{"id":183136,"date":"2024-07-06T12:08:41","date_gmt":"2024-07-06T15:08:41","guid":{"rendered":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2024\/07\/06\/mulheres-entram-para-historia-das-forcas-armadas-e-se-tornam-primeiras-combatentes-da-marinha\/"},"modified":"2024-07-06T12:08:41","modified_gmt":"2024-07-06T15:08:41","slug":"mulheres-entram-para-historia-das-forcas-armadas-e-se-tornam-primeiras-combatentes-da-marinha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2024\/07\/06\/mulheres-entram-para-historia-das-forcas-armadas-e-se-tornam-primeiras-combatentes-da-marinha\/","title":{"rendered":"Mulheres entram para hist\u00f3ria das For\u00e7as Armadas e se tornam primeiras combatentes da Marinha"},"content":{"rendered":"<p>AL\u00c9XIA SOUSA<br \/>RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) &#8211; &#8220;Eu n\u00e3o tinha no\u00e7\u00e3o da grandiosidade disso tudo assim que eu entrei. Somente agora caiu a ficha de que estou entrando para a hist\u00f3ria da Marinha&#8221;, disse a nova soldado fuzileiro naval, Jamille de Souza Franklin, 21.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>Junto de outras 113 jovens mulheres, ela se formou na primeira turma de combatentes da For\u00e7a nesta sexta-feira (5). O grupo passou por quatro meses de treinamento intenso no Centro de Instru\u00e7\u00e3o Almirante Milc\u00edades Portela Alves, no Rio de Janeiro, para integrar a tropa de elite.<\/p>\n<p>A partir de agora, as mulheres passam a ocupar todos os corpos e quadros da Marinha, que \u00e9 a primeira entre as tr\u00eas For\u00e7as Armadas brasileiras a ter participa\u00e7\u00e3o feminina na linha de frente do combate.<\/p>\n<p>&#8220;O mais dif\u00edcil n\u00e3o foi dar conta da parte f\u00edsica, como muitos pensam, mas trabalhar o psicol\u00f3gico e entender que nada pode me limitar&#8221;, afirmou Jamille, que disse se inspirar em outras mulheres, a come\u00e7ar pela pr\u00f3pria m\u00e3e, policial.<\/p>\n<p>&#8220;Tenho tr\u00eas irm\u00e3os e comecei a trabalhar aos 16 anos para ajudar em casa, fazendo de tudo um pouco&#8221;, diz ela, que j\u00e1 foi vendedora, gar\u00e7onete e jovem aprendiz administrativa. &#8220;Agora quero seguir carreira na Marinha, terminar minha gradua\u00e7\u00e3o em educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica, e, daqui a alguns anos, construir minha fam\u00edlia tamb\u00e9m, sonho em ser m\u00e3e&#8221;, disse.<\/p>\n<p>Continuar desbravando as fronteiras nas For\u00e7as Armadas \u00e9 resposta comum entre as novas fuzileiras. Depois de quatro meses de intenso treinamento militar, elas afirmam querer superar mais desafios e abrir caminhos para as futuras gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8220;Sonho com isso desde crian\u00e7a, mas n\u00e3o imaginava como ocuparia esse lugar. Vou seguir carreira na Marinha e ser instrutora para turmas futuras&#8221;, afirmou a catarinense Let\u00edcia Cristina Alves.<\/p>\n<p>Ela saiu do estado pela primeira vez aos 19 anos, direto para o internato no centro de instru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Minha maior dificuldade foi n\u00e3o ter o apoio da minha fam\u00edlia aqui. Isso me desestabilizou muito. No momento em que tivemos libera\u00e7\u00e3o para sair do campus, tive que ficar na casa de uma colega do quartel, que me acolheu&#8221;, contou a jovem.<\/p>\n<p>Nas primeiras semanas, o curso de fuzileiros navais ocorre em regime de internato. Ap\u00f3s dois meses, \u00e9 permitido uma visita de tr\u00eas horas com a fam\u00edlia no centro de treinamento. Somente a partir do terceiro m\u00eas \u00e9 que \u00e9 poss\u00edvel sair, aos finais de semana.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m para Fabiana Damaceno, 20, lidar com o distanciamento da fam\u00edlia foi o mais dif\u00edcil. Ela veio de Iti\u00faba, no interior da Bahia.<\/p>\n<p>&#8220;Eu nunca tinha sa\u00eddo da minha cidade quanto mais do estado, e vir para a capital do Rio de Janeiro foi muito desafiador. Diferente de muitas das minhas colegas aqui, eu n\u00e3o tenho ningu\u00e9m na fam\u00edlia na \u00e1rea militar, ent\u00e3o \u00e9 realmente tudo muito novo para mim&#8221;, conta.<\/p>\n<p>&#8220;Se eu fosse deixar uma mensagem para as pr\u00f3ximas soldados, eu diria para fortalecer a mente e se apegar na sua f\u00e9, naquilo que voc\u00ea acredita. Nunca imaginei que hoje estaria na primeira turma de fuzileiras navais, e deixando um legado para o corpo de fuzileiros, para a Marinha do Brasil, e \u00e0s futuras gera\u00e7\u00f5es de mulheres&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>&#8220;Mas n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil treinar armada, equipada, com mochila pesada, sendo subestimada pela sociedade. Por\u00e9m, quando menos espera, voc\u00ea est\u00e1 concluindo uma corrida de 16 quil\u00f4metros, mesmo com todo esse peso f\u00edsico e mental. Foi o que aconteceu comigo&#8221;, afirmou Fabiana.<\/p>\n<p>Formaram-se nesta sexta 660 novos Soldados Fuzileiros Navais, sendo 546 homens e 114 mulheres. Ap\u00f3s a conclus\u00e3o do curso, os combatentes podem ser designados para servir em organiza\u00e7\u00f5es militares da Marinha em qualquer parte do territ\u00f3rio nacional.<\/p>\n<p>Para isso, os aprendizes passam por rotina intensa de exerc\u00edcios f\u00edsicos e estudos. Mulheres e homens acordam \u00e0s 4h, fazem faxina em seus respectivos alojamentos e se arrumam para entrar em forma\u00e7\u00e3o.<br \/>Somente depois descem para o caf\u00e9 da manh\u00e3 e seguem para o cronograma do dia, com atividades f\u00edsicas e estudos obrigat\u00f3rios em sala de aula. Normalmente, s\u00e3o liberados para dormir a partir das 22h, mas h\u00e1 dias de servi\u00e7o de madrugada.<\/p>\n<p>A rec\u00e9m-soldado Jamille Franklin afirma que a tens\u00e3o para lidar com a rotina intensa reflete em quest\u00f5es fisiol\u00f3gicas. &#8220;A maioria das meninas para de menstruar. Eu, por exemplo, s\u00f3 voltei depois que passamos a ter libera\u00e7\u00e3o de sa\u00edda aqui da base, porque a\u00ed a gente vai em casa e relaxa. Mas, durante o internato, eu n\u00e3o menstruei nenhum dia&#8221;, relatou.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o da capit\u00e3o tenente fuzileiro naval, Giselle Rebou\u00e7as, o desempenho das mulheres nas atividades n\u00e3o sofre impacto por conta do per\u00edodo menstrual.<\/p>\n<p>&#8220;Ningu\u00e9m aponta isso como dificuldade ou empecilho para desenvolver qualquer atividade. \u00c9 uma coisa que a gente tem que lidar, muitas optam pelo uso cont\u00ednuo do anticoncepcional para interromper a menstrua\u00e7\u00e3o. Elas t\u00eam muitas atividades aqu\u00e1ticas, mas conseguem administrar da melhor maneira poss\u00edvel&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>H\u00e1 18 anos na Marinha, a capit\u00e3o tenente foi treinada para ser instrutora da primeira turma de soldadas. &#8220;Fazer parte desse momento hist\u00f3rico \u00e9 muito gratificante, melhor ainda ver o avan\u00e7o das For\u00e7as Armadas com esse progresso na Marinha&#8221;, disse a capit\u00e3o, que vibra ao falar das adapta\u00e7\u00f5es para receber a turma de mulheres.<\/p>\n<p>&#8220;O campus j\u00e1 tinha sistema de videomonitoramento, mas, com a chegada delas, foi feito aprimoramento com c\u00e2meras no entorno do alojamento, onde tamb\u00e9m foi implementado sistema de reconhecimento facial, que permite acesso somente de alunas e instrutoras&#8221;, explicou.<\/p>\n<p>Outra adapta\u00e7\u00e3o foi a compartimenta\u00e7\u00e3o dos banheiros -diferentemente dos homens, elas t\u00eam esse espa\u00e7o individualizado. Tamb\u00e9m foram colocadas tomadas pr\u00f3ximas aos espelhos para uso de secador de cabelo ap\u00f3s as atividades aqu\u00e1ticas.<\/p>\n<p>O capit\u00e3o de mar e guerra Vanderli J\u00fanior, comandante do centro de instru\u00e7\u00e3o, disse que o planejamento para receber a primeira turma de soldados mulheres ocorreu a partir de estudos e interc\u00e2mbios, como o firmado com a Marinha dos Estados Unidos, que j\u00e1 tem atua\u00e7\u00e3o feminina no combate.<\/p>\n<p>&#8220;Houve prepara\u00e7\u00e3o de dez instrutoras porque n\u00e3o t\u00ednhamos militares combatentes femininas, ent\u00e3o trouxemos sargentos m\u00fasicas fuzileiras, que se prepararam por um ano acompanhando a din\u00e2mica desse curso, que \u00e9 bem diferente do que elas fizeram para entrar. A prepara\u00e7\u00e3o f\u00edsica e t\u00e9cnica foi bem intensa para assumir o cargo de instrutoras&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>&#8220;Tamb\u00e9m trouxemos m\u00e9dicas, enfermeiras e fisioterapeutas mulheres. Al\u00e9m disso, chamamos preparadores f\u00edsicos para fazer um trabalho de desenvolvimento muscular gradual. Porque todos s\u00e3o submetidos ao mesmo esfor\u00e7o aqui, mas a composi\u00e7\u00e3o muscular entre homens e mulheres \u00e9 diferente&#8221;, disse o comandante.<\/p>\n<p>A Marinha foi precursora da participa\u00e7\u00e3o feminina, com abertura de vagas, em 1981, mas em fun\u00e7\u00f5es administrativas. Nos anos 1990, houve uma reestrutura\u00e7\u00e3o que ampliou a participa\u00e7\u00e3o em cargos de dire\u00e7\u00e3o, comando e comiss\u00f5es, culminando com a promo\u00e7\u00e3o da primeira oficial general em 2012. Atualmente, 8.362 mulheres fazem parte dos quadros da for\u00e7a.<\/p>\n<p>A atua\u00e7\u00e3o feminina no combate da Marinha antecipa a determina\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio da Defesa que prev\u00ea, a partir de 2025, o alistamento volunt\u00e1rio de mulheres nas For\u00e7as Armadas.<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Brasil<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/politica\/2171200\/mulheres-entram-para-historia-das-forcas-armadas-e-se-tornam-primeiras-combatentes-da-marinha?utm_source=rss-brasil&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>AL\u00c9XIA SOUSARIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) &#8211; &#8220;Eu n\u00e3o tinha no\u00e7\u00e3o da grandiosidade disso tudo<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":183137,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-183136","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/183136","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=183136"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/183136\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/183137"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=183136"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=183136"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=183136"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}