{"id":156972,"date":"2024-01-01T09:09:42","date_gmt":"2024-01-01T12:09:42","guid":{"rendered":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2024\/01\/01\/do-luto-ao-sorriso-doacao-de-orgaos-passa-por-aceite-da-familia-e-ajuda-ate-8-pessoas\/"},"modified":"2024-01-01T09:09:42","modified_gmt":"2024-01-01T12:09:42","slug":"do-luto-ao-sorriso-doacao-de-orgaos-passa-por-aceite-da-familia-e-ajuda-ate-8-pessoas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2024\/01\/01\/do-luto-ao-sorriso-doacao-de-orgaos-passa-por-aceite-da-familia-e-ajuda-ate-8-pessoas\/","title":{"rendered":"Do luto ao sorriso, doa\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os passa por aceite da fam\u00edlia e ajuda at\u00e9 8 pessoas"},"content":{"rendered":"<p>(FOLHAPRESS) &#8211; Miguel Caleb tinha s\u00f3 4 meses quando sua m\u00e3e percebeu que seu cora\u00e7\u00e3o era muito grande para sua idade. Alan Martins do Santos tinha 36 anos quando uma veia em sua cabe\u00e7a se rompeu.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>Os dois est\u00e3o em pontas opostas no programa nacional de doa\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os. Em 2018, o menino precisou ganhar um novo cora\u00e7\u00e3o \u00e0s v\u00e9speras de completar 2 anos, ap\u00f3s meses de um tratamento sem sucesso. J\u00e1 o homem, v\u00edtima de um aneurisma, foi o doador do primeiro transplante multivisceral no estado do Rio de Janeiro, em 2018.<\/p>\n<p>Neste ano, o tema da doa\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os ficou em alta ap\u00f3s o apresentador Faust\u00e3o, 73, passar por um transplante de cora\u00e7\u00e3o por conta de uma insufici\u00eancia card\u00edaca. O epis\u00f3dio jogou luz e gerou d\u00favidas sobre a doa\u00e7\u00e3o e a lista de espera por um \u00f3rg\u00e3o.<\/p>\n<p>Para explicar o processo de doa\u00e7\u00e3o, a Folha de S.Paulo acompanhou a rotina do Hospital Municipalizado Ad\u00e3o Pereira Nunes, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. A unidade \u00e9 uma das refer\u00eancias do pa\u00eds na capta\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os.<\/p>\n<p>Hoje, h\u00e1 41.428 pessoas esperando por um transplante de \u00f3rg\u00e3o e 26.880 \u00e0 espera de um transplante de c\u00f3rnea. Segundo o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, houve um aumento da lista de 8,9% e 12,2%, respectivamente, em compara\u00e7\u00e3o ao ano passado.<\/p>\n<p>A lista de espera faz parte do SNT (Sistema Nacional de Transplante) e \u00e9 administrada pelas Centrais Estaduais de Transplante. Os estados monitoram a lista e gerenciam as doa\u00e7\u00f5es e para onde vai cada \u00f3rg\u00e3o. Para isso, seguem tr\u00eas crit\u00e9rios b\u00e1sicos: gravidade do paciente que vai receber a doa\u00e7\u00e3o, compatibilidade do \u00f3rg\u00e3o com o receptor e antiguidade, isto \u00e9, h\u00e1 quanto tempo ele est\u00e1 \u00e0 espera do \u00f3rg\u00e3o.<\/p>\n<p>A doa\u00e7\u00e3o s\u00f3 \u00e9 feita com autoriza\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia de quem morreu por morte encef\u00e1lica -em geral, pacientes de trauma ou que sofreram algum acidente vascular. Este \u00faltimo foi o caso de Alan. Na manh\u00e3 de 8 de mar\u00e7o de 2021, ele sentiu uma forte dor de cabe\u00e7a e ficou parcialmente paralisado.<\/p>\n<p>Alan foi levado ao Hospital Ad\u00e3o Pereira Nunes, mas acabou n\u00e3o resistindo e teve a morte encef\u00e1lica constatada.<\/p>\n<p>&#8220;A morte encef\u00e1lica \u00e9 a morte do c\u00e9rebro, e \u00e9 ele que comanda todo o organismo. Com a morte do c\u00e9rebro, os mecanismos neurofisiol\u00f3gicos fazem com que os outros \u00f3rg\u00e3os continuem funcionando, mas \u00e9 uma quest\u00e3o de tempo para eles tamb\u00e9m pararem&#8221;, explica Roberto Andrade Sim\u00f5es, m\u00e9dico coordenador no no Ad\u00e3o Pereira Nunes, da CIHDOTT (Coordena\u00e7\u00e3o Intra-Hospitalar para Doa\u00e7\u00e3o de \u00d3rg\u00e3os e Tecidos para Transplantes).<\/p>\n<p>A CIHDOTT \u00e9 a comiss\u00e3o respons\u00e1vel por identificar potenciais doadores e acionar as centrais de transplantes. Ela \u00e9 formada por m\u00e9dicos, enfermeiros, assistentes sociais e psic\u00f3logos especializados para comunicar \u00e0 fam\u00edlia sobre a morte de seu parente e perguntar sobre a possibilidade de doa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Ao final do protocolo de morte encef\u00e1lica, fazemos o que chamamos de entrevista familiar: voc\u00ea d\u00e1 a not\u00edcia do \u00f3bito e logo em seguida faz a entrevista para saber se a fam\u00edlia \u00e9 favor\u00e1vel \u00e0 doa\u00e7\u00e3o&#8221;, conta Gilberto Malvar, coordenador de enfermagem da CIHDOTT no Ad\u00e3o Pereira Nunes.<\/p>\n<p>&#8220;Nosso trabalho \u00e9 explicar a gravidade do paciente com suspeita de morte encef\u00e1lica, o que \u00e9 a morte encef\u00e1lica e quais s\u00e3o as etapas para confirm\u00e1-la. Se a fam\u00edlia n\u00e3o entender, n\u00e3o podemos nem falar de doa\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>De janeiro a setembro, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade registrou uma queda nas negativas familiares. As pessoas tiveram uma maior aceita\u00e7\u00e3o para doar os \u00f3rg\u00e3os de seus parentes. Foram 6.065 entrevistas durante esse per\u00edodo, com uma taxa de recusa de 42,8%. Em compara\u00e7\u00e3o ao ano passado, foram 5.575 entrevistas, com a negativa em 45,4% dos casos.<\/p>\n<p>&#8220;Voc\u00ea n\u00e3o pode fazer uma entrevista apelativa e sem ter cuidado. Tem que ser com muita t\u00e9cnica, com muita empatia e humaniza\u00e7\u00e3o. Temos que dar o m\u00e1ximo de informa\u00e7\u00f5es para que a fam\u00edlia tome a decis\u00e3o mais consciente poss\u00edvel&#8221;, diz Malvar.<\/p>\n<p>Nos nove primeiros meses deste ano tamb\u00e9m houve um aumento de 15% de doadores efetivos em compara\u00e7\u00e3o ao ano passado. At\u00e9 setembro, foram feitas 2.776 doa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Um \u00fanico doador pode ajudar at\u00e9 oito pessoas. No caso de Alan, ele doou para o mesmo receptor o f\u00edgado, o p\u00e2ncreas e o intestino. Al\u00e9m disso, tamb\u00e9m doou o cora\u00e7\u00e3o, os rins e as c\u00f3rneas para outros pacientes.<\/p>\n<p>A irm\u00e3 de Alan, Ang\u00e9lica Martins dos Santos, conta que ficou receosa ao ser perguntada sobre a possibilidade da doa\u00e7\u00e3o. Mas, ao refletir melhor, decidiu seguir com o processo.<\/p>\n<p>&#8220;Eu falei para o Gilberto [Malvar], &#8216;por que n\u00e3o doar?&#8217; O meu irm\u00e3o era uma boa pessoa, o que era dele tamb\u00e9m era dos outros. E hoje me conforta muito [ter feito a doa\u00e7\u00e3o]. \u00c9 claro que n\u00e3o gostei de meu irm\u00e3o ter morrido, preferia ter ele aqui. Mas sinto orgulho dele por ter ajudado muita gente.&#8221;O<\/p>\n<p>CUIDADO COM O DOADOR<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a morte encef\u00e1lica e o aceite da fam\u00edlia, se inicia uma corrida contra o tempo para finalizar todo o processo de doa\u00e7\u00e3o e entregar o doador para o sepultamento. \u00c9 previsto em lei que ele seja devolvido \u00e0 fam\u00edlia de forma digna.<\/p>\n<p>&#8220;A gente d\u00e1 um tratamento especial ao doador, \u00e9 o nosso paciente mais grave. N\u00e3o \u00e9 aquele neg\u00f3cio de que &#8216;o paciente est\u00e1 morto, deixa ali no canto&#8217;. Nada disso. [Depois do aceite da fam\u00edlia] come\u00e7a a nossa guerra de manter o doador nas melhores condi\u00e7\u00f5es para que ele consiga doar e ser devolvido \u00e0 sua fam\u00edlia&#8221;, diz Sim\u00f5es.<\/p>\n<p>A Folha de S.Paulo acompanhou uma cirurgia de capta\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os no in\u00edcio de dezembro e presenciou todos os cuidados comuns a qualquer outro tipo de cirurgia -a diferen\u00e7a \u00e9 que, no caso da doa\u00e7\u00e3o, o paciente est\u00e1 morto.<\/p>\n<p>Todos os instrumentos utilizados s\u00e3o esterilizados, assim como a sala de cirurgia. Al\u00e9m dos m\u00e9dicos cirurgi\u00f5es e dos enfermeiros, o doador tamb\u00e9m \u00e9 acompanhado por um anestesista, respons\u00e1vel por manter a circula\u00e7\u00e3o do sangue nos \u00f3rg\u00e3os.<\/p>\n<p>O doador era Raul (nome fict\u00edcio), 64, que morreu em decorr\u00eancia de um traumatismo. Ele doou o f\u00edgado e os dois rins. A morte encef\u00e1lica do doador foi constatada na noite de s\u00e1bado, e a cirurgia de capta\u00e7\u00e3o foi feita no domingo de manh\u00e3.<\/p>\n<p>Cada \u00f3rg\u00e3o tem uma equipe especializada para fazer sua capta\u00e7\u00e3o e um tempo de isquemia (sem fluxo de sangue) diferente. O f\u00edgado pode durar de 8 a 12 horas fora do corpo, enquanto o rim j\u00e1 consegue ficar at\u00e9 24 horas.<\/p>\n<p>Essa diferen\u00e7a tamb\u00e9m muda o processo de doa\u00e7\u00e3o. Os \u00f3rg\u00e3os com menor tempo de isquemia j\u00e1 tem os receptores definidos no momento em que a capta\u00e7\u00e3o \u00e9 feita. Por exemplo, em casos de transplante de cora\u00e7\u00e3o, que dura s\u00f3 quatro horas fora do corpo, a pessoa que vai receb\u00ea-lo j\u00e1 entra no centro cir\u00fargico no mesmo momento do doador. E isso acontece em hospitais diferentes. Ent\u00e3o h\u00e1 uma log\u00edstica de transporte do \u00f3rg\u00e3o para evitar qualquer atraso.<\/p>\n<p>O f\u00edgado de Raul j\u00e1 tinha o receptor definido. Ele foi levado de helic\u00f3ptero para Itaperuna, cidade no noroeste do Rio que fica a 285 km de Caxias. De carro, o trajeto levaria cerca de 5 horas, mas, por via a\u00e9rea, a viagem dura cerca de 1 hora e meia.<\/p>\n<p>J\u00e1 os rins, por ter um tempo de isquemia maior, foram levados ao PET (Programa Estadual de Transplante) do Rio. De l\u00e1, a central analisa quem ser\u00e3o as pessoas que receber\u00e3o os \u00f3rg\u00e3os -seguindo os crit\u00e9rios de gravidade, compatibilidade e antiguidade da lista- e os encaminha para os hospitais onde ser\u00e1 feita a doa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A OUTRA PONTA<\/p>\n<p>Malvar conta que o trabalho na CIHDOTT, que possibilita todo o processo de doa\u00e7\u00e3o, \u00e9 \u00e1rduo e muitas vezes consome os profissionais que est\u00e3o \u00e0 frente das conversas com as fam\u00edlias. Mas \u00e9 tamb\u00e9m um trabalho gratificante.<\/p>\n<p>&#8220;A gente tem que lidar com o \u00e1pice da dor do ser humano. S\u00f3 lidamos com quem est\u00e1 perdendo seu ente querido, \u00e9 preciso ter uma for\u00e7a mental muito grande. Mas fazemos o trabalho, porque sabemos que do outro lado est\u00e1 algu\u00e9m que precisa muito do transplante.&#8221;<\/p>\n<p>O menino Miguel, que recebeu o cora\u00e7\u00e3o \u00e0s v\u00e9speras de completar 2 anos, est\u00e1 hoje com 7. Aos 4 meses, foi diagnosticado com miocardiopatia dilatada, doen\u00e7a que aumenta o tamanho dos ventr\u00edculos do cora\u00e7\u00e3o e atrapalha o bombeamento de sangue para o resto do corpo.<\/p>\n<p>A m\u00e3e do menino, Paloma Maria Barreto, conta que o filho passou 1 ano e 9 meses praticamente morando no hospital de Laranjeiras, na zona sul do Rio, onde fazia tratamento.<\/p>\n<p>Sem sucesso e com o quadro de sa\u00fade agravado, Miguel entrou para a lista \u00e0 espera de um novo cora\u00e7\u00e3o. O \u00f3rg\u00e3o, captado no Hospital Ad\u00e3o Pereira Nunes, veio 17 dias depois. O menino foi operado em 18 de maio de 2018.<\/p>\n<p>&#8220;Eu nunca pedi que uma crian\u00e7a morresse para que o Miguel pudesse viver. Pedia a Deus para que ele se curasse, que n\u00e3o precisasse de transplante. Mas nossa vontade n\u00e3o \u00e9 igual a de Deus, n\u00e9?&#8221;, diz Paloma.<\/p>\n<p>&#8220;Se n\u00e3o fosse pelo transplante, meu filho n\u00e3o estaria aqui hoje. E eu agrade\u00e7o muito a essa fam\u00edlia que doou o cora\u00e7\u00e3o do filho deles. Sem ele, Miguel n\u00e3o estaria aqui hoje&#8221;, ressalta a m\u00e3e.<\/p>\n<p>Cinco anos depois da cirurgia, Miguel \u00e9 um menino de cabelos cacheados e sorriso largo que sonha em jogar futebol.<\/p>\n<p>Leia Tamb\u00e9m: <a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/politica\/2099734\/tse-pede-sugestoes-sobre-as-eleicoes-2024-e-pesquisas-eleitorais-saiba-como-participar\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">TSE pede sugest\u00f5es sobre as elei\u00e7\u00f5es 2024 e pesquisas eleitorais; saiba como participar<\/a><\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Brasil<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/brasil\/2099874\/do-luto-ao-sorriso-doacao-de-orgaos-passa-por-aceite-da-familia-e-ajuda-ate-8-pessoas?utm_source=rss-brasil&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(FOLHAPRESS) &#8211; Miguel Caleb tinha s\u00f3 4 meses quando sua m\u00e3e percebeu que seu cora\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":156973,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-156972","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/156972","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=156972"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/156972\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/156973"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=156972"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=156972"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=156972"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}