{"id":177621,"date":"2024-05-25T13:08:36","date_gmt":"2024-05-25T16:08:36","guid":{"rendered":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2024\/05\/25\/einstein-visitou-brasil-a-contragosto-e-chamou-cientista-de-macaco-mostram-diarios\/"},"modified":"2024-05-25T13:08:36","modified_gmt":"2024-05-25T16:08:36","slug":"einstein-visitou-brasil-a-contragosto-e-chamou-cientista-de-macaco-mostram-diarios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2024\/05\/25\/einstein-visitou-brasil-a-contragosto-e-chamou-cientista-de-macaco-mostram-diarios\/","title":{"rendered":"Einstein visitou Brasil a contragosto e chamou cientista de &#8216;macaco&#8217;, mostram di\u00e1rios"},"content":{"rendered":"<p>DIOGO BERCITO<br \/>S\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; No in\u00edcio de 1925, a Am\u00e9rica do Sul esperava, ansiosa, a chegada de Albert Einstein. Ele tinha uma viagem marcada para Argentina, Uruguai e Brasil. O alem\u00e3o, por outro lado, n\u00e3o compartilhava o entusiasmo dos seus anfitri\u00f5es. A um amigo, reclamou por carta: &#8220;N\u00e3o tenho vontade de encontrar \u00edndios semi-aculturados usando smoking&#8221;.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>Mais tarde, j\u00e1 no Rio de Janeiro, Einstein se encontrou com Aloysio de Castro, chefe da Faculdade de Medicina. Podemos imaginar o que significou para o brasileiro conhecer o pai da teoria da relatividade naquele momento. Sobre Castro, por\u00e9m, o cientista escreveu: &#8220;leg\u00edtimo macaco&#8221;.<\/p>\n<p>S\u00e3o pouco lisonjeiros os relatos reunidos no livro &#8220;Os Di\u00e1rios de Viagem de Albert Einstein: Am\u00e9rica do Sul&#8221;. Os textos revelam alguns pensamentos racistas dessa figura t\u00e3o celebrada. Exp\u00f5em outra coisa tamb\u00e9m, diz Ze&#8217;ev Rosenkranz, que editou o volume: a sua humanidade.<\/p>\n<p>&#8220;Esses escritos apresentam uma imagem mais completa de Einstein, evidenciando seus limites&#8221;, afirma. O alem\u00e3o foi capaz de revolucionar a f\u00edsica. Mas ele adotou, tamb\u00e9m, algumas ideias do racismo cient\u00edfico. &#8220;Isso acaba nos incentivando a repensar nossos pr\u00f3prios preconceitos.&#8221;<br \/>Nascido na Austr\u00e1lia, Rosenkranz trabalha com os di\u00e1rios e cartas de Einstein desde 1988. Foi curador desse material na Universidade Hebraica de Jerusal\u00e9m e \u00e9 hoje editor s\u00eanior no Einstein Papers Project do Instituto de Tecnologia da Calif\u00f3rnia. Casou-se com uma brasileira e acabou de se mudar para S\u00e3o Paulo, onde conversou com a reportagem.<\/p>\n<p>Os di\u00e1rios da viagem de 1925 est\u00e3o entre os documentos mais &#8220;aut\u00eanticos&#8221; de Einstein, afirma. Isso porque tinham um p\u00fablico limitado: o cientista n\u00e3o pensava em publicar os textos. No m\u00e1ximo, compartilharia as suas ideias com alguns amigos e familiares quando voltasse a Berlim.<\/p>\n<p>Uma das coisas que transparecem no relato \u00e9 que Einstein foi para a Am\u00e9rica do Sul quase contra a sua vontade. Decidiu ceder ap\u00f3s uma longa insist\u00eancia das comunidades cient\u00edficas e judaicas da regi\u00e3o. Teve tamb\u00e9m uma motiva\u00e7\u00e3o pessoal, ao que parece: queria se distanciar da secret\u00e1ria com quem tinha um caso e de quem agora tentava se separar.<br \/>De mar\u00e7o a maio, Einstein visitou Argentina, Uruguai e Brasil, reunindo-se com outros cientistas, judeus e alem\u00e3es. Escreveu -de modo sucinto e desconjuntado- 43 p\u00e1ginas de um caderno pautado. O estilo \u00e9 o prov\u00e1vel resultado do pouco tempo que teve entre encontros.<\/p>\n<p>Suas impress\u00f5es do Rio de Janeiro s\u00e3o complexas. H\u00e1, de um lado, o impacto deixado pelo cen\u00e1rio tropical. Uma noite, pelado no quarto do hotel, olhando pela janela, anotou que estava aproveitando &#8220;a vista da ba\u00eda, com incont\u00e1veis ilhas rochosas, verdes e parcialmente desnudas&#8221;.<br \/>A natureza o encantava. J\u00e1 as pessoas, nem tanto.<\/p>\n<p>Ao escrever sobre seus anfitri\u00f5es, Einstein reciclou algumas ideias racistas do determinismo geogr\u00e1fico e biol\u00f3gico. Isto \u00e9, sugeria que o clima tinha afetado de maneira negativa as habilidades cognitivas dos brasileiros. Tinham sido &#8220;amolecidos pelos tr\u00f3picos&#8221;, nas suas palavras.<br \/>&#8220;O racismo \u00e9 parte de sua vis\u00e3o biol\u00f3gica do mundo&#8221;, diz Rosenkranz, que descreve Einstein como &#8220;um homem do s\u00e9culo 19&#8221;. Tamb\u00e9m em uma viagem ao Sri Lanka, em 1922, o cientista relacionou coisas como calor e umidade \u00e0 capacidade das pessoas de pensarem claramente.<\/p>\n<p>\u00c9 um pouco desconfort\u00e1vel ler os escritos particulares de Einstein, dado que ele n\u00e3o cogitava ter a n\u00f3s como leitores. Historiadores debatem o valor de expor esse tipo de material. Rosenkranz, por\u00e9m, diz que do ponto de vista intelectual seria imposs\u00edvel fazer vista grossa aos di\u00e1rios.<\/p>\n<p>Concentrar-se apenas no racismo de Einstein, por\u00e9m, \u00e9 uma maneira simplista de tratar sua biografia. Na Alemanha, ele foi tamb\u00e9m v\u00edtima de preconceito por ser judeu, raz\u00e3o pela qual se mudou para os Estados Unidos em 1933. Foi ali que, mais tarde, aderiu ao movimento antirracista.<br \/>O cientista participou, por exemplo, de movimentos em prol dos direitos civis nos Estados Unidos, incluindo a NAACP (Associa\u00e7\u00e3o Nacional para o Progresso de Pessoas de Cor, na sigla em ingl\u00eas). Posicionou-se de maneira contundente contra a segrega\u00e7\u00e3o racial existente no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Seu apoio ao sionismo, em um momento anterior \u00e0 cria\u00e7\u00e3o do Estado de Israel em 1948, tamb\u00e9m aparece nos di\u00e1rios. Sua identidade norteou a recep\u00e7\u00e3o que teve na Am\u00e9rica Latina. A comunidade judaica o celebrou -enquanto os alem\u00e3es, em especial na Argentina, o trataram com frieza.<br \/>J\u00e1 circulava, afinal, o antissemitismo que culminaria no Holocausto de 6 milh\u00f5es de judeus pela Alemanha nazista. Einstein se via mais como judeu do que como alem\u00e3o, diz Rosenkranz.<\/p>\n<p>De modo surpreendente, a quest\u00e3o cient\u00edfica est\u00e1 em segundo plano nos di\u00e1rios. Pesquisadores disseram, no passado, que Einstein tinha feito a viagem para divulgar a teoria da relatividade e travar contatos com outros f\u00edsicos. Seus escritos de 1925, no entanto, quase n\u00e3o tratam disso.<br \/>Apenas a Argentina tinha naquele momento uma comunidade bem estabelecida de f\u00edsicos. No Brasil, Einstein sentia que n\u00e3o tinha interlocutores. Havia defensores da relatividade no Brasil, diz Rosenkranz, como o matem\u00e1tico Manuel Amoroso Costa. Mas muitos se opunham \u00e0 teoria, em especial os seguidores do positivismo.<\/p>\n<p>O \u00faltimo dia de compromissos no Rio foi 11 de maio de 1925, quando o alem\u00e3o assistiu a um filme sobre o marechal C\u00e2ndido Rondon, que mais tarde indicou ao Nobel da Paz. Jantou com o embaixador de seu pa\u00eds. Ao final da refei\u00e7\u00e3o, escreveu o que serve talvez de resumo da sua viagem: &#8220;finalmente livre&#8221;.<\/p>\n<p>OS DI\u00c1RIOS DE VIAGEM DE ALBERT EINSTEIN: AM\u00c9RICA DO SUL, 1925<br \/>&#8211; Pre\u00e7o R$ 79,90 (288 p\u00e1gs.)<br \/>&#8211; Autoria Albert Einstein (org. Ze&#8217;ev Rosenkranz)<br \/>&#8211; Editora Record<br \/>&#8211; Tradu\u00e7\u00e3o Alessandra Bonrruquer<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Brasil<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/brasil\/2154887\/einstein-visitou-brasil-a-contragosto-e-chamou-cientista-de-macaco-mostram-diarios?utm_source=rss-brasil&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>DIOGO BERCITOS\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; No in\u00edcio de 1925, a Am\u00e9rica do Sul esperava,<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":177622,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-177621","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/177621","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=177621"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/177621\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/177622"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=177621"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=177621"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=177621"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}