{"id":177595,"date":"2024-05-25T09:08:50","date_gmt":"2024-05-25T12:08:50","guid":{"rendered":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2024\/05\/25\/moradores-de-sao-sebastiao-do-cai-perdem-tudo-com-3-cheias-recorde-em-6-meses\/"},"modified":"2024-05-25T09:08:50","modified_gmt":"2024-05-25T12:08:50","slug":"moradores-de-sao-sebastiao-do-cai-perdem-tudo-com-3-cheias-recorde-em-6-meses","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2024\/05\/25\/moradores-de-sao-sebastiao-do-cai-perdem-tudo-com-3-cheias-recorde-em-6-meses\/","title":{"rendered":"Moradores de S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Ca\u00ed perdem tudo com 3 cheias recorde em 6 meses"},"content":{"rendered":"<p>PAULA SOPRANA E BRUNO SANTOS<br \/>S\u00c3O SEBASTI\u00c3O DO CA\u00cd, RS (FOLHAPRESS) &#8211; A fam\u00edlia de Carla dos Santos, 46, ficou sem m\u00f3veis, roupas e eletrodom\u00e9sticos com a cheia de S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Ca\u00ed (RS) em novembro do ano passado. &#8220;Perdemos tudo, tudo, tudo. Consegui me reerguer, e agora veio essa de novo&#8221;, conta a funcion\u00e1ria de supermercado, que mora com o marido e o neto.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>Nesta \u00faltima trag\u00e9dia que assolou o Rio Grande do Sul, quando a \u00e1gua do rio j\u00e1 batia na cintura, eles retiraram o que foi poss\u00edvel da habita\u00e7\u00e3o. Salvaram geladeira, fog\u00e3o, mesa e roupas de cama. &#8220;J\u00e1 n\u00e3o t\u00ednhamos muita coisa dentro de casa, n\u00e9?&#8221;.<\/p>\n<p>S\u00f3 que dessa vez, a casa n\u00e3o resistiu, e o que sobra dela s\u00e3o escombros e lama. Carla est\u00e1 em um abrigo e ainda n\u00e3o sabe como reconstruir\u00e1 a vida pela segunda vez. A \u00fanica certeza \u00e9 que n\u00e3o pretende deixar o lugar onde cresceu. &#8220;Minha vida toda \u00e9 aqui, eu me criei aqui, eu quero ver se construo minha casinha aqui de novo. N\u00e3o adianta, \u00e9 meu ch\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>Em seis meses, o munic\u00edpio de S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Ca\u00ed, a 60 km de Porto Alegre, presenciou as tr\u00eas maiores cheias de sua hist\u00f3ria, duas delas em maio deste ano. Os habitantes das margens do rio Ca\u00ed, que contorna a cidade, vivem um ciclo de perda e reconstru\u00e7\u00e3o que parece n\u00e3o terminar. O retorno da chuva forte ainda regi\u00e3o adiciona um novo temor.<\/p>\n<p>A cota de inunda\u00e7\u00e3o do Ca\u00ed \u00e9 de 10,5 metros. Em 2 de maio, o rio marcou 17,6 m, de acordo com monitoramento do Servi\u00e7o Geol\u00f3gico do Brasil. Em novembro do ano passado, registrou 16,08 m. O terceiro recorde ocorreu em 13 de maio deste ano, com 15,8 m.<\/p>\n<p>O rio tem origem em S\u00e3o Francisco de Paula, na Serra Ga\u00facha. Com uma extens\u00e3o de 285 km, cruza 41 munic\u00edpios, costeando cidades arrasadas pela trag\u00e9dia deste m\u00eas, como S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Ca\u00ed e Montenegro.<br \/>No munic\u00edpio, a \u00e1gua n\u00e3o afetou apenas as \u00e1reas ribeirinhas, mas bairros nunca antes inundados, tirando cerca de 300 pessoas de casa. Segundo a prefeitura, foram impactadas todas as farm\u00e1cias, os principais mercados, escolas, biblioteca p\u00fablica e grande parte do com\u00e9rcio. Nas \u00e1reas mais coladas ao rio, poucas constru\u00e7\u00f5es se mantiveram em p\u00e9.<\/p>\n<p>Tr\u00eas semanas depois, o cen\u00e1rio \u00e9 de guerra, com muitas casas no ch\u00e3o. A limpeza ainda levar\u00e1 meses e depender\u00e1 da tr\u00e9gua na chuva, que voltou a atingir o estado na quinta-feira (24).<\/p>\n<p>Ant\u00f4nio da Rocha, 52, soube por parentes que sua resid\u00eancia havia sido levada pela \u00e1gua. Estava em viagem na Argentina e n\u00e3o conseguiu retornar. S\u00f3 lhe restou a mala.<\/p>\n<p>&#8220;A gente que tem um poder aquisitivo um pouquinho melhor ainda tem para onde ir&#8221;, diz o empres\u00e1rio, que est\u00e1 na casa de um sobrinho. &#8220;Mas a tristeza \u00e9 que muita gente aqui n\u00e3o tinha quase nada, tinha s\u00f3 a casinha deles, n\u00e9? Muita gente est\u00e1 em abrigo, o pessoal da minha inf\u00e2ncia \u00c9 complicado&#8221;, acrescenta.<\/p>\n<p>A fam\u00edlia de Eferson Luis, 43, n\u00e3o perdeu a resid\u00eancia, comprada h\u00e1 apenas seis meses, mas ainda n\u00e3o sabe se ser\u00e1 poss\u00edvel permanecer nela, diante do estado prec\u00e1rio e da inseguran\u00e7a de uma nova cheia. Todo o interior est\u00e1 coberto de barro e n\u00e3o h\u00e1 mob\u00edlia a recuperar nem no alto do segundo andar.<br \/>&#8220;Era uma segunda-feira e passou o carro anunciando que n\u00e3o era para o pessoal se apavorar. A gente achou que n\u00e3o ia dar uma cheia grande e que pela manh\u00e3 iriam tirar o pessoal [das casas]. Mas fui checar o rio \u00e0s 3 da manh\u00e3 e a \u00e1gua estava passando o port\u00e3o, que tem 1,70 m de altura&#8221;, lembra. Ele reuniu sua fam\u00edlia e saiu pelos fundos da casa na mesma hora, deixando o resto para tr\u00e1s.<\/p>\n<p>Eferson reclama da falta de informa\u00e7\u00f5es oficiais e afirma que ainda n\u00e3o sabe como fazer para acessar os programas de moradia que devem ser disponibilizados pelos governos municipal e estadual.<\/p>\n<p>A prefeitura local distribui alimentos, roupas e kits de higiene a partir de diversas doa\u00e7\u00f5es. Fam\u00edlias tamb\u00e9m t\u00eam acolhido os mais necessitados, e volunt\u00e1rios passam diariamente nas resid\u00eancias para distribuir marmitas. Procurada sobre um plano efetivo de moradia, a gest\u00e3o municipal n\u00e3o respondeu at\u00e9 a publica\u00e7\u00e3o desse texto.<\/p>\n<p>Por ora, cada membro da fam\u00edlia de Luis est\u00e1 na casa de algum parente. &#8220;A gente est\u00e1 tentando arrumar um lugar para alugar, mas n\u00e3o arruma. Logo logo vai come\u00e7ar o col\u00e9gio das crian\u00e7as&#8230;&#8221;<\/p>\n<p>Ele tamb\u00e9m tinha alguns cavalos, mas a maioria n\u00e3o sobreviveu. Dois, no entanto, permanecem ao lado da casa com uma charrete, que armazena documentos, doa\u00e7\u00f5es e rem\u00e9dios que a fam\u00edlia recebeu. Os animais s\u00e3o o meio de transporte para deixar os filhos na escola.<\/p>\n<p>O vizinho deles Francisco Ant\u00f4nio Specht, 67, morador do Ca\u00ed desde 1971 e da mesma casa h\u00e1 24 anos, pretende morar no mesmo local. Sua casa de madeira permanece de p\u00e9, mas inundada at\u00e9 o teto pela \u00e1gua. Tudo que ele tem agora lhe foi doado. &#8220;A outra enchente j\u00e1 tinha sido ruim para a gente, mas essa de agora tirou tudo mesmo.&#8221;<\/p>\n<p>As ruas onde habitam os ribeirinhos s\u00e3o contornadas pelo rio dos dois lados, o que explica parte da viol\u00eancia que derrubou tantas casas na cidade. Segundo relatos, o encontro das \u00e1guas gerava grandes ondas, sendo muito dif\u00edcil conseguir se movimentar, mesmo com \u00e1gua ainda na altura das pernas. Apesar disso, S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Ca\u00ed n\u00e3o registrou \u00f3bitos.<\/p>\n<p>Quando o tempo est\u00e1 seco, as fam\u00edlias retiram entulhos das resid\u00eancias e as limpam com a ajuda da comunidade. A regi\u00e3o mais pr\u00f3xima ao rio est\u00e1 coberta de lixo contaminado no ch\u00e3o e com o barulho de retroescavadeiras que derrubam as \u00faltimas paredes.<\/p>\n<p>No dia da visita da reportagem, Ant\u00f4nio da Rocha, o morador que perdeu a casa enquanto viajava para a Argentina, assava um churrasco em um dos bairros mais destru\u00eddos, com a ajuda de volunt\u00e1rios vindos de Caxias do Sul.<br \/>Os moradores se reuniram em volta do assado, conversavam e tomavam chimarr\u00e3o, dando uma pausa na exaustiva faxina da cidade.<\/p>\n<p>&#8220;O pessoal est\u00e1 ajudando muito com marmita, com lanches, com sandu\u00edches, n\u00e9? E a gente agradece de cora\u00e7\u00e3o. Mas tivemos a ideia de assar um salsich\u00e3ozinho, um galetinho com p\u00e3o a\u00ed, uma comida diferenciada para dar um \u00e2nimo aqui para o pessoal.&#8221;<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Brasil<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/brasil\/2154567\/6-moradores-de-sao-sebastiao-do-cai-perdem-tudo-com-3-cheias-recorde-em-6-meses?utm_source=rss-brasil&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>PAULA SOPRANA E BRUNO SANTOSS\u00c3O SEBASTI\u00c3O DO CA\u00cd, RS (FOLHAPRESS) &#8211; A fam\u00edlia de Carla<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":177596,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-177595","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/177595","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=177595"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/177595\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/177596"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=177595"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=177595"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=177595"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}