{"id":160820,"date":"2024-01-25T14:08:50","date_gmt":"2024-01-25T17:08:50","guid":{"rendered":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2024\/01\/25\/ile-aiye-se-junta-a-daniela-mercury-50-anos-apos-reafricanizar-o-carnaval\/"},"modified":"2024-01-25T14:08:50","modified_gmt":"2024-01-25T17:08:50","slug":"ile-aiye-se-junta-a-daniela-mercury-50-anos-apos-reafricanizar-o-carnaval","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2024\/01\/25\/ile-aiye-se-junta-a-daniela-mercury-50-anos-apos-reafricanizar-o-carnaval\/","title":{"rendered":"Il\u00ea Aiy\u00ea se junta a Daniela Mercury 50 anos ap\u00f3s &#8216;reafricanizar&#8217; o Carnaval"},"content":{"rendered":"<p>(FOLHAPRESS) &#8211; Em 1988, Daniela Mercury e Il\u00ea Aiy\u00ea integravam a mesma gravadora \u2013ela, prestes a iniciar carreira solo, e eles, preparando o segundo \u00e1lbum. Em uma conversa, a cantora perguntou ao fundador do bloco afro, Ant\u00f4nio Carlos dos Santos, o Vov\u00f4 do Il\u00ea, se poderia cantar em um ensaio deles, no bairro da Liberdade, em Salvador.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>&#8220;Ele falou, &#8216;mas voc\u00ea n\u00e3o sabe cantar s\u00f3 com percuss\u00e3o, sem instrumentos de harmonia, n\u00e9?'&#8221;, diz Mercury. &#8220;Disse que eu me arriscava. E estava lotado. Era minha primeira vez ali, na pra\u00e7a, a banda com uns 80 percussionistas. Cantei m\u00fasicas deles, coisas de outros blocos afro, &#8216;Aquarela do Brasil&#8217;, fui misturando. Uns dias depois, meu empres\u00e1rio disse que Vov\u00f4 ligou, dizendo que a negrada gostou da branquinha, e quanto era o cach\u00ea para fazer a Noite da Beleza Negra.&#8221;<\/p>\n<p>Aquele encontro foi definitivo para a carreira de Mercury, que nunca mais parou de frequentar os ensaios do Il\u00ea Aiy\u00ea, j\u00e1 gravou diversas m\u00fasicas e usou levadas de percuss\u00e3o do bloco em seus \u00e1lbuns. Tamb\u00e9m teve import\u00e2ncia para o primeiro bloco afro do Brasil, que este ano completa cinco d\u00e9cadas de exist\u00eancia, e teve na cantora uma propagadora de suas m\u00fasicas fora da Bahia \u2013no resto do Brasil e tamb\u00e9m ao redor do mundo.<\/p>\n<p>Mercury vai levar os m\u00fasicos do Il\u00ea Aiy\u00ea, al\u00e9m de Margareth Menezes, a seu show no palco do tradicional Festival de Ver\u00e3o Salvador, que em 2024 completa 25 anos de exist\u00eancia.<\/p>\n<p>O evento acontece nos dias 27 e 28, e com encontros como Carlinhos Brown e BaianaSystem, Psirico e Baco Exu do Blues, Iza e Liniker, Bell Marques e Claudia Leitte, L\u00e9o Santana e Lu\u00edsa Sonza, P\u00e9ricles e Gloria Groove, Seu Jorge e Mano Brown e Thiaguinho e Maria Rita, al\u00e9m de Caetano Veloso cantando &#8220;Transa&#8221; e Ivete Sangalo, entre outros.<\/p>\n<p>Mas menos de 15 anos antes daquele primeiro encontro, o Il\u00ea Aiy\u00ea sequer existia. Numa \u00e9poca de ditadura militar, Salvador, a cidade com maior popula\u00e7\u00e3o negra fora do continente africano, era &#8220;bastante restritiva&#8221; para esse extrato social, segundo Vov\u00f4 do Il\u00ea.<\/p>\n<p>&#8220;O negro sempre foi vil\u00e3o, at\u00e9 provar que n\u00e3o era&#8221;, ele diz.<\/p>\n<p>&#8220;Ent\u00e3o, nossa est\u00e9tica era muito restrita. N\u00e3o us\u00e1vamos roupas coloridas \u2013negro de vermelho diziam que era o diabo. O cabelo era cortado na m\u00e1quina zero, diziam que era ruim, coc\u00f4 de boi. Na escola, tinha muito apelido. E come\u00e7amos a observar tamb\u00e9m que, no Carnaval da Bahia, os principais blocos n\u00e3o tinham negros.&#8221;<\/p>\n<p>Os anos 1970 marcaram a ascens\u00e3o dos movimentos de afirma\u00e7\u00e3o da identidade e valoriza\u00e7\u00e3o dos fen\u00f3tipos negros, especialmente vindos dos Estados Unidos. Das imagens na revista Ebony \u00e0 m\u00fasica e capas de discos de James Brown, Marvin Gaye e Jackson 5, o &#8220;black is beautiful&#8221; influenciava os bailes soul do Rio de Janeiro e chegava at\u00e9 o bairro da Liberdade, em Salvador.<\/p>\n<p>Inspirado pelos Panteras Negras, Vov\u00f4 queria dar o nome de black power, ou poder negro, ao bloco que criou, mas o medo da repress\u00e3o fez com que sua progenitora, a ialorix\u00e1 M\u00e3e Hilda, o aconselhasse a mudar de ideia.<\/p>\n<p>Em iorub\u00e1, &#8220;il\u00ea&#8221; significa &#8220;casa&#8221; e aiy\u00ea, &#8220;terra&#8221; \u2013ou &#8220;a casa dos negros&#8221;\u2013, e foi j\u00e1 com esse nome que o bloco, visando o resgate do orgulho negro, tomou a Ladeira do Curuzu, no Carnaval de 1975, seu primeiro.<\/p>\n<p>Eram cem pessoas, diz Vov\u00f4, j\u00e1 que muita gente deixou de ir com medo da repress\u00e3o da ditadura. No segundo ano, foram 400, contra 700 no terceiro e, desde 1978, o bloco &#8220;nunca mais saiu com menos de mil pessoas&#8221;.<\/p>\n<p>Ele recorda que o medo era justificado, j\u00e1 que a pol\u00edcia &#8220;n\u00e3o sabia como lidar com aquele monte de negros reunidos&#8221;. &#8220;Nessa \u00e9poca, j\u00e1 us\u00e1vamos uma est\u00e9tica de negro americano \u2013cabelo black power, cal\u00e7a boca de sino, sapato cavalo de a\u00e7o, aquelas camisas, saia plissada.&#8221;<\/p>\n<p>Os blocos populares, diz Vov\u00f4, j\u00e1 sofriam repress\u00e3o da pol\u00edcia, &#8220;imagine quando surgiu um declaradamente negro&#8221;. Ele afirma que o bloco tinha que pedir autoriza\u00e7\u00e3o do governo para ensaiar, e esses encontros, quando n\u00e3o eram cancelados, aconteciam com presen\u00e7a da pol\u00edcia.<\/p>\n<p>&#8220;A pol\u00edcia estava sempre presente com uma patrulha, com uns peda\u00e7os de pau grandes, batiam nas pessoas. N\u00e3o tinha tiro, mas \u00e0s vezes o pessoal sa\u00eda na m\u00e3o. E os ensaios eram suspensos. No Carnaval a pol\u00edcia ia acompanhando a gente. Nessa \u00e9poca, a juventude negra desfilava nos blocos de \u00edndio e, com o surgimento do Il\u00ea, a cidade tomou um susto. Na imprensa, fomos taxados de racistas, disseram que est\u00e1vamos a servi\u00e7o dos russos.&#8221;<\/p>\n<p>Antes do Il\u00ea, Salvador j\u00e1 contava com os afox\u00e9s \u2013como o Filhos de Gandhy\u2013, que n\u00e3o s\u00e3o blocos de Carnaval. S\u00e3o o candombl\u00e9 trazido para a rua, com seus rituais, vestes, adere\u00e7os, dan\u00e7as e c\u00e2nticos. Os atabaques s\u00e3o tocados com as m\u00e3os e as m\u00fasicas s\u00e3o todas religiosas.<\/p>\n<p>J\u00e1 o Il\u00ea, e depois os outros blocos afro que se espalharam pelo Brasil, surgiram desatrelados da religi\u00e3o. No caso do bloco de Vov\u00f4, a m\u00fasica \u00e9 at\u00e9 hoje um samba tocado com baquetas, que mistura elementos do samba de roda, do Rec\u00f4ncavo Baiano, com o ijex\u00e1. Nunca houve instrumentos de melodia, s\u00f3 voz e percuss\u00e3o.<\/p>\n<p>Nos anos 1980, o Olodum, com Neguinho do Samba, consolidou o samba-reggae, mas o Il\u00ea nunca aderiu essa batida. O som caracter\u00edstico do Il\u00ea est\u00e1 encapsulado em \u00e1lbuns como os dois volumes de &#8220;Canto Negro&#8221;, de 1984 e 1989.<\/p>\n<p>Mas mesmo antes de entrar em est\u00fadio, o Il\u00ea j\u00e1 era conhecido fora do Carnaval baiano atrav\u00e9s de Gilberto Gil, que em 1977 gravou sob o nome &#8220;Il\u00ea Ay\u00ea&#8221; a m\u00fasica &#8220;Que Bloco \u00e9 Esse?&#8221; \u2013composi\u00e7\u00e3o de Paulinho Camafeu que foi tema do primeiro desfile do bloco\u2013, e Caetano Veloso, que registrou &#8220;Depois Que o Il\u00ea Passar&#8221; em disco, em 1987.<\/p>\n<p>Em 1988, j\u00e1 ap\u00f3s o fim da ditadura militar no Brasil, os sambas dos blocos afro estavam em ascens\u00e3o na Bahia. &#8220;Era um momento de explos\u00e3o&#8221;, diz Mercury. &#8220;O ano principal de &#8216;Fara\u00f3 (Divindade do Egito)&#8217; \u00e9 1988, e no ano seguinte eu gravo &#8216;Swing da Cor&#8217;, do [mesmo autor de &#8216;Fara\u00f3&#8217;] Luciano Gomes.&#8221;<\/p>\n<p>Mercury foi protagonista na populariza\u00e7\u00e3o das batidas e m\u00fasicas dos blocos afro na virada da d\u00e9cada, uma marca indel\u00e9vel do ax\u00e9. Uma pe\u00e7a fundamental nesse processo foi Ramiro Musotto, m\u00fasico nascido na Argentina e profundo pesquisador da percuss\u00e3o baiana, que registrava em samples e destrinchava os desenhos das batidas que os baianos, diz a cantora, &#8220;absorvem no ouvido, na m\u00e3o e no corpo&#8221;.<\/p>\n<p>Segundo o livro &#8220;O Canto da Cidade: Da Matriz Afro-baiana \u00e0 Ax\u00e9 Music de Daniela Mercury&#8221;, de Luciano Matos, foi ele quem sintetizou em est\u00fadio o arranjo de percuss\u00e3o presente em &#8220;O Mais Belo dos Belos&#8221; \u2013 m\u00fasica do Il\u00ea Aiy\u00ea registrada no disco &#8220;O Canto da Cidade&#8221;, da cantora. Musotto tocou diversos instrumentos, ao lado de apenas dois percussionistas, diz o livro, &#8220;fazendo soar como se fosse a percuss\u00e3o completa do Il\u00ea&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;O Mais dos Belos&#8221; apareceu no segundo e mais bem-sucedido \u00e1lbum de Mercury emendada com &#8220;O Charme da Liberdade&#8221;, outra can\u00e7\u00e3o do Il\u00ea. Aquele disco, lan\u00e7ado em 1993, e hoje com cerca de 3 milh\u00f5es de c\u00f3pias vendidas ao redor do mundo, fez da artista uma estrela em ascens\u00e3o da m\u00fasica brasileira.<\/p>\n<p>Vov\u00f4 do Il\u00ea lembra que, naqueles primeiros encontros no fim dos anos 1980, havia um receio em se aproximar com uma cantora branca. &#8220;Era assim, &#8216;rapaz, lan\u00e7amento de disco do Il\u00ea, e essa menina branquinha a\u00ed&#8230; vamos ver no que vai dar'&#8221;, diz. &#8220;Mas nosso papo nunca foi separatismo. A gente busca liberdade e igualdade. E depois ela come\u00e7ou a frequentar os ensaios do Il\u00ea.&#8221;<\/p>\n<p>Para Vov\u00f4 do Il\u00ea, a cria\u00e7\u00e3o dos blocos afro &#8220;foi o que fortaleceu a ax\u00e9 music&#8221;. E Mercury, ele diz, &#8220;\u00e9 a \u00fanica cantora do ax\u00e9, branca, que n\u00e3o tem medo dos tambores&#8221;. &#8220;Ela se identifica e nem precisa ensaiar, canta de ouvido. Antes era s\u00f3 o Il\u00ea, mas hoje ela vai para todos. E \u00e9 muito bem recebida. No ver\u00e3o, trava a agenda e pergunta que dia pode ir. Como dizem, a branquinha mais pretinha da Bahia \u00e9 ela.&#8221;<\/p>\n<p>Ele ainda afirma que o diferencial da cantora \u00e9 que &#8220;em qualquer lugar do mundo que vai, tem m\u00fasica de bloco afro no repert\u00f3rio&#8221;. &#8220;S\u00e3o m\u00fasicas que informam os brancos e empoderam o povo negro. Ajuda a combater o racismo. Vejo outros artistas que cantam de tudo, mas n\u00e3o cantam m\u00fasica de bloco afro.&#8221;<\/p>\n<p>Para o show no Festival de Ver\u00e3o, eles ainda n\u00e3o tinham preparado o que iam fazer quando falaram com a reportagem. O certo \u00e9 que essa rela\u00e7\u00e3o foi decisiva para o ax\u00e9 e a m\u00fasica baiana nos \u00faltimos 30 anos. Como diz Carlinhos Brown no livro de Luciano Matos, &#8220;o Il\u00ea Aiy\u00ea \u00e9 um dos maiores respons\u00e1veis pela reafricaniza\u00e7\u00e3o no Brasil&#8221;, e Mercury &#8220;uniu a cidade nesse cantar&#8221;.<\/p>\n<p>Existiria Daniela Mercury como conhecemos sem o Il\u00ea Aiy\u00ea? &#8220;N\u00e3o&#8221;, ela diz. &#8220;Fiz at\u00e9 uma can\u00e7\u00e3o de amor para o Il\u00ea, &#8216;Dara&#8217;. Para mim, \u00e9 o bloco mais bonito da cidade, o que mais me inspirou como artista, desde a dan\u00e7a at\u00e9 a m\u00fasica. Sempre que estou l\u00e1, me sinto em casa, \u00e9 onde me identifico na minha cidade. \u00c9 o som que me move, mobiliza e emociona. Meu trabalho todo foi desenvolvido com MPB e sambas afro. \u00c9 o que escolhi fazer.&#8221;<\/p>\n<p>FESTIVAL DE VER\u00c3O SALVADOR<br \/>Quando: 27 e 28 de janeiro, \u00e0s 15h<br \/>Onde: Parque de Exposi\u00e7\u00f5es &#8211; av. Lu\u00eds Viana Filho, 1590, Itapu\u00e3 &#8211; Salvador (BA)<br \/>Pre\u00e7o: a partir de R$ 97,90<br \/>Classifica\u00e7\u00e3o: 14 anos<br \/>Link: https:\/\/bileto.sympla.com.br\/event\/88040\/d\/222329<br \/>Transmiss\u00e3o: Multishow e Globoplay; TV Globo exibe os melhores momentos.<\/p>\n<p>Leia Tamb\u00e9m: <a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/celebridades\/2107936\/sergio-hondjakoff-pede-emprego-nas-redes-sociais\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">S\u00e9rgio Hondjakoff pede emprego nas redes sociais<\/a><\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Cultura<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/ultima-hora\/2108072\/ile-aiye-se-junta-a-daniela-mercury-50-anos-apos-reafricanizar-o-carnaval?utm_source=rss-cultura&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(FOLHAPRESS) &#8211; Em 1988, Daniela Mercury e Il\u00ea Aiy\u00ea integravam a mesma gravadora \u2013ela, prestes<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":160821,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-160820","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/160820","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=160820"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/160820\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/160821"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=160820"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=160820"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=160820"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}