{"id":194453,"date":"2024-10-04T12:08:17","date_gmt":"2024-10-04T15:08:17","guid":{"rendered":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2024\/10\/04\/luto-e-raiva-consomem-parentes-de-mortos-e-de-refens-do-hamas\/"},"modified":"2024-10-04T12:08:17","modified_gmt":"2024-10-04T15:08:17","slug":"luto-e-raiva-consomem-parentes-de-mortos-e-de-refens-do-hamas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2024\/10\/04\/luto-e-raiva-consomem-parentes-de-mortos-e-de-refens-do-hamas\/","title":{"rendered":"Luto e raiva consomem parentes de mortos e de ref\u00e9ns do Hamas"},"content":{"rendered":"<p>(FOLHAPRESS) &#8211; Evento que impactou diretamente quase 1 em cada 1.500 habitantes de Israel, contando mortos, feridos e ref\u00e9ns tomados pelo Hamas, o massacre do 7 de Outubro consome de formas m\u00faltiplas esses sobreviventes.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\">\u00a0<\/div>\n<p>Luto, raiva e at\u00e9 culpa est\u00e3o no vocabul\u00e1rio e na express\u00e3o corporal de pessoas afetadas com quem a Folha falou nas duas \u00faltimas semanas no pa\u00eds. O modo com que lidam com a dor, por sua vez, varia.<br \/>&#8220;Eu estou exausta de falar com jornalistas. Ainda estou explicando, me desculpando, chorando um ano depois. Mas parece que eles foram embora, que sumiram, que ningu\u00e9m mais se lembra deles&#8221;, diz a arquiteta Yfat Zaila, 37.<\/p>\n<p>Ela foi a representante de uma das fam\u00edlias mais emblem\u00e1ticas da trag\u00e9dia, os Bibas, judeus que emigraram da Argentina e do Peru e se concentravam no kibutz Nir Oz, o local proporcionalmente mais afetado h\u00e1 um ano.<\/p>\n<p>Ali, um quarto da popula\u00e7\u00e3o de cerca de 400 pessoas foi afetada: 40 morreram, e 71 foram sequestrados, inclusive todos os Bibas: Yarden, Shiri, Ariel e Kfir \u2013os dois \u00faltimos, respectivamente com 4 anos e 9 meses no dia do ataque.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o tenho ideia se algu\u00e9m est\u00e1 vivo. Essas crian\u00e7as n\u00e3o tinham um ponto de vista pol\u00edtico, uma opini\u00e3o. Eram apenas crian\u00e7as, que mereciam viver&#8221;, afirma Yfat, prima dos dois meninos. Em novembro, o Hamas disse que todos, menos o pai, haviam morrido num ataque de Israel, mas n\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancias disso.<\/p>\n<p>&#8220;O Ariel tinha comemorado o Ano-Novo judaico aqui nesse jardim de inf\u00e2ncia em que estamos. Olhe agora&#8221;, diz, mostrando o local com todo o interior coberto de fuligem das granadas ali jogadas.<\/p>\n<p>O que ocorreu em Nir Oz e no vizinho Kfar Aza, ambas comunidades a cerca de 1 km de Gaza, \u00e9 particularmente perverso, pois eram pontos de popula\u00e7\u00e3o majoritariamente simp\u00e1tica \u00e0 coexist\u00eancia com os palestinos.<\/p>\n<p>&#8220;Eu sou do Estrada para a Recupera\u00e7\u00e3o, uma ONG que pegava doentes de Gaza no posto de Erez. Lev\u00e1vamos a hospitais em Israel e depois os deix\u00e1vamos l\u00e1. Agora eu cuido da seguran\u00e7a aqui&#8221;, conta o advogado Zohar Shpak, 53.<\/p>\n<p>Morador de Kfar Aza, ele passou dois dias escondido no quarto seguro de sua casa. &#8220;O sonho acabou&#8221;, afirma, relatando como ajudou equipes forenses a detalhar estupros de v\u00edtimas vivas e mortas no local. &#8220;\u00c9 repulsivo.&#8221;<\/p>\n<p>Yfat vai pelo mesmo caminho, num tom mais de confronto. &#8220;Eu fui criada para acreditar na solu\u00e7\u00e3o de dois Estados, que tem gente do outro lado que s\u00f3 queria coexistir. Mas alguma coisa quebrou em mim. Posso dizer que acredito naquilo agora? Uma nova gera\u00e7\u00e3o vai crescer para ter ou \u00f3dio ou medo.&#8221;<\/p>\n<p>Ela afirma, contudo, sentir empatia pelas v\u00edtimas em Gaza, que segundo o Hamas s\u00e3o 140 mil nesses 12 meses, entre mortos (41,6 mil) e feridos, embora o grupo n\u00e3o diga quantos desses s\u00e3o seus integrantes \u2013Tel Aviv calcula que s\u00e3o cerca de metade.<\/p>\n<p>Em Gaza, a guerra tocou 1 em cada 15 habitantes diretamente. Isso decorre da intensidade dos ataques israelenses, do ano todo de conflito, da densidade populacional e do fato de que o Hamas est\u00e1 imiscu\u00eddo na vida civil, misturado aos moradores. \u00c9 outra trag\u00e9dia.<\/p>\n<p>&#8220;Eu choro por toda crian\u00e7a morta nessa guerra&#8221;, diz, voltando ao tom de indigna\u00e7\u00e3o com quem apoia o ataque palestino. &#8220;Eu me pergunto a quem justifica isso: voc\u00eas sabem algo sobre Kfir e Ariel? Voc\u00eas viram o v\u00eddeo deles sendo levados no colo da m\u00e3e? As caras aterrorizadas deles?&#8221;.<\/p>\n<p>Ela e Shpak querem voltar de forma permanente para suas casas, mas isso n\u00e3o \u00e9 consenso. &#8220;Por que eu gostaria de voltar para [o campo de exterm\u00ednio nazista de] Auschwitz?&#8221;, compara uma das vizinhas de Yfat em Nir Oz, Bat-Sheva Yahalomi, 50.<\/p>\n<p>Dona de uma das poucas casas abertas a visita\u00e7\u00e3o no local, onde tudo est\u00e1 como ficou no dia 7 de outubro, ela faz um ritual algo cat\u00e1rtico na frente de rep\u00f3rteres, apontando para onde seu marido Ohad foi visto pela \u00faltima vez, sangrando.<\/p>\n<p>&#8220;Eles me levaram numa moto com meu filho menor. Quando pararam porque havia tr\u00eas tanques israelenses chegando, aproveitei para correr para o mato&#8221;, afirma. &#8220;Mas eles levaram Ohad e Eitan&#8221;, referindo-se tamb\u00e9m ao outro filho, de 12 anos.<\/p>\n<p>O garoto foi solto 52 dias depois, na \u00fanica troca de ref\u00e9ns por prisioneiros do Hamas em Israel. Ele ficou seis dias sozinho com os terroristas e, depois, com outras crian\u00e7as no hospital Nasser, em Khan Yunis.<\/p>\n<p>&#8220;Ele s\u00f3 comia um p\u00e3o e um pepino por dia. Hoje, n\u00e3o falamos muito. Tenho que tentar ir em frente, mas s\u00f3 vamos nos curar quando soubermos o que aconteceu com o Ohad&#8221;, relata. &#8220;Nunca mais me sentirei segura, n\u00e3o durmo direito.&#8221; O governo israelense oferece ajuda psicol\u00f3gicas \u00e0s v\u00edtimas, mas em sess\u00e3o coletivas. &#8220;Eu tentei, mas n\u00e3o deu certo.&#8221;<\/p>\n<p>Para Sigal Manzuri, 47, a terapia poss\u00edvel \u00e9 a da preserva\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria. Ao menos \u00e9 o que a designer de Hod HaSharon vem tentando fazer ao abrir com amigos uma &#8220;casa dos sonhos&#8221; em que meninas poder\u00e3o viver um dia como estilistas de moda.<\/p>\n<p>&#8220;Era o que a Norelle queria fazer&#8221;, diz ela, sobre a filha de 25 anos assassinada na rave Nova ao lado da irm\u00e3 Roya, 22, e do namorado Amit Cohen, 25. O lugar concentrou 383 mortes na a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A trag\u00e9dia veio em presta\u00e7\u00f5es para Sigal e o marido, Manny. O corpo de Norelle foi encontrado e enterrado no dia 12 de outubro do ano passado, mas a fam\u00edlia seguiu com esperan\u00e7as de que Roya pudesse estar viva, escondida ou mesmo como ref\u00e9m.<\/p>\n<p>Isso durou s\u00f3 tr\u00eas dias. &#8220;Eu perdi quase tudo em um s\u00f3 dia, n\u00e3o sinto mais nada&#8221;, afirma, relembrando como Norelle e Amit se conheceram quando, como quase todo jovem israelense, foram mochilar ap\u00f3s os anos de servi\u00e7o militar obrigat\u00f3rio.<\/p>\n<p>Os jovens se conheceram na Argentina e eram loucos pela regi\u00e3o, tendo visitado o Brasil e outros pa\u00edses. &#8220;Eles voltaram de uma segunda viagem em julho&#8221;, conta. Sobreviveu com Sigal tamb\u00e9m o filho Chaim, 15. Segundo a m\u00e3e, ele evita falar do assunto, ap\u00f3s passar quase um ano sem ir \u00e0 escola.<\/p>\n<p>Compartilhando a percep\u00e7\u00e3o de moradores de kibutzim, ela declara que o &#8220;o governo os abandonou&#8221;. \u00c9 a t\u00f4nica de objetos e faixas amarelos espalhados por todo Israel e o tema da campanha das fam\u00edlias: &#8220;Tragam eles de volta para casa agora&#8221;.<\/p>\n<p>Pensa em sair de Israel, ainda mais com a guerra no L\u00edbano e talvez com o Ir\u00e3? &#8220;As meninas nasceram em Los Angeles, moramos l\u00e1 e em Nova York. Mas n\u00e3o, meu trabalho nessa longa jornada \u00e9 honrar a mem\u00f3ria delas.&#8221;<\/p>\n<p>Leia Tamb\u00e9m: <a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/mundo\/2208799\/ataques-matam-28-profissionais-de-saude-e-fecham-hospitais-no-libano\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Ataques matam 28 profissionais de sa\u00fade e fecham hospitais no L\u00edbano<\/a><\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Mundo<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/mundo\/2208764\/luto-e-raiva-consomem-parentes-de-mortos-e-de-refens-do-hamas?utm_source=rss-mundo&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(FOLHAPRESS) &#8211; Evento que impactou diretamente quase 1 em cada 1.500 habitantes de Israel, contando<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":0,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-194453","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/194453","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=194453"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/194453\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=194453"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=194453"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=194453"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}