{"id":186686,"date":"2024-08-03T13:08:23","date_gmt":"2024-08-03T16:08:23","guid":{"rendered":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2024\/08\/03\/morre-antonio-meneses-um-dos-principais-musicos-de-sua-geracao-aos-66-anos\/"},"modified":"2024-08-03T13:08:23","modified_gmt":"2024-08-03T16:08:23","slug":"morre-antonio-meneses-um-dos-principais-musicos-de-sua-geracao-aos-66-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2024\/08\/03\/morre-antonio-meneses-um-dos-principais-musicos-de-sua-geracao-aos-66-anos\/","title":{"rendered":"Morre Antonio Meneses, um dos principais m\u00fasicos de sua gera\u00e7\u00e3o, aos 66 anos"},"content":{"rendered":"<p>JO\u00c3O BATISTA NATALI<br \/>S\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; O violoncelista Antonio Meneses, que era considerado o mais prestigiado m\u00fasico brasileiro em atividade no mundo, morreu na manh\u00e3 deste s\u00e1bado (3), tarde na Basileia, na Sui\u00e7a, onde morava, aos 66 anos. A informa\u00e7\u00e3o foi confirmada por sua mulher, Satoko Kuroda.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\">\u00a0<\/div>\n<p>Ele estava tratando um c\u00e2ncer e chegou a suspender seus cursos e apresenta\u00e7\u00f5es em julho.<\/p>\n<p>Meneses estava entre os 20 maiores nomes mundiais de seu instrumento, unindo uma t\u00e9cnica impec\u00e1vel \u00e0 sensibilidade musical dos g\u00eanios, o que permitia uma vis\u00e3o aprofundada de um imenso repert\u00f3rio que, para ele, cobria do barroco \u00e0s composi\u00e7\u00f5es contempor\u00e2neas.<\/p>\n<p>Ele j\u00e1 tivera problemas de sa\u00fade em 2011, quando foi operado de um tumor ben\u00edgno no pulso direito \u2013\u00e9 a m\u00e3o com que os violoncelistas empunham o arco\u2013, for\u00e7ando-o a interromper por algumas semanas a rela\u00e7\u00e3o que mantinha desde menino com o instrumento.<\/p>\n<p>Nasceu em Recife, em 1957. Seu pai era m\u00fasico de trompa e passou em um concurso para a orquestra do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, mudando-se para aquela cidade quando Antonio tinha apenas um ano.<\/p>\n<p>Come\u00e7ou a estudar o instrumento de cordas aos 10 anos com a professora Nydia Otero, e em quatro anos, com um talento e uma precocidade excepcionais, j\u00e1 integrava o naipe dos violoncelos da OSB (Orquestra Sinf\u00f4nica Brasileira). Dois anos antes, com um conjunto sinf\u00f4nico juvenil, foi pela primeira vez solista de um concerto, interpretando uma pe\u00e7a de Vivaldi, compositor veneziano do s\u00e9culo 18.<\/p>\n<p>Em sua p\u00e1gina na internet, Meneses relaciona a grava\u00e7\u00e3o de 43 CDs. N\u00e3o incluiu na lista os LPs dos tempos anal\u00f3gicos e nem os registros feitos entre outubro de 1998 e 2008 com o Trio Beaux Arts, grupo de c\u00e2mara que por meio s\u00e9culo teve a lideran\u00e7a, ao piano, de Menahem Pressley, m\u00fasico nascido na Alemanha e cidad\u00e3o israelense. Foi no trio que o instrumentista brasileiro tornou-se o terceiro e \u00faltimo ocupante da vaga de violoncelo.<\/p>\n<p>O trio, completado em sua \u00faltima forma\u00e7\u00e3o pelo violinista sul-africano Daniel Hope, tem um hist\u00f3rico exemplar na m\u00fasica de c\u00e2mara do s\u00e9culo 20. Meneses via Pressley, que morreu em maio do ano passado, como seu maior mestre na compreens\u00e3o da m\u00fasica. Disse que poderia at\u00e9 considerar muito boas as grava\u00e7\u00f5es que fizera antes de integrar o Beaux Arts. Mas o prod\u00edgio e a profundidade vieram apenas com os ensinamentos do veterano pianista.<\/p>\n<p>Mas voltemos ao Rio do in\u00edcio dos anos 1970. Mesmo dilu\u00eddo na sonoridade dos demais violoncelistas da orquestra, a presen\u00e7a de Meneses foi notada pelo professor italiano Ant\u00f4nio Janigro, que o convidou a estudar com ele na cidade alem\u00e3 de Dusseldorf.<\/p>\n<p>O violoncelista juntou suas poucas economias, abandonou o colegial e foi para a Europa, onde Janigro, disse, ensinou-lhe a disciplina e a l\u00f3gica do instrumento. Prosseguiu seus estudos numa outra cidade alem\u00e3, Stuttgart, e em 1977 ganhou seu primeiro pr\u00eamio importante, o do concurso ADR, de Munique.<\/p>\n<p>Ficou na frente de 40 candidatos. A Filarm\u00f4nica de Berlim contata seu empres\u00e1rio, e em 1981 ele grava com a orquestra \u2013regida por Herbert von Karajan e em companhia da violinista Anne-Sophie Mutter. No ano seguinte, al\u00e7ou novo voo, bem mais alto. Candidatou-se e venceu o Concurso Tchaikhovski, de Moscou. Estava com 25 anos e um bom futuro pela frente. Karajan o chamou para gravar &#8220;Don Quixote&#8221;, de Richard Strauss.<\/p>\n<p>Seguiu-se um per\u00edodo em que Antonio Meneses, sem a personalidade inflada das celebridade, se acomodou numa posi\u00e7\u00e3o discreta. Passou a lecionar numa universidade. Deixou de circular pela nata das salas europeias de concerto. E seu nome desinflou por encanto.<\/p>\n<p>Escondido pelas atividades acad\u00eamicas, ele fez o oposto que outro brasileiro do qual bastante se fala, o pianista Nelson Freire. E h\u00e1 um poss\u00edvel paralelo com outra violoncelista, bem mais jovem que Meneses, a argentina Sol Gabettta. Vencedora dos dois concursos que ele tamb\u00e9m venceu, o de Munique e o de Moscou, ela foi lan\u00e7ada de imediato por empres\u00e1rios a festivais e como solista de grandes orquestras.<\/p>\n<p>Meneses fez o mesmo trajeto. Mas com um pouco mais de idade e precisando lembrar aos mel\u00f4manos de toda a Europa de sua pr\u00f3pria exist\u00eancia. Seu jeit\u00e3o t\u00edmido e retra\u00eddo dificultou esse caminho.<\/p>\n<p>Mas o fato \u00e9 que Meneses voltou a circular. Relacionou-se com grandes maestros e foi programado pelas grandes orquestras. Continuou a lecionar, dando aulas na Espanha, It\u00e1lia e na Su\u00ed\u00e7a, onde se tornou titular do Conservat\u00f3rio de Berna.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo ele, um m\u00fasico para muitos j\u00e1 bem &#8220;europeu&#8221;, fez de tudo para preencher ao m\u00e1ximo sua agenda com o Brasil, pa\u00eds que ainda era o dele.<br \/>Seus compromissos mais recente, antes de adoecer, demonstraram o conte\u00fado brasileiro de sua m\u00fasica. No final do ano passado, estreou em Belo Horizonte, com a Filarm\u00f4nica de Minas Gerais, regida por F\u00e1bio Mechetti, o Concerto para Violoncelo de Andr\u00e9 Mehmari. Fez duo com o jovem pianista Cristian Budu e gravou \u00e1lbum com pe\u00e7as de compositores franceses. E entrou no projeto da Osesp na grava\u00e7\u00e3o integral das obras de Villa-Lobos. Sob a reg\u00eancia de Isaac Karabtchevsky, lan\u00e7ou disco com os dois concertos e a Fantasia que o compositor brasileiro escreveu para seu instrumento e orquestra sinf\u00f4nica.<\/p>\n<p>Esse apego pelo Brasil foi demonstrado em &#8220;Arquitetura da Emo\u00e7\u00e3o&#8221;, excelente livro sobre Meneses feito pelos jornalistas Jo\u00e3o Luiz Sampaio e Luciana Medeiros. Dentro da mesma l\u00f3gica, h\u00e1 cinco anos Meneses estreou um concerto para violoncelo do brasileiro Marlos Nobre. E foi, h\u00e1 bem mais tempo, num Festival de Inverno de Campos do Jord\u00e3o, que o violoncelista, numa s\u00f3 tarde, preparou apresenta\u00e7\u00e3o em companhia da pianista portuguesa Maria Jo\u00e3o Pires, que em seguida acabou rendendo um novo \u00e1lbum.<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Cultura<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/ultima-hora\/2182403\/morre-antonio-meneses-um-dos-principais-musicos-de-sua-geracao-aos-66-anos?utm_source=rss-cultura&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>JO\u00c3O BATISTA NATALIS\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; O violoncelista Antonio Meneses, que era considerado o<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":186687,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-186686","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/186686","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=186686"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/186686\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/186687"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=186686"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=186686"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=186686"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}