{"id":170119,"date":"2024-03-30T15:08:12","date_gmt":"2024-03-30T18:08:12","guid":{"rendered":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2024\/03\/30\/cacau-vive-renascer-na-volta-as-origens-em-rondonia\/"},"modified":"2024-03-30T15:08:12","modified_gmt":"2024-03-30T18:08:12","slug":"cacau-vive-renascer-na-volta-as-origens-em-rondonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2024\/03\/30\/cacau-vive-renascer-na-volta-as-origens-em-rondonia\/","title":{"rendered":"Cacau vive &#8216;renascer&#8217; na volta \u00e0s origens em Rond\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<p>ALEXA SALOM\u00c3O E ZANONE FRAISSAT<br \/>JARU, RO (FOLHAPRESS) &#8211; O cacau, fruto do chocolate, fez fortunas, literatura e novela a partir da Bahia, mas vive uma esp\u00e9cie de renascer em Rond\u00f4nia. Muita gente chama a regi\u00e3o de nova fronteira para esse cultivo, mas, na verdade, se trata de uma volta \u00e0s origens. O cacau \u00e9 natural da regi\u00e3o amaz\u00f4nica.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>Em outubro do ano passado, o governo federal at\u00e9 instituiu a Rota do Cacau em Rond\u00f4nia, incluindo 43 munic\u00edpios. Jaru, Ariquemes e Ouro Preto do Oeste s\u00e3o algumas das localidades que se destacam.<\/p>\n<p>No quesito volume, o estado \u00e9 quase nada. Quarto no ranking nacional, atr\u00e1s de, respectivamente, Bahia, Par\u00e1 e Esp\u00edrito Santo, Rond\u00f4nia responde por algo entre 1% a 2% da produ\u00e7\u00e3o. Os levantamentos da colheita local ainda s\u00e3o imprecisos. No que se refere \u00e0 qualidade, no entanto, est\u00e1 dif\u00edcil superar o produto da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>H\u00e1 dois anos consecutivos \u00e9 o cacau de Rond\u00f4nia que sai com o t\u00edtulo de melhor do pa\u00eds na mais conceituada disputa do setor, o Concurso Nacional de Qualidade do Cacau Especial do Brasil. Na pr\u00e1tica, significa que o fruto se habilitou como o melhor para entrar na composi\u00e7\u00e3o de chocolates finos.<\/p>\n<p>Existem tr\u00eas variedades de cacau, criolo, forasteiro e trinit\u00e1rio. No entanto, h\u00e1 in\u00fameros cultivares clonados, normalmente nomeados por letras e n\u00fameros. A vit\u00f3ria dupla no concurso nacional ati\u00e7ou inveja e celeuma pelo fato de o vencedor ser o tipo improv\u00e1vel para tamanha honraria, o clone CCN 51.<\/p>\n<p>Numa analogia, ele seria o fusquinha dos cacaus. Apesar de ser mais produtivo e resistente a pragas, n\u00e3o costuma ter leveza e do\u00e7ura adequadas para a produ\u00e7\u00e3o de um chocolate fino.<\/p>\n<p>Na propriedade de Deoclides Pires da Silva, a Ch\u00e1cara Tiengo, em Jaru, no entanto, ele virou, em 2022 e 2023, a Ferrari dos frutos. &#8220;At\u00e9 espalharam o boato de que eu havia manipulado os resultados. Veja a que ponto chegaram&#8221;, diz Silva com desgosto.<\/p>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o de Silva com o cacau \u00e9 o retrato da atividade na regi\u00e3o. Sua \u00e1rea \u00e9 diminuta. Na Bahia, por exemplo, as propriedades com cacau t\u00eam atualmente cerca de 50 hectares, o que j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 muito para os padr\u00f5es do agroneg\u00f3cio brasileiro. No Par\u00e1, 30. Silva tem uma terra com 15 hectares e planta 2,6 hectares de cacau.<\/p>\n<p>&#8220;Quando me perguntam quantos funcion\u00e1rios tenho para cuidar da planta\u00e7\u00e3o, digo que sou eu e Deus, mas a fam\u00edlia ajuda&#8221;, diz.<br \/>Quem o ati\u00e7ou para participar dos concursos foi o genro, Marcelo Medeiros. De posse do cacau premiado, se mobilizaram para vender tamb\u00e9m chocolate. A filha, Cristiane Tiengo Medeiros, fez cursos em diferentes partes do pa\u00eds. Esteve at\u00e9 em Gramado, no Rio Grande do Sul. Com a parceria da m\u00e3e, Marilda Tiengo Silva, passou a vender nibs, bombons, barras e licores. Nesta P\u00e1scoa, arriscaram a produ\u00e7\u00e3o de ovos.<\/p>\n<p>Em Rond\u00f4nia tamb\u00e9m se encontram \u00e1reas com alta produtividade. A m\u00e9dia local est\u00e1 na casa de 800 quilos por hectare. Para se ter uma ideia, a m\u00e9dia nacional fica um pouco abaixo de 400, e a m\u00e9dia global n\u00e3o chega a 500.<\/p>\n<p>O produtor Claudio Concei\u00e7\u00e3o Coimbra \u00e9 um exemplo acima dessas m\u00e9dias. Sua cultura na fazenda Vale do Rio Escondido \u00e9 uma esp\u00e9cie de laborat\u00f3rio. Cultiva 28 tipos diferentes de cacau e, segundo ele, colhe cerca de 4.400 quilos por hectare.<\/p>\n<p>Ele foi um dos primeiros a organizar a compra do cacau local. Tamb\u00e9m visitou produtores em v\u00e1rios estados para incentivar o plantio. &#8220;Explico que desmatamento, garimpo e outras atividades que deixam estragos d\u00e3o ganhos passageiros, mas o cacau fica&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Com o fortalecimento do movimento ambientalista, ele acredita que a certifica\u00e7\u00e3o do cacau local com uma esp\u00e9cie de selo verde pode reposicionar o estado. Segundo ele, desde que o pre\u00e7o come\u00e7ou a subir, ficou mais f\u00e1cil sensibilizar os produtores.<\/p>\n<p>A cota\u00e7\u00e3o do cacau na Bolsa de commodities de Nova York passou um bom tempo est\u00e1vel, com a tonelada avaliada na faixa de US$ 2.500. Colheitas ruins afetadas por secas e doen\u00e7as, associadas \u00e0 queda dos estoques, engrenaram a alta.<\/p>\n<p>A cota\u00e7\u00e3o come\u00e7ou a subir no in\u00edcio de 2023 e terminou o ano em quase US$ 4.800. Em fevereiro deste ano, a tonelada valia US$ 6.500. Em 15 de mar\u00e7o, quando a reportagem visitava Rond\u00f4nia, j\u00e1 havia superado US$ 7.000. Ao longo da \u00faltima semana, ultrapassou o valor do cobre. Em alguns preg\u00f5es, contratos foram fechados por US$ 10 mil. Na v\u00e9spera do feriado de P\u00e1scoa, a tonelada estava cotada a US$ 9.741.<\/p>\n<p>Os t\u00e9cnicos da cultura ainda n\u00e3o t\u00eam respostas para os resultados diferenciados da produ\u00e7\u00e3o em Rond\u00f4nia.<\/p>\n<p>&#8220;Alguns especialistas dizem que os produtores fizeram o dever de casa e avan\u00e7aram, outros que t\u00eam rela\u00e7\u00e3o com o solo. Est\u00e3o organizando a ida de t\u00e9cnicos para avaliar melhor. Mas \u00e9 fato que, apesar de produzir menos, Rond\u00f4nia impressiona pelos resultados&#8221;, diz Anna Paula Losi, diretora-executiva da AIPC (Associa\u00e7\u00e3o Nacional das Ind\u00fastrias Processadoras de Cacau).<\/p>\n<p>O estado chamou a aten\u00e7\u00e3o at\u00e9 da Nestl\u00e9. A multinacional de alimentos, com sede na Su\u00ed\u00e7a, tem um programa global de acompanhamento de produtores, o Cocoa Plan. J\u00e1 atuava em estados com forte produ\u00e7\u00e3o, como Bahia, Esp\u00edrito Santo e Par\u00e1 e incluiu Rond\u00f4nia no final de 2023. Tem 6.500 fazendas cadastradas.<\/p>\n<p>Segundo a diretora de Marketing de Chocolates da Nestl\u00e9 Brasil, Mariana Marcussi, o programa busca orientar o produtor para pr\u00e1ticas sociais e ambientais sustent\u00e1veis, o que inclui combate a desmatamento, trabalho infantil e escravo e uso de agrot\u00f3xicos banidos.<\/p>\n<p>&#8220;Nosso desafio \u00e9 ter cacau 100% sustent\u00e1vel at\u00e9 2025&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Quem atua em campo acredita que Rond\u00f4nia tem importante contribui\u00e7\u00e3o. &#8220;Se a gente conseguir replicar os resultados alcan\u00e7ados pelos produtores que estamos conhecendo aqui em Rond\u00f4nia, todo mundo sai ganhando&#8221;, diz o gerente da Nestl\u00e9 para Agricultura do Cacau, Igor Mota.<\/p>\n<p>Ele lembra que solo, altitude e idade da planta s\u00e3o vari\u00e1veis que influenciam no resultados da cultura, mas j\u00e1 identificou que o trabalho de campo pode ser um componente importante nos bons resultados no estado. O manejo local inclui o uso adequado de material org\u00e2nico, como compostagem com a casca do cacau e outros ingredientes naturais.<\/p>\n<p>&#8220;As propriedades em Rond\u00f4nia t\u00eam em m\u00e9dia quatro hectares. Os produtores cuidam delas com a ponta do dedo. Conhecem cada \u00e1rvore&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>O clima tamb\u00e9m parece pesar a favor, inibindo a vassoura-de-bruxa. Por se tratar de um fungo, sofre resist\u00eancia nos per\u00edodos secos que se alternam com as chuvas no clima equatorial quente de Rond\u00f4nia. A praga chegou a desaparecer em boa parte das propriedades.<\/p>\n<p><span class=\"news_bold\">Na Bahia, ocorreu o contr\u00e1rio.<\/span><br \/>As primeiras sementes de cacau chegaram l\u00e1 em por volta de 1750, e a planta se adaptou ao clima de mata atl\u00e2ntica. Tamb\u00e9m contou a favor da regi\u00e3o a estrutura log\u00edstica, com estradas e portos. De l\u00e1 foi mais f\u00e1cil embarcar o produto para o exterior.<br \/>A partir da Bahia, o Brasil foi destaque na produ\u00e7\u00e3o e exporta\u00e7\u00e3o do cacau at\u00e9 a d\u00e9cada de 1980, quando figurou como segundo no ranking internacional, com uma produ\u00e7\u00e3o de pouco mais de 400 toneladas por ano. Veio a vassoura-debruxa e a cultura degringolou.<\/p>\n<p>A alta umidade praticamente o ano inteiro d\u00e1 abrigo ao fungo, que persiste na regi\u00e3o. O plantio da fruta foi se espalhando por outros estados, mas eles ainda n\u00e3o conseguem suplantar o volume e estrutura alcan\u00e7ados na Bahia. Todo cacau produzido no pa\u00eds viaja para l\u00e1, onde se concentram as moageiras.<br \/>Atualmente, o Brasil produz 220 toneladas por ano, praticamente metade do que alcan\u00e7ou no \u00e1pice.<\/p>\n<p>&#8220;A vassoura-de-bruxa imp\u00f5e perdas, sem d\u00favidas, mas o produtor aprendeu a conviver com ela. A Bahia ainda \u00e9 o maior produtora, e todo o cacau brasileiro processado aqui&#8221;, afirma Guilherme de Castro Moura, produtor da fruta e presidente da C\u00e2mara Setorial da Cadeia Produtiva do Cacau.<\/p>\n<p>&#8220;Mas a Bahia n\u00e3o tem o monop\u00f3lio do cacau. O fruto, genuinamente brasileiro, \u00e9 origin\u00e1rio da bacia amaz\u00f4nica. Quanto mais estados produzirem, melhor. Fortalece o Brasil como grande produtor.&#8221;<\/p>\n<p>A partir do Amazonas, fruta foi de bebida amarga \u00e0 doce barra de chocolate<\/p>\n<p>Estudos mais recentes atestaram que a \u00e1rvore do cacau \u00e9 natural da regi\u00e3o amaz\u00f4nica na Am\u00e9rica do Sul, n\u00e3o da Am\u00e9rica Central, como se registrava anteriormente. Pesquisas arqueol\u00f3gicas indicaram que o fruto j\u00e1 era manipulado pelos mayo-chinchipe-mara\u00f1\u00f3n , grupo que habitou \u00e1reas do Equador ao Peru h\u00e1 5.300 anos.<\/p>\n<p>Nos mil\u00eanios seguintes, h\u00e1 registros de que olmecas, astecas e maias cultivaram a planta e a utilizaram como bebida sagrada. Tomavam in natura, sem leite ou a\u00e7\u00facar.<\/p>\n<p>Durante a conquista das Am\u00e9ricas, os colonizadores provaram e n\u00e3o gostaram do sabor amargo, mas perceberam o potencial da planta. H\u00e1 registros de que os locais trocavam sementes como se fossem moedas.<\/p>\n<p>Mudas foram levadas para \u00c1frica e \u00c1sia, abrindo caminho para a supremacia que hoje se v\u00ea na produ\u00e7\u00e3o de cacau na Costa do Marfim, maior produtor mundial.<\/p>\n<p>Foram s\u00e9culos de experi\u00eancias culin\u00e1rias at\u00e9 que o ingl\u00eas Joseph Fry conseguisse, em 1849, fazer a primeira barra de chocolate. O sabor, no entanto, s\u00f3 ficou mais pr\u00f3ximo do irresist\u00edvel que conhecemos hoje quando o chocolateiro su\u00ed\u00e7o Daniel Peter misturou os produtos das am\u00eandoas do cacau com leite condensado e lan\u00e7ou, em 1875, o chocolate ao leite. Entre seus fornecedores na fase de testes estava o qu\u00edmico Henri Nestl\u00e9.<\/p>\n<p>Em 1879, foi a vez de Rudolph Lindt fazer hist\u00f3ria. Criou, at\u00e9 hoje n\u00e3o se sabe ao certo se de caso pensado ou se por acidente, um processamento da massa do chocolate chamado conchagem, que deixou o produto com textura mais leve e aveludada.Os jornalistas viajaram a convite da Nestl\u00e9.<\/p>\n<p>Leia Tamb\u00e9m: <a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/esporte\/2132285\/beckham-sugere-brasileiro-neymar-ao-lado-de-messi-e-suarez-no-inter-miami\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Beckham sugere brasileiro Neymar ao lado de Messi e Su\u00e1rez no Inter Miami<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/economia\/2132296\/cacau-vive-renascer-na-volta-as-origens-em-rondonia?utm_source=rss-economia&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><br \/>\nNot\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Economia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ALEXA SALOM\u00c3O E ZANONE FRAISSATJARU, RO (FOLHAPRESS) &#8211; O cacau, fruto do chocolate, fez fortunas,<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":170120,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[11],"tags":[],"class_list":["post-170119","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-economia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/170119","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=170119"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/170119\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/170120"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=170119"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=170119"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=170119"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}