{"id":191126,"date":"2024-09-07T10:08:40","date_gmt":"2024-09-07T13:08:40","guid":{"rendered":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2024\/09\/07\/rio-madeira-atinge-nivel-minimo-historico-vira-bancos-de-areia-e-isola-cultivos-de-banana\/"},"modified":"2024-09-07T10:08:40","modified_gmt":"2024-09-07T13:08:40","slug":"rio-madeira-atinge-nivel-minimo-historico-vira-bancos-de-areia-e-isola-cultivos-de-banana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2024\/09\/07\/rio-madeira-atinge-nivel-minimo-historico-vira-bancos-de-areia-e-isola-cultivos-de-banana\/","title":{"rendered":"Rio Madeira atinge n\u00edvel m\u00ednimo hist\u00f3rico, vira bancos de areia e isola cultivos de banana"},"content":{"rendered":"<p>VINICIUS SASSINE E LALO DE ALMEIDA<br \/>PORTO VELHO, RO (FOLHAPRESS0 &#8211; O rio Madeira, o maior e mais decisivo afluente do rio Amazonas, se transformou em bancos de areia a perder de vista na altura de Porto Velho.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\">\u00a0<\/div>\n<p>O Madeira virou um corredor silencioso, sem vibra\u00e7\u00e3o, sem movimento e sem muita vida -num cen\u00e1rio em que j\u00e1 n\u00e3o existe horizonte h\u00e1 semanas, encoberto pela fuma\u00e7a das queimadas que dominam Rond\u00f4nia.<\/p>\n<p>No \u00faltimo dia 3, o rio atingiu um n\u00edvel m\u00ednimo recorde em Porto Velho, sem precedentes na s\u00e9rie hist\u00f3rica iniciada em 1967.<\/p>\n<p>Medi\u00e7\u00f5es compiladas pelo SGB (Servi\u00e7o Geol\u00f3gico do Brasil) mostram que a cota do rio ficou em 1,02 m, ultrapassando o recorde anterior, de 1,10 m em 2023, ano de seca extrema na Amaz\u00f4nia ocidental.<\/p>\n<p>Agora, a estiagem se mostra mais severa, com o rio mais seco na regi\u00e3o da capital de Rond\u00f4nia, e mais duradoura, alcan\u00e7ando marcas hist\u00f3ricas ainda no come\u00e7o de setembro -em 2023, o Madeira atingiu baixas recorde para aquele momento em outubro e novembro.<\/p>\n<p>Em 2024, al\u00e9m de isso se dar no come\u00e7o de setembro, ocorre em meio a uma escassez absoluta de chuvas e a queimadas descontroladas em Rond\u00f4nia. A seca ainda tem um longo caminho pela frente, e o rio tende a baixar ainda mais.<\/p>\n<p>A altera\u00e7\u00e3o de paisagens, ora com cheia ora com estiagem, \u00e9 uma caracter\u00edstica amaz\u00f4nica. As comunidades ribeirinhas e tradicionais se adaptam a esses ciclos. O que tira essas comunidades do prumo s\u00e3o os extremos, cada vez mais recorrentes, como agora, com duas secas severas e extremas seguidas.<\/p>\n<p>A constitui\u00e7\u00e3o de bancos de areia com largura de 1 km e ao longo de v\u00e1rios quil\u00f4metros do rio isola comunidades inteiras, que vivem do cultivo de banana, mandioca, melancia e milho. A seca impacta o modo de vida das pessoas, que tentam garantir a produ\u00e7\u00e3o mesmo sem chuva, o transporte at\u00e9 Porto Velho mesmo sem rio, o acesso a \u00e1gua pot\u00e1vel mesmo com po\u00e7os secos.<br \/>A reportagem da Folha esteve em uma dessas comunidades, a Itacu\u00e3, que fica a uma hora de Porto Velho. As fam\u00edlias est\u00e3o do outro lado do rio.<\/p>\n<p>A rotina da comunidade, quando n\u00e3o h\u00e1 estiagem, passa por cruzar o rio diariamente em embarca\u00e7\u00f5es, transportando a produ\u00e7\u00e3o de banana, melancia e milho at\u00e9 o outro lado do Madeira, para envio a feiras e mercados na cidade. A \u00e1gua chega at\u00e9 o porto da comunidade, e uma rampa garante o acesso a terra firme na outra margem.<\/p>\n<p>Esse cen\u00e1rio j\u00e1 n\u00e3o existe mais, nem essa rotina. Os cachos das bananas que se desenvolvem s\u00e3o transportados nos ombros pelos bancos de areia, at\u00e9 o ponto em que a embarca\u00e7\u00e3o alcan\u00e7a. No outro lado, \u00e9 preciso subir um barranco, pela impossibilidade de uso da rampa.<\/p>\n<p>Parte dos moradores deixou Itacu\u00e3 para tocar a vida na margem oposta, enquanto perdurar a seca. Os que permanecem no lugar buscam garantir a produ\u00e7\u00e3o das ro\u00e7as. As hist\u00f3rias se repetem em diversas comunidades enfileiradas. Segundo os moradores, s\u00e3o cerca de 500 fam\u00edlias vivendo essa realidade nesse ponto do rio Madeira.<\/p>\n<p>Parte dos agricultores que cultivam banana, principalmente os mais jovens, migrou para a atividade ap\u00f3s a destrui\u00e7\u00e3o de dragas de garimpo em a\u00e7\u00f5es do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov\u00e1veis) e da PF (Pol\u00edcia Federal).<\/p>\n<p>A explora\u00e7\u00e3o ilegal de ouro no rio Madeira, por meio de dragas, \u00e9 recorrente, de Rond\u00f4nia ao sul do Amazonas. Somente uma opera\u00e7\u00e3o feita na regi\u00e3o de Humait\u00e1 (AM), no \u00faltimo m\u00eas de agosto, resultou na destrui\u00e7\u00e3o de 459 dragas. Garimpeiros confrontaram a pol\u00edcia e botaram fogo em pontos da cidade para tentar impedir a a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Blendo Trindade, 27, atuou no garimpo de ouro no rio Madeira, com draga, at\u00e9 2022, quando a embarca\u00e7\u00e3o foi destru\u00edda numa a\u00e7\u00e3o da PF. &#8220;Todo garimpeiro virou plantador de banana&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Ele e o irm\u00e3o, Ricardo Trindade, 26, vivem em Itacu\u00e3 e trabalham no cultivo de banana. &#8220;Est\u00e1 dif\u00edcil porque, com essa seca toda, as plantas n\u00e3o est\u00e3o se desenvolvendo&#8221;, afirma Ricardo.<\/p>\n<p>Cachos de banana se perdem ainda pela impossibilidade de transporte. Itacu\u00e3 pode ser acessada pela parte de tr\u00e1s, por terra, mas a estrada est\u00e1 em p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es, e n\u00e3o h\u00e1 caminh\u00e3o dispon\u00edvel para a necessidade de todas as comunidades.<\/p>\n<p>Os agricultores preferem, assim, cruzar os bancos de areia, o que existe de rio e o barranco para dar vaz\u00e3o \u00e0 produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O pre\u00e7o da banana est\u00e1 baixo, porque parte do que \u00e9 produzido fica represada, sem alcan\u00e7ar outras cidades, em raz\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es ruins de navega\u00e7\u00e3o no rio. Tamb\u00e9m h\u00e1 mais planta\u00e7\u00e3o e mais concorr\u00eancia, com ex-garimpeiros atuando na agricultura.<\/p>\n<p>A pesca j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 fonte de renda nem de sustento, desde a constru\u00e7\u00e3o da hidrel\u00e9trica Santo Ant\u00f4nio no rio, segundo os agricultores. A hidrel\u00e9trica -que paralisou parte de suas unidades geradoras devido \u00e0 baixa hist\u00f3rica do rio\u2013 afirma que as obras n\u00e3o alteraram a qualidade da \u00e1gua e que as condi\u00e7\u00f5es para a ictiofauna foram preservadas.<\/p>\n<p>&#8220;Antigamente, a praia n\u00e3o era desse tamanho&#8221;, diz Raimundo do Nascimento, 67, que permanece com a fam\u00edlia em Itacu\u00e3, para cuidarem da ro\u00e7a. Ele planta banana, melancia, a\u00e7a\u00ed, laranja, pupunha e cacau. &#8220;As bananeiras n\u00e3o est\u00e3o engrossando os cachos.&#8221;<\/p>\n<p>Nascimento v\u00ea interfer\u00eancia da explora\u00e7\u00e3o intensa por garimpo no destino do rio. &#8220;O garimpo remexeu muito, assoreou bancos de areia.&#8221;<br \/>A comunidade tem dificuldade de acesso a \u00e1gua para beber, que \u00e9 transportada da outra margem. Para banho ou cozimento de alimentos, vem de um po\u00e7o artesiano.<\/p>\n<p>Segundo os moradores, a Defesa Civil da Prefeitura de Porto Velho prometeu entregar \u00e1gua pot\u00e1vel nesse momento de agravamento da seca.<\/p>\n<p>Segundo a Defesa Civil, falta \u00e1gua pot\u00e1vel em Itacu\u00e3 e em mais 21 comunidades. O \u00f3rg\u00e3o afirmou que houve processo emergencial de compra de 187 mil litros de \u00e1gua mineral para atendimento \u00e0s comunidades. Essa distribui\u00e7\u00e3o deve se estender at\u00e9 novembro e contar com doa\u00e7\u00f5es de \u00e1gua pelo setor privado, segundo a Defesa Civil.<\/p>\n<p>Haver\u00e1 ainda perfura\u00e7\u00e3o de 23 po\u00e7os artesianos, como forma de contornar a escassez, conforme o \u00f3rg\u00e3o da prefeitura de Porto Velho.<br \/>As reportagens da s\u00e9rie Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas na Amaz\u00f4nia contam com apoio da Rainforest Foundation Norway<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Brasil<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/brasil\/2197571\/rio-madeira-atinge-nivel-minimo-historico-vira-bancos-de-areia-e-isola-cultivos-de-banana?utm_source=rss-brasil&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VINICIUS SASSINE E LALO DE ALMEIDAPORTO VELHO, RO (FOLHAPRESS0 &#8211; O rio Madeira, o maior<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":191127,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-191126","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/191126","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=191126"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/191126\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/191127"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=191126"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=191126"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=191126"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}