{"id":173040,"date":"2024-04-21T12:08:40","date_gmt":"2024-04-21T15:08:40","guid":{"rendered":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2024\/04\/21\/medica-que-enfrentou-epidemia-de-ebola-em-2014-diz-estar-em-paz-com-virus\/"},"modified":"2024-04-21T12:08:40","modified_gmt":"2024-04-21T15:08:40","slug":"medica-que-enfrentou-epidemia-de-ebola-em-2014-diz-estar-em-paz-com-virus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2024\/04\/21\/medica-que-enfrentou-epidemia-de-ebola-em-2014-diz-estar-em-paz-com-virus\/","title":{"rendered":"M\u00e9dica que enfrentou epidemia de ebola em 2014 diz estar &#8216;em paz&#8217; com v\u00edrus"},"content":{"rendered":"<p>PATR\u00cdCIA CAMPOS MELLO<br \/>OXFORD, REINO UNIDO (FOLHAPRESS) &#8211; &#8220;Para meningite, n\u00f3s temos um tratamento e uma vacina. A mal\u00e1ria mata muito mais gente, mas existe tratamento. Para pacientes com ebola, s\u00f3 podemos dizer que, se eles chegarem cedo [ao hospital], a fam\u00edlia deles n\u00e3o vai morrer [contaminada].&#8221;<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>Foi com resigna\u00e7\u00e3o que a infectologista italiana Livia Tampellini explicou a dificuldade de ajudar os pacientes com ebola quando recebeu esta rep\u00f3rter da Folha de S.Paulo no hospital montado pelos M\u00e9dicos Sem Fronteiras em Kailahun, no interior de Serra Leoa, em agosto de 2014.<br \/>Era o pico da epidemia que matou mais de 11,3 mil pessoas na Lib\u00e9ria, Guin\u00e9 e Serra Leoa. &#8220;[Se voc\u00ea vai para o hospital] pelo menos vai ter algu\u00e9m te limpando, te dando algum conforto. Pelo menos voc\u00ea morre com alguma dignidade. Mas n\u00e3o muda o fato de que voc\u00ea vai morrer de qualquer jeito.&#8221;<\/p>\n<p>Na \u00e9poca, muitos doentes se escondiam em casa por medo de hospitais. Com a mortalidade chegando a 80% em alguns locais, poucos sa\u00edam vivos dos centros de tratamento de ebola. E muitos m\u00e9dicos e enfermeiros, sem a prote\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria, infectavam-se ao tratar os doentes.<br \/>Em Kailahun havia quatro ambul\u00e2ncias para atender 480 mil pessoas. Cada vez que algu\u00e9m adoecia num vilarejo, havia grandes chances de a fam\u00edlia levar o doente de transporte p\u00fablico at\u00e9 o hospital, infectando ainda mais gente.<\/p>\n<p>&#8220;Muita coisa mudou. Temos rem\u00e9dios, temos vacina e o tratamento dos pacientes melhorou&#8221;, disse Tampellini, em entrevista por videoconfer\u00eancia de Paris na quarta-feira (10), onde trabalha atualmente como respons\u00e1vel m\u00e9dica das opera\u00e7\u00f5es de emerg\u00eancia dos M\u00e9dicos sem Fronteiras.<\/p>\n<p>Tampellini passou tr\u00eas meses na Guin\u00e9, tr\u00eas na Serra Leoa e dois na Lib\u00e9ria em 2014. Quando nos encontramos, tanta gente estava se infectando que eles temiam ter de fechar o centro de tratamento do MSF. Tampellini tamb\u00e9m estava com medo. &#8220;\u00c9 saud\u00e1vel ter um certo medo. Quem n\u00e3o tem medo nunca \u00e9 doido&#8221;, diz a m\u00e9dica de 47 anos.<\/p>\n<p>Ela trabalhava todos os dias na \u00e1rea de alto risco do hospital para cuidar de pacientes com ebola, altamente contagiosos. Assim como enfermeiros e o pessoal que fazia a limpeza, seguia um protocolo r\u00edgido de seguran\u00e7a para evitar contamina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Usava um equipamento de prote\u00e7\u00e3o pessoal composto de um macac\u00e3o de seguran\u00e7a amarelo, um capuz, \u00f3culos especiais, um avental, botas e duas luvas em cada m\u00e3o.<\/p>\n<p>Dentro dos macac\u00f5es, a temperatura chegava a 46\u00ba C. Por isso, cada m\u00e9dico ou enfermeiro podia ficar at\u00e9 45 minutos dentro da \u00e1rea de alto risco. A\u00ed sa\u00eda, fazia a desinfec\u00e7\u00e3o com \u00e1gua com cloro a 0,5%, tirava a roupa e descansava meia hora. S\u00f3 ent\u00e3o podia voltar.<\/p>\n<p>Ao lado do fotojornalista Avener Prado, estive em Serra Leoa cobrindo a epidemia de ebola em agosto de 2014. No hospital de Kailahun, sentia-se um cheiro forte de cloro. \u00c0s vezes, o que vinha era um odor de sangue. Muitos pacientes em est\u00e1gio final da doen\u00e7a sangravam pela boca, nariz e vagina.<\/p>\n<p>Na \u00e9poca, Tampellini contou que tinha dois pesadelos recorrentes. Em um deles, ela estava em um vilarejo e uma pessoa com ebola vinha correndo e vomitava em seus p\u00e9s. Em outro, ela sonhava que uma de suas luvas se rasgava, ela demorava a perceber e se contaminava com o v\u00edrus.<br \/>&#8220;N\u00e3o sonho mais com isso. Estou em paz com o ebola&#8221;, disse Tampellini de Paris.<\/p>\n<p>Ela voltou a Kailahun em 2021, quando eclodiu um surto de ebola na Guin\u00e9. A miss\u00e3o era preparar o sistema de sa\u00fade para uma poss\u00edvel epidemia.<\/p>\n<p>O hospital da cidade estava mais equipado. &#8220;Eles usaram bem o dinheiro que receberam durante o ebola&#8221;. E a estrada at\u00e9 Kailahun, no cora\u00e7\u00e3o da floresta desse pa\u00eds no oeste da \u00c1frica, foi asfaltada.<\/p>\n<p>Depois de enfrentar o ebola na \u00c1frica, a infectologista ajudou seu pa\u00eds a combater a Covid-19. Ela foi para a It\u00e1lia no in\u00edcio da epidemia, em mar\u00e7o e abril de 2020, quando hospitais italianos estavam lotados de pacientes e o n\u00famero de mortes explodia.<\/p>\n<p>Tampellini conta que o v\u00edrus ebola era menos &#8220;eficiente&#8221; porque matava o hospedeiro muito rapidamente e s\u00f3 se transmitia por contato. J\u00e1 o v\u00edrus da Covid se alastrou de forma vertiginosa, porque a taxa de mortalidade era menor e o cont\u00e1gio se dava pelo ar.<\/p>\n<p>&#8220;Definitivamente, pode acontecer de novo. E quando tivermos uma nova epidemia de ebola, n\u00e3o teremos os medicamentos prontos e dispon\u00edveis na primeira semana&#8221;, disse L\u00edvia. &#8220;Mas, mesmo com demora, teremos vacina e rem\u00e9dio. Temos como reagir.&#8221;<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Mundo<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/mundo\/2140511\/2-medica-que-enfrentou-epidemia-de-ebola-em-2014-diz-estar-em-paz-com-virus?utm_source=rss-mundo&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>PATR\u00cdCIA CAMPOS MELLOOXFORD, REINO UNIDO (FOLHAPRESS) &#8211; &#8220;Para meningite, n\u00f3s temos um tratamento e uma<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":173041,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-173040","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/173040","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=173040"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/173040\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/173041"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=173040"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=173040"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=173040"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}