{"id":156158,"date":"2023-12-26T08:08:20","date_gmt":"2023-12-26T11:08:20","guid":{"rendered":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2023\/12\/26\/com-safra-incerta-mercado-ve-acomodacao-a-leve-recuperacao-dos-precos-agricolas\/"},"modified":"2023-12-26T08:08:20","modified_gmt":"2023-12-26T11:08:20","slug":"com-safra-incerta-mercado-ve-acomodacao-a-leve-recuperacao-dos-precos-agricolas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2023\/12\/26\/com-safra-incerta-mercado-ve-acomodacao-a-leve-recuperacao-dos-precos-agricolas\/","title":{"rendered":"Com safra incerta, mercado v\u00ea acomoda\u00e7\u00e3o a leve recupera\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os agr\u00edcolas"},"content":{"rendered":"<p>Ap\u00f3s um ano marcado pela queda significativa dos pre\u00e7os das principais commodities agr\u00edcolas, com redu\u00e7\u00e3o de at\u00e9 50% nos pre\u00e7os da soja e do milho, 2024 tende a trazer mais estabilidade aos pre\u00e7os dos produtos agropecu\u00e1rios. Analistas de mercado ouvidos pelo <em>Broadcast<\/em> (sistema de not\u00edcias em tempo real do Grupo Estado) divergem sobre o direcionamento das cota\u00e7\u00f5es das commodities no pr\u00f3ximo ano, de acomoda\u00e7\u00e3o a leve recupera\u00e7\u00e3o nas cota\u00e7\u00f5es, mas s\u00e3o un\u00e2nimes em indicar que n\u00e3o deve haver movimentos expressivos tanto para baixo quanto para cima. Parte da cautela deve-se aos impactos do El Ni\u00f1o, que ainda podem se refletir na produ\u00e7\u00e3o (estimada em 312,3 milh\u00f5es de toneladas de gr\u00e3os pela Companhia Nacional de Abastecimento &#8211; Conab) e, consequentemente, na precifica\u00e7\u00e3o dos produtos agr\u00edcolas. O consumo interno, dependente do crescimento econ\u00f4mico, ainda \u00e9 uma inc\u00f3gnita na vis\u00e3o dos analistas.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>Segundo o s\u00f3cio-diretor da MB Agro, Jos\u00e9 Carlos Hausknecht, o cen\u00e1rio ainda est\u00e1 em aberto para os pre\u00e7os das commodities agr\u00edcolas, especialmente pelo in\u00edcio conturbado da safra de gr\u00e3os. &#8220;Os problemas clim\u00e1ticos est\u00e3o gerando inseguran\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 oferta brasileira, sobretudo de soja, o que pode impulsionar ou pelo menos sustentar os pre\u00e7os de gr\u00e3os. A depender da evolu\u00e7\u00e3o da safra, teremos pre\u00e7os mais remuneradores de soja e tamb\u00e9m de milho safrinha. Se houver tend\u00eancia de quebra de safra, poderemos ter uma eleva\u00e7\u00e3o maior de pre\u00e7os. No momento, vemos que ainda \u00e9 poss\u00edvel colher uma safra de mais de 300 milh\u00f5es de toneladas, trabalhando safra de soja de 156 milh\u00f5es de toneladas e entre 85 milh\u00f5es e 90 milh\u00f5es de toneladas de safra de milho, mas h\u00e1 muitas vari\u00e1veis a serem definidas&#8221;, afirmou Hausknecht.<\/p>\n<p>O economista da E2 Economia F\u00e1bio Moraes engrossa o coro dos que veem 2024 como um ano de pre\u00e7os agropecu\u00e1rios sob controle. L\u00e1 fora, de acordo com ele, a oferta cresce de acordo com a demanda e o fiel da balan\u00e7a recair\u00e1 sobre a colheita do Hemisf\u00e9rio Sul. Neste contexto, em situa\u00e7\u00f5es normais, o Brasil se beneficiaria primeiro porque colhe sua safra antes. &#8220;Mas o clima seco no Centro-oeste tem nos levado a acreditar que a safra n\u00e3o ser\u00e1 t\u00e3o boa. Dever\u00e1 ficar no zero a zero em rela\u00e7\u00e3o ao ano passado&#8221;, disse Moraes. Na E2 Economia, de acordo com ele, j\u00e1 se trabalhava com uma perspectiva de uma produ\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os menor. Era dado como certo que, com o atraso do plantio da soja empurrando a semeadura do milho para frente, haveria uma redu\u00e7\u00e3o de 10 a 15 milh\u00f5es de toneladas do cereal na safra 2023\/2024.<\/p>\n<p>O equil\u00edbrio poder\u00e1 ser ditado pela Argentina, que dever\u00e1 produzir de 130 a 132 milh\u00f5es de toneladas de gr\u00e3os em 2024, bem acima das 82 milh\u00f5es de toneladas previstas para 2023. As estimativas citadas pelo economista da E2 Economia s\u00e3o do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) e da Bolsa de Cereales. &#8220;Ou seja, uma queda de 35% seguida de uma eleva\u00e7\u00e3o pr\u00f3xima de 58% de volume. 45 milh\u00f5es de toneladas a menos em 2022 e agora 48 milh\u00f5es de toneladas a mais&#8221;, apontou Moraes.<\/p>\n<p>O Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea) espera uma &#8220;recupera\u00e7\u00e3o t\u00edmida&#8221; nos pre\u00e7os dos gr\u00e3os. &#8220;Vemos uma alta abaixo da vista em 2022, decorrente da pandemia. Para a soja, ainda temos uma safra boa, apesar de n\u00e3o ser t\u00e3o grande quanto \u00e0 \u00faltima, enquanto para o milho temos perspectiva de queda entre 6% e 10% na produ\u00e7\u00e3o, o que \u00e9 relevante porque pareia outros alimentos, como prote\u00ednas&#8221;, observou o pesquisador e economista do Ipea, Jos\u00e9 Ronaldo Souza Junior. J\u00e1 o algod\u00e3o tende a apresentar uma safra maior e sem rea\u00e7\u00f5es na demanda, portanto sem expectativa de alta significativa nos pre\u00e7os.<\/p>\n<p>Em contrapartida, a analista da Tend\u00eancias Consultoria Gabriela Faria prev\u00ea arrefecimento dos pre\u00e7os dos gr\u00e3os, em virtude da estimativa de uma safra de gr\u00e3os 2023\/24 ainda robusta, acima de 300 milh\u00f5es de toneladas. &#8220;Prevemos uma queda de pre\u00e7os ainda maior para gr\u00e3os, n\u00e3o de dois d\u00edgitos, abaixo de 10%, mas uma nova redu\u00e7\u00e3o. A perspectiva \u00e9 que os pre\u00e7os agr\u00edcolas acompanhem os pre\u00e7os menores dos insumos em 2024. A maior produ\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos deve gerar um melhor balan\u00e7o entre oferta e demanda global, mas temos riscos como a oferta do Brasil e as defini\u00e7\u00f5es relacionadas ao petr\u00f3leo, que refletem no custo de produ\u00e7\u00e3o&#8221;, afirmou Faria.<\/p>\n<p>Para ela, no segundo semestre de 2024, poderia haver uma alta ap\u00f3s a consolida\u00e7\u00e3o da safra de ver\u00e3o, mas n\u00e3o no curto prazo. &#8220;Temos que considerar que pa\u00edses que estavam com problemas na produ\u00e7\u00e3o neste ano se recuperaram e devem ter maior produ\u00e7\u00e3o em 2024&#8221;, observou. Essa conjuntura se reflete na pecu\u00e1ria, que deve seguir com &#8220;oferta forte&#8221; de animais e tend\u00eancia de continuidade dos pre\u00e7os mais baixos, na opini\u00e3o da economista. &#8220;A forte produ\u00e7\u00e3o deve segurar os pre\u00e7os&#8221;, pontuou.<\/p>\n<p>Do lado do setor produtivo, a Confedera\u00e7\u00e3o da Agricultura e Pecu\u00e1ria do Brasil (CNA) avalia que os pre\u00e7os dos gr\u00e3os tendem a se manter est\u00e1veis em 2024, sem espa\u00e7o para aumento significativo das cota\u00e7\u00f5es. Isso se d\u00e1 por dois fatores: consumo mais lento e uma produ\u00e7\u00e3o ainda robusta na safra 2023\/24, embora haja perdas nas lavouras, segundo o diretor t\u00e9cnico da CNA, Bruno Lucchi. &#8220;Os pre\u00e7os tendem a se manter est\u00e1veis tanto para soja quanto para milho, porque boa parte dos estoques internacionais est\u00e1 maior e o consumo n\u00e3o ser\u00e1 t\u00e3o firme com economia mundial em lento crescimento. A tend\u00eancia \u00e9 que n\u00e3o tenhamos recupera\u00e7\u00e3o dessas cadeias em virtude tamb\u00e9m da recupera\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o na Argentina e nos Estados Unidos&#8221;, afirmou Lucchi em coletiva de imprensa da confedera\u00e7\u00e3o para apresenta\u00e7\u00e3o das perspectivas para 2024, no in\u00edcio de dezembro.<\/p>\n<p>Na pecu\u00e1ria bovina, Lucchi destacou que os abates ainda elevados e o pequeno crescimento no consumo interno e nas exporta\u00e7\u00f5es da prote\u00edna vermelha podem vir a comprometer o aquecimento do mercado. Na avalia\u00e7\u00e3o dele, apesar dos riscos clim\u00e1ticos que podem comprometer parcela da produ\u00e7\u00e3o 2023\/24, a safra ainda ser\u00e1 robusta. &#8220;\u00c9 uma safra grande que n\u00e3o tende a impulsionar pre\u00e7os. Precisamos avaliar ainda como ser\u00e1 o clima em dezembro e janeiro em termos de El Ni\u00f1o para avaliar como ser\u00e1 a quebra e se pode haver rea\u00e7\u00e3o de pre\u00e7o&#8221;, relatou. &#8220;A produ\u00e7\u00e3o ainda ser\u00e1 grande e n\u00e3o a ponto de gerar press\u00e3o inflacion\u00e1ria&#8221;, pontuou.<\/p>\n<p>Na pecu\u00e1ria, Souza Junior considera que possa haver aumento dos pre\u00e7os da carne bovina se as exporta\u00e7\u00f5es se normalizarem e se o movimento de reten\u00e7\u00e3o de f\u00eameas for intensificado. &#8220;O n\u00edvel de abate ainda continua elevado em rela\u00e7\u00e3o ao ano passado, mas, se as exporta\u00e7\u00f5es derem vaz\u00e3o ao volume, podemos ter alta de pre\u00e7os; frangos e su\u00ednos reagem \u00e0 prote\u00edna concorrente e, por isso, a tend\u00eancia \u00e9 de aumento de pre\u00e7os tamb\u00e9m no m\u00e9dio prazo&#8221;, observou.<\/p>\n<p>Ainda em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pecu\u00e1ria, o s\u00f3cio-diretor da MB Agro espera o in\u00edcio de revers\u00e3o do ciclo de oferta em 2024, mas de pequena movimenta\u00e7\u00e3o. &#8220;A invers\u00e3o do ciclo depende da reten\u00e7\u00e3o de f\u00eameas pelos pecuaristas, a qual acreditamos que come\u00e7ar\u00e1 somente no segundo semestre do ano que vem. Pode haver firmeza no mercado internacional, o que poderia sustentar os pre\u00e7os em n\u00edveis superiores, mas abaixo de 2021 e 2022. Para su\u00ednos e frangos, os pre\u00e7os depender\u00e3o do custo de ra\u00e7\u00e3o, o que, por sua vez, est\u00e1 atrelado \u00e0 oferta de milho&#8221;, apontou.<\/p>\n<p>Na contram\u00e3o dos demais produtos agr\u00edcolas, as fontes citam o a\u00e7\u00facar como a commodity &#8220;fora da curva&#8221; em rela\u00e7\u00e3o aos pre\u00e7os no pr\u00f3ximo ano. O ado\u00e7ante tende a se valorizar em virtude da queda da produ\u00e7\u00e3o na Tail\u00e2ndia e na \u00cdndia, importantes players internacionais, e eventuais limita\u00e7\u00f5es da oferta do Brasil por dificuldades no escoamento da produ\u00e7\u00e3o. &#8220;A expectativa de redu\u00e7\u00e3o mundial de oferta tende a favorecer o produtor brasileiro de cana-de-a\u00e7\u00facar com pre\u00e7os superiores. \u00c9 um problema de oferta em n\u00edvel mundial que deve refletir nos pre\u00e7os nacionais, embora tenha boa produ\u00e7\u00e3o, em virtude dos pre\u00e7os firmes do mercado externo&#8221;, apontou Souza Junior. &#8220;H\u00e1 demanda pelo a\u00e7\u00facar brasileiro e cen\u00e1rio de oferta global limitado. Por isso, os pre\u00e7os n\u00e3o devem ceder tanto&#8221;, completou Faria da Tend\u00eancias.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s demais commodities softs, o cen\u00e1rio \u00e9 difuso para caf\u00e9 e suco de laranja, este \u00faltimo impulsionado pelos problemas recentes na quebra da produ\u00e7\u00e3o em virtude das doen\u00e7as que afetaram a safra de laranja. &#8220;Os pre\u00e7os para laranja continuam firmes dados os s\u00e9rios problemas de greening nas lavouras paulistas&#8221;, afirma Hausknecht. &#8220;Para o caf\u00e9, ser\u00e1 ano de bienalidade positiva, de tend\u00eancia de safra cheia e sem espa\u00e7o, at\u00e9 o momento, para aumento de pre\u00e7os&#8221;, acrescentou o pesquisador do Ipea.<\/p>\n<p>Leia Tamb\u00e9m: <a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/economia\/2098289\/solteiro-casado-ou-divorciado-veja-quem-mais-demora-a-quitar-dividas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Solteiro, casado ou divorciado: veja quem mais demora a quitar d\u00edvidas<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/economia\/2098106\/com-safra-incerta-mercado-ve-acomodacao-a-leve-recuperacao-dos-precos-agricolas?utm_source=rss-economia&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><br \/>\nNot\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Economia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ap\u00f3s um ano marcado pela queda significativa dos pre\u00e7os das principais commodities agr\u00edcolas, com redu\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":156159,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[11],"tags":[],"class_list":["post-156158","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-economia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/156158","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=156158"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/156158\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/156159"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=156158"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=156158"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=156158"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}