{"id":18103,"date":"2021-06-17T22:08:20","date_gmt":"2021-06-18T01:08:20","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/06\/17\/de-bob-esponja-a-scooby-doo-gays-estao-saindo-do-armario-em-desenhos-na-tv\/"},"modified":"2021-06-17T22:08:20","modified_gmt":"2021-06-18T01:08:20","slug":"de-bob-esponja-a-scooby-doo-gays-estao-saindo-do-armario-em-desenhos-na-tv","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/06\/17\/de-bob-esponja-a-scooby-doo-gays-estao-saindo-do-armario-em-desenhos-na-tv\/","title":{"rendered":"De &#8216;Bob Esponja&#8217; a &#8216;Scooby Doo&#8217;, gays est\u00e3o saindo do arm\u00e1rio em desenhos na TV"},"content":{"rendered":"<p>S\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; Velma, de &#8220;Scooby-Doo&#8221;, e Betty, de &#8220;Rugrats: Os Anjinhos&#8221;, s\u00e3o l\u00e9sbicas. LeFou, de &#8220;A Bela e a Fera&#8221;, \u00e9 gay. Bob Esponja \u00e9 assexual e a personagem-t\u00edtulo de &#8220;A Lenda de Korra&#8221;, bissexual. J\u00e1 Orochimaru, de &#8220;Naruto&#8221;, tem g\u00eanero fluido.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>Durante a exibi\u00e7\u00e3o original desses desenhos, seus personagens nunca foram oficializados como membros da comunidade LGBT. Mas bastou um pouco de tempo \u2013dias para alguns, anos para outros\u2013 para que suas verdadeiras identidades viessem \u00e0 tona.<\/p>\n<p>Em meio ao atual apelo por maior representatividade na m\u00eddia, pegando carona ainda em estudos que mostram que a diversidade pode ser muito lucrativa, produtores e est\u00fadios est\u00e3o tirando alguns de seus personagens do arm\u00e1rio. Na maioria dos casos, eles aproveitam desenhos que j\u00e1 geravam conex\u00e3o com LGBTs e simplesmente reconhecem o que j\u00e1 era motivo de rumores, numa esp\u00e9cie de &#8220;rebranding&#8221;.<\/p>\n<p>\u00c9 o caso de Betty DeVille, a m\u00e3e dos g\u00eameos Phil e Lil em &#8220;Rugrats: Os Anjinhos&#8221;. O desenho foi exibido nos anos 1990, muito antes da onda colorida que invadiu as telas recentemente, mas \u00e0 medida em que as crian\u00e7as que formaram seu p\u00fablico foram crescendo, surgiram especula\u00e7\u00f5es sobre a personagem, que n\u00e3o seguia o padr\u00e3o feminino das outras mam\u00e3es da trama.<br \/>&#8220;A gente acabava se identificando com esses personagens porque n\u00e3o tinha outra coisa para a gente. Naquela \u00e9poca eles n\u00e3o eram criados com a finalidade de fazer LGBTs se identificarem. Eles estavam l\u00e1 para dar gra\u00e7a \u00e0 hist\u00f3ria&#8221;, diz Fernando Mendon\u00e7a, dublador e criador da anima\u00e7\u00e3o para adultos &#8220;Super Drags&#8221;.<\/p>\n<p>Agora, tr\u00eas d\u00e9cadas depois, a produ\u00e7\u00e3o da Nickelodeon ganhou uma nova vers\u00e3o no Paramount+, na qual Betty \u00e9 oficialmente l\u00e9sbica. Algo parecido aconteceu com Orochimaru, um dos vil\u00f5es da franquia &#8220;Naruto&#8221;, com caracter\u00edsticas que desafiam as barreiras de g\u00eanero. Dezesseis anos depois da primeira vers\u00e3o da s\u00e9rie, na derivada &#8220;Boruto&#8221;, a personagem finalmente disse que pertence ao espectro LGBT.<\/p>\n<p>&#8220;Voc\u00ea \u00e9 a minha m\u00e3e ou o meu pai?&#8221;, perguntam. &#8220;Houve tempos em que fui homem, e tempos em que fui mulher. E tamb\u00e9m algo que n\u00e3o era deste mundo. Apar\u00eancias n\u00e3o importam. A vontade de descobrir toda a verdade \u00e9 a ess\u00eancia do meu ser&#8221;, responde.<br \/>Outros desenhos que nunca tiveram personagens coloridos e que, agora, ao serem relan\u00e7ados, aderiram \u00e0 tend\u00eancia, incluem &#8220;A Fam\u00edlia Radical&#8221;, com um casal de pais gays, &#8220;She-Ra&#8221;, com suas princesas l\u00e9sbicas, e &#8220;A Bela e a Fera&#8221;. O cl\u00e1ssico de 1991 ignorava os pormenores da rela\u00e7\u00e3o de Gaston e seu capanga LeFou, mas este passou a ter um crush no vil\u00e3o musculoso e peludo no live-action de 2017.<\/p>\n<p>O filme, ali\u00e1s, faz parte de um punhado de obras deixadas pelo letrista Howard Ashman, morto por complica\u00e7\u00f5es de Aids em 1991, que v\u00eam sendo reconhecidas pela pr\u00f3pria Disney como acenos \u00e0 comunidade LGBT. No recente document\u00e1rio &#8220;Howard: Sons de um G\u00eanio&#8221;, do Disney+, entrevistados lembram &#8220;Parte do Seu Mundo&#8221;, de &#8220;A Pequena Sereia&#8221;, e &#8220;Can\u00e7\u00e3o da Multid\u00e3o&#8221;, de &#8220;A Bela e a Fera&#8221;, como m\u00fasicas carregadas de insinua\u00e7\u00f5es das agruras de ser gay nos anos 1980 e 1990.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00f3s n\u00e3o gostamos do que n\u00e3o entendemos, na verdade isso nos assusta, e esse monstro \u00e9 misterioso, no m\u00ednimo&#8221;, canta, nesse \u00faltimo, uma horda raivosa com tochas nas m\u00e3os no que seria uma refer\u00eancia \u00e0 epidemia da Aids. No caso do filme submarino, a vil\u00e3 \u00darsula, inspirada na drag queen Divine, tamb\u00e9m \u00e9 dissecada como uma esp\u00e9cie de \u00edcone queer.<\/p>\n<p>&#8220;Eu acho que pessoas LGBTQ sempre se enxergaram em alguns personagens, talvez porque alguns criadores tivessem essa inten\u00e7\u00e3o. Mas, por causa do lugar onde est\u00e1vamos historicamente enquanto sociedade, esses personagens n\u00e3o podiam ser assumidos. Agora fizemos progresso suficiente para que isso ocorra&#8221;, diz Ryan White, produtor do document\u00e1rio &#8220;Visible: Out on Television&#8221;, que explora a hist\u00f3ria dos LGBTs nas telinhas.<\/p>\n<p>&#8220;Quando voc\u00ea n\u00e3o se v\u00ea refletido na m\u00eddia, voc\u00ea precisa ir em busca de si mesmo. Ent\u00e3o com frequ\u00eancia crian\u00e7as LGBTQ se relacionavam com personagens que n\u00e3o eram rotulados dessa forma, mas que tinham caracter\u00edsticas com as quais era f\u00e1cil de se identificar.&#8221;<\/p>\n<p>Mesmo que nunca tenham sido tirados do arm\u00e1rio, alguns personagens famosos do passado at\u00e9 hoje s\u00e3o vistos como \u00edcones queer nas entrelinhas. \u00c9 o caso de Shun, de &#8220;Os Cavaleiros do Zod\u00edaco&#8221;, que usava rosa e precisou deitar colado a outro cavaleiro para que ele n\u00e3o morresse de frio num epis\u00f3dio. Ou de He-Man e seu corpo escultural, coberto por uma sunguinha, que empunhava sua espada com vigor e dizia na abertura de sua s\u00e9rie que tinha &#8220;poderes secretos fabulosos&#8221;.<\/p>\n<p>No cinema, o mesmo aconteceu com &#8220;Frozen: Uma Aventura Congelante&#8221;. A rainha Elsa, que canta sobre o sentimento de se libertar, foi t\u00e3o associada \u00e0 homossexualidade que chegou a ser atacada pela ministra Damares Alves, que disse que o suposto lesbianismo aparece no filme porque &#8220;o c\u00e3o \u00e9 muito bem articulado&#8221;.<\/p>\n<p>Rumores tamb\u00e9m t\u00eam pipocado nas redes sociais por causa de &#8220;Luca&#8221;, nova anima\u00e7\u00e3o da Pixar sobre o poder da amizade entre dois garotos \u2013uma amizade bem passional para um mundo em que homens n\u00e3o s\u00e3o incentivados a demonstrar afeto uns pelos outros.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m de simples rumores e de relan\u00e7amentos coloridos, alguns artistas t\u00eam adotado uma estrat\u00e9gia mais an\u00e1rquica, driblando os est\u00fadios e tirando suas crias do arm\u00e1rio nas redes sociais ou em entrevistas. \u00c9 o caso de Velma, de &#8220;Scooby-Doo! Mist\u00e9rio S\/A&#8221;, de Korra, de &#8220;A Lenda de Korra&#8221;, e de Bob Esponja, declarado assexual por seu criador.<\/p>\n<p>O coment\u00e1rio pode ser uma simples refer\u00eancia ao fato de esponjas marinhas se reproduzirem de forma assexuada, mas o relacionamento do protagonista com a estrela Patrick sempre levantou suspeitas, e a Nickelodeon parece ter embarcado na narrativa, j\u00e1 que tem usado o cal\u00e7a quadrada em posts sobre o Orgulho LGBT em suas redes sociais.<\/p>\n<p>Isso leva a uma outra estrat\u00e9gia pr\u00f3-diversidade, que pode ser considerada muito menos nobre. Em alguns casos, as empresas alimentam especula\u00e7\u00f5es na surdina, mas n\u00e3o s\u00e3o expl\u00edcitas sobre o assunto em seus desenhos.<\/p>\n<p>Neste M\u00eas do Orgulho LGBT, o Cartoon Network, por exemplo, lan\u00e7ou uma linha especial de produtos. O personagem que mais aparece nas estampas \u00e9 Ele, vil\u00e3o que remete ao Diabo de &#8220;As Meninas Superpoderosas&#8221;, e que gera identifica\u00e7\u00e3o com a comunidade LGBT por seu jeito ir\u00f4nico, os pulsos desmunhecados, o visual afeminado e, claro, por ser demonizado por aqueles \u00e0 sua volta.<\/p>\n<p>Essa incorpora\u00e7\u00e3o do mal por parte de personagens sugestivamente LGBTs n\u00e3o \u00e9 de hoje e est\u00e1 presente em praticamente todos os vil\u00f5es da Disney dos anos 1990, como Scar e Jafar, com seus gestos e express\u00f5es delicados.<\/p>\n<p>Muito disso parece ter ficado no passado e, hoje, esfor\u00e7os leg\u00edtimos t\u00eam dado mais cor \u00e0 programa\u00e7\u00e3o infantil. Fernando Mendon\u00e7a, o dublador, e seu namorado recentemente emprestaram suas vozes para &#8220;Segredos M\u00e1gicos&#8221;, o primeiro curta da Pixar com protagonistas gays. S\u00e9ries novas, como &#8220;Gravity Falls&#8221;, &#8220;The Loud House&#8221; e &#8220;Steven Universe&#8221;, tamb\u00e9m engrossam o movimento pela diversidade.<\/p>\n<p>&#8220;Depois de d\u00e9cadas de retrocessos, censura e c\u00f3digos, nos \u00faltimos cinco anos a GLAAD tem ficado encorajada pelos avan\u00e7os de Hollywood em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 representatividade na programa\u00e7\u00e3o para crian\u00e7as e fam\u00edlias&#8221;, avalia Jeremy Blacklow, diretor de entretenimento da organiza\u00e7\u00e3o que monitora a diversidade na m\u00eddia. &#8220;A import\u00e2ncia de ensinar \u00e0s crian\u00e7as sobre aceita\u00e7\u00e3o desde cedo n\u00e3o pode ser subestimada.&#8221;<\/p>\n<p>Mendon\u00e7a concorda. &#8220;A gente tem que mostrar para essas pessoinhas que tudo bem elas serem elas mesmas&#8221;, diz. &#8220;Quem \u00e9 LGBT nasce assim. Ningu\u00e9m vai se tornar gay por causa de um desenho. Eu assisti, a vida inteira, a hist\u00f3rias de pr\u00edncipes e princesas e nem por isso eu fiquei h\u00e9tero.&#8221;<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Cultura<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/ultima-hora\/1814668\/de-bob-esponja-a-scooby-doo-gays-estao-saindo-do-armario-em-desenhos-na-tv?utm_source=rss-cultura&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; Velma, de &#8220;Scooby-Doo&#8221;, e Betty, de &#8220;Rugrats: Os Anjinhos&#8221;, s\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":18104,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-18103","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18103","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18103"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18103\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/18104"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18103"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18103"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18103"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}