{"id":17135,"date":"2021-06-13T11:18:00","date_gmt":"2021-06-13T14:18:00","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/06\/13\/juiz-online-facilita-mediacao-de-casais-divididos-entre-brasil-e-japao\/"},"modified":"2021-06-13T11:18:00","modified_gmt":"2021-06-13T14:18:00","slug":"juiz-online-facilita-mediacao-de-casais-divididos-entre-brasil-e-japao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/06\/13\/juiz-online-facilita-mediacao-de-casais-divididos-entre-brasil-e-japao\/","title":{"rendered":"Juiz online facilita media\u00e7\u00e3o de casais divididos entre Brasil e Jap\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Foi por uma tela do Microsoft Teams que a paulista Elisabeth Sato, 35, p\u00f4s um ponto final no seu casamento no fim de mar\u00e7o no Jap\u00e3o. \u00c0 dist\u00e2ncia de mais de 17 mil km de um f\u00f3rum brasileiro, Sato e o ex-marido conseguiram oficializar o div\u00f3rcio em uma audi\u00eancia virtual realizada pelo Cejusc (Centro Judici\u00e1rio de Solu\u00e7\u00e3o de Conflitos e Cidadania) do Tribunal de Justi\u00e7a de Jundia\u00ed, no interior de S\u00e3o Paulo.<br \/>Sato e o ex, tamb\u00e9m paulista, namoraram e se uniram no Jap\u00e3o, em 2009, e depois registraram o casamento durante visita ao Brasil, em 2013. Eles t\u00eam dois filhos, um menino de 8 anos e uma menina de 5.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>&#8220;O casamento n\u00e3o deu certo, mas a amizade ficou&#8221;, diz ela, que trabalha como tradutora e assistente para crian\u00e7as brasileiras na pr\u00e9-escola na cidade japonesa de Fukuroi, na prov\u00edncia de Shizuoka.<\/p>\n<p>Desde 2020, eles estavam decididos a se separar. Sem a alternativa virtual, precisariam mandar procura\u00e7\u00f5es para dois amigos ou advogados represent\u00e1-los nos tr\u00e2mites de cart\u00f3rio ou viajar de volta ao Brasil para assinar tudo pessoalmente. &#8220;Na pandemia, nada disso era poss\u00edvel.&#8221;<\/p>\n<p>Na verdade, j\u00e1 era poss\u00edvel realizar media\u00e7\u00f5es via internet, segundo o artigo 46 da Lei 13.140 e o artigo 236 do C\u00f3digo de Processo Civil. &#8220;Entretanto, n\u00e3o era muito comum. Na pandemia, acelerou-se a abertura para sess\u00f5es virtuais, inclusive internacionais&#8221;, diz a ju\u00edza Valeria Ferioli Lagrasta, que homologou o acordo do ex-casal, redigido pelo mediador Fernando Nishiyama. O documento vale como uma senten\u00e7a judicial.<\/p>\n<p>Com a instaura\u00e7\u00e3o de audi\u00eancias virtuais a partir de abril de 2020, abriu-se uma janela para a inclus\u00e3o de quem reside em outros pa\u00edses. Uma das primeiras sess\u00f5es online presidida pela ju\u00edza M\u00f4nica Tucunduva, da Vara da Fam\u00edlia de Assis (SP) foi internacional: uma audi\u00eancia de concilia\u00e7\u00e3o entre uma fam\u00edlia no Brasil e o pai no Jap\u00e3o.<br \/>H\u00e1 quase 20 anos morando fora, o pai, brasileiro, viu o filho pela \u00faltima vez quando ainda era beb\u00ea \u2013hoje, ele j\u00e1 \u00e9 um jovem estudante. No fim, eles fizeram um acordo referente ao pagamento de pens\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8220;Foi muito marcante: o pai ficou feliz por ser ouvido pela primeira vez, pois antes disso era s\u00f3 representado por procura\u00e7\u00e3o. Ele fez quest\u00e3o de estar presente na sess\u00e3o \u00e0s 2 horas da manh\u00e3 no Jap\u00e3o&#8221;, conta a ju\u00edza, lembrando da diferen\u00e7a de 12 horas entre os pa\u00edses.<\/p>\n<p>Sato tamb\u00e9m se surpreendeu com a agilidade da audi\u00eancia. &#8220;Tive sorte. Tudo foi resolvido em quest\u00e3o de uma hora. Foi uma conversa tranquila s\u00f3 para confirmar o que j\u00e1 t\u00ednhamos discutido sobre guarda, pens\u00e3o, partilha de bens etc.&#8221;<\/p>\n<p>Outras fam\u00edlias n\u00e3o tiveram tanta sorte e, at\u00e9 hoje, vivem um tipo de limbo jur\u00eddico e afetivo entre Brasil e Jap\u00e3o. Elas n\u00e3o tiveram um ponto final.<\/p>\n<p>&#8220;P\u00f4r os pingos nos is em situa\u00e7\u00f5es mal resolvidas \u00e9 o que querem muitas fam\u00edlias que se fragmentaram entre os dois pa\u00edses nas \u00faltimas d\u00e9cadas&#8221;, diz o advogado paulista Etsuo Ishikawa, que assessorou o ex-casal. &#8220;\u00c9 importante oferecer acesso a modalidades simples para resolver conflitos no \u00e2mbito pr\u00e9-processual, como media\u00e7\u00e3o e concilia\u00e7\u00e3o.&#8221;<br \/>Radicado h\u00e1 30 anos no Jap\u00e3o, Ishikawa presta consultoria para diversas institui\u00e7\u00f5es. Das cerca de 700 consultas que ofereceu a brasileiros entre 2018 e 2019 no banco Hamamatsu Iwata Shinkin Bank e nos consulados de Hamamatsu (Shizuoka) e Nagoia (Aichi), a maioria era assunto de fam\u00edlia: 26,5% se referiam a div\u00f3rcio, 12,2% a guarda, 11,6% a pens\u00e3o aliment\u00edcia e 11% a direito de visita aos filhos.<\/p>\n<p>Com o movimento decass\u00e9gui, o fluxo de descendentes de japoneses que foram trabalhar (a princ\u00edpio) temporariamente no Jap\u00e3o a partir da d\u00e9cada de 1990, o que aconteceu foi que, muitas vezes, um dos c\u00f4njuges ficou no Brasil enquanto o outro se instalou de forma definitiva no outro lado do mundo. Ao longo das d\u00e9cadas seguintes, muitos perderam contato e deixaram tudo para tr\u00e1s.<\/p>\n<p>&#8220;Um motivo que beira o \u00f3bvio talvez seja o principal: a imensa dist\u00e2ncia geogr\u00e1fica entre Jap\u00e3o e Brasil&#8221;, avalia o soci\u00f3logo Angelo Ishi, da Universidade Musashi, em T\u00f3quio.<\/p>\n<p>Dada a quilometragem, o pre\u00e7o das passagens a\u00e9reas era e \u00e9 alto. &#8220;Essa dist\u00e2ncia induz a duas posturas: primeiro, a tend\u00eancia de voltar pouco para o Brasil; segundo, a oportunidade de &#8216;sumir&#8217; no Jap\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>Entre 1995 e 2020, foram expedidas do Brasil ao Jap\u00e3o 7.613 cartas rogat\u00f3rias (instrumento jur\u00eddico para comunica\u00e7\u00e3o entre as Justi\u00e7as de dois pa\u00edses); entre elas, 3.376 eram sobre pens\u00e3o aliment\u00edcia e 1.829 sobre separa\u00e7\u00e3o e div\u00f3rcio, segundo dados levantados por Ishikawa junto aos consulados. Nem metade das cartas rogat\u00f3rias foram cumpridas \u2013ao todo, apenas 2.826 chegaram ao destino final.<\/p>\n<p>&#8220;Se algu\u00e9m quiser localizar um familiar no Jap\u00e3o, por exemplo, \u00e9 um caminho, mas um longo caminho: a carta \u00e9 redigida e traduzida, passa por um tribunal no Brasil, vai para Bras\u00edlia, passa pelo Itamaraty, vai para T\u00f3quio, passa por um tribunal no Jap\u00e3o, \u00e9 ent\u00e3o encaminhada pelo correio para a casa do destinat\u00e1rio que, no fim, \u00e0s vezes ignora a correspond\u00eancia, que consta como &#8216;n\u00e3o cumprida&#8217;. Nisso, passou-se mais de um ano&#8221;, exemplifica Ishikawa.<\/p>\n<p>Nas d\u00e9cadas de 1990 e 2000, muitos brasileiros buscaram localizar amores &#8220;perdidos&#8221; no Jap\u00e3o por outras vias: eles escreviam cartas para a imprensa voltada a imigrantes no arquip\u00e9lago. Por muito tempo existiu uma se\u00e7\u00e3o intitulada &#8220;Procura-se Desaparecidos&#8221; no jornal Tudo Bem, publicado em portugu\u00eas, em T\u00f3quio.<\/p>\n<p>&#8220;Na \u00e9poca, notei que as motiva\u00e7\u00f5es para as pessoas &#8216;perderem&#8217; contato eram variadas&#8221;, relata Ishi, que foi editor do jornal. &#8220;Um rapaz disse que n\u00e3o aguentava mais atender a pedidos dos pais, que queriam mais e mais remessas de dinheiro. Outro confidenciou que nunca teve coragem de revelar aos pais que era homossexual e tinha conseguido encontrar um parceiro com quem construiu um lar no Jap\u00e3o. E, claro, os casos mais comuns eram os de &#8216;vida dupla&#8217;, de gente que criou um novo lar no Jap\u00e3o, mas n\u00e3o teve a dec\u00eancia de acertar sua situa\u00e7\u00e3o com quem ficou no Brasil.&#8221;<\/p>\n<p>No International Press, tamb\u00e9m voltado a brasileiros, a se\u00e7\u00e3o era a &#8220;Desaparecidos&#8221;. Tamb\u00e9m eram mensagens de m\u00e3es, mulheres, filhos com saudades. A maioria dos desaparecidos era do sexo masculino. Nos momentos de crise econ\u00f4mica, os pedidos de busca se multiplicaram \u2013&#8221;e os &#8216;desaparecidos&#8217; come\u00e7aram a &#8216;aparecer&#8217;, s\u00f3 para n\u00f3s, fazendo amea\u00e7as&#8221;, conta a jornalista F\u00e1tima Kamata, \u00e0 frente do jornal entre 1995 e 2004.<\/p>\n<p>Os &#8220;procurados&#8221; passaram a ligar para a Reda\u00e7\u00e3o, pedindo a retirada do an\u00fancio, pois n\u00e3o queriam nenhum contato com quem os buscava.<br \/>As cartas, lembra a editora, eram principalmente sobre pens\u00e3o aliment\u00edcia, pedidos de div\u00f3rcio e empr\u00e9stimos.<br \/>Ap\u00f3s o fim da se\u00e7\u00e3o, o jornal continuou recebendo pedidos de busca, mas passou a encaminh\u00e1-los aos consulados.<\/p>\n<p>Era de se imaginar que, com a internet, ficaria mais f\u00e1cil localizar familiares atualmente. Entretanto, para muitos, apenas a tribuna mudou: em vez de cartas rogat\u00f3rias e cartas \u00e0 imprensa, agora h\u00e1 posts no Facebook. Um deles foi recentemente publicado pela cearense Marcia Viana, 39, que h\u00e1 cerca de 16 anos n\u00e3o tem not\u00edcia do companheiro.<\/p>\n<p>Viana conta que conheceu o c\u00f4njuge em Bel\u00e9m, onde moraram juntos e tiveram um filho, em 2003. Eles n\u00e3o se casaram no papel, mas \u00e0s vezes ela se refere a ele at\u00e9 hoje como &#8220;meu marido&#8221;. Ele foi trabalhar como oper\u00e1rio no Jap\u00e3o; ela ficou morando &#8220;de favor&#8221;, segundo suas palavras, na casa dos pais dele no Brasil.<\/p>\n<p>&#8220;Depois que meu marido foi embora, esperei seis meses para receber o primeiro telefonema dele. Ele dizia que ia trabalhar e juntar dinheiro para levar a fam\u00edlia toda para l\u00e1. Esperei e nunca mais ouvi a voz dele, meu menino nunca mais ouviu a voz do pai.&#8221;<\/p>\n<p>Por volta de 2006, os sogros pediram para ela ir embora da casa. &#8220;Diziam que eu estava de olho no dinheiro, mas que dinheiro? Vivia na \u00e1rea rural e nem tinha ideia do que era iene. Queria s\u00f3 que meu marido voltasse. Vivo do passado, fico pensando o que fiz de errado, pois ele nunca voltou.&#8221;<\/p>\n<p>Viana se instalou em Castanhal do Par\u00e1 (PA) e depois em Tabuleiro do Norte (CE). Ela conta que encontrou o perfil dele duas vezes no Facebook, mas as contas foram desativadas ap\u00f3s as tentativas de contato. &#8220;Ele \u00e9 quem devia estar me procurando, n\u00e9? N\u00e3o minha m\u00e3e procurando ele para lembrar de mim&#8221;, diz o filho, Masayoshi Viana Yano, 18.<\/p>\n<p>&#8220;Trabalhei de sol a sol para criar meu filho sozinha. N\u00e3o quero dinheiro dele. Quero que ele ligue para o filho no anivers\u00e1rio, dia 26 de outubro, nas f\u00e9rias, no Natal&#8221;, diz ela, que n\u00e3o sabe se o ex continua no Jap\u00e3o ou se voltou ao Brasil. &#8220;Se um dia ele quiser ligar, estamos esperando.&#8221;<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Mundo<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/mundo\/1813223\/juiz-online-facilita-mediacao-de-casais-divididos-entre-brasil-e-japao?utm_source=rss-mundo&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foi por uma tela do Microsoft Teams que a paulista Elisabeth Sato, 35, p\u00f4s um<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":17136,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-17135","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17135","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17135"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17135\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/17136"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17135"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17135"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17135"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}