensinar o meu filho e aqui n\u00e3o tem quem ensine&#8221;, conta.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>Para que o menino seguisse estudando, a agricultora decidiu enviar Samuel \u00e0 casa da irm\u00e3, tia dele, na regi\u00e3o de Paje\u00fa, zona mais urbana de Araripe. L\u00e1, \u00e9 ensinado pela prima, que j\u00e1 terminou o ensino m\u00e9dio. &#8220;Eu n\u00e3o quero que meu filho se crie como eu, sem saber ler; eu quero que ele estude, aqui n\u00e3o ia aprender nada&#8221;, diz Zenilda, que s\u00f3 p\u00f4de estudar at\u00e9 o primeiro ano do ensino fundamental. &#8220;\u00c9 dif\u00edcil para mim, porque ele \u00e9 filho \u00fanico e \u00e9 tudo na minha vida.&#8221;<\/p>\n<p>H\u00e1 mais de um ano, a agricultora e o marido visitam o filho a cada oito dias. Quando a saudade aperta, fazem chamada de v\u00eddeo. Para Riqueli Ferreira Barbosa, de 19 anos, jovem que ensina Samuel, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 desafiadora. &#8220;Uma responsabilidade muito grande: deixo ele fazendo as atividades conforme ele entende e a\u00ed, quando ele tem d\u00favida, eu ajudo&#8221;, relata. &#8220;Ele gosta de estudar, se dedica bastante, mas sente falta da m\u00e3e.&#8221;<\/p>\n<p>Mesmo com todas as dificuldades &#8211; as atividades s\u00e3o entregues pela escola essencialmente via WhatsApp e por meio de monitores que distribuem as li\u00e7\u00f5es impressas de acordo com a regi\u00e3o -, Samuel j\u00e1 sabe ler e escrever um pouco. &#8220;Eu vejo que as professoras se preocupam, porque viam ele avan\u00e7ando antes da pandemia&#8221;, diz Riqueli.<\/p>\n<p>Segundo a professora Maria D&#8217;Deus, que leciona para a turma de Samuel, o caso do menino n\u00e3o \u00e9 exce\u00e7\u00e3o. A maioria dos estudantes da escola tem pais agricultores que s\u00e3o analfabetos ou semianalfabetos. &#8220;Tem sido um processo bem dif\u00edcil alfabetizar na pandemia, muitas vezes eu mando \u00e1udio para os pais n\u00e3o desistirem&#8221;, conta.<\/p>\n<p>A pedagoga lembra que o primeiro problema foi chegar at\u00e9 as fam\u00edlias. &#8220;Por ser uma zona rural, s\u00f3 conhec\u00edamos as crian\u00e7as. Depois, o desafio foi entregar as atividades, que voltavam em branco&#8221;, diz. &#8220;Foi quando percebemos que os pais eram analfabetos por completo ou sabiam ler muito pouco.&#8221; No Brasil, cerca de 11 milh\u00f5es de pessoas n\u00e3o foram alfabetizadas.<\/p>\n<p>Em 2019, a taxa de analfabetismo era de 6,6%, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios (Pnad) Cont\u00ednua Educa\u00e7\u00e3o. A escola fica a 22 quil\u00f4metros de Araripe, j\u00e1 na divisa, a 15 quil\u00f4metros do munic\u00edpio de Bodoc\u00f3, em Pernambuco.<\/p>\n<p>&#8220;A crian\u00e7a, no meio per\u00edodo, vai para a ro\u00e7a ajudar a capinar com um tempinho pequeno para fazer as atividades. Quando chega uma pandemia como essa, o aluno n\u00e3o tem quem explique, a\u00ed escreve que n\u00e3o fez (a atividade) porque n\u00e3o sabe&#8221;, diz a coordenadora da escola, Clotildes Nunes.<\/p>\n<p>As crian\u00e7as entre seis e dez anos que vivem em \u00e1reas rurais das regi\u00f5es Norte e Nordeste do Pa\u00eds foram as mais atingidas pela exclus\u00e3o escolar no Brasil durante a pandemia em 2020, segundo o \u00faltimo relat\u00f3rio da Unicef em parceria com o Cenpec, o Centro de Estudos e Pesquisas em Educa\u00e7\u00e3o, Cultura e A\u00e7\u00e3o Comunit\u00e1ria. Conforme o documento, o cen\u00e1rio ocorre devido \u00e0 precariedade das condi\u00e7\u00f5es de vida nessas regi\u00f5es, em especial nas \u00e1reas isoladas.<\/p>\n<p>S\u00f3 em 2020, das 5,1 milh\u00f5es de crian\u00e7as brasileiras que ficaram sem acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, mais de 2 milh\u00f5es (41%) tinham entre 6 e 10 anos, faixa et\u00e1ria mais afetada pela pandemia, segundo levantamento da Unicef.<\/p>\n<p>Emanoel, de 7 anos, \u00e9 uma das crian\u00e7as que n\u00e3o tem acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o. Em mar\u00e7o de 2020, o menino foi matriculado na escola municipal Te\u00f3filo Benedito Ottoni, na zona oeste de S\u00e3o Paulo, mas nunca houve contato com os professores &#8211; a irm\u00e3, J\u00e9ssica Cardoso Pereira, de 26 anos, que tem a guarda do menino, s\u00f3 foi procurada pelo col\u00e9gio neste ano.<\/p>\n<p>&#8220;O Emanoel foi muito afetado, eu acabei ensinando ele a ler e a escrever em casa, ensinei os n\u00fameros, mas vejo muita dificuldade porque n\u00e3o sou professora, n\u00e3o sabia por onde come\u00e7ar&#8221;, relata. &#8220;A minha preocupa\u00e7\u00e3o era que ele ficasse para tr\u00e1s.&#8221;<\/p>\n<p>Quando foi at\u00e9 a escola se informar, verificaram que o c\u00f3digo que ela tinha para o Google Classroom acusava &#8220;Sala Inexistente&#8221;. A Secretaria Municipal da Educa\u00e7\u00e3o (SME) informou, em nota, que procurou a fam\u00edlia do menino por meio do N\u00facleo de Apoio e Acompanhamento para a Aprendizagem (NAAPA), mas que o endere\u00e7o cadastrado estava desatualizado. A busca, no entanto, s\u00f3 foi feita ap\u00f3s o contato da reportagem. O endere\u00e7o que constava no sistema ainda era o da m\u00e3e do Samuel.<\/p>\n<p>&#8220;A equipe conseguiu contato telef\u00f4nico com a respons\u00e1vel pelo estudante, que passar\u00e1 a ser acompanhado constantemente&#8221;, diz o texto. O N\u00facleo desenvolve a\u00e7\u00f5es para prestar suporte e auxiliar os alunos e fam\u00edlias no aprendizado em casa. As informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o do jornal O Estado de S. Paulo.<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Brasil<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/ultima-hora\/1817912\/familias-buscam-superar-dificuldades-para-criancas-aprenderem-na-pandemia?utm_source=rss-brasil&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Samuel, de 7 anos, aprende r\u00e1pido, \u00e9 curioso e pergunta muito. 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