{"id":186494,"date":"2024-08-01T20:08:25","date_gmt":"2024-08-01T23:08:25","guid":{"rendered":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2024\/08\/01\/por-que-brasileiros-fazem-shows-no-exterior-mesmo-sem-lucro-ou-gringos\/"},"modified":"2024-08-01T20:08:25","modified_gmt":"2024-08-01T23:08:25","slug":"por-que-brasileiros-fazem-shows-no-exterior-mesmo-sem-lucro-ou-gringos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2024\/08\/01\/por-que-brasileiros-fazem-shows-no-exterior-mesmo-sem-lucro-ou-gringos\/","title":{"rendered":"Por que brasileiros fazem shows no exterior, mesmo sem lucro ou gringos"},"content":{"rendered":"<p>LISBOA, PORTUGAL E S\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; Os cantores brasileiros est\u00e3o colecionando carimbos em seus passaportes. Nos \u00faltimos meses, Anitta atravessou os Estados Unidos, a Europa e a Am\u00e9rica Latina com uma turn\u00ea de funk, na mesma \u00e9poca em que as metr\u00f3poles europeias receberam as mesas de mixagem do DJ Pedro Sampaio, as laces -ou perucas- da drag queen Gloria Groove, os pandeiros de Zeca Pagodinho e o bate-cabelo de Joelma e a sofr\u00eancia de Simone Mendes.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\">\u00a0<\/div>\n<p>A mesma demanda reprimida que levou a um crescimento dos shows e festivais no Brasil nos anos passado e retrasado, fruto da pandemia de Covid, agora atinge o exterior. Os artistas, sobretudo os mais jovens, t\u00eam aproveitado as apresenta\u00e7\u00f5es, que t\u00eam como p\u00fablico principal os brasileiros expatriados que n\u00e3o os veem h\u00e1 anos, para tentar lan\u00e7ar ou ampliar suas carreiras internacionais.<\/p>\n<p>Sob custos de produ\u00e7\u00e3o altos, com a viagem dos artistas e de suas equipes, o lucro desses shows \u00e9 menor do que no Brasil e, \u00e0s vezes, chega at\u00e9 a ser nulo. Mas eles n\u00e3o se importam.<\/p>\n<p>Anitta \u00e9 quem melhor exemplifica a tend\u00eancia. Ela encerrou em julho uma turn\u00ea com shows apenas fora do Brasil, a &#8220;The Baile Funk Experience&#8221;, para divulgar o seu \u00faltimo disco, &#8220;Funk Generation&#8221;, no qual canta em ingl\u00eas, espanhol e portugu\u00eas.<\/p>\n<p>Os shows estavam lotados, mas a artista cantou em casas menores do que no Brasil, com capacidade m\u00e9dia para 2.500 pessoas, ante as 15 mil que foram at\u00e9 o Memorial da Am\u00e9rica Latina, em S\u00e3o Paulo, para v\u00ea-la no Carnaval, por exemplo.<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o significa que a cantora tenha atra\u00eddo uma quantidade expressiva de estrangeiros. As plateias dos em Nova York e Paris, por exemplo, eram formadas majoritariamente por brasileiros, segundo relatos de f\u00e3s que estiveram no shows.<\/p>\n<p>&#8220;A gente tem que ser franco. Os brasileiros na Europa se apresentam s\u00f3 para quem fala portugu\u00eas. \u00c0s vezes alcan\u00e7am os nativos de Portugal e os angolanos. Sendo otimista, alguns espanh\u00f3is&#8221;, diz Sandra Gomes, produtora que vive na Su\u00ed\u00e7a e organiza shows de brasileiros na Europa h\u00e1 15 anos.<\/p>\n<p>Anitta e sua equipe n\u00e3o quiseram dar entrevista nem divulgar o balan\u00e7o da turn\u00ea, mas parece estar sendo recompensada. Ela fechou o m\u00eas de julho tendo no M\u00e9xico, e n\u00e3o mais no Brasil, a sua maior base de ouvintes no Spotify, segundo a Chartmetric, startup americana que re\u00fane dados das plataformas de streaming para profissionais da ind\u00fastria musical.<\/p>\n<p>A cantora, que vem tentando ajudar seus colegas no exterior, convidou Pedro Sampaio para abrir cinco shows de sua turn\u00ea. O DJ acaba de voltar da Europa, ap\u00f3s tocar no Rock in Rio Lisboa e aproveitar a viagem para fazer a sua primeira turn\u00ea no continente.<\/p>\n<p>Ele diz que a empreitada n\u00e3o rendeu dinheiro, mas fez seu nome ser mais conhecido no exterior. &#8220;Foi uma constru\u00e7\u00e3o de marca. Tenho que ser realista. Sou forte s\u00f3 no Brasil e em Portugal, mas em Zurique, Amsterd\u00e3 e em Paris ainda quero conquistar p\u00fablico.&#8221;<\/p>\n<p>A afirma\u00e7\u00e3o do DJ \u00e9 corroborada, em partes, pelas paradas musicais. O Chartmetric aponta que, em Portugal e na Fran\u00e7a, de fato as reprodu\u00e7\u00f5es de suas m\u00fasicas cresceram no m\u00eas da turn\u00ea. Por outro lado, seus picos de audi\u00eancia foram registrados em 2022. N\u00e3o h\u00e1 dados sobre os demais pa\u00edses por onde ele passou, porque a plataforma considera os n\u00fameros baixos para registro.<\/p>\n<p>Os cach\u00eas que Sampaio recebeu na Europa -exceto em Portugal- giraram em torno de \u20ac 40 mil, o equivalente a R$ 245 mil, segundo seu empres\u00e1rio, Felipe Almeida. No Brasil, o DJ cobra at\u00e9 60% a mais. E no exterior ele ainda precisou pagar do pr\u00f3prio bolso alimenta\u00e7\u00e3o, hospedagem, cenografia dos shows e transporte para sua equipe, formada por cerca de 15 pessoas.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o vejo como preju\u00edzo&#8221;, diz o DJ. &#8220;Foi um investimento. A gente fez essa turn\u00ea para voltar ainda maior no ano que vem. Para dar um passo fora do Brasil, \u00e9 preciso dar outros cinco para tr\u00e1s l\u00e1 fora.&#8221;<\/p>\n<p>Gloria Groove tamb\u00e9m quer levar sua m\u00fasica para o mundo. Fez dez shows na Europa em junho e julho, pela primeira vez contratada por uma empresa estrangeira de agenciamento art\u00edstico, a WME, o que ela diz ter otimizado seu avan\u00e7o no exterior.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 muito dif\u00edcil uma turn\u00ea internacional ter lucro, ainda mais no meu caso, porque meu pre\u00e7o de produ\u00e7\u00e3o \u00e9 muito alto. Eu sou uma drag queen. Preciso levar figurino, cabelo e equipe de beleza&#8221;, conta.<\/p>\n<p>Com exce\u00e7\u00e3o de Anitta, todo brasileiro que toca fora do Brasil enfrenta a mesma dificuldade, segundo a produtora Sandra Gomes, que fez shows recentes de Leo Santana e Wesley Safad\u00e3o na Europa. Agora, ela planeja uma turn\u00ea do grupo Pixote. &#8220;O lucro n\u00e3o chega aos p\u00e9s do que eles conseguem no Brasil. Mas o que n\u00e3o ganham em cach\u00ea, ganham em estrutura e em conte\u00fado para a carreira&#8221;, diz ela.<\/p>\n<p>Gomes, que trabalhava com eventos no Brasil, conta que decidiu se mudar para trabalhar como produtora na Europa no fim dos anos 2010, ap\u00f3s ter notado uma demanda dos brasileiros expatriados. \u00c0 \u00e9poca, ela diz, a Europa s\u00f3 recebia shows de artistas de MPB, como Caetano Veloso e Gilberto Gil.<\/p>\n<p>A exce\u00e7\u00e3o eram os metaleiros do Sepultura, a banda brasileira com maior expressividade no exterior at\u00e9 hoje -o grupo j\u00e1 tocou em quase 80 pa\u00edses e fez cerca de 2.000 shows internacionais, segundo levantamento do Deltafolha.<\/p>\n<p>&#8220;Quando comecei a frequentar eventos daqui, na Europa, percebi que o &#8216;pov\u00e3o&#8217; n\u00e3o tinha m\u00fasica comercial. A\u00ed trouxe o grupo Revela\u00e7\u00e3o, e eles esgotaram os ingressos&#8221;, diz Gomes. Ela acrescenta que, hoje, o ritmo brasileiro que domina a Europa \u00e9 o funk, porque as batidas envolventes conquistam os estrangeiros de tal forma que eles n\u00e3o se importam com o que \u00e9 dito nas letras.<\/p>\n<p>Mas, entre os artistas consagrados, h\u00e1 espa\u00e7o para outros g\u00eaneros. Zeca Pagodinho se apresentou na Europa no ano passado, cinco anos depois da sua \u00faltima turn\u00ea pelo continente. Sua empres\u00e1ria, Leninha Brand\u00e3o, diz que ele gosta de se apresentar na Europa para rever os f\u00e3s que migraram e dar aos m\u00fasicos de sua equipe a oportunidade de viajar para o exterior.<\/p>\n<p>A diferen\u00e7a \u00e9 que Zeca, diz Brand\u00e3o, n\u00e3o tem objetivo de lucrar com esses shows. Ele quer relaxar, tanto que pede dias livres para descansar entre um show e outro e turistar. &#8220;Zeca ama igrejas. A gente chega e, se der tempo ainda no mesmo dia, vamos visitar igrejas. Ele reza, faz ora\u00e7\u00f5es. Anda at\u00e9 de metr\u00f4, porque tem mais liberdade. Ele se deslumbrou com o metr\u00f4 na Calif\u00f3rnia.&#8221;<\/p>\n<p>Uma das apresenta\u00e7\u00f5es internacionais mais marcantes da carreira de Zeca foi no festival Luminato, em Toronto, no Canad\u00e1, para 20 mil pessoas. \u00c9 nesses eventos, ali\u00e1s, onde os artistas t\u00eam mais chance de se apresentarem para quem n\u00e3o os conhece. O p\u00fablico vai ao evento para ver um astro internacional e, entre um show e outro, pode conhecer um brasileiro.<\/p>\n<p>Os festivais brasileiros em Portugal, por exemplo, invertem a ordem dos shows e atraem mais portugueses do que brasileiros -cerca de 70% do p\u00fablico do \u00faltimo Rock in Rio Lisboa, em junho, era formado por portugueses, segundo a empres\u00e1ria Roberta Medina, que comanda a vers\u00e3o europeia do festival que seu pai, Roberto Medina, criou h\u00e1 quase 40 anos no Rio de Janeiro.<br \/>Em Portugal, a estrutura \u00e9 menor. Enquanto a pr\u00f3xima edi\u00e7\u00e3o do festival no Brasil, em setembro, custou cerca de R$ 1 bilh\u00e3o para ser erguido, a vers\u00e3o portuguesa saiu por um quarto do valor. O controle de custos, dizem os organizadores, \u00e9 essencial para evitar fracassos. Em Las Vegas, o Rock in Rio reuniu astros como Taylor Swift e Metallica, mas n\u00e3o deu lucro e foi cancelado.<\/p>\n<p>O mercado e o p\u00fablico americano, diz Roberto Medina, n\u00e3o receberam bem um festival cheio de estandes de marcas, cujo patroc\u00ednio \u00e9 essencial para viabilizar a empreitada. &#8220;A conversa com patrocinadores americanos \u00e9 muito dif\u00edcil. Os caras s\u00e3o soberbos. &#8216;Um latino n\u00e3o pode fazer o maior evento do mundo&#8217;, eles pensam. Ent\u00e3o eu tirei o p\u00e9 de l\u00e1.&#8221;<\/p>\n<p>Essa foi uma dificuldade enfrentada tamb\u00e9m pelo Coala Festival, que fez seu primeiro evento no exterior, em Cascais, a 30 quil\u00f4metros de Lisboa, ap\u00f3s nove edi\u00e7\u00f5es em S\u00e3o Paulo. &#8220;O Coala era uma marca desconhecida em Portugal. Para captar patroc\u00ednio, a realidade \u00e9 outra. Os investimentos s\u00e3o diferentes&#8221;, diz Fernanda Pereira, s\u00f3cia e l\u00edder de opera\u00e7\u00f5es do evento, que aconteceu em maio.<\/p>\n<p>Organizar um festival ou um show fora do Brasil \u00e9 caro principalmente por causa da estrutura dos eventos, que precisa ser alugada em euro, ante a desvaloriza\u00e7\u00e3o do real, diz Pereira, que n\u00e3o revela se o Coala deu lucro em Portugal nem o quanto gastou para erguer o festival no pa\u00eds.<\/p>\n<p>E artistas que usam um figurino mais complexo enfrentam uma dificuldade \u00e0 parte. \u00c9 o caso de Gloria Groove, que levou maquiagem, figurino e suas laces na pr\u00f3pria mala. &#8220;Tem que viajar de jeito muito esperto, porque a mala pode ser extraviada e n\u00e3o d\u00e1 para ficar sem a roupa do show do dia seguinte.&#8221;<\/p>\n<p>A sa\u00edda, ela diz, \u00e9 ter paci\u00eancia. &#8220;Eu sei que \u00e9 preciso plantar com calma uma carreira internacional. S\u00e3o pelo menos cinco anos para come\u00e7ar a colher alguma coisa de volta.&#8221;<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Fama<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/ultima-hora\/2181576\/por-que-brasileiros-fazem-shows-no-exterior-mesmo-sem-lucro-ou-gringos?utm_source=rss-fama&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>LISBOA, PORTUGAL E S\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; Os cantores brasileiros est\u00e3o colecionando carimbos em<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":186495,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-186494","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-fama-e-tv"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/186494","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=186494"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/186494\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/186495"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=186494"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=186494"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=186494"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}