{"id":197745,"date":"2025-01-06T06:41:03","date_gmt":"2025-01-06T09:41:03","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/?p=197745"},"modified":"2025-01-06T06:41:04","modified_gmt":"2025-01-06T09:41:04","slug":"o-poder-e-as-narrativas-uma-breve-teoria-do-poder","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2025\/01\/06\/o-poder-e-as-narrativas-uma-breve-teoria-do-poder\/","title":{"rendered":"O PODER E AS NARRATIVAS Uma breve teoria do Poder"},"content":{"rendered":"\n<p>Anos atr\u00e1s escrevi um pequeno livro intitulado \u201cUma Breve Teoria do Poder\u201d. Hoje est\u00e1 na 4\u00aa edi\u00e7\u00e3o, veiculado pela Editora Resist\u00eancia Cultural, que se notabilizou pela primorosa apresenta\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica de suas edi\u00e7\u00f5es. As edi\u00e7\u00f5es anteriores foram prefaciadas por dois saudosos amigos: Ney Prado, confrade e ex-presidente da Academia Internacional de Direito e Economia e Antonio Paim, confrade da Academia Brasileira de Filosofia. A atual tem como prefaciador o ex-presidente da Rep\u00fablica e confrade da Academia Brasileira de Direito Constitucional, Michel Temer.<br>Chamo-a de \u201cBreve Teoria\u201d por dedicar-me mais \u00e0 figura do detentor do poder, muito embora mencione as diversas correntes filos\u00f3ficas que analisaram a \u00e2nsia de governar, atrav\u00e9s da hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Chamar um estudo de \u201cbreve\u201d \u00e9 comum. J\u00e1 \u00e9 mais complicado chamar uma teoria de breve. As teorias ou s\u00e3o teorias ou n\u00e3o s\u00e3o. Nenhuma teoria \u00e9 \u201cbreve\u201d ou \u201clonga\u201d, mas apenas teoria.<\/p>\n\n\n\n<p>Ocorre que como me dediquei fundamentalmente \u00e0 figura do detentor do poder e n\u00e3o a todos os aspectos do poder, decidi, contra a l\u00f3gica, cham\u00e1-la de \u201cBreve Teoria\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Desenvolvi no op\u00fasculo a \u201cteoria da sobreviv\u00eancia\u201d. Quem almeja o poder luta, por todos os meios, para consegui-lo e, como a hist\u00f3ria demonstra, quase sempre sem \u00e9tica e sem escr\u00fapulos. N\u00e3o sem raz\u00e3o, Lord Acton dizia, no s\u00e9culo XIX, que \u201co poder corrompe e o poder absoluto corrompe absolutamente\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Ocorre que, no momento que o poder \u00e9 alcan\u00e7ado, quem o det\u00e9m luta para mant\u00ea-lo por meio da constru\u00e7\u00e3o de narrativas, cada vez tornando-se menos \u00e9tico e mais engenhoso,at\u00e9 ser afastado. As narrativas s\u00e3o sempre de mais f\u00e1cil constru\u00e7\u00e3o nas ditaduras, mas s\u00e3o comuns nas democracias e tendem a crescer quando elas come\u00e7am a morrer.<\/p>\n\n\n\n<p>A caracter\u00edstica maior da narrativa \u00e9 transformar uma mentira numa verdade e torn\u00e1-la para o povo um fato inconteste, ora valorizando fatos irrelevantes, ora, com criatividade, forjando fatos como, ali\u00e1s, Hitler conseguiu com a juventude alem\u00e3 com a c\u00e9lebre frase: \u201cO amanh\u00e3 pertence a n\u00f3s\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas democracias, a luta pelo poder \u00e9 mais controlada, pois as oposi\u00e7\u00f5es desfazem narrativas e os Poderes Judici\u00e1rios neutros permitem que corre\u00e7\u00f5es de rumo ocorram. Mesmo assim, as campanhas para conquistar o poder s\u00e3o destinadas, n\u00e3o a debater ideias, mas literalmente destruir os advers\u00e1rios. Quando Levitsky e Ziblatti escreveram \u201cComo as democracias morrem\u201d, embora com um vi\u00e9s nitidamente a favor do partido democrata, desventraram que as mais est\u00e1veis democracias do mundo tamb\u00e9m correm risco.<\/p>\n\n\n\n<p>O certo \u00e9 que, atrav\u00e9s da hist\u00f3ria, os que lutam pelo poder e os que querem mant\u00ea-lo, \u00e0 luz da teoria da sobreviv\u00eancia, necessitam de narrativas e n\u00e3o da verdade dos fatos, manipulando-as \u00e0 sua maneira e semelhan\u00e7a, com interpreta\u00e7\u00f5es \u201cpro domo sua\u201d das leis, reescrevendo-as e impondo-as, quanto mais for\u00e7a tem sobre os \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos, mesmo nas democracias, e reduzindo a \u00fanica arma v\u00e1lida numa democracia, que \u00e9 a palavra, a sua express\u00e3o menor, quando n\u00e3o a suprimindo.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 que, infelizmente, h\u00e1 uma escassez monumental de estadistas no mundo e um espantoso excesso de pol\u00edticos cujo \u00fanico objetivo \u00e9 ter o poder e, quando atingem seu objetivo, terminam servindo-se mais do que servindo ao povo, pois servir ao povo \u00e9 apenas um efeito colateral e n\u00e3o obrigatoriamente necess\u00e1rio.<br><br>Os ciclos hist\u00f3ricos demonstram, todavia, que quando, pela teoria da sobreviv\u00eancia os limites do razo\u00e1vel s\u00e3o superados, as rea\u00e7\u00f5es fazem-se notar, n\u00e3o havendo \u201csobreviv\u00eancia permanente no poder\u201d. As verdades, no tempo, aparecem, e, perante a hist\u00f3ria, as narrativas desaparecem e surge \u201ca realidade nua dos fatos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Ives Gandra da Silva Martins<\/strong>\u00a0\u00e9 professor em\u00e9rito das universidades Mackenzie, Unip, Unifieo, UniFMU, do Ciee\/O Estado de S\u00e3o Paulo, das Escolas de Comando e Estado-Maior do Ex\u00e9rcito (Eceme), Superior de Guerra (ESG) e da Magistratura do Tribunal Regional Federal \u2013 1\u00aa Regi\u00e3o, professor honor\u00e1rio das Universidades Austral (Argentina), San Martin de Porres (Peru) e Vasili Goldis (Rom\u00eania), doutor\u00a0honoris causa\u00a0das Universidades de Craiova (Rom\u00eania) e das PUCs PR e RS, catedr\u00e1tico da Universidade do Minho (Portugal), presidente do Conselho Superior de Direito da Fecomercio -SP, ex-presidente da Academia Paulista de Letras (APL) e do Instituto dos Advogados de S\u00e3o Paulo (Iasp).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong><em>Por Gabriela Rom\u00e3o \u2013\u00a0RV Comunica\u00e7\u00e3o\u00a0\/Fotos: Andreia Tarelow<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Anos atr\u00e1s escrevi um pequeno livro intitulado \u201cUma Breve Teoria do Poder\u201d. 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