{"id":192414,"date":"2024-09-17T19:08:29","date_gmt":"2024-09-17T22:08:29","guid":{"rendered":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2024\/09\/17\/mais-da-metade-dos-professores-ja-presenciou-casos-de-racismo-em-sala-de-aula\/"},"modified":"2024-09-17T19:08:29","modified_gmt":"2024-09-17T22:08:29","slug":"mais-da-metade-dos-professores-ja-presenciou-casos-de-racismo-em-sala-de-aula","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2024\/09\/17\/mais-da-metade-dos-professores-ja-presenciou-casos-de-racismo-em-sala-de-aula\/","title":{"rendered":"Mais da metade dos professores j\u00e1 presenciou casos de racismo em sala de aula"},"content":{"rendered":"<p>S\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; Desde o in\u00edcio do ano, quando come\u00e7ou a estudar em uma escola particular de Guaruj\u00e1, a filha de Michael de Jesus, de 4 anos, contou aos pais que n\u00e3o era chamada para brincar com os colegas. A princ\u00edpio a fam\u00edlia pensou se tratar de um problema de adapta\u00e7\u00e3o com a nova turma.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\">\u00a0<\/div>\n<p>Passadas algumas semanas, a menina, que \u00e9 negra, contou que a turma fazia piada de seu cabelo por ser crespo. Os pais relataram a situa\u00e7\u00e3o para a professora, que falou que iria dar aten\u00e7\u00e3o ao caso.<\/p>\n<p>A menina, que sempre gostou de ir \u00e0 escola, passou a chorar e ficar com o cora\u00e7\u00e3o acelerado antes das aulas. At\u00e9 que relatou aos pais que os colegas passaram a dizer que n\u00e3o brincavam com ela por causa da sua cor de pele.<\/p>\n<p>&#8220;Demorei a acreditar que minha filha estava sendo v\u00edtima de racismo, porque s\u00e3o crian\u00e7as de 4 anos. Minha filha foi segregada por meses por causa da cor da pele e a escola se fez de desentendida, tratava a situa\u00e7\u00e3o como um conflito normal de crian\u00e7as&#8221;, diz Michael.<\/p>\n<p>O epis\u00f3dio de racismo no col\u00e9gio Objetivo Guaruj\u00e1, na Baixada Santista, n\u00e3o \u00e9 um caso isolado nas escolas brasileiras. Uma pesquisa feita pelo Equidade.Info, uma iniciativa do Lemann Center da Stanford Graduate School of Education, mostra que 54% dos professores de educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica reconhecem casos de discrimina\u00e7\u00e3o racial entre estudantes.<\/p>\n<p>A pesquisa foi feita nos meses de abril e maio deste ano em 160 escolas p\u00fablicas e particulares de todas as regi\u00f5es do pa\u00eds e entrevistou 2.889 alunos, 373 professores e 222 gestores. O levantamento \u00e9 fruto de uma parceria com a Funda\u00e7\u00e3o Ita\u00fa.<\/p>\n<p>Os dados mostram uma diferen\u00e7a de percep\u00e7\u00e3o dos professores sobre a ocorr\u00eancia de racismo no ambiente escolar. Entre os docentes autodeclarados brancos, 48% relatam ter visto casos de discrimina\u00e7\u00e3o racial. J\u00e1 entre os docentes negros, o n\u00famero sobe para 56%.<\/p>\n<p>A diferen\u00e7a tamb\u00e9m \u00e9 percebida entre os estudantes. Enquanto 8% dos alunos brancos dizem que colegas negros n\u00e3o s\u00e3o respeitados em rela\u00e7\u00e3o ao fen\u00f3tipo, entre os estudantes negros essa percep\u00e7\u00e3o sobe para 13%.<\/p>\n<p>&#8220;Os dados mostram que a percep\u00e7\u00e3o dos mais vulner\u00e1veis a essa viol\u00eancia, que s\u00e3o os negros, \u00e9 diferente dos brancos, que em sua maioria s\u00e3o os gestores da escola e das pol\u00edticas p\u00fablicas&#8221;, diz Esmeralda Macana, coordenadora do Observat\u00f3rio Funda\u00e7\u00e3o Ita\u00fa.<\/p>\n<p>Outro dado do estudo mostra que 21% dos professores brancos disseram n\u00e3o saber o que fazer em casos de racismo dentro da escola. Entre os docentes negros, esse n\u00famero cai para 9%.<\/p>\n<p>Para Macana, esse dado corrobora o que outras pesquisas mostram sobre o benef\u00edcios de alunos negros terem aulas com professores negros. &#8220;Os docentes brancos nem sempre t\u00eam o mesmo olhar e sensibilidade para as quest\u00f5es raciais, por isso, a representatividade importa tanto dentro da escola.&#8221;<\/p>\n<p>Dos gestores entrevistados, 60,9% disseram que suas escolas fazem forma\u00e7\u00e3o ou discuss\u00f5es coletivas sobre letramento racial com os professores. Al\u00e9m disso, 59,5% deles afirmam ter acompanhamento das secretarias de educa\u00e7\u00e3o para a implementa\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es de educa\u00e7\u00e3o antirracista.<\/p>\n<p>&#8220;As escolas reconhecem que t\u00eam dificuldade de lidar com casos de racismo, faltam referenciais de como tratar essas quest\u00f5es. H\u00e1 mais de 20 anos n\u00f3s temos no Brasil uma lei que torna obrigat\u00f3rio o ensino da hist\u00f3ria e cultura afro-brasileira, mas ela n\u00e3o \u00e9 implementada adequadamente at\u00e9 hoje&#8221;, diz Macana.<\/p>\n<p>Para ela, muitas escolas ainda n\u00e3o entendem que o racismo n\u00e3o pode ser tratado como bullying. &#8220;Independentemente da idade das crian\u00e7as, racismo n\u00e3o pode ser tolerado, n\u00e3o pode ser entendido como brincadeira, bullying ou um conflito de rela\u00e7\u00e3o. Ele n\u00e3o pode ser naturalizado e precisa ser combatido com seriedade desde muito cedo.&#8221;<\/p>\n<p>Michael diz que a escola da filha n\u00e3o tratou o caso como sendo de ofensas racistas, mas apenas um desentendimento entre crian\u00e7as.<\/p>\n<p>&#8220;Eu reconhe\u00e7o que \u00e9 dif\u00edcil tratar de racismo com crian\u00e7as de apenas 4 anos, mas eu n\u00e3o consigo entender como a escola pode relativizar uma viol\u00eancia dessa. A neglig\u00eancia me assustou.&#8221;<\/p>\n<p>Na quarta-feira (11), depois de Michael cobrar a\u00e7\u00f5es da escola, a dire\u00e7\u00e3o enviou um comunicado em que se comprometeu a fazer uma reuni\u00e3o com as fam\u00edlias das crian\u00e7as e fazer rodas de conversa com os alunos. Tamb\u00e9m deu aos pais a possibilidade de mudar a menina de turma.<\/p>\n<p>&#8220;V\u00e3o ter uma conversa com a turma para eles entenderem que existem crian\u00e7as diferentes. Eu perguntei se a diferente nesse caso seria a minha filha e eles disseram que sim. Fica evidente que a escola n\u00e3o sabe lidar com racismo.&#8221;<\/p>\n<p>A fam\u00edlia decidiu que vai procurar outra unidade para matricul\u00e1-la.<\/p>\n<p>Em nota \u00e0 reportagem o col\u00e9gio Objetivo Guaruj\u00e1 disse que atua &#8220;em favor da diversidade, do antirracismo e de ambientes acolhedores e emp\u00e1ticos&#8221;, diz a nota.<\/p>\n<p>Segundo a dire\u00e7\u00e3o do col\u00e9gio, qualquer den\u00fancia feita pelos pais \u00e9 &#8220;imediatamente investigada de forma privada, com o zelo e a aten\u00e7\u00e3o exigidos quando tratamos de crian\u00e7as.&#8221; Mas que n\u00e3o houve &#8220;nenhuma evid\u00eancia, ind\u00edcio ou epis\u00f3dio de racismo&#8221; antes de 2 de setembro.<\/p>\n<p>Nega ainda que tenha sido comunicada por Michael ou outro familiar da menina sobre as ofensas racistas antes dessa data. Segundo a dire\u00e7\u00e3o, a situa\u00e7\u00e3o s\u00f3 foi conhecida ap\u00f3s o relato da m\u00e3e de outra aluna.<\/p>\n<p>&#8220;A partir disso, de forma imediata, tomamos uma s\u00e9rie de medidas, de observa\u00e7\u00e3o do grupo e acolhimento da menina. Todas ocorreram rapidamente de forma coordenada e efetiva. N\u00e3o h\u00e1 elementos, portanto, para se afirmar que ocorreu racismo desde o in\u00edcio do ano&#8221;, diz em nota.<\/p>\n<p>A escola afirma que contatou as fam\u00edlias da turma e que os colaboradores passam semestralmente por programas de capacita\u00e7\u00e3o sobre o tema.<\/p>\n<p>&#8220;Entendemos ser essencial agir para a educa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m daqueles que podem ter cometido preconceito. Inclusive, uma das professoras da sala em quest\u00e3o \u00e9 negra e tem um olhar atento para isso&#8221;, diz a nota da escola.<\/p>\n<p><span class=\"news_bold\">LEIA NA \u00cdNTEGRA A NOTA DO COL\u00c9GIO OBJETIVO GUARUJ\u00c1<\/span><\/p>\n<p>&#8220;O Col\u00e9gio Objetivo Guaruj\u00e1 n\u00e3o compactua com nenhuma forma de preconceito. Atuamos em favor da diversidade, do antirracismo e de ambientes acolhedores e emp\u00e1ticos.<\/p>\n<p>Diariamente, educamos para disseminar essa cultura e, por isso, mantemos canais de escuta e acolhimento para toda a comunidade escolar manifestar den\u00fancias. Todas elas come\u00e7am imediatamente a ser investigadas de forma privada, com o zelo e a aten\u00e7\u00e3o exigidos quando tratamos de crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Em 2 de setembro, fomos informados sobre uma poss\u00edvel situa\u00e7\u00e3o de racismo em uma turma de Educa\u00e7\u00e3o Infantil, entre crian\u00e7as de 4 anos. Imediatamente iniciamos observa\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica aprofundada do quadro e passamos a atuar em prol do refor\u00e7o da pauta da diversidade e do respeito \u00e0s diferen\u00e7as por meio de rodas de conversa e leituras com material did\u00e1tico pertinente como o livro<\/p>\n<p>&#8220;Menina bonita do La\u00e7o de Fita&#8221;, de Ana Maria Machado, que aborda temas ligados ao respeito e \u00e0 valoriza\u00e7\u00e3o da diferen\u00e7a, al\u00e9m de contribuir para o combate ao racismo na inf\u00e2ncia numa linguagem pr\u00f3pria para a faixa et\u00e1ria.<\/p>\n<p>A partir disso, tamb\u00e9m iniciamos o contato com fam\u00edlias da turma, sem deixar de lado o principal: o total e r\u00e1pido acolhimento da crian\u00e7a em quest\u00e3o.<br \/>Todo esse processo ocorreu sempre pautado por nosso papel pedag\u00f3gico, principalmente por se tratar de crian\u00e7as de 4 anos de idade, em processo inicial de forma\u00e7\u00e3o psicossocial e de perspectiva do mundo.<\/p>\n<p>Entendemos ser essencial agirmos para a educa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m daqueles que podem ter cometido preconceito. Inclusive, uma das professoras da sala em quest\u00e3o \u00e9 negra e tem um olhar atento para isso.<\/p>\n<p>Estamos comprometidos em fazer da nossa escola um lugar onde cada crian\u00e7a se sinta valorizada, respeitada e capaz de alcan\u00e7ar seu pleno potencial. Resolvemos pro-ativamente comunicar a todos os membros da comunidade escolar e agir de forma transparente. Acreditamos que, ao nutrir um ambiente de inclus\u00e3o e respeito desde cedo, estamos preparando nossas crian\u00e7as para serem cidad\u00e3os compassivos e conscientes em um mundo diverso.<\/p>\n<p>\u00c9 triste nos depararmos com den\u00fancias como esta. Lamentamos profundamente que essa seja, ainda em 2024, uma realidade em nossa sociedade.<\/p>\n<p>Com o compromisso de atuar para construir uma sociedade mais justa, nossos colaboradores passam semestralmente por programas de capacita\u00e7\u00e3o rigorosos e acompanhamento especializados neste tema. Temos confian\u00e7a na qualifica\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica de nossos profissionais para lidarem com situa\u00e7\u00f5es como a mencionada.<\/p>\n<p>\u00c9 nossa miss\u00e3o auxiliar toda a comunidade a criar um ambiente em que o racismo nunca encontre espa\u00e7o. Seguiremos assim, em constante evolu\u00e7\u00e3o e atentos, como a educa\u00e7\u00e3o das nossas crian\u00e7as pede para, juntamente com as fam\u00edlias, construirmos a melhor escola para nossos alunos.&#8221;<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Brasil<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/brasil\/2201704\/mais-da-metade-dos-professores-ja-presenciou-casos-de-racismo-em-sala-de-aula?utm_source=rss-brasil&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; Desde o in\u00edcio do ano, quando come\u00e7ou a estudar em<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":192415,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-192414","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/192414","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=192414"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/192414\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/192415"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=192414"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=192414"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=192414"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}