{"id":171345,"date":"2024-04-08T21:08:37","date_gmt":"2024-04-09T00:08:37","guid":{"rendered":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2024\/04\/08\/parentes-na-guerra-e-adaptacao-desafiam-nova-vida-no-brasil-de-repatriados-de-gaza\/"},"modified":"2024-04-08T21:08:37","modified_gmt":"2024-04-09T00:08:37","slug":"parentes-na-guerra-e-adaptacao-desafiam-nova-vida-no-brasil-de-repatriados-de-gaza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2024\/04\/08\/parentes-na-guerra-e-adaptacao-desafiam-nova-vida-no-brasil-de-repatriados-de-gaza\/","title":{"rendered":"Parentes na guerra e adapta\u00e7\u00e3o desafiam nova vida no Brasil de repatriados de Gaza"},"content":{"rendered":"<p>S\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; O palestino com cidadania brasileira Ramadan Hasan Abdou, 29, teve de tomar a decis\u00e3o mais dif\u00edcil de sua vida dias ap\u00f3s o in\u00edcio da guerra entre Israel e Hamas. Depois de escapar da morte em um bombardeio que destruiu a sua casa, embarcou de volta ao Brasil no primeiro grupo de repatriados pelo governo federal, mas deixou para tr\u00e1s tr\u00eas de seus filhos. As crian\u00e7as n\u00e3o tiveram autoriza\u00e7\u00e3o da m\u00e3e para viajar e ainda hoje est\u00e3o sob risco na Faixa de Gaza.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>Com seis meses de guerra, completados no domingo (7), Abdou tenta se adaptar \u00e0 nova rotina, mas afirma que a cada dia a ang\u00fastia aumenta. A m\u00e3e das crian\u00e7as, sua ex-mulher, est\u00e1 desaparecida desde que outro ataque devastou o pr\u00e9dio em que ela estava abrigada. Os filhos agora vivem com duas tias em condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias numa tenda na cidade de Rafah, o \u00fanico grande centro urbano que Tel Aviv ainda n\u00e3o invadiu por terra.<\/p>\n<p>&#8220;As crian\u00e7as [em Gaza] est\u00e3o morrendo de fome. Eu costumo dizer que os animais agora vivem melhor do que as pessoas&#8221;, diz Abdou, que mora em um apartamento alugado em S\u00e3o Paulo com a atual mulher e outros dois filhos. &#8220;H\u00e1 muita dor no meu cora\u00e7\u00e3o. N\u00e3o tenho paz. Meus filhos lutam contra a morte minuto a minuto.&#8221;<\/p>\n<p>Outros repatriados de Gaza, que tentam reconstruir a vida no Brasil, relatam sofrimento semelhante. Eles alternam trabalho, aulas de portugu\u00eas e sess\u00f5es de atendimento psicol\u00f3gico com o notici\u00e1rio do conflito.<\/p>\n<p>Segundo o Itamaraty, 115 brasileiros e familiares foram retirados de Gaza desde outubro passado. Os \u00faltimos quatro deixaram o territ\u00f3rio palestino em 8 de fevereiro e chegaram a S\u00e3o Paulo em um voo comercial.<\/p>\n<p>Atualmente, 32 palestinos-brasileiros e familiares repatriados est\u00e3o na Vila Minha P\u00e1tria, em Morungaba, a cerca de 100 km de S\u00e3o Paulo. O espa\u00e7o \u00e9 administrado pela Conven\u00e7\u00e3o Batista Brasileira, uma associa\u00e7\u00e3o crist\u00e3 de igrejas batistas, para abrigar refugiados e imigrantes. Hoje, o local acolhe 147 pessoas, a maioria afeg\u00e3os.<\/p>\n<p>Jennifer Soares, coordenadora do Vila Minha P\u00e1tria, diz que o governo federal os procurou ap\u00f3s o in\u00edcio da guerra para solicitar o acolhimento dos oriundos de Gaza. A maior parte dos repatriados chegou em novembro, e o projeto prev\u00ea que eles permane\u00e7am no local por pelo menos seis meses.<\/p>\n<p>Uma equipe de volunt\u00e1rios trabalha para que o grupo conquiste autonomia e se integre socialmente. De segunda a sexta-feira, adultos e crian\u00e7as t\u00eam pelo menos duas horas de aulas de portugu\u00eas. Os menores, que frequentam a escola municipal, fazem li\u00e7\u00f5es de refor\u00e7o para conseguirem acompanhar os colegas de classe.<\/p>\n<p>De tempos em tempos, o grupo participa de oficinas de artes e atividades esportivas. Com 170 mil metros quadrados, o Vila Minha P\u00e1tria tem piscina e quadras de futebol, v\u00f4lei, basquete e t\u00eanis. Rodas de conversa e palestras s\u00e3o organizadas para que os repatriados possam compartilhar dores e lidar com o estresse p\u00f3s-traum\u00e1tico.<\/p>\n<p>O palestino Mohammad Farahat, 43, disse ter sido bem recebido, mas afirma que o processo de adapta\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem sido f\u00e1cil. &#8220;Quando chegamos, foi muito, muito ruim. \u00c9 uma experi\u00eancia nova no Brasil. E o pano de fundo \u00e9 o sangue, a guerra, porque deixamos nossos entes queridos em Gaza. Eles ainda est\u00e3o sofrendo. Est\u00e1vamos na escurid\u00e3o porque deixamos tudo para tr\u00e1s: familiares, nossa casa, nossas fotos&#8221;, diz ele, cuja esposa e filhos t\u00eam nacionalidade brasileira. &#8220;Mas, gradualmente, estamos lidando com isso.&#8221;<\/p>\n<p>Preocupado com a situa\u00e7\u00e3o de amigos e parentes em Gaza, Farahat tamb\u00e9m manifesta receio com a situa\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria fam\u00edlia no Brasil. Ele se diz assustado com o alto custo de vida e com poucas oportunidades de emprego em Morungaba, que em 2022 tinha menos de 13,7 mil habitantes, segundo o IBGE. &#8220;N\u00e3o podemos comprar os rem\u00e9dios que n\u00e3o s\u00e3o oferecidos pela rede de sa\u00fade, nem roupas. O aluguel de casas n\u00e3o \u00e9 acess\u00edvel. Vai ser desafiador encontrar um emprego adequado para garantir um futuro sustent\u00e1vel \u00e0 minha fam\u00edlia.&#8221;<\/p>\n<p>Farahat pede ajuda para que seu filho continue o curso de multim\u00eddia, interrompido pela guerra em Gaza. A coordenadora Jennifer Soares afirma que a qualifica\u00e7\u00e3o profissional costuma ser motivo de frustra\u00e7\u00e3o para imigrantes e refugiados. Em dois anos de projeto, nenhum diploma dos atendidos pelo servi\u00e7o foi revalidado em territ\u00f3rio brasileiro.<\/p>\n<p>Os repatriados de Gaza est\u00e3o inclu\u00eddos no Bolsa Fam\u00edlia. Eles tamb\u00e9m t\u00eam acesso a atendimento psicol\u00f3gico da rede municipal, mas apontam problemas: nem sempre existe um tradutor de \u00e1rabe e, quando h\u00e1, pacientes se sentem inibidos com a presen\u00e7a de mais um profissional al\u00e9m do psic\u00f3logo.<\/p>\n<p>Cidad\u00e3os que j\u00e1 tinham uma vida estabelecida no Brasil antes da guerra tamb\u00e9m lidam com mudan\u00e7as. Monir Bader, 39, viajou a Gaza para visitar familiares e acabou encurralado na guerra. De volta, decidiu abandonar a profiss\u00e3o de motorista de aplicativo e passou a vender comida \u00e1rabe feita em sua casa para passar mais tempo com a fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Ainda hoje, conta Bader, os filhos de 12, 10 e 5 anos se assustam quando ouvem fogos de artif\u00edcio. &#8220;E os meus sogros est\u00e3o sofrendo porque est\u00e3o aqui, mas os filhos deles est\u00e3o l\u00e1. Minha sogra chora o dia inteiro.&#8221;<\/p>\n<p>Palestinos-brasileiros fazem campanha para governo brasileiro resgatar parentes<\/p>\n<p>Diante da imin\u00eancia de Israel iniciar uma ofensiva terrestre de larga escala em Rafah, no sul de Gaza, alguns palestinos-brasileiros come\u00e7aram uma campanha para o governo de Luiz In\u00e1cio Lula da Silva (PT) resgatar os familiares que continuam no territ\u00f3rio palestino.<\/p>\n<p>O movimento \u00e9 encabe\u00e7ado por Hasan Rabee, que ficou conhecido ao filmar os ataques israelenses em Gaza e compartilhar nas redes sociais sua rotina pela sobreviv\u00eancia. Ele e outros repatriados mant\u00eam contatos di\u00e1rios para trocar informa\u00e7\u00f5es sobre o conflito e a situa\u00e7\u00e3o dos parentes que est\u00e3o na zona de guerra.<\/p>\n<p>Rabee viajou a Bras\u00edlia no m\u00eas passado para apresentar a autoridades uma lista de 104 familiares que permanecem em Gaza. &#8220;O documento era bem maior e tinha mais ou menos 150 nomes. Mas, a cada semana, a lista vai diminuindo porque as pessoas est\u00e3o morrendo. Quantos v\u00e3o restar?&#8221;, questiona Rabee, que viajou acompanhado de duas advogadas e da presidente de uma ONG.<\/p>\n<p>Ele afirma ter se reunido com representantes dos minist\u00e9rios das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, da Justi\u00e7a e dos Direitos Humanos, mas diz n\u00e3o ter conseguido avan\u00e7os concretos nas tratativas para novas opera\u00e7\u00f5es de resgate.<\/p>\n<p>Apesar da crise humanit\u00e1ria em Gaza, o governo Lula decidiu que n\u00e3o dar\u00e1 autoriza\u00e7\u00e3o de resid\u00eancia ou visto tempor\u00e1rio para fins de acolhida humanit\u00e1ria a palestinos de Gaza com o argumento de evitar uma nova &#8220;nakba&#8221;. A palavra, que significa cat\u00e1strofe ou desastre em \u00e1rabe, faz refer\u00eancia \u00e0 di\u00e1spora for\u00e7ada de palestinos no fim da d\u00e9cada de 1940.<\/p>\n<p>Rabee e outros repatriados de Gaza pedem que o governo conceda o visto para reuni\u00e3o familiar, documento que facilita a entrada no Brasil dos parentes de um refugiado reconhecido pelo Estado brasileiro. O pedido, por\u00e9m, tampouco avan\u00e7ou.<\/p>\n<p>&#8220;Mas eu n\u00e3o vou sossegar&#8221;, diz ele. &#8220;A gente est\u00e1 bem, mas a nossa cabe\u00e7a, a nossa mente e o nosso cora\u00e7\u00e3o est\u00e3o com a nossa fam\u00edlia em Gaza.&#8221;<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Brasil<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/mundo\/2135409\/parentes-na-guerra-e-adaptacao-desafiam-nova-vida-no-brasil-de-repatriados-de-gaza?utm_source=rss-brasil&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; O palestino com cidadania brasileira Ramadan Hasan Abdou, 29, teve<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":171346,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-171345","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/171345","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=171345"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/171345\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/171346"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=171345"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=171345"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=171345"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}