{"id":18613,"date":"2021-06-21T08:09:33","date_gmt":"2021-06-21T11:09:33","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/06\/21\/irmaos-perdem-o-pai-a-mae-e-o-avo-para-a-covid-saudade-de-abraco\/"},"modified":"2021-06-21T08:09:33","modified_gmt":"2021-06-21T11:09:33","slug":"irmaos-perdem-o-pai-a-mae-e-o-avo-para-a-covid-saudade-de-abraco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/06\/21\/irmaos-perdem-o-pai-a-mae-e-o-avo-para-a-covid-saudade-de-abraco\/","title":{"rendered":"Irm\u00e3os perdem o pai, a m\u00e3e e o av\u00f4 para a Covid: &quot;saudade de abra\u00e7o&quot;"},"content":{"rendered":"<p>RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) &#8211; Ryan Lucatto se arrumava para ir ao enterro do av\u00f4, morto pela Covid-19 no dia anterior, quando o telefone tocou. Era uma funcion\u00e1ria do hospital pedindo que algum parente fosse urgentemente ver sua m\u00e3e, intubada na UTI. Entrou em p\u00e2nico.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>Onze dias antes j\u00e1 havia se despedido do pai, tamb\u00e9m acometido pelo v\u00edrus. Em menos de duas semanas, o estudante de 20 anos e seu irm\u00e3o Ruan, de 10, perderam tr\u00eas dos pilares da fam\u00edlia para a doen\u00e7a. &#8220;Foi surreal. Quando vi, os caix\u00f5es estavam sendo cobertos por terra&#8221;, diz.<br \/>Aconteceu h\u00e1 tr\u00eas meses, mas s\u00f3 agora ele est\u00e1 conseguindo assimilar a trag\u00e9dia. Em muitos momentos, teve que atropelar o luto e renunciar \u00e0 emo\u00e7\u00e3o em favor da raz\u00e3o. Hoje eles come\u00e7am a reconstruir a vida morando com os tios, a av\u00f3 e uma prima em Jundia\u00ed, interior de SP.<\/p>\n<p>Ryan e Ruan est\u00e3o entre os milhares de \u00f3rf\u00e3os de uma pandemia que adoece fam\u00edlias inteiras e j\u00e1 matou meio milh\u00e3o de pessoas no pa\u00eds. S\u00e3o crian\u00e7as e jovens que tentam superar a dor enquanto lidam com novos arranjos familiares e quest\u00f5es de sobreviv\u00eancia.<\/p>\n<p>Muitas vezes, por\u00e9m, a \u00fanica coisa que queriam era um abra\u00e7o. &#8220;\u00c9 minha maior saudade. Um abra\u00e7o forte do meu pai de que vai ficar tudo bem, e um carinhoso da minha m\u00e3e de que se n\u00e3o ficar ela est\u00e1 ali. E o abra\u00e7o de av\u00f4 que cuida e d\u00e1 risada junto&#8221;, se emociona Ryan.<\/p>\n<p>Existem tr\u00eas caminhos para \u00f3rf\u00e3os como eles: serem apadrinhados por parentes, se organizarem por conta pr\u00f3pria, com os irm\u00e3os mais velhos cuidando dos mais novos ou, em \u00faltimo caso, irem para abrigos e para ado\u00e7\u00e3o. O ideal \u00e9 que sempre fiquem no seio familiar, para evitar mais traumas e rupturas.<\/p>\n<p>Mais de um ano depois, ainda n\u00e3o h\u00e1 uma estat\u00edstica oficial de quantos est\u00e3o nessa situa\u00e7\u00e3o no Brasil. &#8220;Isso poderia ser feito facilmente, por meio das certid\u00f5es de \u00f3bito onde consta se a pessoa deixou filho menor ou dos servi\u00e7os de verifica\u00e7\u00e3o de \u00f3bito, por exemplo&#8221;, diz o advogado Ariel de Castro Alves, membro do Instituto Nacional dos Direitos da Crian\u00e7a e do Adolescente.<\/p>\n<p>Ao menos tr\u00eas projetos de lei discutem aux\u00edlios nacionais a esses jovens. Um prev\u00ea pens\u00e3o de R$ 1.100 at\u00e9 os 18 anos, outro cria um fundo financeiro de amparo e o terceiro prop\u00f5e um cadastro para que tenham prioridade em programas sociais.<\/p>\n<p>O governo federal tamb\u00e9m estuda um benef\u00edcio mensal de at\u00e9 R$ 250 aos \u00f3rf\u00e3os da Covid que j\u00e1 fazem parte do Bolsa Fam\u00edlia, segundo o jornal O Estado de S. Paulo. Questionado, o Minist\u00e9rio da Cidadania apenas confirmou que discute uma reformula\u00e7\u00e3o ampla do programa.<\/p>\n<p>Enquanto a ajuda governamental tarda, projetos sociais tentam suprir demandas tanto emergenciais quanto estruturais dessas crian\u00e7as. \u00c9 o caso da campanha Eu Amo Meu Pr\u00f3ximo, que distribui cestas b\u00e1sicas a fam\u00edlias de 175 jovens do Amazonas que perderam m\u00e3e, pai ou ambos.<\/p>\n<p>&#8220;Nosso objetivo \u00e9 que eles sobrevivam, j\u00e1 que perderam quem dava o sustento da casa. S\u00e3o fam\u00edlias muito vulner\u00e1veis, que chegam atrav\u00e9s do Conselho Tutelar ou de hospitais onde os pais faleceram&#8221;, diz a educadora Glauce Galucio, diretora do instituto respons\u00e1vel (Ipeds).<\/p>\n<p>Outro que tem feito esse papel \u00e9 o M\u00e3es que Acolhem, surgido de um grupo de WhatsApp de tr\u00eas m\u00e3es que resolveram ajudar Ryan e Ruan em Jundia\u00ed. Tr\u00eas meses depois, dezenas de volunt\u00e1rios de diversas \u00e1reas d\u00e3o apoio multidisciplinar e constante a 53 \u00f3rf\u00e3os de at\u00e9 21 anos, de oito cidades da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Vamos acompanh\u00e1-los por ao menos dois anos&#8221;, afirma a psic\u00f3loga Renata Zezza, uma das fundadoras. &#8220;Na trag\u00e9dia de Brumadinho, onde fui volunt\u00e1ria, todo mundo ajudou nos primeiros seis meses. Depois, ningu\u00e9m mais lembra que eles existem.&#8221;<\/p>\n<p>O menino Ruan, que tem um leve grau de autismo, passa por psic\u00f3loga, fonoaudi\u00f3loga, psicopedagoga e neuropedagoga gratuitamente e recebeu uma bolsa na escola. Ryan, que est\u00e1 no \u00faltimo ano de pedagogia, ganhou um curso de ingl\u00eas, entre outros aux\u00edlios. A m\u00e3e era diarista, e o pai, motoboy.<\/p>\n<p>J\u00e1 o pedreiro Gerson, 52, e a cabeleireira Adriana Zafalon, 43, conseguiram alugar uma casa maior com apoio de uma vaquinha do projeto, depois que perderam a filha e tiveram que assumir os tr\u00eas netos junto aos outros dois filhos.<\/p>\n<p>Mayara, de 26 anos, foi ao hospital quando pegou Covid mas, preocupada com as crian\u00e7as, voltou para casa naquele s\u00e1bado. Na segunda, teve um pouco de falta de ar e melhorou. Na ter\u00e7a cedo, o pai a encontrou deitada num colch\u00e3ozinho no ch\u00e3o, j\u00e1 morta.<\/p>\n<p>De repente, se viram com cinco crian\u00e7as de um a 15 anos num apartamento de dois quartos. &#8220;Tentei at\u00e9 montar uma caminha, mas a porta n\u00e3o abria&#8221;, conta ele. &#8220;Os dois mais velhos pararam a vida de crian\u00e7a para pegar beb\u00ea no colo, lavar lou\u00e7a, lavar roupa&#8221;.<\/p>\n<p>Est\u00e3o vivendo assim por enquanto, tentando conciliar a falta de emprego com os cuidados. Nem sempre d\u00e1. &#8220;Cada vez que toca no assunto v\u00eam os choros, at\u00e9 falta de ar. Minha filha de nove anos caiu na realidade agora, meu filho de 15 vive em crise, e a de tr\u00eas \u00e9 a que mais d\u00e1 trabalho, chamando a m\u00e3e. Ela n\u00e3o sabe nem o que \u00e9 isso.&#8221;<\/p>\n<p>A psicanalista Maya Balduino, que lida frequentemente com o luto, explica que, at\u00e9 os tr\u00eas anos de idade, a morte \u00e9 percebida apenas como aus\u00eancia. At\u00e9 os cinco, normalmente, come\u00e7a-se a assimilar o fim da vida. A partir dos seis, vem a compreens\u00e3o de que ele \u00e9 inevit\u00e1vel e irrevers\u00edvel. A consci\u00eancia da finitude vem, em m\u00e9dia, depois dos nove. &#8220;O ideal \u00e9 comunicar o falecimento \u00e0s crian\u00e7as explicando que a pessoa morreu e n\u00e3o voltar\u00e1&#8221;, diz.<\/p>\n<p>No caso da Covid, a morte vem como num acidente repentino. &#8220;Cada dia \u00e9 um processo novo, \u00e9 muito atordoante. Num segundo voc\u00ea est\u00e1 bem, no outro voc\u00ea se pega pensando se \u00e9 verdade, em como poderia ser diferente. Vem a vontade de chorar, gritar, espernear. Ent\u00e3o eu grito, choro, esperneio. \u00c9 preciso passar por todas essas fases&#8221;, aconselha Ryan.<br \/>*<\/p>\n<p>COMO AJUDAR OS \u00d3RF\u00c3OS DA COVID-19<br \/>Eu Amo Meu Pr\u00f3ximo<br \/>O qu\u00ea: Doa\u00e7\u00e3o de cestas b\u00e1sicas, fraldas e leite<br \/>Onde: Amazonas<br \/>Como doar: bit.ly\/ipedsparadoar<br \/>PIX 41.640.946\/0001-08<br \/>PagSeguro Internet S.A.<br \/>Ag.: 0001, cc: 13055160-9M\u00e3es que Acolhem<br \/>O qu\u00ea: Diversos tipos de apoio a crian\u00e7as e jovens de at\u00e9 21 anos<br \/>Onde: Jundia\u00ed e regi\u00e3o (SP)<br \/>Como se tornar volunt\u00e1rio: forms.gle\/yvTZUi8mR1UGkHQt8<br \/>Como doar&#8221;<br \/>PIX (11) 99701-5319<br \/>Stone Pagamentos<br \/>Ag.: 0001, cc: 951902-6<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Brasil<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/brasil\/1815570\/orfaos-da-covid-lidam-com-luto-sobrevivencia-e-saudade-de-abraco?utm_source=rss-brasil&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) &#8211; Ryan Lucatto se arrumava para ir ao enterro do<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":18614,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-18613","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18613","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18613"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18613\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/18614"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18613"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18613"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18613"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}