{"id":16347,"date":"2021-06-08T19:09:18","date_gmt":"2021-06-08T22:09:18","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/06\/08\/brasil-e-o-2o-pais-com-mais-mortes-por-covid-de-criancas-na-faixa-de-0-a-9-anos\/"},"modified":"2021-06-08T19:09:18","modified_gmt":"2021-06-08T22:09:18","slug":"brasil-e-o-2o-pais-com-mais-mortes-por-covid-de-criancas-na-faixa-de-0-a-9-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/06\/08\/brasil-e-o-2o-pais-com-mais-mortes-por-covid-de-criancas-na-faixa-de-0-a-9-anos\/","title":{"rendered":"Brasil \u00e9 o 2\u00ba pa\u00eds com mais mortes por covid de crian\u00e7as na faixa de 0 a 9 anos"},"content":{"rendered":"<p>Lorena viu a filha Maria, de 1 ano e 5 meses, morrer em seus bra\u00e7os. Com diagn\u00f3stico tardio, Lucas, de 1 ano, filho de J\u00e9ssika, enfrentou diversas complica\u00e7\u00f5es relacionadas \u00e0 covid-19 e morreu. Jos\u00e9 Rivera viu o filho Bernardo, de 3 anos, sucumbir \u00e0 covid uma semana depois de testar positivo.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>Eles n\u00e3o s\u00e3o exce\u00e7\u00f5es. At\u00e9 meados de maio, 948 crian\u00e7as de 0 a 9 anos morreram de covid no Brasil, segundo dados do Sistema de Informa\u00e7\u00e3o de Vigil\u00e2ncia da Gripe (Sivep-Gripe) compilados pelo <em>Estad\u00e3o<\/em>. Nesse perfil de v\u00edtimas, o Brasil fica atr\u00e1s apenas do Peru. A cada 1 milh\u00e3o de crian\u00e7as, 32 perderam a vida para a doen\u00e7a. No Peru, foram 41 por milh\u00e3o. As vizinhas Argentina e Col\u00f4mbia tiveram 12 e 13 mortes por milh\u00e3o, respectivamente.<\/p>\n<p>Para a an\u00e1lise, foram considerados 11 pa\u00edses que registraram pelo menos mil mortes por milh\u00e3o de habitantes e que possuem mais de 20 milh\u00f5es de habitantes. Pol\u00f4nia e Ucr\u00e2nia, que entrariam na lista, foram exclu\u00eddas pela aus\u00eancia de dados. O c\u00e1lculo foi feito pelo <em>Estad\u00e3o<\/em> com apoio de Leonardo Bastos, estat\u00edstico da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz).<\/p>\n<p>Nos pa\u00edses europeus, o cen\u00e1rio foi completamente diferente. O Reino Unido e a Fran\u00e7a registraram apenas 4 mortes de crian\u00e7as de 0 a 9 anos, o que d\u00e1 uma taxa de 0,5 morte por milh\u00e3o em cada um dos pa\u00edses. No continente, o maior n\u00famero foi registrado na Espanha. L\u00e1, a cada 1 milh\u00e3o de crian\u00e7as, 3 morreram por covid &#8211; um d\u00e9cimo do \u00edndice brasileiro.<\/p>\n<p>F\u00e1tima Marinho, epidemiologista S\u00eanior da Vital Strategies, uma organiza\u00e7\u00e3o global de sa\u00fade p\u00fablica, explica que o sistema de sa\u00fade do Peru \u00e9 muito mais prec\u00e1rio que o do Brasil. Por isso, j\u00e1 era esperado que o pa\u00eds andino registrasse \u00edndices piores. Na Am\u00e9rica Latina, o Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) brasileiro tinha capacidade para lidar melhor com a pandemia. &#8220;O M\u00e9xico tem um plano popular de sa\u00fade, mas \u00e9 muito restrito. Quem n\u00e3o paga pelo menos esse plano morre na cal\u00e7ada. Esses tipos de sistema de sa\u00fade s\u00e3o um desafio. Com exce\u00e7\u00e3o da Argentina, Chile e Uruguai, est\u00e1vamos mais bem preparados que os outros pa\u00edses latinos&#8221;, diz a epidemiologista.<\/p>\n<p>A maior parte das mortes aconteceu em maio do ano passado, quando 131 crian\u00e7as perderam a vida para a covid-19. Em seguida, vem abril deste ano, com 99 \u00f3bitos. Os beb\u00eas de at\u00e9 2 anos foram as principais v\u00edtimas, correspondendo a 32,7% das mortes analisadas.<\/p>\n<p>De acordo com os dados do Sivep-Gripe, 57% das crian\u00e7as mortas pela covid no Brasil eram negras (grupo que inclui pretos e pardos). As crian\u00e7as brancas correspondem a 21,5% das v\u00edtimas, as amarelas (de origem asi\u00e1tica) a 0,9% e 16% n\u00e3o tiveram ra\u00e7a indicada.<\/p>\n<p>A morte entre ind\u00edgenas tamb\u00e9m foi bastante expressiva. Apesar de representarem apenas 0,5% da popula\u00e7\u00e3o brasileira, 4,4% das crian\u00e7as que perderam a vida para a covid eram ind\u00edgenas. Em n\u00fameros, foram 42 mortes, a maioria em Mato Grosso (12) e Amazonas (11).<\/p>\n<p>F\u00e1tima Marinho observa que o \u00edndice de mortalidade entre as crian\u00e7as negras j\u00e1 era maior antes da pandemia. &#8220;Muitas das crian\u00e7as negras residem em moradias superlotadas, com adultos que precisam sair para trabalhar, que t\u00eam empregos mais expostos ao v\u00edrus, que pegam transporte p\u00fablico. Dessa forma, a carga viral que chega para a crian\u00e7a \u00e9 muito grande&#8221;, diz.<\/p>\n<p>A epidemiologista Ethel Maciel, professora da Universidade Federal do Esp\u00edrito Santo (UFES), aponta o fim do Mais M\u00e9dicos como um dos motivos para o alto \u00edndice de mortes, principalmente entre as popula\u00e7\u00f5es negra e ind\u00edgena. &#8220;N\u00e3o houve uma substitui\u00e7\u00e3o dos profissionais. Os locais de mais dif\u00edcil acesso, com popula\u00e7\u00e3o carente, enfrentaram dificuldades no atendimento m\u00e9dico.&#8221;<\/p>\n<p>Especialistas ainda criticam a falta de uma coordena\u00e7\u00e3o nacional de pol\u00edticas, para definir a volta \u00e0s aulas, por exemplo. Para F\u00e1tima Marinho, as crian\u00e7as deixaram de ser prioridade no Pa\u00eds. &#8220;O Estado brasileiro abandonou as crian\u00e7as \u00e0 pr\u00f3pria sorte. Cortaram a escola e n\u00e3o deram outra alternativa.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Dor<\/strong><\/p>\n<p>Uma palavra descreve v\u00e1rios casos: saudade. Os primeiros sintomas de Lucas, de 1 ano, surgiram em 8 de maio do ano passado. O menino, que nunca rejeitava uma mamadeira, passou a apresentar falta de apetite, al\u00e9m de febre. Filho \u00fanico, veio inesperadamente, e era a maior alegria da professora J\u00e9ssika Ricarte, que havia passado dois anos tentando engravidar.<\/p>\n<p>J\u00e9ssika resolveu levar o filho a um pronto-socorro municipal de Tamboril, a 300 km de Fortaleza. Um exame com ox\u00edmetro mostrou que a satura\u00e7\u00e3o de Lucas estava em 86%. Mesmo com isso, o m\u00e9dico se recusou a test\u00e1-lo para a covid-19 e disse que n\u00e3o era mais que uma dor de garganta. &#8220;Antes de existir covid, existem outras doen\u00e7as, m\u00e3e&#8221;, disse o profissional.<\/p>\n<p>Mas Lucas foi piorando, mesmo ap\u00f3s ser transferido para uma UTI pedi\u00e1trica. Em 8 de julho, uma chamada telef\u00f4nica do hospital p\u00f4s fim \u00e0 esperan\u00e7a. &#8220;Quando meu filho morreu, isso destruiu a minha vida e a do meu marido, e a dos av\u00f3s dele. O primo dele, de 8 anos, tem problemas psicol\u00f3gicos porque vive esse luto. Eu t\u00f4 com tanta saudade do meu filho.&#8221;<\/p>\n<p>Neste ano, em 11 de mar\u00e7o, os m\u00e9dicos desligaram os aparelhos que mantinham com vida a pequena Maria, de 1 ano e 5 meses, ap\u00f3s uma luta de quase um m\u00eas contra a covid-19. E a assistente social Lorena Ferrari, m\u00e3e da menina, sabe bem o que \u00e9 saudade. &#8220;Os m\u00e9dicos precisavam fazer exames para diagnosticar a morte cerebral, mas, para fazer os procedimentos, eles precisavam diminuir a quantidade de oxig\u00eanio que Maria recebia. Quando eles diminu\u00edam, a satura\u00e7\u00e3o dela ca\u00eda. Isso n\u00e3o \u00e9 permitido por lei. A gente teve de esperar at\u00e9 11 de mar\u00e7o, quando a satura\u00e7\u00e3o dela estabilizou. Eles fizeram os exames e constataram a morte cerebral. No dia seguinte, os \u00f3rg\u00e3os dela foram deixando de funcionar, e os m\u00e9dicos foram desligando os aparelhos. Ela morreu nos meus bra\u00e7os.&#8221;<\/p>\n<p>J\u00e1 Bernardo Rivera, de 3 anos, tinha a sa\u00fade debilitada por um afogamento sofrido em setembro e recebia cuidados em uma UTI montada dentro de casa. Ao contrair o coronav\u00edrus, acabou n\u00e3o resistindo: morreu uma semana depois de testar positivo para a covid-19.<\/p>\n<p>O pai, Jos\u00e9 Rivera, vereador em Alum\u00ednio (SP), exibe for\u00e7a ao falar sobre a morte. Diz que precisa apoiar a mulher, que sofre muito com a aus\u00eancia. &#8220;Eu vejo que ela acorda no meio da noite, sem ar, chorando pela falta dele.&#8221; Mas a serenidade \u00e9 apenas uma das formas de se lidar com o luto. A saudade n\u00e3o deixa de ser dolorosa. &#8220;A dor de um pai enterrar um filho \u00e9 muito grande. N\u00f3s sentimos isso na pele, sabemos o quanto \u00e9 dif\u00edcil.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Testagem tardia<\/strong><\/p>\n<p>A falta de testes ou at\u00e9 mesmo a testagem tardia esconde, pelo menos, outras 1,5 mil mortes de crian\u00e7as de 0 a 9 anos. A proje\u00e7\u00e3o \u00e9 da epidemiologista S\u00eanior da Vital Strategies, F\u00e1tima Marinho. Ela aponta que a subnotifica\u00e7\u00e3o nessa faixa et\u00e1ria pode chegar a 160%. Com a corre\u00e7\u00e3o, seriam quase 2,5 mil v\u00edtimas.<\/p>\n<p>Um dos problemas que leva a isso, diz, \u00e9 a escassez de testes. &#8220;J\u00e1 ouvi m\u00e9dicos dizendo que n\u00e3o testam crian\u00e7as porque tem pouco exame e, se testar a crian\u00e7a, vai faltar para o adulto&#8221;, conta. &#8220;Dessa forma, a an\u00e1lise para coronav\u00edrus s\u00f3 \u00e9 feita, em geral, em crian\u00e7as que apresentam a forma grave da doen\u00e7a. Mesmo nesses casos, o RT-PCR pode vir tarde demais, quando o v\u00edrus j\u00e1 n\u00e3o est\u00e1 mais presente na nasofaringe, gerando resultado falso negativo.&#8221;<\/p>\n<p>Vivian Botelho Lorenzo, intensivista pedi\u00e1trica, orienta os pais a buscarem sempre um pediatra para avaliar os filhos. Dentre os sinais mais comuns da covid-19 em crian\u00e7as, ela cita sintomas respirat\u00f3rios que podem evoluir para a falta de ar, al\u00e9m de sintomas gastrointestinais. &#8220;Crian\u00e7as que evoluem com diarreia e v\u00f4mito tendem a apresentar quadros mais graves da doen\u00e7a.&#8221; As informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o do jornal O Estado de S. Paulo.<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Brasil<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/ultima-hora\/1811643\/brasil-e-o-2-pais-com-mais-mortes-por-covid-de-criancas-na-faixa-de-0-a-9-anos?utm_source=rss-brasil&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lorena viu a filha Maria, de 1 ano e 5 meses, morrer em seus bra\u00e7os.<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":16348,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-16347","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16347","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16347"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16347\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/16348"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16347"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16347"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16347"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}