{"id":183025,"date":"2024-07-05T17:08:11","date_gmt":"2024-07-05T20:08:11","guid":{"rendered":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2024\/07\/05\/desistencia-da-compra-de-imovel-como-funciona-a-lei-do-distrato\/"},"modified":"2024-07-05T17:08:11","modified_gmt":"2024-07-05T20:08:11","slug":"desistencia-da-compra-de-imovel-como-funciona-a-lei-do-distrato","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2024\/07\/05\/desistencia-da-compra-de-imovel-como-funciona-a-lei-do-distrato\/","title":{"rendered":"Desist\u00eancia da compra de im\u00f3vel: como funciona a Lei do Distrato?"},"content":{"rendered":"<p>Criada em 2018 para definir regras claras para o cancelamento dos contratos de compra e venda de im\u00f3veis, a Lei dos Distratos (13.786) tem sido motivo de diverg\u00eancias. Advogados que defendem empresas imobili\u00e1rias afirmam que a nova legisla\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem sido capaz de prover a seguran\u00e7a esperada, uma vez que as decis\u00f5es judiciais estariam favorecendo os compradores de im\u00f3veis. Por sua vez, advogados de consumidores rebatem, afirmando que a norma abre brechas para abusos de poder econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>A Lei dos Distratos surgiu depois que os cancelamentos de vendas explodiram nos idos de 2014, quando a economia brasileira entrou em recess\u00e3o. Na \u00e9poca, n\u00e3o havia regras para esse tipo de situa\u00e7\u00e3o, e as decis\u00f5es judiciais geralmente obrigavam as empresas a devolverem em torno de 75% do valor pago pelos consumidores at\u00e9 a entrega do im\u00f3vel.<\/p>\n<\/p>\n<p>Isso gerou desequil\u00edbrios, pois as construtoras tinham a obriga\u00e7\u00e3o de terminar a obra mesmo perdendo a receita das vendas distratadas. A conta n\u00e3o fechava. Muitas empresas entraram no vermelho e algumas at\u00e9 foram para recupera\u00e7\u00e3o judicial, como foi o caso de PDG Realty, Rossi Residencial, Viver, Jo\u00e3o Fortes e Urbplan (antiga Scopel).<\/p>\n<\/p>\n<p>&#8220;Com a san\u00e7\u00e3o da Lei 13.786, foram definidas regras para evitar surpresas. No caso da compra e venda de apartamentos na planta, est\u00e1 prevista a reten\u00e7\u00e3o de 50% do valor pago pelo consumidor at\u00e9 o momento da rescis\u00e3o (quando h\u00e1 patrim\u00f4nio de afeta\u00e7\u00e3o). No caso de lotes adquiridos na planta, a reten\u00e7\u00e3o deve ser de no m\u00e1ximo 10% do valor do contrato. Tamb\u00e9m foi definido na lei que n\u00e3o haver\u00e1 devolu\u00e7\u00e3o da taxa de corretagem, paga diretamente \u00e0 intermediadora, que costuma ser de 4% a 6% do valor total do im\u00f3vel.&#8221;<\/p>\n<\/p>\n<p>Outro ponto importante: as empresas ficam autorizadas a devolver o dinheiro s\u00f3 depois da entrega do im\u00f3vel e do recebimento do Habite-se, de modo a evitar que fiquem sem dinheiro para terminar a obra, prejudicando os outros consumidores que compraram um im\u00f3vel no mesmo empreendimento.<\/p>\n<\/p>\n<p><b>Onde est\u00e1 a diverg\u00eancia<\/b><\/p>\n<p>Os advogados das empresas relatam que muitos magistrados est\u00e3o reduzindo as multas para cerca de apenas 10% do que foi pago, no intuito de aliviar o peso considerado excessivo para consumidores. O tema foi discutido durante o F\u00f3rum Loteamentos Urbanos, organizado pelo Estad\u00e3o. A situa\u00e7\u00e3o preocupa empresas, que veem a\u00ed o risco de um est\u00edmulo \u00e0s rescis\u00f5es de contratos sem justificativa e aplica\u00e7\u00e3o de um valor insuficiente de multas para cobrir os custos de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/p>\n<p>O s\u00f3cio-fundador do escrit\u00f3rio VBD Advogados, Olivar Vitale, fez o mapeamento de mais de 100 decis\u00f5es de distratos e alerta que as multas t\u00eam sido baseadas no que foi pago pelos consumidores durante o andamento do contrato, independente do valor. &#8220;N\u00e3o se analisa o quanto foi pago, se foi 0,5% ou 80%&#8221;, exemplifica.<\/p>\n<\/p>\n<p>Para ele, o risco dessa flexibiliza\u00e7\u00e3o \u00e9 quebrar a empresa e deixar os demais compradores sem receber o im\u00f3vel. &#8220;Vivemos hoje uma inseguran\u00e7a muito grande. Imagine que um loteador vende 300, 400 lotes. Depois, metade desiste da compra. Mesmo assim, ele tem de seguir com a implementa\u00e7\u00e3o da infraestrutura, ruas, saneamento, ilumina\u00e7\u00e3o, etc. Como faz?&#8221;, questiona. &#8220;Muito mais do que proteger o caixa de um empreendedor, a import\u00e2ncia da Lei dos Distratos \u00e9 proteger o adquirente que espera receber o im\u00f3vel&#8221;.<\/p>\n<\/p>\n<p>A s\u00f3cia do escrit\u00f3rio Durazzo Medeiros Advogados, Kelly Durazzo, observa que as multas muitas vezes n\u00e3o t\u00eam sido suficientes para cobrir os custos das empresas com estande, corretagem, financiamentos e a obra em andamento. &#8220;A regra para loteamentos, que \u00e9 10% com base no valor do contrato, \u00e9 reduzida pelo Judici\u00e1rio, passando para ser 10% do pago, que \u00e9 quase nada. H\u00e1 decis\u00f5es em que a multa fica em R$ 200, outras chegam a R$ 1 mil. Obviamente, isso n\u00e3o leva a um resultado positivo.&#8221;<\/p>\n<\/p>\n<p>Em levantamento com 40 casos, Kelly diz que o Judici\u00e1rio cita com recorr\u00eancia o artigo 413 do C\u00f3digo Civil, que prev\u00ea a possibilidade de redu\u00e7\u00e3o de multa quando h\u00e1 o entendimento de que ela \u00e9 considerada excessiva. &#8220;Mas com base em que ela \u00e9 excessiva? Porque em nenhum desses casos julgados trazem a men\u00e7\u00e3o de quanto foi efetivamente pago&#8221;, pondera.<\/p>\n<\/p>\n<p>O advogado e coordenador do conselho jur\u00eddico do Sindicato da Habita\u00e7\u00e3o de S\u00e3o Paulo (Secovi-SP), Marcelo Terra, defende que a lei seria clara nesse tema. &#8220;N\u00e3o deveria ter espa\u00e7o para o Judici\u00e1rio ter interpreta\u00e7\u00e3o diferente&#8221;, afirma.<\/p>\n<\/p>\n<p>O vice-presidente do conselho jur\u00eddico da Associa\u00e7\u00e3o das Empresas de Loteamento Urbano (Aelo), Lu\u00eds Paulo Germanos, diz que esse ambiente coloca em xeque a fun\u00e7\u00e3o social das empresas. &#8220;As empresas recolhem tributos, produzem riqueza, desenvolvem o territ\u00f3rio urbano de forma ordenada e respondem pelo meio ambiente ecologicamente equilibrado&#8221;.<\/p>\n<\/p>\n<p><b>O que diz o advogado dos consumidores<\/b><\/p>\n<p>J\u00e1 quem defende os consumidores pondera que a Lei dos Distratos deve ser aplicada, sim, de forma relativizada. &#8220;N\u00e3o \u00e9 l\u00edcito que quem exer\u00e7a atividades comerciais se enrique\u00e7a em detrimento de consumidores vulner\u00e1veis. \u00c9 \u00f3bvio que a atividade econ\u00f4mica busca o lucro e isso n\u00e3o se condena. O conden\u00e1vel s\u00e3o os abusos e a promo\u00e7\u00e3o de desequil\u00edbrio entre as partes&#8221;, argumenta Marcelo Tapai, s\u00f3cio-fundador do escrit\u00f3rio Tapai Advogados.<\/p>\n<\/p>\n<p>&#8220;Multa de 50% do que foi pago para a loteadora, mais 5% a 6% sobre o valor do neg\u00f3cio a t\u00edtulo de corretagem, o que, em alguns casos, pode chegar a mais de 70% dos valores pagos, \u00e9 enriquecimento sem causa e torna o contrato excessivamente oneroso, especialmente porque a empresa fica com o lote e o revende para terceiros&#8221;, diz Tapai.<\/p>\n<\/p>\n<p>&#8220;Havendo esse claro desequil\u00edbrio, a pr\u00f3pria legisla\u00e7\u00e3o autoriza o juiz a adequar a penalidade para tornar equilibrada a rela\u00e7\u00e3o contratual.&#8221;<\/p>\n<\/p>\n<p><b>Redu\u00e7\u00e3o de multas s\u00f3 em situa\u00e7\u00e3o &#8216;excepcional&#8217;, afirma desembargador<\/b><\/p>\n<p>O desembargador Marcelo Guimar\u00e3es Rodrigues, presidente da 21\u00aa C\u00e2mara C\u00edvel Especializada do Tribunal de Justi\u00e7a de Minas Gerais (TJ-MG) afirma que a possibilidade de redu\u00e7\u00e3o da cl\u00e1usula penal deve ser entendida como uma situa\u00e7\u00e3o excepcional. &#8220;Assim, implica em ser devidamente justificada no caso concreto, dado que, como regra, \u00e9 direito subjetivo do credor exigir a penalidade tal como consta do contrato&#8221;, diz, em entrevista.<\/p>\n<\/p>\n<p>Ele explica que a aplica\u00e7\u00e3o da multa pode, eventualmente, ser flexibilizada com base no artigo 413 do C\u00f3digo Civi, quando &#8220;a obriga\u00e7\u00e3o tiver sido cumprida em parte&#8221; e &#8220;se o montante da penalidade for manifestamente excessivo, tendo-se em vista a natureza e a finalidade do neg\u00f3cio&#8221;.<\/p>\n<\/p>\n<p>&#8220;Digno de nota que nessa normativa consta o adv\u00e9rbio &#8216;equitativamente&#8217;, alusivo \u00e0 no\u00e7\u00e3o de equidade, justamente um dos conceitos jur\u00eddicos indeterminados mais abertos e, assim, prop\u00edcio a diferentes interpreta\u00e7\u00f5es&#8221;, afirma Rodrigues.<\/p>\n<\/p>\n<p>H\u00e1 casos tramitados na justi\u00e7a em que a aplica\u00e7\u00e3o &#8216;integral&#8217; da multa foi validada por ter sido considerada em conformidade com a lei, por for\u00e7a do princ\u00edpio da obrigatoriedade do contrato. Sob esse olhar, a Lei do Distrato \u00e9 vista como uma prote\u00e7\u00e3o da coletividade ao garantir o cumprimento do contrato e que os valores ser\u00e3o utilizados para a conclus\u00e3o da obra e a entrega das unidades a todos os consumidores, aponta.<\/p>\n<\/p>\n<p>Em outras an\u00e1lises, \u00e9 aceit\u00e1vel que a penalidade seja reduzida &#8216;proporcionalmente&#8217; pelo juiz, caso a obriga\u00e7\u00e3o principal tenha sido cumprida em parte, explica o desembargador.<\/p>\n<\/p>\n<p>&#8220;Pode suceder, por exemplo, de o devedor ter cumprido o contrato em sua maior propor\u00e7\u00e3o, por\u00e9m n\u00e3o na parte que mais interessava ao credor. Logo, cabe ao juiz examinar se a presta\u00e7\u00e3o principal comporta o cumprimento parcial&#8221;, diz. &#8220;E se o credor n\u00e3o recebeu qualquer proveito do cumprimento parcial, n\u00e3o haveria, em tese, de se cogitar de reduzir a cl\u00e1usula penal.&#8221;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/ultima-hora\/2170886\/desistencia-da-compra-de-imovel-como-funciona-a-lei-do-distrato?utm_source=rss-economia&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><br \/>\nNot\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Economia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Criada em 2018 para definir regras claras para o cancelamento dos contratos de compra e<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":183026,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[11],"tags":[],"class_list":["post-183025","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-economia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/183025","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=183025"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/183025\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/183026"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=183025"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=183025"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=183025"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}