{"id":169847,"date":"2024-03-28T13:08:31","date_gmt":"2024-03-28T16:08:31","guid":{"rendered":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2024\/03\/28\/astronomos-decifram-segredos-das-explosoes-de-supernova\/"},"modified":"2024-03-28T13:08:31","modified_gmt":"2024-03-28T16:08:31","slug":"astronomos-decifram-segredos-das-explosoes-de-supernova","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2024\/03\/28\/astronomos-decifram-segredos-das-explosoes-de-supernova\/","title":{"rendered":"Astr\u00f4nomos decifram segredos das explos\u00f5es de supernova"},"content":{"rendered":"<p>(FOLHAPRESS) &#8211; Elas intrigam os astr\u00f4nomos h\u00e1 s\u00e9culos. Imprevis\u00edveis, as explos\u00f5es de supernova ainda guardam muitos mist\u00e9rios. Mas o v\u00e9u de incertezas que cerca esses fascinantes objetos do zool\u00f3gico c\u00f3smico ficou agora um pouco menos espesso. Um grupo internacional de pesquisadores liderado por israelenses apresentou nesta quarta-feira (27) aquele que pode ser descrito como o quadro mais completo j\u00e1 produzido da evolu\u00e7\u00e3o de uma supernova.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>O trabalho, que tem como primeiro autor Erez Zimmerman, estudante de doutorado do Instituto Weizmann de Israel, foi fruto de um bocado de sorte, combinado \u00e0 grande agilidade para observar um evento astron\u00f4mico literalmente bomb\u00e1stico em tempo real.<\/p>\n<p>Tudo come\u00e7ou em 19 de maio do ano passado, quando o astr\u00f4nomo amador japon\u00eas Koichi Itagaki reportou a descoberta da SN 2023ixf \u2013um ponto brilhante antes n\u00e3o observado na famosa Gal\u00e1xia do Cata-Vento (tamb\u00e9m listada como NGC 5457 ou M101). Trata-se de uma bela espiral, compar\u00e1vel \u00e0 nossa Via L\u00e1ctea, localizada a cerca de 21 milh\u00f5es de anos-luz daqui \u2013dist\u00e2ncia at\u00e9 modesta, pelos padr\u00f5es extragal\u00e1cticos.<\/p>\n<p>Assim que recebeu a notifica\u00e7\u00e3o da descoberta, apenas horas depois de ter ocorrido, o grupo de Avishay Gal-Yam, orientador de Zimmerman no Weizmann, solicitou tempo de observa\u00e7\u00e3o no Telesc\u00f3pio Espacial Hubble, da Nasa. Ningu\u00e9m sabe quando uma supernova vai aparecer no c\u00e9u, mas eles j\u00e1 tinham um programa destinado a observar, em luz ultravioleta, qualquer supernova que aparecesse, demandando uso priorit\u00e1rio quando a ocasi\u00e3o surgisse.<\/p>\n<p>N\u00e3o ajudou que a descoberta tenha ocorrido numa tarde de sexta-feira e o casamento de Zimmerman estivesse marcado para dali a dois dias. Cenas de astronomia expl\u00edcita transcorreram nas horas e dias subsequentes, conforme o grupo colhia imagens e espectros da SN 2023ixf. &#8220;\u00c9 muito raro, como cientista, ter de agir t\u00e3o depressa&#8221;, disse Gal-Yam, em nota do Instituto Weizmann. &#8220;Tivemos muita sorte de ter esse programa rodando quando a supernova mais pr\u00f3xima em uma d\u00e9cada explodiu na M101&#8221;, contou Zimmerman \u00e0 Folha.<\/p>\n<p>O esfor\u00e7o valeu a pena. &#8220;Fomos capazes -pela primeira vez- de observar uma supernova enquanto sua luz estava emergindo do material circunstelar em que a estrela em explos\u00e3o estava envolvida&#8221;, diz Zimmerman. &#8220;J\u00e1 tivemos espectros de supernovas do Tipo II que foram observadas mais cedo, mas nunca no ultravioleta, j\u00e1 que isso exige um telesc\u00f3pio espacial como o Hubble para observar, pelo fato de a atmosfera absorver radia\u00e7\u00e3o ultravioleta.&#8221;<\/p>\n<p>Cabe aqui uma pausa para falar do que produz as supernovas, em particular as de Tipo II, como a estudada agora pelo grupo. Elas s\u00e3o o resultado da morte de estrelas de alta massa, muito mais parrudas que o Sol. Quando o combust\u00edvel nuclear que as alimenta est\u00e1 para terminar, elas se transformam em supergigantes vermelhas, astros bastante inchados com ventos estelares poderosos, que fazem com que o astro v\u00e1 perdendo massa -literalmente soprando para longe suas camadas exteriores.<\/p>\n<p>Quando a fus\u00e3o nuclear se torna completamente invi\u00e1vel, algo diferente acontece: o n\u00facleo da estrela implode, esmagado por sua pr\u00f3pria gravidade (agora n\u00e3o mais contida pela energia gerada no interior da estrela). Um efeito rebote gera uma explos\u00e3o, com tal luminosidade que a estrela sozinha pode brilhar mais que uma gal\u00e1xia inteira, com centenas de milh\u00f5es de s\u00f3is.<\/p>\n<p>Contudo, essa luz toda, para sair, precisa atravessar o material cincunstelar ejetado durante as fases finais de vida da estrela. Pois bem, o que os astr\u00f4nomos liderados pelo grupo israelense conseguiram foi observar justamente esse processo em que a luz da explos\u00e3o vai atravessando a mat\u00e9ria circundante e ganha o espa\u00e7o exterior, podendo chegar at\u00e9 nossos telesc\u00f3pios.<\/p>\n<p>Entender como exatamente evoluem essas grandes explos\u00f5es c\u00f3smicas \u00e9 um dos desafios fundamentais para compreender como o pr\u00f3prio Universo evolui. Afinal, sabemos que o Big Bang, ocorrido h\u00e1 13,8 bilh\u00f5es de anos, produziu apenas hidrog\u00eanio, h\u00e9lio e l\u00edtio. Todos os outros elementos da tabela peri\u00f3dica, dentre eles alguns caros \u00e0 vida, como carbono, oxig\u00eanio, nitrog\u00eanio, f\u00f3sforo e enxofre, foram produzidos no cora\u00e7\u00e3o das estrelas. E as supernovas em particular t\u00eam um papel muito importante na poliniza\u00e7\u00e3o de nuvens de g\u00e1s com esses elementos, dando origem a novos sistemas estelares e planet\u00e1rios, al\u00e9m de tudo que eles cont\u00eam. (Sim, todos os \u00e1tomos do seu corpo que n\u00e3o s\u00e3o hidrog\u00eanio foram produzidos um dia no interior de estrelas, antes de serem espalhados na nebulosa que deu origem ao Sol e a sua fam\u00edlia de planetas.)<\/p>\n<p>Analisando dados de raios X e ultravioleta colhidos respectivamente pelos sat\u00e9lites Swift e Hubble, da Nasa, al\u00e9m de v\u00e1rias observa\u00e7\u00f5es feitas por telesc\u00f3pios em solo, e observa\u00e7\u00f5es de arquivo da Gal\u00e1xia do Cata-Vento que a mostravam antes da explos\u00e3o, os pesquisadores conseguiram criar o quadro mais completo j\u00e1 produzido de uma supernova, mapeando as duas camadas exteriores da estrela explodida e estimando a massa desse material, bem como a massa original da estrela pr\u00e9-explos\u00e3o.<\/p>\n<p>Os n\u00fameros sugerem duas hip\u00f3teses: ou ela perdeu muita massa nas d\u00e9cadas que precederam a explos\u00e3o (algo que n\u00e3o \u00e9 suportado pelos atuais modelos de evolu\u00e7\u00e3o estelar) e o caro\u00e7o que restou dela se tornou uma estrela de n\u00eautrons, ou a massa &#8220;desaparecida&#8221; est\u00e1 agora comprimida em um buraco negro resultante da explos\u00e3o. S\u00e3o de fato esses os dois poss\u00edveis desfechos para um astro que explodiu como supernova, e em geral \u00e9 muito dif\u00edcil identificar qual deles \u00e9 o certo.<\/p>\n<p>Neste caso, contudo, o estudo detalhado pode acabar revelando o que restou da estrela explodida. Se a mat\u00e9ria sumida que supostamente foi ejetada estiver no entorno do astro, ela continuar\u00e1 a emitir raios X por v\u00e1rios anos. Se, contudo, ela &#8220;desaparecer&#8221; nesse tipo de radia\u00e7\u00e3o, \u00e9 sinal de que o objeto virou mesmo um buraco negro. Os pesquisadores certamente ficar\u00e3o de olho.<\/p>\n<p>Leia Tamb\u00e9m: <a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/tech\/2131627\/nova-imagem-revela-detalhes-sobre-buraco-negro-da-nossa-galaxia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Nova imagem revela detalhes sobre buraco negro da nossa gal\u00e1xia<\/a><\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Brasil<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/brasil\/2131676\/astronomos-decifram-segredos-das-explosoes-de-supernova?utm_source=rss-brasil&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(FOLHAPRESS) &#8211; Elas intrigam os astr\u00f4nomos h\u00e1 s\u00e9culos. 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