{"id":156510,"date":"2023-12-28T10:08:37","date_gmt":"2023-12-28T13:08:37","guid":{"rendered":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2023\/12\/28\/einstein-e-sirio-libanes-ja-administram-mais-leitos-publicos-do-que-privados\/"},"modified":"2023-12-28T10:08:37","modified_gmt":"2023-12-28T13:08:37","slug":"einstein-e-sirio-libanes-ja-administram-mais-leitos-publicos-do-que-privados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2023\/12\/28\/einstein-e-sirio-libanes-ja-administram-mais-leitos-publicos-do-que-privados\/","title":{"rendered":"Einstein e S\u00edrio-Liban\u00eas j\u00e1 administram mais leitos p\u00fablicos do que privados"},"content":{"rendered":"<p>(FOLHAPRESS) &#8211; Em cinco anos, a participa\u00e7\u00e3o de recursos do SUS nos caixas de hospitais privados sem fins lucrativos quase triplicou. Passou de 4,65% em 2018, para 12,77% em 2023. No ano passado, essa receita foi de R$ 6,87 bilh\u00f5es.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>Os dados obtidos pela Folha de S.Paulo s\u00e3o do Observat\u00f3rio Anahp, associa\u00e7\u00e3o que re\u00fane hospitais de ponta do pa\u00eds. O Albert Einstein e o S\u00edrio-Liban\u00eas, por exemplo, j\u00e1 administram mais leitos p\u00fablicos do que privados por meio de parcerias com prefeituras, o governo paulista e o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade.<\/p>\n<p>Est\u00e3o sob gest\u00e3o do Einstein 30 unidades p\u00fablicas de sa\u00fade, que incluem tr\u00eas hospitais com 868 leitos -no privado, s\u00e3o 758. Esses contratos somaram R$ 1,18 bilh\u00e3o em 2022. A receita l\u00edquida do hospital no mesmo ano foi de R$ 4,9 bilh\u00f5es. Neste m\u00eas, a institui\u00e7\u00e3o assinou contrato para gerir mais um hospital p\u00fablico, agora na Bahia.<\/p>\n<p>J\u00e1 o S\u00edrio-Liban\u00eas administra dez unidades p\u00fablicas, sendo quatro hospitais com 668 leitos p\u00fablicos, por meio do seu instituto de responsabilidade social, reconhecido como uma OSS (organiza\u00e7\u00f5es sociais de sa\u00fade). Os contratos somaram R$ 335,6 milh\u00f5es em 2022. O hospital tem 544 leitos privados, com receitas operacionais de R$ 2,87 bilh\u00f5es no ano passado.<\/p>\n<p>De acordo com Antonio Britto, diretor-executivo da Anahp, os recursos p\u00fablicos que chegam aos hospitais privados t\u00eam vindo, principalmente, da compra de servi\u00e7os prestados, como exames e cirurgias.<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 uma impot\u00eancia do SUS em responder \u00e0 crescente demanda por procedimentos de m\u00e9dia e alta complexidade, e as compras de servi\u00e7os tentam suprir essa defici\u00eancia.&#8221;<\/p>\n<p>Segundo ele, as parcerias para a gest\u00e3o de unidades p\u00fablicas, como a do Einstein e a do S\u00edrio, representam uma fatia menor, mas h\u00e1 potencial para crescimento.<\/p>\n<p>O avan\u00e7o dos hospitais privados na gest\u00e3o dos servi\u00e7os p\u00fablicos \u00e9 visto com ressaltas por especialistas em sa\u00fade p\u00fablica. A m\u00e9dica Ligia Bahia, professora da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e pesquisadora do Instituto de Estudos em Sa\u00fade Coletiva, afirma que eles est\u00e3o &#8220;comendo o SUS&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Eles comem o SUS recebendo ren\u00fancia fiscal [por meio do Proadi, Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS] e como organiza\u00e7\u00f5es sociais, gerindo hospitais p\u00fablicos. Agora, com o neg\u00f3cio do ensino [faculdades de medicina e de outras \u00e1reas da sa\u00fade], eles usam os hospitais p\u00fablicos como campo de pr\u00e1tica&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Walter Cintra Ferreira J\u00fanior, especialista em gest\u00e3o hospitalar e professor da FGV (Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas), diz que a gest\u00e3o de unidades p\u00fablicas pelas OSS trouxe ao SUS a possibilidade de uma gest\u00e3o mais eficiente e mais r\u00e1pida, mas ainda faltam transpar\u00eancia nos contratos e sistemas de controle e avalia\u00e7\u00e3o mais adequados por parte do gestor p\u00fablico.<\/p>\n<p>Na sua opini\u00e3o, no caso dos hospitais de excel\u00eancia, \u00e9 esperado que tenham uma qualidade de gest\u00e3o superior \u00e0 m\u00e9dia dos servi\u00e7os p\u00fablicos e de outras OSS. &#8220;Eles jamais pegariam esses servi\u00e7os para fazer uma porcaria. N\u00e3o iriam comprometer o pr\u00f3prio nome.&#8221;<\/p>\n<p>O Einstein come\u00e7ou a gerir institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas em 2008, quando assumiu o Hospital Municipal do M\u00b4Boi Mirim, no Jardim \u00c2ngela (zona sul de S\u00e3o Paulo), juntamente com a OSS Cejam.<\/p>\n<p>Administra tamb\u00e9m o Hospital Municipal Vila Santa Catarina, por meio de um conv\u00eanio que envolve recursos municipais e do Einstein -vindos de isen\u00e7\u00f5es fiscais do Proadi. \u00c9 respons\u00e1vel ainda pela gest\u00e3o de um hospital municipal em Aparecida de Goi\u00e2nia (GO).<\/p>\n<p>J\u00e1 o S\u00edrio administra o Hospital Municipal Infantil Menino Jesus, na Bela Vista (SP), e tr\u00eas estaduais: Hospital Geral do Graja\u00fa, zona sul de S\u00e3o Paulo, o Hospital Regional de Jundia\u00ed, no interior de SP, e o Hospital Regional de Registro, no Vale do Ribeira.<\/p>\n<p>A Folha de S.Paulo visitou dois hospitais geridos pelo Einstein e pelo S\u00edrio. Ambos contam com protocolos cl\u00ednicos e ferramentas de gest\u00e3o importadas dessas institui\u00e7\u00f5es, possuem acredita\u00e7\u00f5es e, em geral, s\u00e3o bem avaliados pelos usu\u00e1rios do SUS.<\/p>\n<p>\u00danico hospital p\u00fablico a figurar entre os 50 melhores da Am\u00e9rica Latina, segundo a publica\u00e7\u00e3o Am\u00e9rica Economia, o M\u00b4Boi Mirim tem uma central de comando operacional, que aumentou o giro de leitos, possibilitando o atendimento de mais pessoas com a mesma estrutura.<\/p>\n<p>&#8220;A gente conseguiu reduzir em 30% o tempo de perman\u00eancia [de 6,5 dias para 5 dias] em seis meses ap\u00f3s o in\u00edcio da central. Ela capta desperd\u00edcios e gira mais rapidamente esse recurso [leito], que \u00e9 escasso&#8221;, diz o m\u00e9dico Leonardo Rolim Ferraz, diretor do M\u00b4Boi Mirim.<\/p>\n<p>Entre os exemplos de desperd\u00edcio havia atraso na libera\u00e7\u00e3o de leitos pela equipe da limpeza ou na transfer\u00eancia de um paciente de uma unidade para outra. Havia tamb\u00e9m demora na realiza\u00e7\u00e3o de alguns exames, o que fazia com que o paciente ficasse internado sem necessidade.<\/p>\n<p>Com o ajuste, o hospital aumentou de 2.000 para 2.300 interna\u00e7\u00f5es por m\u00eas. Isso equivaleria \u00e0 abertura de 60 novos leitos, segundo Ferraz.<\/p>\n<p>Outra inova\u00e7\u00e3o foi a cria\u00e7\u00e3o de uma central farmac\u00eautica dedicada a revisar todas as prescri\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas. Ela checa, por exemplo, se a dose e o tempo de uso da medica\u00e7\u00e3o est\u00e3o corretos. &#8220;A gente evita muitos eventos adversos relacionados a falhas e erros de prescri\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>Amparados por protocolos definidos pelo hospital, os farmac\u00eauticos t\u00eam autonomia para fazer interven\u00e7\u00f5es na prescri\u00e7\u00e3o. Ap\u00f3s a atua\u00e7\u00e3o desses profissionais, houve queda de 30% no uso de omeprazol, medica\u00e7\u00e3o muitas vezes prescrita desnecessariamente ao paciente internado.<\/p>\n<p>O hospital tem interagido tamb\u00e9m com a aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria da regi\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o aos pacientes cr\u00f4nicos que buscam a emerg\u00eancia com quadros de hipertens\u00e3o e diabetes descontroladas. Essas situa\u00e7\u00f5es podem ser evitadas caso esses pacientes sejam mais bem acompanhados no posto de sa\u00fade.<\/p>\n<p>Segundo Sidney Klajner, presidente do Einstein, a meta \u00e9 que essas parcerias gerem resultados positivos tamb\u00e9m a comunidade, melhorando os indicadores sociais. Hoje, 42% dos moradores dos arredores do M\u00b4Boi Mirim t\u00eam uma rela\u00e7\u00e3o direta ou indireta de emprego com o hospital.<\/p>\n<p>O hospital Vila Santa Catarina, refer\u00eancia em c\u00e2ncer, conta com a ajuda de equipes de oncologia cl\u00ednica do Einstein. O mesmo ocorre em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s UTIs. &#8220;Se a gente precisa do apoio de um super especialista, especialmente em casos de pacientes neurol\u00f3gicos e cardiol\u00f3gicos, rapidamente a gente se conecta&#8221;, diz.<\/p>\n<p>O Vila Santa Catarina tamb\u00e9m opera com um rob\u00f4 de R$ 16 milh\u00f5es doado pelo Einstein. &#8220;No caso da c\u00e2ncer de pr\u00f3stata, o melhor desfecho \u00e9 com a cirurgia rob\u00f3tica. A gente queria ter o mesmo desfecho no p\u00fablico que temos no privado&#8221;, diz Klajner.<\/p>\n<p>O S\u00edrio-Liban\u00eas administra quatro hospitais, dois em S\u00e3o Paulo (Hospital Geral do Graja\u00fa e o Hospital Infantil Menino Jesus), e os hospitais regionais de Jundia\u00ed e de Registro, al\u00e9m de outras seis unidades de sa\u00fade.<\/p>\n<p>&#8220;O nosso foco \u00e9 levar toda a expertise do S\u00edrio para a gest\u00e3o p\u00fablica, todo nosso trabalho \u00e9 balizado por pilares da efici\u00eancia, da qualidade e da satisfa\u00e7\u00e3o do usu\u00e1rio&#8221;, diz Carolina Lastra, diretoria-executiva do Instituto de Responsabilidade Social do S\u00edrio.<\/p>\n<p>O Hospital Pedi\u00e1trico Menino Jesus, por exemplo, \u00e9 refer\u00eancia em malforma\u00e7\u00f5es cong\u00eanitas, em especial, a fissura labiopalatina e o p\u00e9 torto. As crian\u00e7as s\u00e3o acompanhadas por equipes multidisciplinares. Por meio de capta\u00e7\u00f5es vindas de emendas parlamentares e de empresas privadas, que neste ano somaram R$ 8,9 milh\u00f5es, o hospital passa por reformas e tem conseguido renovar o seu parque tecnol\u00f3gico.<\/p>\n<p>Fernando Ganem, diretor m\u00e9dico do S\u00edrio-Liban\u00eas, explica que os protocolos assistenciais do S\u00edrio s\u00e3o replicados nos hospitais p\u00fablicos geridos pela institui\u00e7\u00e3o, e os dados, compartilhados entre as institui\u00e7\u00f5es. &#8220;\u00c9 muito gratificante ver que os indicadores assistenciais [dos p\u00fablicos] s\u00e3o muito bons.&#8221;<\/p>\n<p>Um exemplo s\u00e3o os indicadores cardiol\u00f3gicos, como a rapidez com que se identifica, faz diagn\u00f3stico e trata o infarto. Os do Hospital Regional de Jundia\u00ed s\u00e3o compat\u00edveis com os do S\u00edrio e, por isso, est\u00e3o reportados em conjunto a um banco de dados americano.<\/p>\n<p>A taxa de mortalidade ap\u00f3s cirurgia card\u00edaca, de 3,6%, est\u00e1 dentro da m\u00e9dia preconizada pelo Col\u00e9gio Americano de Cirurgi\u00f5es.<\/p>\n<p>Desde que o S\u00edrio assumiu a gest\u00e3o do hospital de Registro, h\u00e1 oito meses, as taxas de mortalidade em cirurgia card\u00edaca despencaram de 16% para 4%. O tempo m\u00e9dio de interna\u00e7\u00e3o caiu pela metade (de oito para quatro dias), e o n\u00famero de procedimentos cir\u00fargicos dobrou (de 18 para 40).<\/p>\n<p>Para Ganem, essas parcerias p\u00fablico-privadas \u00e9 uma tend\u00eancia, mas \u00e9 fundamental que haja indicadores bem definidos, metas claras e acompanhamento do cumprimento de ambos. &#8220;Aparelhos bem geridos, independentemente de ter parcerias ou n\u00e3o, s\u00f3 beneficiam a sociedade.&#8221;<\/p>\n<p>Ele lembra que, al\u00e9m da gest\u00e3o, \u00e9 importante criar uma estrutura de ensino e de pesquisa. O Hospital do Grajau, por exemplo, foi o que mais incluiu pacientes em um estudo multic\u00eantrico publicado no New England of Medicine sobre o uso de trombol\u00edticos.<\/p>\n<p>Segundo Ganem, o setor privado tamb\u00e9m aprende com o p\u00fablico. &#8220;Me d\u00e1 um orgulho quando um residente diz que consegue ser mais \u00e1gil no hospital parceiro p\u00fablico. Com menos recursos, ele tem que tomar decis\u00f5es r\u00e1pidas e, \u00e0s vezes, no privado, discutimos mais o caso, pedimos mais opini\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>Leia Tamb\u00e9m: <a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/ultima-hora\/2099015\/lula-sanciona-com-vetos-lei-que-agiliza-registro-de-agrotoxicos-no-brasil\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Lula sanciona com vetos lei que agiliza registro de agrot\u00f3xicos no Brasil<\/a><\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Brasil<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/brasil\/2099027\/einstein-e-sirio-libanes-ja-administram-mais-leitos-publicos-do-que-privados?utm_source=rss-brasil&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(FOLHAPRESS) &#8211; Em cinco anos, a participa\u00e7\u00e3o de recursos do SUS nos caixas de hospitais<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":156511,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-156510","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/156510","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=156510"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/156510\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/156511"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=156510"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=156510"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=156510"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}