{"id":1720,"date":"2021-03-25T14:08:29","date_gmt":"2021-03-25T17:08:29","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/03\/25\/na-pandemia-circulacao-de-trabalho-no-brasil-segue-maior-que-no-exterior\/"},"modified":"2021-03-25T14:08:29","modified_gmt":"2021-03-25T17:08:29","slug":"na-pandemia-circulacao-de-trabalho-no-brasil-segue-maior-que-no-exterior","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/03\/25\/na-pandemia-circulacao-de-trabalho-no-brasil-segue-maior-que-no-exterior\/","title":{"rendered":"Na pandemia, circula\u00e7\u00e3o de trabalho no Brasil segue maior que no exterior"},"content":{"rendered":"<p>S\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; O Brasil chegou \u00e0 marca de 300 mil mortos pela Covid-19 ainda com acelera\u00e7\u00e3o de novos casos e com grande desgaste de uma das principais armas para reduzir a velocidade do cont\u00e1gio do v\u00edrus, a circula\u00e7\u00e3o em locais de trabalho.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>A reportagem analisou a presen\u00e7a nos espa\u00e7os laborais em 81 cidades ao redor do mundo, sendo 27 brasileiras (as capitais), considerando o acompanhamento do Google de aparelhos m\u00f3veis.<\/p>\n<p>A observa\u00e7\u00e3o geral \u00e9 que o movimento nesses espa\u00e7os no Brasil caiu menos do que nos outros locais, ainda que os brasileiros j\u00e1 tenham sofrido duas grandes ondas de mortes e, neste momento, o pa\u00eds seja o epicentro da pandemia.<\/p>\n<p>A redu\u00e7\u00e3o m\u00e9dia na presen\u00e7a do trabalho no Brasil foi a metade da observada nas principais cidades europeias (como Paris, Lisboa, Madri e Londres), ao longo da pandemia. Essas regi\u00f5es tamb\u00e9m foram fortemente afetadas pela doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Na Am\u00e9rica Latina, Lima, Buenos Aires, Santiago, Bogot\u00e1, Guayaquil, Cidade do M\u00e9xico, Porto Pr\u00edncipe e Santo Domingo diminu\u00edram o tempo gasto no trabalho mais do que todas as capitais brasileiras.<\/p>\n<p>Na regi\u00e3o, apenas Assun\u00e7\u00e3o e Montevid\u00e9u tiveram redu\u00e7\u00e3o na movimenta\u00e7\u00e3o laboral semelhante \u00e0 brasileira. As capitais do Paraguai e Uruguai, por\u00e9m, vivem uma pandemia menos dram\u00e1tica \u2013elas t\u00eam taxa de infec\u00e7\u00e3o cerca de 50% menor que a brasileira.<\/p>\n<p>No come\u00e7o da pandemia, por volta de mar\u00e7o e abril do ano passado, a queda da circula\u00e7\u00e3o nos locais de trabalho no Brasil foi semelhante ao apresentado no restante do mundo.<\/p>\n<p>Ao longo dos meses, por\u00e9m, os brasileiros foram gradativamente retornando a esses locais, segundo o monitoramento do Google, mesmo que o volume de mortes fosse aumentando.<\/p>\n<p>No m\u00eas passado, quando j\u00e1 havia nova explos\u00e3o de casos no Brasil e sistemas hospitalares em colapso, as capitais brasileiras estavam com uma redu\u00e7\u00e3o m\u00e9dia de apenas 8,8% em rela\u00e7\u00e3o ao per\u00edodo pr\u00e9-pandemia. Nas cidades sul-americanas analisadas, a redu\u00e7\u00e3o era de 27% e nas europeias, de 34% (ou seja, quase o qu\u00e1druplo de redu\u00e7\u00e3o do que no Brasil).<\/p>\n<p>Em Manaus, a capital brasileira com maior redu\u00e7\u00e3o em locais de trabalho no m\u00eas passado, o movimento era 18% menor do que antes da pandemia. Em Lima, essa diminui\u00e7\u00e3o estava em 44% no mesmo m\u00eas, enquanto Lisboa tinha 58% de redu\u00e7\u00e3o (ambas com pandemia mais controlada que no Amazonas).<\/p>\n<p>A an\u00e1lise da reportagem com base nos dados do Google mostra ainda que o padr\u00e3o de circula\u00e7\u00e3o no Brasil nos demais locais avaliados (como parques, com\u00e9rcio e transporte p\u00fablico) n\u00e3o difere tanto dos demais pa\u00edses.<\/p>\n<p>&#8220;As pol\u00edticas implementadas no Brasil s\u00e3o insuficientes para dar condi\u00e7\u00f5es para que as pessoas fiquem em casa&#8221;, afirmou a professora de ci\u00eancia pol\u00edtica da USP Lorena Barberia, da Rede de Pesquisa Solid\u00e1ria, que re\u00fane institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e privadas.<br \/>&#8220;Mesmo o aux\u00edlio emergencial, quando est\u00e1 em vigor, n\u00e3o traz junto uma comunica\u00e7\u00e3o de que \u00e9 para ficar em casa. A pessoa recebe o dinheiro e pode sair para gastar. Em muitos casos, teve de se aglomerar para pegar o benef\u00edcio&#8221;, diz ela, em refer\u00eancia \u00e0s filas nos bancos, que ocorreram devido aos problemas no aplicativo para cadastramento.<\/p>\n<p>Barberia diz ainda que as medidas de restri\u00e7\u00e3o no Brasil s\u00e3o apenas moderadas, comparadas com as de outros pa\u00edses tamb\u00e9m atingidos fortemente pela pandemia. &#8220;Aqui tem se falado que estamos em &#8216;lockdown&#8217;. N\u00e3o tem paralelo com o que ocorre no exterior. L\u00e1, a pessoa n\u00e3o pode sair de casa. E, em m\u00e9dia, \u00e9 uma medida que dura 38 dias.&#8221;<\/p>\n<p>Anna Petherick, pesquisadora da Escola de Governo Blavatnik, da Universidade Oxford, que monitora as respostas governamentais no mundo, afirma que &#8220;o apoio econ\u00f4mico \u00e0s fam\u00edlias tem flutuado muito no Brasil, muito mais do que outros pa\u00edses tamb\u00e9m com grandes quest\u00f5es sobre capacidade financeira&#8221;. Ela cita a \u00c1frica do Sul como exemplo de local com apoio financeiro mais alto e consistente do que o brasileiro.<\/p>\n<p>No Brasil, o aux\u00edlio emergencial do governo federal acabou em dezembro. Uma nova rodada, com valor mais baixo, ser\u00e1 pago a partir de abril.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s medidas governamentais como um todo, Petherick afirma que o Brasil teve no in\u00edcio uma resposta inicial alinhada com a do restante do mundo. Mas, depois, as medidas passaram a ser adotadas tardiamente. E com muitas varia\u00e7\u00f5es entre os estados, diferentemente do Canad\u00e1, por exemplo, em que as a\u00e7\u00f5es t\u00eam grande coordena\u00e7\u00e3o nacional.<\/p>\n<p>Especificamente sobre a movimenta\u00e7\u00e3o nos locais de trabalho, a pesquisadora v\u00ea algumas possibilidades que podem ajudar a explicar por que a circula\u00e7\u00e3o tende a ser mais alta no Brasil do que em outros lugares: 1) regras menos r\u00edgidas; 2) lista maior do que \u00e9 considerado trabalho essencial; 3) maior descumprimento das regras no pa\u00eds do que em outros lugares. Possivelmente, afirma ela, esses fatores podem estar agindo ao mesmo tempo.<\/p>\n<p>Barberia, a pesquisadora da USP, levanta tamb\u00e9m a dificuldade de os pesquisadores terem acesso a como o monitoramento do Google \u00e9 feito e, consequentemente, a formarem uma compreens\u00e3o maior dos resultados.<\/p>\n<p>A professora da USP afirma que vem acrescentado outras formas de pesquisa para ter uma leitura melhor sobre a evolu\u00e7\u00e3o da mobilidade das pessoas durante a pandemia.<\/p>\n<p>No caso dos espa\u00e7os de trabalho, ela afirma que a grande movimenta\u00e7\u00e3o captada pelo Google est\u00e1 alinhada com pesquisas de opini\u00e3o. Ela cita uma apresentada neste m\u00eas pela Febraban (federa\u00e7\u00e3o dos bancos), com amostra de 3.000 entrevistados no come\u00e7o de mar\u00e7o, como sendo representativa para o pa\u00eds.<\/p>\n<p>Naquele momento, em que j\u00e1 havia explos\u00e3o de interna\u00e7\u00f5es em UTIs e crescimento r\u00e1pido no n\u00famero de novas mortes pela Covid, 59% dos entrevistados afirmaram que estavam saindo para trabalhar sempre ou algumas vezes. Dos pesquisados, 33% estavam indo a lojas e shoppings.<\/p>\n<p>&#8220;Se a pessoa sai para trabalhar, se sente mais \u00e0 vontade tamb\u00e9m para visitar um amigo, ir comer fora. \u00c9 um fator importante para a circula\u00e7\u00e3o&#8221;, afirmou a pesquisadora.<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Brasil<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/brasil\/1789338\/circulacao-de-trabalho-no-brasil-segue-maior-que-no-exterior-mesmo-com-descontrole-da-pandemia?utm_source=rss-brasil&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; O Brasil chegou \u00e0 marca de 300 mil mortos pela<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":1721,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-1720","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1720","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1720"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1720\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1721"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1720"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1720"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1720"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}