{"id":160396,"date":"2024-01-23T11:08:29","date_gmt":"2024-01-23T14:08:29","guid":{"rendered":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2024\/01\/23\/biografia-de-tupac-shakur-revela-seus-diarios-e-criacao-da-mae-ex-pantera-negra\/"},"modified":"2024-01-23T11:08:29","modified_gmt":"2024-01-23T14:08:29","slug":"biografia-de-tupac-shakur-revela-seus-diarios-e-criacao-da-mae-ex-pantera-negra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2024\/01\/23\/biografia-de-tupac-shakur-revela-seus-diarios-e-criacao-da-mae-ex-pantera-negra\/","title":{"rendered":"Biografia de Tupac Shakur revela seus di\u00e1rios e cria\u00e7\u00e3o da m\u00e3e ex-Pantera Negra"},"content":{"rendered":"<p>(FOLHAPRESS) &#8211; Em setembro de 2023, ap\u00f3s 27 anos, um suspeito foi formalmente acusado pelo assassinato de Tupac Shakur, em Las Vegas, em 7 de setembro de 1996. O rapper de 25 anos morreu seis dias depois, no Centro M\u00e9dico Universit\u00e1rio da cidade, ap\u00f3s uma s\u00e9rie de cirurgias e em coma induzido, para evitar que tentasse fugir do local, o que acontecia em todos os momentos em que recuperava a consci\u00eancia.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>Shakur havia sido convidado para fazer o show de abertura de uma luta do boxeador Mike Tyson, ent\u00e3o com 30 anos, que voltava aos ringues ap\u00f3s passar tr\u00eas anos na cadeia. Ele havia sido condenado a seis anos de pris\u00e3o por assediar uma das candidatas ao concurso de Miss America, do qual era um dos jurados, mas foi libertado depois de tr\u00eas anos por bom comportamento.<\/p>\n<p>Tyson j\u00e1 tinha vencido as tr\u00eas primeiras lutas de que participou desde que reconquistara a liberdade, no ano anterior. Dois meses depois, seria derrotado por Evander Holyfield -o que provocaria o pedido de revanche, aceito por Holyfield, e a infame mordida na orelha que marcaria para sempre a vida do lutador. Mas isso s\u00f3 aconteceria em junho de 1997.<\/p>\n<p>Naquele setembro de 1996, Tyson lutaria contra o peso-pesado americano Bruce Seldon, em um dos duelos mais r\u00e1pidos de todos os tempos: Seldon foi a nocaute no primeiro assalto, com apenas um minuto e 19 segundos de luta.<\/p>\n<p>Quase t\u00e3o r\u00e1pida e voraz quanto um nocaute de Tyson foi a vida do rapper baleado naquela noite, Tupac Shakur, nascido no Harlem, em Nova York, em junho de 1971. Seu quarto \u00e1lbum, &#8220;All Eyez on Me&#8221;, lan\u00e7ado sete meses antes, alcan\u00e7ou imediatamente a marca absurda de cinco vezes disco de platina -o que n\u00e3o deve querer dizer nada para quem nasceu neste mil\u00eanio, mas era bem parecido com transform\u00e1-lo em uma esp\u00e9cie de Taylor Swift de uma hora para outra.<\/p>\n<p>Shakur \u00e9, at\u00e9 hoje, considerado um dos maiores rappers de todos os tempos, e foi sempre um \u00edm\u00e3 para todo tipo de controv\u00e9rsia durante sua curta vida. Briguento e falastr\u00e3o, transformava em debate qualquer di\u00e1logo, enfrentava jornalistas, diretores de videoclipes, colegas, assessores, assistentes, parentes, amigos e, principalmente, a pol\u00edcia.<\/p>\n<p>Desde sua morte tr\u00e1gica e precoce, tornou-se um s\u00edmbolo, uma esp\u00e9cie de m\u00e1rtir para a milit\u00e2ncia no hip-hop. A pris\u00e3o de Duane Keefe Davies, &#8220;Keefe D&#8221;, para os mais familiarizados com o caso, deu aos f\u00e3s, parentes e amigos do rapper o al\u00edvio de saber que sua morte n\u00e3o ficou impune.<\/p>\n<p>Quase ao mesmo tempo em que essa not\u00edcia foi divulgada, saiu nos Estados Unidos o livro &#8220;Tupac Shakur: A Biografia Autorizada&#8221;, escrito por Staci Robinson e lan\u00e7ado no Brasil no final do ano passado pela editora Best Seller.<\/p>\n<p>A obra causa um estranhamento natural desde o seu t\u00edtulo. Como assim, uma biografia autorizada de um rapper morto aos 25 anos, d\u00e9cadas atr\u00e1s?<\/p>\n<p>Robinson explica logo na introdu\u00e7\u00e3o que foi a m\u00e3e de Tupac, Afeni Shakur (1947-2016), quem encomendou o livro e deu essa bizarra autoriza\u00e7\u00e3o, assim como acesso irrestrito a todo material deixado pelo filho, como letras in\u00e9ditas, di\u00e1rios, fotografias etc.<\/p>\n<p>Quem conhece um pouco da hist\u00f3ria de Tupac sabe que a influ\u00eancia de sua m\u00e3e em sua vida e sua obra \u00e9 quase t\u00e3o bizarra quanto o fato dela ter autorizado a biografia do filho morto, muito jovem, mas maior de idade e certamente capaz de tomar suas pr\u00f3prias decis\u00f5es.<\/p>\n<p>Ex-Pantera Negra, Afeni passou parte da gravidez de Tupac na cadeia, junto de outros 20 membros do partido criado nos anos 1960 para combater a viol\u00eancia policial e a opress\u00e3o racial, assim como lutar pela igualdade de direitos dos negros norte-americanos.<\/p>\n<p>Criou seu primeiro filho na r\u00e9dea curta, para que se tornasse um l\u00edder do movimento negro. N\u00e3o gostou de perceber no menino a vontade de se apresentar em p\u00fablico, n\u00e3o queria um filho artista. Depois, virou sua empres\u00e1ria e f\u00e3 n\u00famero um. Mas n\u00e3o antes de se transformar em uma das primeiras v\u00edtimas da epidemia de crack, droga que a viciou durante quase toda a adolesc\u00eancia de Tupac.<\/p>\n<p>Um dos grandes hits da carreira de Tupac \u00e9 a m\u00fasica &#8220;Dear Mama&#8221;, escrita para Afeni, e usada como t\u00edtulo de uma miniss\u00e9rie documental de quatro epis\u00f3dios sobre a vida do rapper e de sua m\u00e3e, lan\u00e7ada em 2022 e dispon\u00edvel no canal de streaming Prime Video. Staci Robinson foi uma das roteiristas e produtoras executivas do projeto.<\/p>\n<p>Em entrevista \u00e0 Folha, a escritora conta que este livro \u00e9 o quarto projeto em que trabalha sobre a vida e a obra de seu ex-colega de escola que virou uma superestrela do rap.<\/p>\n<p>&#8220;Fui curadora da exposi\u00e7\u00e3o &#8216;Tupac Shakur: Wake Me When I&#8217;m Free&#8217;, inaugurada em 2022 em Los Angeles e que contava a hist\u00f3ria dele de uma maneira \u00fanica, convidando os visitantes para dentro do mundo de Tupac&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Os outros projetos incluem o livro de entrevistas &#8220;Tupac Remembered: Bearing Witness to a Life and Legacy&#8221;, lan\u00e7ado em 2008 nos Estados Unidos, escrito por Robinson e Gloria Cox, e que n\u00e3o foi traduzido para o portugu\u00eas.<\/p>\n<p>Apesar da hist\u00f3ria de Tupac j\u00e1 ter sido contada diversas vezes, de v\u00e1rias maneiras, esta biografia d\u00e1 a sensa\u00e7\u00e3o de ter sido escrita a quente, j\u00e1 que Robinson de fato acompanhou toda a trajet\u00f3ria profissional do amigo e teve total acesso \u00e0 fam\u00edlia Shakur e aos muitos escritos deixados por Tupac.<\/p>\n<p>H\u00e1 c\u00f3pias de letras inacabadas e escritos pessoais do rapper no livro, como se estivessem entre as p\u00e1ginas. S\u00e3o poemas rabiscados \u00e0 m\u00e3o, letras de raps, desenhos, rabiscos e devaneios que parecem janelas para sua mente.<\/p>\n<p>Para Robinson, essa foi uma empreitada muito pessoal. Ela e Tupac se conheceram no ensino m\u00e9dio, numa escola no norte da Calif\u00f3rnia, e tinham planos de trabalhar juntos.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9ramos amigos e t\u00ednhamos planos de escrever juntos. Tupac estava formando um grupo de escritoras exclusivamente feminino para colaborar e escrever filmes e programas de TV com ele. Eu seria uma dessas escritoras&#8221;, diz Robinson.<\/p>\n<p>&#8220;Fomos amigos at\u00e9 o fim. A \u00faltima vez que vi Tupac foi em sua casa, no dia em que ele partiu para dirigir at\u00e9 Las Vegas, onde foi morto&#8221;.<\/p>\n<p>Robinson escreve na introdu\u00e7\u00e3o que come\u00e7ou esta biografia a pedido de Afeni em 1999, mas que o projeto foi colocado &#8220;em espera&#8221; algumas semanas ap\u00f3s ela enviar uma primeira vers\u00e3o. Chamada d\u00e9cadas depois para concluir o trabalho, Robinson passa suas p\u00e1ginas n\u00e3o apenas defendendo a integridade de Tupac, mas tamb\u00e9m o esp\u00edrito de resist\u00eancia que lhe foi incorporado por sua m\u00e3e.<\/p>\n<p>&#8220;Afeni teve uma influ\u00eancia forte e muito bonita em Tupac. Ela n\u00e3o apenas passou para ele a tocha de carregar a miss\u00e3o altru\u00edsta de pensar na comunidade em primeiro lugar, de ajudar os outros a alcan\u00e7ar as necessidades mais b\u00e1sicas na vida, mas tamb\u00e9m instalou nele a mensagem de esperan\u00e7a e mudan\u00e7a&#8221;, afirma a autora.<\/p>\n<p>Mas ela tamb\u00e9m n\u00e3o esconde o lado ruim de seu biografado, que por vezes soa como um garoto pentelho que n\u00e3o desiste nunca de argumentar e acredita que sempre tem raz\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Tupac estava sempre irritado por causa da discrimina\u00e7\u00e3o racial e a opress\u00e3o que via na Am\u00e9rica. Ele ficava irritado com as estat\u00edsticas de homic\u00eddios, com a brutalidade policial que era predominante nos anos 1970, 1980 e 1990&#8221;, diz Robinson.<\/p>\n<p>&#8220;Era como se ele carregasse toda a nossa raiva e a colocasse em seus ombros, corajosamente falando sobre isso, ao contr\u00e1rio de muitos de n\u00f3s que n\u00e3o tinham for\u00e7a para abordar as desigualdades embutidas na hist\u00f3ria de nossa na\u00e7\u00e3o. Tupac n\u00e3o se ligava de se colocar no fogo cruzado da opini\u00e3o p\u00fablica e falava o que pensava. Ele estava irritado pelas raz\u00f5es certas&#8221;, completa.<\/p>\n<p>O livro \u00e9 um retrato tocante e emp\u00e1tico de um amigo. Mesmo hist\u00f3rias conhecidas ganham nova profundidade contadas por uma pessoa t\u00e3o pr\u00f3xima. E pequenos momentos cotidianos d\u00e3o novos contornos \u00e0 hist\u00f3ria quase m\u00edtica do ator-rapper-ativista assassinado aos 25 anos.<\/p>\n<p>Assim como em &#8220;Dear Mama&#8221;, esta biografia v\u00ea o legado do rapper como insepar\u00e1vel do de sua m\u00e3e, e o livro come\u00e7a n\u00e3o com Tupac, mas com Afeni -sua exposi\u00e7\u00e3o ao racismo no Sul dos Estados Unidos ainda sob as leis de segrega\u00e7\u00e3o racial, sua pris\u00e3o em Nova York como membro dos Panteras Negras e seu julgamento enquanto gr\u00e1vida.<\/p>\n<p>As respostas culturais negras \u00e0 injusti\u00e7a foram transformadas em combust\u00edvel para um artista precoce, sens\u00edvel e ruidoso, que precisava desesperadamente da fama. Se n\u00e3o fosse reconhecido como grande artista cedo, n\u00e3o teria desculpa para persistir na carreira, j\u00e1 que seu destino era ser l\u00edder do movimento negro. Ele foi criado para ser o pr\u00f3ximo Martin Luther King, o pr\u00f3ximo Malcolm X, n\u00e3o o pr\u00f3ximo Michael Jackson.<\/p>\n<p>Embora o livro n\u00e3o se concentre muito na cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica de Tupac, um letrista genial e muito h\u00e1bil, capaz de escrever rapidamente sob press\u00e3o, Robinson defende a import\u00e2ncia de sua obra, que continua ressoando at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>&#8220;Tupac ainda \u00e9 relevante porque a mensagem dele \u00e9 atemporal. Os mesmos problemas sobre os quais ele falava e escrevia h\u00e1 mais de duas d\u00e9cadas continuam sem solu\u00e7\u00e3o. Tudo o que ele disse nos anos 1990 continua atual. Enquanto as desigualdades na sociedade existirem, Tupac ser\u00e1 relevante&#8221;.<\/p>\n<p>Robinson, de maneira honesta, n\u00e3o escreve como se tivesse a pretens\u00e3o de ser objetiva. Este \u00e9 um livro escrito por uma admiradora, que, \u00e0s vezes, at\u00e9 fala em nome de Tupac. Mas tamb\u00e9m n\u00e3o chega a ser uma elegia. \u00c9 mais um apelo para que o leitor reexamine o mundo que fez de Tupac Shakur um homem t\u00e3o irritado.<\/p>\n<p>TUPAC SHAKUR: A BIOGRAFIA AUTORIZADA<br \/>&#8211; Pre\u00e7o R$ 89,90 (432 p\u00e1gs.); R$ 59,90 (ebook)<br \/>&#8211; Autoria Staci Robinson<br \/>&#8211; Tradu\u00e7\u00e3o Karine Ribeiro<\/p>\n<p>Leia Tamb\u00e9m: <a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/ultima-hora\/2107092\/morre-norman-jewison-diretor-de-feitico-da-lua-e-no-calor-da-noite-aos-97\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Morre Norman Jewison, diretor de &#8216;Feiti\u00e7o da Lua&#8217; e &#8216;No Calor da Noite&#8217;, aos 97<\/a><\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Cultura<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/ultima-hora\/2107201\/biografia-de-tupac-shakur-revela-seus-diarios-e-criacao-da-mae-ex-pantera-negra?utm_source=rss-cultura&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(FOLHAPRESS) &#8211; Em setembro de 2023, ap\u00f3s 27 anos, um suspeito foi formalmente acusado pelo<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":160397,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-160396","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/160396","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=160396"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/160396\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/160397"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=160396"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=160396"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=160396"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}