{"id":185959,"date":"2024-07-28T13:09:15","date_gmt":"2024-07-28T16:09:15","guid":{"rendered":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2024\/07\/28\/protocolo-internacional-usado-por-peritos-ajudou-a-identificar-99-das-vitimas-no-rs\/"},"modified":"2024-07-28T13:09:15","modified_gmt":"2024-07-28T16:09:15","slug":"protocolo-internacional-usado-por-peritos-ajudou-a-identificar-99-das-vitimas-no-rs","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2024\/07\/28\/protocolo-internacional-usado-por-peritos-ajudou-a-identificar-99-das-vitimas-no-rs\/","title":{"rendered":"Protocolo internacional usado por peritos ajudou a identificar 99% das v\u00edtimas no RS"},"content":{"rendered":"<p>LUANY GALDEANO<br \/>RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS0 &#8211; Enchentes no Rio Grande do Sul, rompimento da barragem de Brumadinho (MG) e queda do voo da Air France. Eventos com n\u00famero elevado de mortes exigem trabalho intenso dos servidores que identificam corpos para dar um desfecho aos familiares de quem perdeu a vida. Para isso, eles adotam um protocolo que ajuda peritos a identificar 99% das v\u00edtimas.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\">\u00a0<\/div>\n<p>Em desastres, dezenas de cad\u00e1veres chegam ao mesmo tempo ao necrot\u00e9rio, desafiando a capacidade dos servidores de atenderem a todos. Somado a isso, n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o suficiente para armazenar os corpos, sobretudo em cidades menores.<\/p>\n<p>Nesses casos, a per\u00edcia adota o protocolo DVI, sigla em ingl\u00eas para Identifica\u00e7\u00e3o de V\u00edtimas de Desastres. O procedimento \u00e9 diferente de uma investiga\u00e7\u00e3o de homic\u00eddio, em que o objetivo do legista \u00e9 identificar a causa da morte. No desastre, a prioridade \u00e9 descobrir quem \u00e9 a v\u00edtima.<br \/>Esta \u00e9 a segunda reportagem da s\u00e9rie N\u00e3o Identificado, de Vida P\u00fablica, uma parceria entre a Folha e o Instituto Rep\u00fablica.org, que mostra o trabalho de peritos.<\/p>\n<p>O protocolo estabelece um planejamento pr\u00e9vio que ajuda os peritos a n\u00e3o perderem tempo para se organizarem quando o desastre ocorre. Cada servidor j\u00e1 sabe sua fun\u00e7\u00e3o, desde o m\u00e9dico legista -que examina o cad\u00e1ver- at\u00e9 o assistente social \u2013que avisa os familiares das v\u00edtimas identificadas.<br \/>Em todo o pa\u00eds, os protocolos seguem uma mesma linha de trabalho, baseada em guia da Interpol.<\/p>\n<p>Quando os corpos ainda t\u00eam m\u00e3os, os peritos tentam identificar a impress\u00e3o digital, cujas informa\u00e7\u00f5es est\u00e3o cadastradas em bancos da pol\u00edcia. Mesmo nos carbonizados \u00e9 poss\u00edvel coletar as digitais: quando uma pessoa morre queimada, ela costuma fechar a m\u00e3o, preservando as impress\u00f5es.<br \/>Tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel descobrir quem \u00e9 a v\u00edtima pela arcada dent\u00e1ria, quando h\u00e1 exames odontol\u00f3gicos pr\u00e9vios.<\/p>\n<p>Se nada disso for poss\u00edvel, os peritos comparam o DNA do cad\u00e1ver com o de familiares que indicaram seu desaparecimento. \u00c9 a \u00faltima alternativa, pois tem um custo elevado.<\/p>\n<p>No Rio Grande do Sul, a ades\u00e3o ao protocolo ajudou a per\u00edcia a reconhecer 99% dos mortos nas enchentes deste ano. L\u00e1, cinco servidores atuaram ao mesmo tempo para identificar cada corpo, coletando material gen\u00e9tico, impress\u00e3o digital e analisando a arcada dent\u00e1ria.<\/p>\n<p>&#8220;Precisamos seguir o protocolo principalmente devido ao grande volume de v\u00edtimas. Os profissionais trabalharam simultaneamente no corpo para n\u00e3o perdermos tempo&#8221;, diz Rosane Baldasso, perita criminal e coordenadora da comiss\u00e3o permanente de atendimento a desastres em massa no Instituto-Geral de Per\u00edcias do estado.<\/p>\n<p>Mesmo nos piores dias de chuva, os ga\u00fachos n\u00e3o deixaram de ir ao IML em busca de respostas sobre seus entes desaparecidos.<br \/>Ao chegar ao instituto, eles respondiam a perguntas sobre caracter\u00edsticas da poss\u00edvel v\u00edtima que ajudassem a identific\u00e1-la, como uso de pr\u00f3teses, aparelhos ou tatuagens. Nessa ocasi\u00e3o, tamb\u00e9m era coletado material gen\u00e9tico dos familiares para exames de DNA.<\/p>\n<p>Em princ\u00edpio, os peritos esperavam receber 500 corpos, j\u00e1 que o n\u00famero de desaparecidos era alto. Foi montado um IML de campanha em um gin\u00e1sio para atender a todos, com cont\u00eaineres para armazenar os cad\u00e1veres, algo tamb\u00e9m previsto em protocolos de DVI.<\/p>\n<p>O n\u00famero de mortos foi menor que o esperado. At\u00e9 agora, 182 foram encontrados e 29 continuam desaparecidos, segundo o governo ga\u00facho.<br \/>Outra trag\u00e9dia clim\u00e1tica com elevado n\u00famero de v\u00edtimas foi a da regi\u00e3o serrana do Rio de Janeiro, em 2011. Na \u00e9poca, o protocolo do DVI ainda estava sendo criado no estado, o que atrasou a identifica\u00e7\u00e3o dos corpos. Foram mais de 900 mortos pelo temporal.<\/p>\n<p>Depois disso, a pol\u00edcia do Rio adotou o protocolo de forma mais ampla, hoje ensinado na forma\u00e7\u00e3o de novos oficiais. Nas chuvas que afetaram a mesma regi\u00e3o em 2022, 98% das v\u00edtimas foram identificadas.<\/p>\n<p>&#8220;Os poucos n\u00e3o identificados foram por aus\u00eancia de condi\u00e7\u00f5es do material humano&#8221;, conta Maura Cristina \u00e9 papiloscopista da pol\u00edcia do estado e estava no IML de Petr\u00f3polis nas chuvas de 2011. &#8220;Hoje, os profissionais j\u00e1 entendem as fases e sabem como trabalhar dentro de cada uma, o que facilita a resposta.&#8221;<\/p>\n<p>Em Brumadinho, a for\u00e7a da lama que invadiu o entorno da barragem fragmentou os corpos, o que desafiou o trabalho dos peritos. Por isso, houve v\u00edtimas que precisaram ser identificadas mais de uma vez.<br \/>Na ocasi\u00e3o, os corpos ficaram armazenados em caminh\u00f5es frigor\u00edficos. Tamb\u00e9m foram criadas esta\u00e7\u00f5es de trabalho para que passassem por todas as etapas de identifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Se o cad\u00e1ver n\u00e3o tivesse m\u00e3os, era higienizado e passava por outros exames, como o de DNA e odontol\u00f3gico, segundo a papiloscopista Natalia Silva, do IML de Belo Horizonte.<\/p>\n<p>Para Natalia, que passou meses trabalhando em Brumadinho, uma das partes mais dif\u00edceis foi lidar com a como\u00e7\u00e3o social. Na \u00e9poca, parentes das v\u00edtimas aguardavam na porta do IML, procurando informa\u00e7\u00f5es sobre os desaparecidos.<\/p>\n<p>&#8220;No in\u00edcio, n\u00e3o t\u00ednhamos no\u00e7\u00e3o do tamanho do acidente. No fim, foi um trabalho que durou meses, porque os corpos levaram muito tempo para serem encontrados&#8221;, diz. &#8220;Eu tentava trabalhar e n\u00e3o pensar em nada, mas s\u00f3 consegui descansar depois que acabou.&#8221;<\/p>\n<p>No desastre da Air France, em 2009, os peritos da Pol\u00edcia Federal se deslocaram a Fernando de Noronha (PE), onde foi feito um IML de campanha para receber e armazenar o volume elevado de corpos. Ao todo, foram 228 mortos.<\/p>\n<p>Marco Antonio de Souza \u00e9 papiloscopista da Pol\u00edcia Federal. Al\u00e9m do desastre da Air France, trabalhou em casos como Brumadinho e na identifica\u00e7\u00e3o de Dom Phillips e Bruno Pereira, Teori Zavascki e Eduardo Campos.<br \/>O papiloscopista diz que, na \u00e9poca do acidente no voo Rio-Paris, o protocolo tamb\u00e9m ainda n\u00e3o estava bem estabelecido na PF. &#8220;N\u00e3o sab\u00edamos exatamente quantas v\u00edtimas seriam encontradas e est\u00e1vamos com medo de n\u00e3o conseguir capacidade de processamento&#8221;, diz.<\/p>\n<p>A lista de passageiros reduziu o campo de busca, mas n\u00e3o foi o suficiente. Apenas 58 eram brasileiros e tinham dados cadastrados em bancos nacionais. Para os estrangeiros, a Interpol teve que buscar material gen\u00e9tico e impress\u00e3o digital nas casas das v\u00edtimas, que ajudaram a identificar os demais.<br \/>O acidente, al\u00e9m de grandes eventos que ocorreram no Brasil a partir de 2009, fez a PF melhorar e ampliar a ado\u00e7\u00e3o do protocolo.<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Brasil<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/brasil\/2179558\/protocolo-internacional-usado-por-peritos-ajudou-a-identificar-99-das-vitimas-no-rs?utm_source=rss-brasil&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>LUANY GALDEANORIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS0 &#8211; Enchentes no Rio Grande do Sul, rompimento da<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":185960,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-185959","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/185959","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=185959"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/185959\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/185960"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=185959"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=185959"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=185959"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}