{"id":159902,"date":"2024-01-19T20:08:41","date_gmt":"2024-01-19T23:08:41","guid":{"rendered":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2024\/01\/19\/com-problemas-sonda-japonesa-realiza-pouso-na-lua\/"},"modified":"2024-01-19T20:08:41","modified_gmt":"2024-01-19T23:08:41","slug":"com-problemas-sonda-japonesa-realiza-pouso-na-lua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2024\/01\/19\/com-problemas-sonda-japonesa-realiza-pouso-na-lua\/","title":{"rendered":"Com problemas, sonda japonesa realiza pouso na Lua"},"content":{"rendered":"<p>S\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; O Jap\u00e3o se tornou nesta sexta-feira (19) o quinto pa\u00eds a conduzir um pouso suave na superf\u00edcie da Lua -mas tem agora uma espa\u00e7onave definhando por falta de eletricidade. A fa\u00e7anha, que o coloca ao lado de um grupo seleto composto por R\u00fassia, EUA, China e \u00cdndia, foi realizada com o m\u00f3dulo de pouso Slim, miss\u00e3o de baixo custo destinada a demonstrar uma alunissagem rob\u00f3tica de alta precis\u00e3o.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>Com pain\u00e9is solares que n\u00e3o est\u00e3o gerando eletricidade, a sonda pode ter vida curta. A Jaxa (ag\u00eancia espacial japonesa) n\u00e3o sabe ainda qual \u00e9 a raz\u00e3o do problema -talvez seja por dano causado ao equipamento no momento do pouso, j\u00e1 que eles estavam funcionando durante a fase orbital da miss\u00e3o, ou pode ser porque pousaram em tal posi\u00e7\u00e3o que a luz solar n\u00e3o est\u00e1 incidindo sobre eles.<\/p>\n<p>No primeiro caso, pouco se poderia fazer. No segundo, a \u00fanica solu\u00e7\u00e3o \u00e9 esperar. Neste momento a regi\u00e3o do pouso est\u00e1 sob a luz da manh\u00e3, mas o Sol deve avan\u00e7ar pelo c\u00e9u ao longo dos pr\u00f3ximos dias (bem mais devagar que na Terra, j\u00e1 que dias e noites lunares duram 14 dias terrestres) e mudar de posi\u00e7\u00e3o o suficiente para talvez iluminar os pain\u00e9is e promover a recarga da bateria.<\/p>\n<p>A verdade \u00e9 que n\u00e3o se sabe nem se o ve\u00edculo conseguiu pousar em p\u00e9. Diante das incertezas, os engenheiros est\u00e3o priorizando a coleta de dados de telemetria e observa\u00e7\u00f5es cient\u00edficas na superf\u00edcie da Lua, com as horas de bateria que ainda restam. O sistema de aquecimento foi desligado para conservar energia.<\/p>\n<p><span class=\"news_bold\">COMO FOI O POUSO<\/span><\/p>\n<p>A pequena espa\u00e7onave, com apenas 2,7 metros de comprimento e 200 kg (sem contar o combust\u00edvel), iniciou a aproxima\u00e7\u00e3o final para descida 20 minutos antes do pouso (os famosos &#8220;20 minutos de terror&#8221;, segundo Kenji Kushiki, gerente da miss\u00e3o), saindo de uma \u00f3rbita com peril\u00fanio (ponto mais pr\u00f3ximo da superf\u00edcie lunar) de 15 km.<\/p>\n<p>O procedimento avan\u00e7ou dentro da mais estrita normalidade durante todo o trajeto, e o Slim fez duas paradas de sobrevoo, uma a 500 metros e outra a 50 metros, avaliando amea\u00e7as \u00e0 integridade da sonda no ch\u00e3o, antes de descer -tudo de forma autom\u00e1tica e fazendo jus ao nome da sonda. Slim \u00e9 sigla de Smart Lander for Investigating Moon, ou Pousador Inteligente para Investiga\u00e7\u00e3o da Lua.<\/p>\n<p>Processando imagens produzidas por uma c\u00e2mera apontada para baixo e identificando crateras previamente mapeadas pela sonda orbital japonesa Kaguya, que esquadrinhou a superf\u00edcie lunar entre 2007 e 2009, o ve\u00edculo automaticamente se encaminhou para seu local de pouso, pr\u00f3ximo \u00e0 cratera Shioli, onde desceu pontualmente \u00e0s 12h20 (de Bras\u00edlia).<\/p>\n<p>Os dados de telemetria foram transmitidos ao vivo pela Jaxa na internet, mas o momento ap\u00f3s a alunissagem foi seguido por v\u00e1rios minutos de &#8220;estamos checando o status do m\u00f3dulo de pouso&#8221;. Uma entrevista coletiva, realizada duas horas depois, revelou o problema com as c\u00e9lulas solares, mas frisou o sucesso na alunissagem, meta m\u00ednima para o projeto.<\/p>\n<p>&#8220;O Slim pousou na superf\u00edcie lunar, e comunica\u00e7\u00e3o foi estabelecida ap\u00f3s o pouso&#8221;, disse Hiroshi Yamakawa, diretor da Jaxa, enfatizando que os dois minirrovers liberados pouco antes de o m\u00f3dulo tocar o solo tamb\u00e9m est\u00e3o operando e transmitindo dados. Um deles \u00e9 um &#8220;saltador&#8221;, que se propele pela superf\u00edcie com uma mola, e o outro \u00e9 um &#8220;transformer&#8221;, em formato esf\u00e9rico, mas que se abre para formar duas rodas.<\/p>\n<p>O objetivo completo da miss\u00e3o tecnol\u00f3gica, que custou US$ 120 milh\u00f5es, era demonstrar a capacidade de pouso de precis\u00e3o, a um raio de no m\u00e1ximo 100 metros do alvo, e em terreno n\u00e3o muito hospitaleiro, com um aclive de cerca de 15 graus. Os engenheiros enfatizaram que s\u00f3 ser\u00e1 poss\u00edvel confirmar isso ap\u00f3s uma an\u00e1lise detalhada dos dados colhidos pela sonda, mas que todos os ind\u00edcios baseados na telemetria indicam sucesso.<\/p>\n<p>Caso seja esse o caso, o n\u00edvel de acur\u00e1cia ter\u00e1 superado qualquer outra miss\u00e3o n\u00e3o tripulada lunar ou planet\u00e1ria j\u00e1 conduzida (apenas em asteroides, com gravidade baix\u00edssima, j\u00e1 houve pousos n\u00e3o tripulados de alta precis\u00e3o). Em geral, o local de pouso de uma espa\u00e7onave \u00e9 designado por uma elipse (algo como uma circunfer\u00eancia esticada), com v\u00e1rios quil\u00f4metros de comprimento, que pode ser maior ou menor de acordo com as incertezas no caminho da \u00f3rbita para a superf\u00edcie.<\/p>\n<p>Para dar uma ideia da ambi\u00e7\u00e3o, a elipse de pouso da Apollo 11, miss\u00e3o que levou humanos ao solo lunar pela primeira vez, em julho de 1969, tinha 20 km de comprimento por 5 km de largura. Ou seja, a nave poderia descer em qualquer ponto dessa vasta \u00e1rea ainda cumprindo seu objetivo.<\/p>\n<p>As coisas mudaram para a Apollo 12, que desceu a apenas 200 metros da sonda Surveyor-3 -mas ent\u00e3o pilotada por um humano. Para voos n\u00e3o tripulados, a incerteza sobre o local do pouso n\u00e3o mudou muito desde ent\u00e3o. Em 2021, o rover Perseverance, da Nasa, desceu \u00e0 cratera Jezero, na superf\u00edcie de Marte, mirando uma elipse de pouso de 7,7 km por 6,6 km (acabou que o ve\u00edculo da Nasa desceu a 1 km do centro da elipse, mas a apenas cinco metros do local exato onde queriam descer, em um grande sucesso, mas ainda com grande incerteza).<\/p>\n<p>Para a Slim, a meta foi reduzir a largura da elipse a no m\u00e1ximo 200 metros. O processo envolve algoritmos avan\u00e7ados para processar as imagens da superf\u00edcie em tempo real e calcular com exatid\u00e3o, de forma autom\u00e1tica, a trajet\u00f3ria para o pouso. Curiosamente, os engenheiros adaptaram t\u00e9cnicas de sistemas de reconhecimento facial a fim de que a sonda pudesse reconhecer crateras espec\u00edficas na Lua e se localizar.<\/p>\n<p>Os japoneses apostam que essa tecnologia ser\u00e1 essencial no futuro da explora\u00e7\u00e3o espacial, indo de uma cultura em que &#8220;se desce onde \u00e9 f\u00e1cil pousar&#8221; para uma em que &#8220;se desce onde se quer pousar&#8221;. De fato, esse ser\u00e1 um fator essencial para o desenvolvimento de futuras bases lunares, que exigir\u00e1 o pouso de diversas naves, tripuladas e n\u00e3o tripuladas, em grande proximidade umas das outras.<\/p>\n<p>EUA e China est\u00e3o de olho nisso, cada um capitaneando seu pr\u00f3prio projeto e mirando o polo sul lunar, onde acredita-se haver grandes quantidades de gelo de \u00e1gua preservado no fundo de crateras onde a luz solar nunca bate.<\/p>\n<p><span class=\"news_bold\">POUSO-TOMBO<\/span><\/p>\n<p>Para lidar com o aclive da regi\u00e3o escolhida para a descida, os japoneses tamb\u00e9m desenvolveram um m\u00e9todo curioso de pouso, em que a espa\u00e7onave desce na vertical e, s\u00f3 ao tocar as pernas traseiras no solo, se inclina para a posi\u00e7\u00e3o horizontal, como se estivesse tombando sobre a superf\u00edcie. N\u00e3o est\u00e1 claro ainda se esse m\u00e9todo foi totalmente bem-sucedido, a despeito de a sonda ter permanecido operacional ap\u00f3s a descida.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da demonstra\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, a miss\u00e3o tinha como objetivo extra conduzir pesquisas cient\u00edficas. Para tanto, o m\u00f3dulo de pouso foi equipado com uma c\u00e2mera espectrosc\u00f3pica capaz de identificar a composi\u00e7\u00e3o de rochas lunares. O objetivo \u00e9 encontrar materiais que j\u00e1 pertenceram ao manto lunar, com o objetivo de elucidar a origem da Lua. A principal hip\u00f3tese hoje aventada \u00e9 de que ela \u00e9 fruto da colis\u00e3o de um objeto do tamanho de Marte (chamado Theia) com a Terra, nos prim\u00f3rdios da forma\u00e7\u00e3o do Sistema Solar. Ao analisar a composi\u00e7\u00e3o de seu interior, \u00e9 poss\u00edvel corroborar ou desafiar essa ideia. Mas, com os pain\u00e9is solares inoperantes, a chance de concluir essa parte cient\u00edfica da miss\u00e3o diminui bastante.<\/p>\n<p>Desde 2013, quando a China conduziu a primeira miss\u00e3o de pouso lunar do s\u00e9culo 21, houve ao todo dez tentativas: tr\u00eas chinesas (todas bem-sucedidas), duas indianas (uma bem-sucedida), uma russa (fracassada), uma japonesa (parcialmente bem-sucedida) e tr\u00eas privadas (do grupo israelense SpaceIL, da empresa japonesa ispace e da americana Astrobotic, todas fracassadas). \u00c9 um aproveitamento de 50%, tratando a Slim como sucesso. Pelo menos outras duas miss\u00f5es, uma privada (americana) e uma estatal (chinesa), devem ocorrer ainda em 2024.<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Mundo<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/brasil\/2106315\/com-problemas-sonda-japonesa-realiza-pouso-na-lua?utm_source=rss-mundo&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; O Jap\u00e3o se tornou nesta sexta-feira (19) o quinto pa\u00eds<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":159903,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-159902","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/159902","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=159902"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/159902\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/159903"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=159902"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=159902"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=159902"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}