{"id":175736,"date":"2024-05-10T22:08:27","date_gmt":"2024-05-11T01:08:27","guid":{"rendered":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2024\/05\/10\/exposicao-mostra-olhar-de-sebastiao-salgado-sobre-revolucao-dos-cravos\/"},"modified":"2024-05-10T22:08:27","modified_gmt":"2024-05-11T01:08:27","slug":"exposicao-mostra-olhar-de-sebastiao-salgado-sobre-revolucao-dos-cravos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2024\/05\/10\/exposicao-mostra-olhar-de-sebastiao-salgado-sobre-revolucao-dos-cravos\/","title":{"rendered":"Exposi\u00e7\u00e3o mostra olhar de Sebasti\u00e3o Salgado sobre Revolu\u00e7\u00e3o dos Cravos"},"content":{"rendered":"<p>Naquele dia 25 de abril de 1974, h\u00e1 50 anos, Portugal despertou ao som dos versos <em>Dentro de ti, \u00f3 cidade. O povo \u00e9 quem mais ordena. Terra da fraternidade. Gr\u00e2ndola, Vila Morena<\/em>. A can\u00e7\u00e3o de Jos\u00e9 Afonso, que havia sido proibida pela ditadura de Ant\u00f3nio Oliveira Salazar, marcava o in\u00edcio da Revolu\u00e7\u00e3o dos Cravos, que restabeleceu a democracia no pa\u00eds. A\u00a0can\u00e7\u00e3o pode ser ouvida em uma das salas do Museu da Imagem e do Som (MIS) de S\u00e3o Paulo, fazendo fundo a uma exposi\u00e7\u00e3o do fot\u00f3grafo brasileiro Sebasti\u00e3o Salgado chamada<em>\u00a050 anos da Revolu\u00e7\u00e3o dos Cravos em Portugal<\/em>.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>Essa \u00e9 apenas uma das sete exposi\u00e7\u00f5es fotogr\u00e1ficas que o museu inaugura nesta sexta-feira (10), na capital paulista, e que comp\u00f5e o evento j\u00e1 tradicional Maio Fotografia no MIS. \u201cA fotografia tem\u00a0import\u00e2ncia enorme na constru\u00e7\u00e3o da comunica\u00e7\u00e3o. E \u00e9 \u00f3bvio que o MIS precisava ter este momento dedicado \u00e0 fotografia que\u00a0representa, exatamente dessa janela, a\u00a0fra\u00e7\u00e3o de segundo em que vemos o momento acontecer. Estamos muito felizes pelo\u00a0Maio Fotografia no MIS estar voltando ao museu\u201d, disse Marilia Marton, secret\u00e1ria de Cultura, Economia e Ind\u00fastria Criativas do estado de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>A curadoria do evento \u00e9 de Andr\u00e9 Sturm, diretor-geral do museu. \u201cS\u00e3o sete exposi\u00e7\u00f5es e o destaque \u00e9 uma\u00a0in\u00e9dita do Sebasti\u00e3o Salgado. \u00c9 o primeiro trabalho que ele fez e que nunca tinha sido apresentado\u00a0como exposi\u00e7\u00e3o. A Revolu\u00e7\u00e3o dos Cravos ocorreu quando a ditadura de Portugal desmoronou. E foi chamada de Revolu\u00e7\u00e3o dos Cravos porque ocorreu\u00a0sem tiros e porque a popula\u00e7\u00e3o depositava cravos nos tanques. Foi um momento de mudan\u00e7a para um processo democr\u00e1tico. E o Sebasti\u00e3o estava l\u00e1 e cobriu esse processo\u201d, disse Sturm.<\/p>\n<p>A mostra traz dezenas de fotos in\u00e9ditas, em preto e branco, que foram tiradas pelo fot\u00f3grafo brasileiro\u00a0no in\u00edcio da carreira. Naquele momento, ele e sua esposa, L\u00e9lia Wanick Salgado, viviam exilados na Europa por causa da ditadura militar no Brasil. \u201c\u00c9ramos altamente ligados aos grupos que lutavam contra a ditadura. Tivemos que sair r\u00e1pido do pa\u00eds, sen\u00e3o\u00a0ser\u00edamos presos e\u00a0torturados\u201d, disse\u00a0Salgado\u00a0em entrevista\u00a0nessa\u00a0quinta-feira (9).<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s [ele e L\u00e9lia] est\u00e1vamos come\u00e7ando a fotografia. Ainda n\u00e3o tinha um ano que eu fazia fotografia e n\u00e3o tinha encomenda de jornal nenhum. Fomos [de Paris, onde viviam na \u00e9poca, a Portugal] por n\u00f3s mesmos. Eu n\u00e3o tinha dinheiro para comprar os filmes. Na\u00a0\u00e9poca, a L\u00e9lia tamb\u00e9m fazia fotografia\u201d, contou. Foi em Portugal, cobrindo a Revolu\u00e7\u00e3o dos Cravos, que sua carreira come\u00e7ou. \u201cPortugal, para n\u00f3s, foi uma aventura colossal. Primeiro, uma aventura pol\u00edtica, porque participamos do sistema, toda a esquerda do mundo inteiro veio para Portugal que, sendo uma ditadura, tinha a\u00a0possibilidade de criar um pa\u00eds libert\u00e1rio. Para mim, foi o in\u00edcio da carreira de fot\u00f3grafo. Foi em Portugal que aprendi a construir uma hist\u00f3ria em fotografia\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Naquela\u00a0\u00e9poca, L\u00e9lia tamb\u00e9m fotografava e tinha acabado de ter o\u00a0filho Juliano. \u201cEu fazia fotografia, tamb\u00e9m estava realmente engajada na hist\u00f3ria de Portugal. Foi uma coisa maravilhosa a\u00a0gente ver e viver uma transi\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica que ocorreu na nossa l\u00edngua, enquanto aqui no Brasil ainda havia\u00a0uma ditadura t\u00e3o terr\u00edvel. Eu era a \u00fanica fot\u00f3grafa que conseguia entrar no p\u00e1tio do Pal\u00e1cio com o carro porque tinha uma criancinha junto\u201d, contou ela.<\/p>\n<p>Passados 50 anos, L\u00e9lia e Sebasti\u00e3o, que sempre trabalharam juntos, revisitaram o\u00a0material produzido na \u00e9poca para a mostra do MIS. L\u00e9lia, por exemplo, \u00e9 respons\u00e1vel pela curadoria e cenografia da exposi\u00e7\u00e3o. \u201cA hist\u00f3ria da nossa vida teve\u00a0sempre tudo muito ligado. Nada que aconteceu\u00a0a gente fez sozinho. Em todos os projetos, trabalhamos juntos, pensamos juntos, fizemos as pesquisas. O Sebasti\u00e3o ia fotografar e eu ficava l\u00e1 vendendo as fotos, eu fazia todo o trabalho que realmente um fot\u00f3grafo n\u00e3o consegue fazer\u201d.<\/p>\n<p>Entre as fotos que s\u00e3o apresentadas na exposi\u00e7\u00e3o est\u00e1 a de uma menina marchando descal\u00e7a no asfalto, seguida de perto por mais tr\u00eas crian\u00e7as, \u00e0 frente de um batalh\u00e3o de soldados. H\u00e1 tamb\u00e9m imagens de trabalhadores ocupando fazendas e retratos de tropas do Ex\u00e9rcito portugu\u00eas. Para Salgado, a\u00a0mostra reflete sua vis\u00e3o sobre o que se passou em Portugal naquele momento. \u201cA fotografia \u00e9 uma coisa muito interessante. Primeiro porque ela n\u00e3o \u00e9 objetiva; \u00e9 profundamente subjetiva. N\u00e3o conta nenhuma verdade, mas a interpreta\u00e7\u00e3o de um fato, de uma realidade. Se est\u00e1 acontecendo alguma coisa, minha fotografia vai exprimir o que est\u00e1 ocorrendo, mas segundo o meu contexto\u201d.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da sala com fotos de Sebasti\u00e3o Salgado, o MIS est\u00e1 inaugurando mais\u00a0seis exposi\u00e7\u00f5es, com obras de artistas nacionais e internacionais\u00a0j\u00e1 consagrados ou novos talentos. Entre elas est\u00e3o\u00a0<em>Infravermelho<\/em>, <em>uma Realidade Oculta<\/em> \u2013<em> Nova Fotografia<\/em>, a primeira mostra\u00a0individual de\u00a0Bruno Mathias, 40 anos. \u201cEssa \u00e9 a minha primeira exposi\u00e7\u00e3o individual. \u00c9\u00a0\u00e9 uma experi\u00eancia incr\u00edvel,\u00a0uma realiza\u00e7\u00e3o\u201d, disse ele \u00e0 <strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>.<\/p>\n<p>O trabalho de Mathias apresenta fotografias mais experimentais. \u201cSempre gostei muito desse tipo de trabalho, uma maneira nova de fazer fotografia. Eu sempre aproveitava algumas lentes. E acabei conseguindo uma c\u00e2mera, por meio de um amigo que faz manuten\u00e7\u00e3o de equipamentos fotogr\u00e1ficos, e pedi que ele a convertesse para capturar o infravermelho. O que estamos vendo na exposi\u00e7\u00e3o \u00e9 algo que n\u00e3o enxergamos [em realidade]\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Outra mostra em cartaz no MIS \u00e9 <strong>Encontros<\/strong>, de Thereza Eug\u00eania, uma fot\u00f3grafa baiana que registrou, de forma \u00edntima, o conv\u00edvio de diversos artistas brasileiros como Caetano Veloso, Gal Costa, Alcione e Roberto Carlos. \u201cEla foi morar no Rio de Janeiro, comprou uma c\u00e2mera, come\u00e7ou a fotografar <em>shows<\/em> e acabou ficando bem pr\u00f3xima dos principais nomes da \u00e9poca. Ela fez at\u00e9 capas de discos. Temos aqui esse bastidor, de festas, encontros e casas das pessoas\u201d, explicou Sturm.<\/p>\n<p>H\u00e1 tamb\u00e9m a mostra <em>10 anos de Guerras sem Fim<\/em>, de Gabriel Chaim, experiente fotojornalista paraense\u00a0que cobriu diversas guerras e apresenta o\u00a0registro dos seus \u00faltimos dez anos na linha de frente. \u201cEssa exposi\u00e7\u00e3o mostra para a sociedade o quanto existe um universo paralelo acontecendo. \u00c9 uma humanidade gritando por socorro ou que foge de guerras, se tornando refugiados. H\u00e1 cidades sendo bombardeadas e destru\u00eddas\u201d, contou Chaim, em entrevista \u00e0 <strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong> e \u00e0 <strong>TV Brasil<\/strong>. \u201cIsso mostra como \u00e9\u00a0devastadora uma guerra\u201d.<\/p>\n<p>As outras exposi\u00e7\u00f5es s\u00e3o <em>Mulheres na Frente e por Tr\u00e1s das C\u00e2meras<\/em>, do Acervo MIS, que re\u00fane trabalhos de quatro fot\u00f3grafas engajadas e com diferentes perspectivas por tr\u00e1s das lentes; <em>Como a Hist\u00f3ria foi Contada<\/em>, da Cole\u00e7\u00e3o Allan Porter, que traz imagens ic\u00f4nicas do s\u00e9culo 20, como as fotos da Guerra do Vietn\u00e3; e <em>Uma Rua Chamada Cinema<\/em>, de Sergio Poroger, que apresenta imagens de cinemas de rua que fecharam ou que resistem no Brasil e no mundo. \u201cS\u00e3o exposi\u00e7\u00f5es bem variadas, mas que tem um car\u00e1ter documental\u201d, disse Sturm.<\/p>\n<p>A programa\u00e7\u00e3o inclui ainda lan\u00e7amentos de livros, mostras paralelas, conversas com artistas, cursos e diversas atividades relacionadas ao mundo da fotografia.<\/p>\n<p>Mais informa\u00e7\u00f5es sobre o Maio Fotografia no MIS podem ser encontradas no <em>site<\/em> do museu. A\u00a0entrada \u00e9 gratuita \u00e0s ter\u00e7as-feiras e tamb\u00e9m na terceira quarta-feira do m\u00eas.<\/p>\n<p><span class=\"news_italic news_bold\">*Com informa\u00e7\u00f5es da Ag\u00eancia Brasil<\/span><\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Cultura<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/ultima-hora\/2148412\/exposicao-mostra-olhar-de-sebastiao-salgado-sobre-revolucao-dos-cravos?utm_source=rss-cultura&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Naquele dia 25 de abril de 1974, h\u00e1 50 anos, Portugal despertou ao som dos<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":175737,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-175736","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/175736","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=175736"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/175736\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/175737"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=175736"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=175736"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=175736"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}