{"id":176724,"date":"2024-05-18T12:08:38","date_gmt":"2024-05-18T15:08:38","guid":{"rendered":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2024\/05\/18\/submersa-ha-15-dias-cidade-mais-afetada-do-rs-reabre-casas-a-conta-gotas\/"},"modified":"2024-05-18T12:08:38","modified_gmt":"2024-05-18T15:08:38","slug":"submersa-ha-15-dias-cidade-mais-afetada-do-rs-reabre-casas-a-conta-gotas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2024\/05\/18\/submersa-ha-15-dias-cidade-mais-afetada-do-rs-reabre-casas-a-conta-gotas\/","title":{"rendered":"Submersa h\u00e1 15 dias, cidade mais afetada do RS reabre casas a conta gotas"},"content":{"rendered":"<p>PAULA SOPRANA E BRUNO SANTOS<br \/>ELDORADO DO SUL, RS (FOLHAPRESS) &#8211; Debaixo d&#8217;\u00e1gua h\u00e1 mais de 15 dias, Eldorado do Sul, a pequena cidade ga\u00facha com o maior n\u00famero proporcional de pessoas desalojadas e com quase 80% da popula\u00e7\u00e3o afetada pela enchente, come\u00e7a aos poucos a entender a dimens\u00e3o da trag\u00e9dia.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>A apari\u00e7\u00e3o do sol e a lenta redu\u00e7\u00e3o dos n\u00edveis do rio Jacu\u00ed e do lago Gua\u00edba permitiram que alguns moradores abrissem suas casas pela primeira vez nesta sexta-feira (17).<\/p>\n<p>O reencontro com o lar \u00e9 marcado pela perda material total. M\u00f3veis pesados como sof\u00e1s e camas foram arrastados para outros lugares com a for\u00e7a da cheia. Est\u00e3o \u00famidos e cheiram a lodo. Eletrodom\u00e9sticos, mesas, cadeiras, roupas, frutas e outros alimentos ficaram banhados em lama, assim como qualquer superf\u00edcie da casa. Janelas e portas quebraram pela corrente de \u00e1gua ou por saques, relatam os moradores.<\/p>\n<p>Acostumada com outras inunda\u00e7\u00f5es, a fam\u00edlia de Fabr\u00edcio Santos, 48, t\u00e9cnico de manuten\u00e7\u00e3o, ergueu roupas e colch\u00e3o para o alto dos arm\u00e1rios, pensando que seria suficiente. A cidade enfrentou outras duas enchentes em menos de um ao. S\u00f3 que a rapidez da eleva\u00e7\u00e3o da \u00e1gua surpreendeu e eles precisaram se mudar para o vizinho, deixando tudo para tr\u00e1s.<\/p>\n<p>&#8220;A ficha ainda n\u00e3o caiu, mas vamos recome\u00e7ar&#8221;, diz. Sua esposa, Claudia Soares de Silva, 45, varre o p\u00e1tio junto \u00e0 sogra. Lamenta ao lembrar que perdeu o \u00e1lbum de gestante. Em meio ao entulho, seu marido grita: &#8220;Olha o que encontrei&#8221;. N\u00e3o eram recorda\u00e7\u00f5es da gravidez, mas de seu filho, quando beb\u00ea. &#8220;Esse tipo de coisa [fotografia] a gente n\u00e3o consegue reconstruir, n\u00e9?&#8221;, diz Claudia.<\/p>\n<p>O filho, hoje com 12 anos, ainda n\u00e3o viu como ficou o lugar onde cresceu.<br \/>A m\u00e3e de Santos, Maria Terezinha, encontra a casa de madeira, que fica mais \u00e0 frente, com o interior irreconhec\u00edvel. Repete frases de motiva\u00e7\u00e3o enquanto chora discretamente. &#8220;\u00c9 toda uma vida&#8230; A gente vai seguir em frente porque \u00e9 o que precisamos fazer.&#8221;<\/p>\n<p>Alguns vizinhos de uma min\u00fascula \u00e1rea que est\u00e1 seca em Eldorado se reencontraram ap\u00f3s as duas semanas que transformaram a cidade num imenso rio com lixo e m\u00f3veis boiando. Com galochas e rodos na m\u00e3o, se cumprimentam com encorajamento. &#8220;Estamos vivos&#8221; virou uma sauda\u00e7\u00e3o recorrente.<\/p>\n<p>Um casal pr\u00f3ximo \u00e0 casa da fam\u00edlia de Terezinha conseguiu deixar a casa com os av\u00f3s logo quando iniciaram os alertas clim\u00e1ticos, no in\u00edcio do m\u00eas. &#8220;Morava aqui desde que nasci, h\u00e1 36 anos. \u00c9 melhor meu av\u00f4 n\u00e3o estar junto agora [na limpeza], ia querer salvar at\u00e9 esse telefone&#8221;, diz Jos\u00e9 Lopes, apontando para um aparelho dos anos 1990 destro\u00e7ado no ch\u00e3o barrento.<\/p>\n<p>Eldorado do Sul \u00e9 uma cidade nova, de 35 anos, e com 39,5 mil habitantes. Fica a 12 quil\u00f4metros de Porto Alegre, \u00e9 plana e contornada pelo rio Jacu\u00ed e pelo Gua\u00edba, o que favorece a inunda\u00e7\u00e3o. O munic\u00edpio tem algumas propriedades rurais e parte do emprego local \u00e9 industrial e dependente de grandes empresas ali instaladas , como Ambev, Dell e Grupo Panvel.<\/p>\n<p>YouTube Sat\u00e9lites captam avan\u00e7o das \u00e1guas em Eldorado do Sul Imagens foram publicadas nesta quinta-feira (16) e foram obtidas pelo Programa Brasil Mais (Brasil &#8211; Meio Ambiente Integrado e Seguro), no Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a.Assine a TV Folhahttps:\/\/goo.gl\/EBg4agLeia mais na Folhahttp:\/\/www.folha.com.brI&#8230; https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=sJxDaSPaDAA\u00a0<strong>*<\/strong> Arte HTML5\/Folhagr\u00e1fico\/AFP https:\/\/arte.folha.uol.com.br\/cotidiano\/2024\/05\/10\/rs-inundado-censo\/infografico3.html <strong>*<\/strong> De modo proporcional, o munic\u00edpio \u00e9 o pior ao considerar o n\u00famero de moradores (81,1%) e de im\u00f3veis (71,2%) afetados pela trag\u00e9dia no estado, segundo levantamento do n\u00facleo de dados da Folha com base no IBGE e em mapeamento da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul).<\/p>\n<p>Est\u00e3o comprometidos 15.164 im\u00f3veis, metade dos estabelecimentos agropecu\u00e1rios, metade dos religiosos, 75,5% das institui\u00e7\u00f5es de ensino (de um total de 37), al\u00e9m de 80% dos estabelecimentos de sa\u00fade. Seis pessoas foram encontradas mortas e 16 est\u00e3o desaparecidas, de acordo com a Defesa Civil.<br \/>Como o territ\u00f3rio est\u00e1 quase inabit\u00e1vel, a maioria da popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 abrigada em munic\u00edpios pr\u00f3ximos, como Gua\u00edba, Esteio ou Porto Alegre. Alguns poucos conseguiram alojamento no local e \u00e9 poss\u00edvel ver gente dormindo em salas da sede administrativa, como faz o pr\u00f3prio prefeito, Ernani Gon\u00e7alves (PDT-RS), que h\u00e1 duas semanas passa a noite em um colch\u00e3o no ch\u00e3o de seu gabinete.<\/p>\n<p>&#8220;A gente precisa de socorro de todo lado do mundo, dos governantes, mas precisa ser para ontem&#8221;, afirma. &#8220;O que vivemos aqui foram cenas de terror.&#8221;<br \/>Segundo ele, que est\u00e1 no quinto mandato (o segundo consecutivo), as pessoas debandaram para o pr\u00e9dio da prefeitura nos primeiros dias da cat\u00e1strofe e cerca de 3.000 moradores passaram por l\u00e1, muitos acompanhados de seus animais de estima\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A constru\u00e7\u00e3o tem tr\u00eas andares e \u00e9 inapropriada para tantas pessoas. No t\u00e9rreo, a \u00e1gua batia na cintura e as aglomera\u00e7\u00f5es ocorriam nas escadas. Servidores relataram que as pessoas conviveram com centenas de cachorros. Quando a prefeitura j\u00e1 n\u00e3o deu mais conta, fam\u00edlias foram deslocadas para a rodovia BR-290, onde dormiram ao relento. Parte permanece l\u00e1 at\u00e9 agora.<br \/>A reportagem presenciou na sexta dezenas de barracas e caminh\u00f5es parados na rodovia federal, com cobertores fazendo as vezes de janelas. &#8220;Precisamos trazer essa gente de volta, mas n\u00e3o tem estrutura&#8221;, diz Guimar\u00e3es.<\/p>\n<p>Alguns vizinhos de uma min\u00fascula \u00e1rea que est\u00e1 seca em Eldorado se reencontraram ap\u00f3s as duas semanas que transformaram a cidade num imenso rio com lixo e m\u00f3veis boiando. Com galochas e rodos na m\u00e3o, se cumprimentam com encorajamento. &#8220;Estamos vivos&#8221; virou uma sauda\u00e7\u00e3o recorrente.<\/p>\n<p>Na parte alagada da cidade s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel andar de barco. Quem mora l\u00e1 vai demorar a conseguir entrar em casa, pois o n\u00edvel da \u00e1gua ainda cobre autom\u00f3veis e paradas de \u00f4nibus. O maior receio entre volunt\u00e1rios que ainda resgatam animais e levam mantimentos aos poucos que ficam em andares altos \u00e9 o que ser\u00e1 encontrado debaixo d&#8217;\u00e1gua e da lama quando tudo secar.<br \/>&#8220;A gente n\u00e3o pode abandonar o barco. Ajudamos quem deu para ajudar, mas perdemos alguns camaradas, paci\u00eancia&#8230;&#8221;, diz Ot\u00e1vio Volnei Aguiar, 57, um volunt\u00e1rio que se diz um &#8220;faz-tudo&#8221; da cidade. De Santana do Livramento, na fronteira com o Uruguai, carrega na bermuda um fac\u00e3o que usa para cortar uma pequena laranja. Ele domina o caminho pela \u00e1gua de todas as ruas e envia \u00e1udios comentando a situa\u00e7\u00e3o das casas aos respectivos donos.<\/p>\n<p>Pede para o barqueiro parar. &#8220;O que tem de rango a\u00ed?&#8221;, fala alto a um homem que est\u00e1 em uma varanda de casa de tijolos n\u00e3o terminada com um fog\u00e3o improvisado em uma lata. &#8220;Hoje sai massa com sardinha&#8221;, responde Roberto Sotelo, 62, de manta e gorro. &#8220;Estou bem quentinho aqui na frente do fogo, n\u00e3o vou sair&#8221;, diz. Fazia 14\u00baC no in\u00edcio da tarde.<\/p>\n<p>Ot\u00e1vio, o faz-tudo, mostra de longe a sua resid\u00eancia. H\u00e1 dias n\u00e3o arrisca entrar. &#8220;Est\u00e1 h\u00e1 15 dias debaixo d&#8217;\u00e1gua, o que tu acha que eu ainda tenho? N\u00e3o tenho mais roupa e nem documento, mas de que adianta documento, todo mundo me conhece por &#8216;Zoreia&#8217; mesmo.&#8221;<\/p>\n<p>De chinelo de dedo e bermuda, Zoreia pula do barco com a \u00e1gua na cintura. Caminha at\u00e9 o que um dia foi um campo de futebol e desenrola das redes uma bandeira preta que est\u00e1 intacta, estampada com a foto de uma senhora negra de trajes t\u00edpicos ga\u00fachos sobre um cavalo. Ele conta que foi uma figura simb\u00f3lica para os tradicionalistas da cidade e morreu h\u00e1 alguns anos. Acima da foto, est\u00e1 escrito Cavalgada Noeca Mendes.<\/p>\n<p>&#8220;Tivemos morte de uns camaradas, mas eu encontrei essa bandeira da dona Noeca&#8230;&#8221;, diz Zoreia, que tenta segurar o choro e agarra firme na m\u00e3o a mem\u00f3ria que conseguiu recuperar.<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Brasil<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/brasil\/2151900\/5-submersa-ha-15-dias-cidade-mais-afetada-do-rs-reabre-casas-a-conta-gotas?utm_source=rss-brasil&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>PAULA SOPRANA E BRUNO SANTOSELDORADO DO SUL, RS (FOLHAPRESS) &#8211; Debaixo d&#8217;\u00e1gua h\u00e1 mais de<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":176725,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-176724","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/176724","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=176724"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/176724\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/176725"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=176724"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=176724"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=176724"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}