{"id":164979,"date":"2024-02-22T12:08:16","date_gmt":"2024-02-22T15:08:16","guid":{"rendered":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2024\/02\/22\/vendi-com-o-cerebro-nao-com-o-coracao-diz-antigo-dono-do-playcenter\/"},"modified":"2024-02-22T12:08:16","modified_gmt":"2024-02-22T15:08:16","slug":"vendi-com-o-cerebro-nao-com-o-coracao-diz-antigo-dono-do-playcenter","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2024\/02\/22\/vendi-com-o-cerebro-nao-com-o-coracao-diz-antigo-dono-do-playcenter\/","title":{"rendered":"&#8216;Vendi com o c\u00e9rebro, n\u00e3o com o cora\u00e7\u00e3o&#8217;, diz antigo dono do Playcenter"},"content":{"rendered":"<p>(FOLHAPRESS) &#8211; Marcelo Gutglas, 83, estava um pouco perdido nesta quarta-feira (21). Depois de 50 anos de trabalho ininterruptos, como \u00e9 n\u00e3o ter nada para fazer?<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>&#8220;Eu sa\u00ed do pa\u00eds. Ainda n\u00e3o deu para pensar nisso. Trabalhei a vida toda. N\u00e3o sei como um aposentado se comporta&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Nascido na Bol\u00edvia, o engenheiro eletr\u00f4nico formado pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, em S\u00e3o Paulo, viajou para Montevid\u00e9u, capital uruguaia, horas ap\u00f3s ter vendido o Grupo Playcenter para a Cacau Show.<\/p>\n<p>Em negocia\u00e7\u00e3o de valor n\u00e3o revelado, abriu m\u00e3o da empresa dona de uma rede de parques indoors e que tem como bem precioso a marca.<\/p>\n<p>O nome Playcenter est\u00e1 ligado ao parque de divers\u00f5es que chegou a ter 130 mil metros quadrados na marginal Tiet\u00ea, na capital paulista. Por algum tempo, foi o maior da Am\u00e9rica Latina. Com problemas financeiros, fechou em 2012.<\/p>\n<p>Desde a abertura, em 1973, recebeu, em m\u00e9dia, cerca de 1,6 milh\u00e3o de pessoas por ano.<\/p>\n<p>Os planos de Alexandre Costa, CEO da Cacau Show, s\u00e3o investir no ramo do entretenimento e fazer a liga\u00e7\u00e3o entre a experi\u00eancia sensorial do chocolate e o parque de divers\u00f5es. Em entrevista \u00e0 Folha de S.Paulo, ele disse que a volta do Playcenter se trata de um plano de longo prazo, mas &#8220;\u00e9 um sonho&#8221;.<\/p>\n<p>Embora diga que a negocia\u00e7\u00e3o foi r\u00e1pida para um grupo que, segundo pessoas do mercado, fatura mais de R$ 100 milh\u00f5es por ano, Gutglas confessa ter hesitado. Mais de uma vez, sentiu receio em continuar com as conversas que o levariam a se desfazer da maior realiza\u00e7\u00e3o profissional de sua vida.<\/p>\n<p>&#8220;Vacilei, sim. Algumas vezes. Eu vendi o Playcenter com o c\u00e9rebro, n\u00e3o com o cora\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>Ele admite que poderia ser um bom momento para continuar no mercado. V\u00ea com otimismo a perspectiva para parques como os que o grupo j\u00e1 tem, apesar dos custos considerados altos.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 um setor que vai crescer. O Brasil tem todas as caracter\u00edsticas necess\u00e1rias para isso. H\u00e1 o n\u00famero de habitantes, o jeito alegre do brasileiro, que gosta de se divertir e estar em ambientes alegres. Est\u00e3o acontecendo muitos investimentos em parques no pa\u00eds&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Gutglas apenas n\u00e3o poderia fazer renascer um parque ao ar livre como era o Playcenter. O investimento necess\u00e1rio seria astron\u00f4mico, assegura. Tamb\u00e9m haveria a necessidade de obter diferentes licen\u00e7as para operar, inclusive ambientais. Algo que n\u00e3o existia na d\u00e9cada de 1970. Alexandre Costa garantiu-lhe que vai cuidar de tudo isso.<\/p>\n<p>O veterano empres\u00e1rio fez tamb\u00e9m parte do projeto que implementou em 1999 o Hopi Hari, complexo de entretenimento que est\u00e1 na Rodovia dos Bandeirantes, em Vinhedo, no interior do estado.<\/p>\n<p>Ele ressalta que a aposentadoria n\u00e3o ser\u00e1 completa. Vai atuar como consultor de Costa no novo parque que pretende construir. O pr\u00f3prio CEO da Cacau Show diz contar com a expertise dos funcion\u00e1rios mais antigos do Playcenter para isso. Rog\u00ea, enteado de Gutglas que trabalha h\u00e1 35 anos no grupo, ser\u00e1 um deles.<\/p>\n<p>&#8220;O sonho do Al\u00ea [Alexandre] \u00e9 construir um grande parque tem\u00e1tico e \u00e9 algo que ele preza muito. Pelo que conheci dele, quando tem um sonho, vai atr\u00e1s. Um dos motivos para a venda foi o comprador. Tenho certeza de que vai continuar o legado que deixei e seguir com a marca&#8221;, acredita.<\/p>\n<p>\u00c9 um legado que nasceu do acaso. O trabalho de conclus\u00e3o de curso de Marcelo Gutglas, na faculdade de engenharia, foi projetar e construir uma vitrola que tocava m\u00fasicas com a coloca\u00e7\u00e3o de fichas de chumbo. Ele criou a primeira jukebox do Brasil, mesmo sem saber.<\/p>\n<p>Era tudo artesanal e o ainda estudante colocou a sua obra no boliche de um amigo. O sucesso fez com que pensasse: aquilo poderia dar dinheiro. Construiu 12 e instalou em bares e restaurantes. Tinha de fazer manuten\u00e7\u00e3o de todas e fabricava at\u00e9 as fichas.<\/p>\n<p>&#8220;Era um trabalho que durava 24 horas por dia&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Ele foi o pioneiro tamb\u00e9m na abertura de fliperamas no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Um amigo lhe apresentou o brinquedo em que hastes de pl\u00e1stico, acionadas por dois bot\u00f5es laterais, impulsionavam bolas de metal. Gutglas foi aos Estados Unidos e obteve cr\u00e9dito para comprar 30 m\u00e1quinas. Na esquina da avenida S\u00e3o Jo\u00e3o com a Ipiranga, em S\u00e3o Paulo, abriu a primeira loja de entretenimento eletr\u00f4nico.<\/p>\n<p>Algum tempo depois, em N\u00e1poles, na It\u00e1lia, conheceu um empres\u00e1rio que lhe sugeriu investir em parque de divers\u00f5es.<br \/>&#8220;Importei alguns brinquedos, inclusive uma montanha-russa de ferro que n\u00e3o havia no Brasil. Foi um sucesso t\u00e3o grande que ela tinha de operar dia e noite, sem interrup\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>Gutglas come\u00e7ou a fazer a matem\u00e1tica. Se ele cobrava US$ 1 por pessoa, ganhava US$ 8 a cada viagem. Valia a pena investir mais. Vendeu os fliperamas e comprou mais brinquedos. Um deles, um tobog\u00e3 chamado Playcenter, que pertencia ao empres\u00e1rio Ricardo Amaral.<\/p>\n<p>Estava definido o nome do parque que meses depois ele abriria na marginal Tiet\u00ea.<\/p>\n<p>&#8220;Naquela \u00e9poca, ningu\u00e9m pensava naquela regi\u00e3o. S\u00f3 queriam saber da marginal Pinheiros. Al\u00e9m de ser um tamanho razo\u00e1vel, o pre\u00e7o do aluguel era compat\u00edvel e come\u00e7amos com 30 mil metros quadrados. Chegaram a me oferecer para comprar [o terreno] por US$ 100 mil. Mas uma montanha-russa nova tamb\u00e9m custava US$ 100 mil. Optei pelo brinquedo. N\u00e3o sei se fiz certo&#8221;, relembra.<\/p>\n<p>Um dos motivos para o colapso financeiro do parque, d\u00e9cadas depois, foi o aumento do aluguel na \u00e1rea em que estava instalado.<\/p>\n<p>Gutglas deixou de pensar nesse assunto. S\u00f3 voltou a refletir sobre isso quando vender o Grupo Playcenter passou a ser uma possibilidade real. Tamb\u00e9m n\u00e3o quer, por enquanto, focar na aposentadoria que n\u00e3o sabe como ser\u00e1.<\/p>\n<p>&#8220;Fica a mem\u00f3ria dos 40 anos de Playcenter, dos 60 milh\u00f5es de visitantes, da minha viv\u00eancia e do carinho que ainda recebo depois de tantos anos. O Playcenter era uma fam\u00edlia feliz. Isso me deixa lisonjeado e com certa nostalgia. Foi um ciclo da minha vida. Mas acabou.&#8221;<\/p>\n<p>Leia Tamb\u00e9m: <a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/economia\/2117873\/o-plano-da-cacau-show-com-o-playcenter-r-500-mi-do-bndes-em-fundo-do-patria-e-o-que-importa-no-mercado\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Cacau Show compra grupo Playcenter<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/economia\/2118401\/vendi-com-o-cerebro-nao-com-o-coracao-diz-antigo-dono-do-playcenter?utm_source=rss-economia&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><br \/>\nNot\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Economia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(FOLHAPRESS) &#8211; Marcelo Gutglas, 83, estava um pouco perdido nesta quarta-feira (21). Depois de 50<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":164980,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[11],"tags":[],"class_list":["post-164979","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-economia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/164979","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=164979"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/164979\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/164980"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=164979"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=164979"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=164979"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}