{"id":187714,"date":"2024-08-11T10:08:29","date_gmt":"2024-08-11T13:08:29","guid":{"rendered":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2024\/08\/11\/crise-de-violencia-se-agrava-no-chile-e-populacao-culpa-migrantes-da-venezuela\/"},"modified":"2024-08-11T10:08:29","modified_gmt":"2024-08-11T13:08:29","slug":"crise-de-violencia-se-agrava-no-chile-e-populacao-culpa-migrantes-da-venezuela","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2024\/08\/11\/crise-de-violencia-se-agrava-no-chile-e-populacao-culpa-migrantes-da-venezuela\/","title":{"rendered":"Crise de viol\u00eancia se agrava no Chile, e popula\u00e7\u00e3o culpa migrantes da Venezuela"},"content":{"rendered":"<p>MARIANNA HOLANDA E RENAN MARRA<br \/>SANTIAGO, CHILE, E S\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; A mais recente crise eleitoral na Venezuela tem aumentado a preocupa\u00e7\u00e3o de pa\u00edses latino-americanos com a possibilidade de uma nova onda de migra\u00e7\u00e3o vinda da ditadura.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\">\u00a0<\/div>\n<p>Isso tamb\u00e9m \u00e9 verdade no Chile, onde o tema est\u00e1 profundamente conectado \u00e0 quest\u00e3o da viol\u00eancia p\u00fablica. A atua\u00e7\u00e3o da gangue venezuelana Tren de Aragua na na\u00e7\u00e3o andina tem sido apontada como um elemento-chave no aumento da sensa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a entre os locais. Ao mesmo tempo, o fato de a fac\u00e7\u00e3o ter origem no pa\u00eds controlado por Nicol\u00e1s Maduro impulsiona casos de xenofobia contra os que fogem de seu regime.<\/p>\n<p>Divulgada na \u00faltima ter\u00e7a-feira (6), a Pesquisa Nacional Urbana de Seguran\u00e7a e Cidadania aponta que, em 2023, 87,6% dos chilenos acreditavam que a criminalidade aumentou no pa\u00eds. Al\u00e9m disso, 21,7% dos entrevistados relatam que ele mesmo ou algu\u00e9m de sua fam\u00edlia foi v\u00edtima de algum crime no \u00faltimo ano.<\/p>\n<p>Com efeito, dados da Funda\u00e7\u00e3o Paz Cidad\u00e3 mostram que o &#8220;\u00edndice de temor&#8221;, que mede a percep\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a p\u00fablica, atingiu 30,5% no ano passado. Trata-se do maior percentual desde 2000, quando a s\u00e9rie hist\u00f3rica come\u00e7ou.<br \/>Embora a percep\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a seja grande, dados indicam que delitos sem uso de viol\u00eancia, como furtos, n\u00e3o aumentaram. O que tem ocorrido \u00e9 um aumento de casos mais violentos, que t\u00eam mais visibilidade e contribuem para elevar o medo entre a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Crimes de homic\u00eddio e feminic\u00eddio quase dobraram em pouco mais de uma d\u00e9cada, saindo de 522, em 2013, para 1.024 casos no ano passado, segundo dados do Cead (Centro de Estudos e An\u00e1lises Criminais). Roubos envolvendo intimida\u00e7\u00e3o aumentaram de 57,8 mil para 81,9 mil no mesmo per\u00edodo.<\/p>\n<p>Ainda que os \u00edndices de homic\u00eddio no Chile n\u00e3o sejam compar\u00e1veis aos do Brasil \u20136,3 para cada 100 mil habitantes no primeiro, contra 22,8 no segundo\u2013, especialistas afirmam que o pa\u00eds vem registrando crimes que n\u00e3o eram comuns no passado, como assassinatos por encomenda e tr\u00e1fico de migrantes. A Tren de Aragua, formada em uma pris\u00e3o venezuelana em 2014, \u00e9 uma das fac\u00e7\u00f5es apontadas como respons\u00e1vel por esses crimes.<\/p>\n<p>Outros pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul, como Col\u00f4mbia e Peru, tamb\u00e9m registram a presen\u00e7a de integrantes do Tren de Aragua. Mas especialistas dizem que a falta de concorr\u00eancia com outras fac\u00e7\u00f5es t\u00eam favorecido o avan\u00e7o do grupo criminoso no Chile.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 poss\u00edvel que o fechamento das fronteiras devido \u00e0 pandemia tenha favorecido a entrada irregular de migrantes em condi\u00e7\u00f5es muito prec\u00e1rias. Essas pessoas podem ter sido for\u00e7adas a participar de crimes para sobreviver ou melhorar o seu n\u00edvel de vida. Isso pode ter alimentado o crime organizado&#8221;, diz Sim\u00f3n Escoffier, professor da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Chile.<\/p>\n<p>O \u00cdndice Global do Crime Organizado, divulgado em 2023, aponta &#8220;ind\u00edcios de controle territorial por quadrilhas criminosas, bem como fen\u00f4menos pouco habituais [no Chile], como os &#8220;narcofunerais&#8221; -cortejos em homenagem a traficantes e criminosos mortos.<\/p>\n<p>Nas ruas, as pessoas relatam a piora na seguran\u00e7a p\u00fablica. A estudante Paloma Urodia, 22, conta que j\u00e1 foi assaltada duas vezes em seu bairro, uma delas com arma de fogo. &#8220;Me sinto mais insegura na rua com 22 anos do que com 15&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>O motorista de \u00f4nibus Arturo Mu\u00f1oz, 47, compartilha do temor de Paloma. Ele conta que, diariamente, v\u00ea em seus trajetos os famosos &#8220;lanzasos&#8221;, que ocorrem quando o criminoso passa, de bicicleta ou moto, e rouba o celular de um pedestre.<\/p>\n<p>A reportagem presenciou um furto desse tipo no centro de Santiago, contra uma brasileira, a menos de 1 km da sede do governo, o Pal\u00e1cio de La Moneda \u2013onde o presidente Luiz In\u00e1cio Lula da Silva (PT) esteve com seu hom\u00f3logo chileno, Gabriel Boric, na semana passada.<\/p>\n<p>Apesar da incid\u00eancia desses casos, o que mais preocupa a popula\u00e7\u00e3o s\u00e3o os epis\u00f3dios mais violentos. Mu\u00f1oz j\u00e1 foi assaltado tr\u00eas vezes com arma de fogo no \u00f4nibus em que trabalha. &#8220;O criminoso chileno faz um roubo surpresa, leva o celular, mete a m\u00e3o no bolso, mas nunca tinha assalto com pistola como agora. Depois de roubar tudo, praticamente te matam. H\u00e1 sic\u00e1rios&#8221;, disse.<br \/>Mu\u00f1oz acusa os imigrantes pelo aumento da viol\u00eancia. Segundo ele, &#8220;agora entra de tudo, inclusive migrantes clandestinos e que fazem parte do crime organizado&#8221;.<\/p>\n<p>Com uma popula\u00e7\u00e3o de cerca de 19,6 milh\u00f5es de pessoas, o Chile tem atualmente quase 3 milh\u00f5es de imigrantes em situa\u00e7\u00e3o legal. Destes, 23% s\u00e3o peruanos, e outros 23%, venezuelanos. O segundo grupo, composto por 693 mil pessoas, tem chegado com mais for\u00e7a nos \u00faltimos anos, devido \u00e0 crise econ\u00f4mica e pol\u00edtica na Venezuela.<\/p>\n<p>Em conjunto com o aumento da inseguran\u00e7a p\u00fablica, a maior quantidade de migrantes levou os casos de xenofobia a tamb\u00e9m crescerem. Um venezuelano que preferiu n\u00e3o se identificar relatou \u00e0 Folha que j\u00e1 teve de intervir em brigas e confus\u00f5es para defender amigos de seu pa\u00eds que foram discriminados.<\/p>\n<p>No Chile h\u00e1 quatro anos, ele trabalha de noite como frentista e de dia, como motorista de aplicativo \u2013pintada em tinta branca, a frase &#8220;Venezuela \u00e9 livre&#8221; pode ser lida no vidro traseiro de seu carro.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos meses, casos de viol\u00eancia na na\u00e7\u00e3o andina ganharam tamb\u00e9m proje\u00e7\u00e3o internacional. Em julho, a brasileira Maressa Crisley Nunes foi agredida durante um assalto e sofreu uma tentativa de estupro. Em abril, outro crime teve ampla repercuss\u00e3o \u2013tr\u00eas &#8220;carabineiros&#8221; (como s\u00e3o chamados os agentes de policiamento ostensivo chilenos) foram mortos numa emboscada no sul do pa\u00eds, e seus corpos acabaram carbonizados.<\/p>\n<p>Os debates sobre medidas de seguran\u00e7a t\u00eam mobilizado os congressistas chilenos. Entre as propostas em discuss\u00e3o est\u00e3o novas regras para o uso da for\u00e7a pela pol\u00edcia, al\u00e9m da cria\u00e7\u00e3o de um Minist\u00e9rio da Seguran\u00e7a, separado do Minist\u00e9rio do Interior.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, autoridades chilenas buscam se preparar para a eventual chegada de mais venezuelanos.<\/p>\n<p>O presidente do Senado chileno, Jos\u00e9 Garc\u00eda Ruminot, que \u00e9 de um partido de direita e faz oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 Boric, disse \u00e0 reportagem que \u00e9 preciso refor\u00e7ar o controle migrat\u00f3rio. Mas, acrescentou, a origem do problema est\u00e1 em Caracas, e ele diminuir\u00e1 &#8220;se a Venezuela recuperar sua democracia e prosperidade&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Mundo<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/mundo\/2185864\/crise-de-violencia-se-agrava-no-chile-e-populacao-culpa-migrantes-da-venezuela?utm_source=rss-mundo&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>MARIANNA HOLANDA E RENAN MARRASANTIAGO, CHILE, E S\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; A mais recente<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":187715,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-187714","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/187714","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=187714"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/187714\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/187715"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=187714"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=187714"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=187714"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}