{"id":1608,"date":"2021-03-24T20:14:07","date_gmt":"2021-03-24T23:14:07","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/03\/24\/baladas-pandemicas-jovens-continuam-indo-a-festas-apesar-da-pandemia\/"},"modified":"2021-03-24T20:14:07","modified_gmt":"2021-03-24T23:14:07","slug":"baladas-pandemicas-jovens-continuam-indo-a-festas-apesar-da-pandemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/03\/24\/baladas-pandemicas-jovens-continuam-indo-a-festas-apesar-da-pandemia\/","title":{"rendered":"Baladas pand\u00eamicas: jovens continuam indo a festas, apesar da pandemia"},"content":{"rendered":"<p>As not\u00edcias s\u00e3o in\u00fameras e se repetem todos os dias: os flagrantes de festas clandestinas onde jovens se aglomeram diariamente. Em um m\u00eas,\u00a0716 festas clandestinas foram encerradas em SP, mostrou a reportagem da Ag\u00eancia Brasil.\u00a0<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>No Instagram, os flagrantes s\u00e3o mostrados em fotos e v\u00eddeos: o Brasil Fede Covid, perfil do Instagram que denuncia festas e aglomera\u00e7\u00f5es em todo o pa\u00eds, exp\u00f5e tamb\u00e9m <em>flyers<\/em> de eventos, n\u00e3o para convidar, mas para alertar do que est\u00e1 acontecendo, sempre marcando na publica\u00e7\u00e3o as autoridades.\u00a0<\/p>\n<p>Mas, embora bem informados da situa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, o que leva adolescentes e jovens a esse comportamento de risco tem v\u00e1rias explica\u00e7\u00f5es, apontam os especialistas ouvidos pela Ag\u00eancia Brasil.\u00a0<\/p>\n<p>A psiquiatra Danielle Herszenhorn Admoni, psiquiatra da inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia na Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo, explica que os adolescentes e os jovens adultos t\u00eam uma necessidade quase f\u00edsica de estar\u00a0com os pares, com os grupos, pois eles deixam de se identificar com os pais para se identificar com os amigos.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cTer ficado longe das amizades e casos [rom\u00e2nticos] foi muito marcante para os adolescentes e jovens, pois \u00e9 um grupo que precisa mais estar fisicamente com os outros do que, por exemplo, as crian\u00e7as e os adultos, que j\u00e1 conseguem ficar em casa, com a fam\u00edlia. Outra quest\u00e3o \u00e9 que o jovem tem a idea\u00e7\u00e3o de que vai dar tudo certo, por exemplo: \u2018n\u00e3o preciso estudar muito, mas vou passar no vestibular\u201d, ou seja, ele pensa: \u2018posso ir numa balada que eu n\u00e3o vou pegar covid, estou acima de tudo isso\u2019. Ele sabe dos riscos, mas fica uma idea\u00e7\u00e3o m\u00e1gica. Ainda tem a quest\u00e3o do prazer imediato: \u2018preciso me divertir, preciso estar com os amigos, n\u00e3o quero saber se vou adoecer, se vou ser preso\u2019, enfim, depois ele vai ver o que acontece\u201d, diz a especialista em psiquiatria pela Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Psiquiatria.\u00a0<\/p>\n<p>Na opini\u00e3o da psic\u00f3loga Fl\u00e1via Teixeira, mestre em Sa\u00fade Coletiva pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, outro fator contribuiu para este comportamento. \u201cO fato de os jovens terem dados de que n\u00e3o fazem, ou n\u00e3o faziam, parte do grupo de risco, associado ao fato de que, podem ir \u00e0 escola, frequentar praias, academias e clubes, de alguma forma, os leva a pensar que as baladas tamb\u00e9m podem ser frequentadas. Uma associa\u00e7\u00e3o do tipo: \u201cSe posso estar com meus amigos para estudar e praticar esportes, por que n\u00e3o estar com eles para me divertir?\u201d, destaca a especialista, que tamb\u00e9m \u00e9 professora de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Psicologia Hospitalar na Universidade Federal do Rio de Janeiro e p\u00f3s-graduada em Psicossom\u00e1tica Contempor\u00e2nea.<\/p>\n<p>\u00c0 medida que as regras de restri\u00e7\u00f5es foram ficando mais flex\u00edveis e as possibilidades de sair se tornou mais concreta, os grupos foram se organizando e de alguma maneira estes jovens voltaram ao conv\u00edvio, destaca Adriane Branco, psic\u00f3loga especialista em Sa\u00fade Integral do Adolescente pelo Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS). \u201cOutro ponto que foi poss\u00edvel observar tamb\u00e9m \u00e9 que independentemente de ter baladas, muitos ainda se reuniam em grupos menores, com pequenos eventos sociais, nas suas pr\u00f3prias casas, com o consentimento dos pais e\/ou respons\u00e1veis, o que tamb\u00e9m d\u00e1 uma falsa impress\u00e3o de que \u201cest\u00e1 tudo bem\u201d, observou a especialista, que tamb\u00e9m \u00e9 pesquisadora do Centro de Estudos e Pesquisas em Comportamento e Sexualidade.\u00a0<\/p>\n<p>Foi o que aconteceu com a assessora de imprensa Carolina Caprioli, de 27 anos. Ela contou que come\u00e7ou a sair quando a cidade de S\u00e3o Paulo entrou para a Fase Laranja, quando os bares e locais de lazer come\u00e7aram a abrir com as medidas de seguran\u00e7a. \u201cDurante muitos meses fiquei isolada em casa apenas com os familiares. Nos aproximamos e tamb\u00e9m tivemos muitos desentendimentos. Eu sentia a necessidade de ver outras pessoas fora do meu c\u00edrculo familiar para conversar sobre diversos assuntos, dar risada e tamb\u00e9m rever os amigos que h\u00e1 tantos meses n\u00e3o via\u201d.\u00a0<\/p>\n<p>Carolina tem um grupo de quatro amigas. \u201cEstamos sempre juntas, entre n\u00f3s. Em algumas reuni\u00f5es estamos todas juntas e em outras s\u00f3 parte do grupo. Minhas amigas moram sozinhas, sem os pais, e nos reunimos na casa delas para bater papo, beber e fazer algumas atividades juntas\u201d, conta a moradora da zona leste da capital paulista.\u00a0<\/p>\n<p>Ela conta que recebeu convites para ir em festas clandestinas. \u201cGeralmente os convites chegam por meio de amigos bem pr\u00f3ximos, sem muita informa\u00e7\u00e3o e nem divulga\u00e7\u00e3o. Os locais tamb\u00e9m s\u00e3o sempre revelados em cima da hora. Mas n\u00e3o fui em nenhuma festa.<\/p>\n<p>Eu e minhas amigas n\u00e3o nos sentimos confort\u00e1veis em ir \u00e0s festas porque a pandemia ainda est\u00e1 no auge e os n\u00fameros de mortes n\u00e3o param de baixar. Por mais que algumas delas estejam morando sozinhas, n\u00f3s preferimos respeitar o momento e ficar em casa\u201d.<\/p>\n<p>Mesmo assim, depois dos encontros com as amigas, ela sentiu medo de ter sido infectada. \u201cNo Ano Novo, n\u00f3s alugamos uma casa na praia e tivemos contato com outras pessoas tamb\u00e9m, al\u00e9m do nosso grupo de amigas. Logo depois, fiquei com muito receio de estar infectada e tamb\u00e9m tive muitos sintomas parecidos com a covid, mas que eram da minha cabe\u00e7a porque todas \u00e0s vezes testei e deu negativo. O psicol\u00f3gico fica sempre muito abalado\u201d, desabafa a jovem.<\/p>\n<p>Carolina conta ainda que est\u00e1 trabalhando em casa, mas que, quando sai e encontra com os amigos e depois volta, procura ficar de m\u00e1scara mesmo dentro de casa, ainda que n\u00e3o divida o lar com idosos ou pessoas do grupo de risco. \u201cTomo os cuidados como: n\u00e3o me aproximar muito deles, evitar contato f\u00edsico, fico isolada em um canto da casa\u201d.\u00a0<\/p>\n<p>Para ela, os jovens est\u00e3o mais relaxados com os cuidados no geral. \u201cA pandemia acabou durando muito mais do que o esperado e os jovens sentem-se limitados dentro de casa, j\u00e1 que costumavam sair para festas, baladas, bares e encontros.\u201d\u00a0<\/p>\n<p>Para as especialistas, o comportamento dos jovens \u00e9 igual, tanto na periferia quanto no bairros nobres. \u201cAcredito que aconte\u00e7a e no mesmo n\u00edvel. A diferen\u00e7a \u00e9 que os bailes funks da periferia n\u00e3o possuem os muros dos bairros mais ricos. Os dois extremos querem se sentir diferentes do todo. Precisam provar que s\u00e3o poderosos. Que n\u00e3o s\u00e3o um gado que segue regras. E acredito ainda mais, que ambos os lados est\u00e3o se vingando dos padr\u00f5es impostos pela sociedade. Porque uns se sentem sufocados e outros se sentem injusti\u00e7ados\u201d, diz a educadora parental Stella Azulay, diretora da Escola de Pais XD.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>Opini\u00e3o semelhante tem a psic\u00f3loga Adriane Branco. \u201cPara o jovem de periferia, muitas vezes ficar em casa, em um espa\u00e7o pequeno, tamb\u00e9m \u00e9 desconfort\u00e1vel fisicamente, e o excesso de conviv\u00eancia \u00e9 outro fator que os leva para a rua em busca de divers\u00e3o. Jovens que est\u00e3o em bairros mais ricos, na maioria dos casos n\u00e3o t\u00eam o problema do pouco espa\u00e7o, por\u00e9m tamb\u00e9m n\u00e3o est\u00e3o acostumados com a conviv\u00eancia constante com os pais e familiares imposta pelo isolamento social. E ambos, independente de onde estejam, tem comportamentos t\u00edpicos do jovem, que \u00e9 a necessidade voraz de viver, de estar em grupo, de divers\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>A educadora parental acrescenta que no caso de uma pandemia, existe o agravante de estarem colocando em risco centenas de outras pessoas. \u201cE essa falta de vis\u00e3o da realidade, de empatia, \u00e9 que deve preocupar e mobilizar cada um de n\u00f3s para uma reflex\u00e3o sobre quem ser\u00e3o os adultos de amanh\u00e3\u201d, reflete Stella.\u00a0<\/p>\n<p>Um dos caminhos para reverter esse quadro de aglomera\u00e7\u00f5es em festas \u00e9 a conscientiza\u00e7\u00e3o direcionada aos jovens, aponta a Danielle H. Admoni, psiquiatra da inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia. \u201c\u00c9 interessante pensar em campanhas que falem a linguagem do adolescentes e do adulto jovem. Temos exemplos de outros pa\u00edses que t\u00eam feito isso. S\u00e3o exemplos mais concretos que mostram n\u00e3o somente o preju\u00edzo para eles, mas porque saem espalhando covid para outras pessoas com comorbidades, acho que \u00e9 mostrar isso, que o prazer imediato pode trazer uma consequ\u00eancia grav\u00edssima depois\u201d.\u00a0<\/p>\n<p>O governo paulista divulgou, nas emissoras de TV e redes sociais, v\u00eddeo para sensibilizar os jovens. O v\u00eddeo foi criado pelo governo do Mato Grosso do Sul e cedido ao governo paulista.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>A psic\u00f3loga Fl\u00e1via Teixeira diz acreditar que nesse momento, os pais e respons\u00e1veis devem ser mais enf\u00e1ticos. \u201cMais do que nunca, \u00e9 preciso que estejamos \u00e0 frente das decis\u00f5es sobre o ir e vir deles. N\u00f3s devemos dar os limites e as regras desse jogo, ainda muito desconhecido, inclusive para n\u00f3s. Adolescentes e jovens precisam de direcionamento, de contorno, e de seguran\u00e7a. N\u00f3s adultos somos respons\u00e1veis por eles, e devemos ser os agentes de seguran\u00e7a nesse momento de tamanha incerteza e fragilidade. A divers\u00e3o e a intera\u00e7\u00e3o s\u00e3o, sem d\u00favida nenhuma, muito importantes para nos mantermos saud\u00e1veis, mas para isso, precisamos priorizar e preservar a vida. Devemos compreender que em alguns momentos abrir m\u00e3o, e perder algumas coisas, s\u00e3o fundamentais para muitos outros ganhos futuros\u201d, destaca.<\/p>\n<p>A educadora parental Stella Azulay diz acreditar que, apesar de terem mais acesso a informa\u00e7\u00e3o do que antigamente, os adolescentes e jovens de hoje s\u00e3o muito mais imaturos. \u201cE isso j\u00e1 come\u00e7a em casa, na educa\u00e7\u00e3o que recebem dos pais. Com muita dificuldade em educarem seus filhos com limites e valores, os pais v\u00e3o deixando passar diversos comportamentos inadequados, seja por fraqueza, pregui\u00e7a, cansa\u00e7o ou at\u00e9 mesmo falta de preparo para lidar com os desafios da educa\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Segundo a educadora, os jovens encontram nas baladas uma forma de manifestar suas car\u00eancias e suas rebeldias. \u201cQuanto mais se sentem abandonados pelos pais, mais se comportam dessa forma, como se fosse uma vingan\u00e7a, ou tipo, um grito de socorro para sociedade. N\u00e3o estou querendo jogar toda responsabilidade das a\u00e7\u00f5es desses jovens nos pais, por\u00e9m estamos sim assistindo a consequ\u00eancias de uma falta de preparo dos adultos que devem ser mentores e grandes influenciadores de seus filhos\u201d.<\/p>\n<p>Mas, mesmo diante das dificuldades, s\u00e3o os pais que podem ajudar a mudar esse comportamento de risco, aponta a educadora. \u201cAcredito muito que a casa seja o eixo de equil\u00edbrio. Na minha opini\u00e3o, a cura come\u00e7a pela fala, pelo di\u00e1logo. Come\u00e7a no momento em que os pais v\u00e3o abrir o jogo, abrir seus cora\u00e7\u00f5es, verbalizar a seus filhos como se sentem, o que est\u00e3o passando. Compartilhar as ang\u00fastias une as fam\u00edlias, envolve os filhos no problema, eles passam ent\u00e3o a fazer parte da solu\u00e7\u00e3o\u201d.\u00a0<\/p>\n<p>Ela chama aten\u00e7\u00e3o para que os pais criem v\u00ednculos com seus filhos. \u201cPais, escutem seus filhos, busquem momentos de paz para criar oportunidades de troca, tenham paci\u00eancia, fa\u00e7am um esfor\u00e7o a mais na dire\u00e7\u00e3o certa. Aproveitem a chance para criarem v\u00ednculos verdadeiros com seus filhos. Ofere\u00e7am a eles ferramentas para que fa\u00e7am boas decis\u00f5es. A mudan\u00e7a de postura come\u00e7a de cima para baixo\u201d, aconselha a educadora.<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Brasil<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/ultima-hora\/1789167\/baladas-pandemicas-jovens-continuam-indo-a-festas-apesar-da-pandemia?utm_source=rss-brasil&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As not\u00edcias s\u00e3o in\u00fameras e se repetem todos os dias: os flagrantes de festas clandestinas<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":1609,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-1608","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1608","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1608"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1608\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1609"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1608"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1608"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1608"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}