{"id":155115,"date":"2023-12-17T18:08:33","date_gmt":"2023-12-17T21:08:33","guid":{"rendered":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2023\/12\/17\/criticas-dos-eua-a-israel-na-guerra-apontam-para-mudanca-profunda-da-relacao\/"},"modified":"2023-12-17T18:08:33","modified_gmt":"2023-12-17T21:08:33","slug":"criticas-dos-eua-a-israel-na-guerra-apontam-para-mudanca-profunda-da-relacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2023\/12\/17\/criticas-dos-eua-a-israel-na-guerra-apontam-para-mudanca-profunda-da-relacao\/","title":{"rendered":"Cr\u00edticas dos EUA a Israel na guerra apontam para mudan\u00e7a profunda da rela\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>FERNANDA PERRIN<br \/>WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) &#8211; &#8220;Abra\u00e7o de urso&#8221; \u00e9 uma express\u00e3o comumente usada para descrever a rela\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos com Israel, seu maior aliado no Oriente M\u00e9dio. Por tr\u00e1s dela, duas ideias principais: prote\u00e7\u00e3o e coer\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>Diferentes presidentes americanos moveram esse p\u00eandulo mais para um lado ou mais para o outro, mas talvez nunca t\u00e3o r\u00e1pido e de modo t\u00e3o intenso quanto Joe Biden no decorrer do atual confronto com Gaza. Para analistas, a prov\u00e1vel sequela p\u00f3s-guerra ser\u00e1 a emerg\u00eancia de uma nova din\u00e2mica dessa rela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Inicialmente, a rea\u00e7\u00e3o de Biden aos ataques perpetrados pelo grupo terrorista Hamas foi de apoio total a Tel Aviv, militar, diplom\u00e1tico e pol\u00edtico. Distanciando-se do tom ameno pelo qual \u00e9 conhecido, o presidente americano fez os discursos mais enf\u00e1ticos de sua Presid\u00eancia, visivelmente movido pela viol\u00eancia sofrida pelo aliado. &#8220;Eu sou um sionista&#8221;, disse.<\/p>\n<p>Biden descreveu quase graficamente os ataques, reproduzindo os relatos israelenses de decapita\u00e7\u00f5es de beb\u00eas e estupros de mulheres, e refor\u00e7ou que os EUA estavam &#8220;100%&#8221; ao lado de Tel Aviv. Pouco mais de uma semana ap\u00f3s os ataques, o americano foi pessoalmente a Israel e, numa imagem simb\u00f3lica, deu um abra\u00e7o no primeiro-ministro Binyamin Netanyahu ao descer do Air Force One.<\/p>\n<p>Mas, pouco depois, alertou: &#8220;n\u00e3o cometam os mesmos erros que n\u00f3s&#8221;, em refer\u00eancia \u00e0 Guerra no Iraque.<\/p>\n<p>Os EUA mantiveram uma presen\u00e7a constante em territ\u00f3rio israelense, com o objetivo de prestar apoio -e moderar- as opera\u00e7\u00f5es militares. Falando sob condi\u00e7\u00e3o de anonimato, oficiais da Casa Branca dizem que, inicialmente, os planos de Israel para a ofensiva eram &#8220;muito problem\u00e1ticos&#8221;, e foram alterados sob orienta\u00e7\u00e3o de Washington.<\/p>\n<p>Mas, publicamente, cr\u00edticas da comunidade internacional e de organiza\u00e7\u00f5es de direitos humanos sobre as mortes de civis em Gaza eram rebatidas por membros do governo sob o mantra de que Israel tem o direito e o dever de se defender, somadas a questionamentos sobre a confiabilidade dos n\u00fameros, contabilizados por autoridades palestinas ligadas ao Hamas.<\/p>\n<p>Passados dois meses, \u00e9 dif\u00edcil imaginar a cena do abra\u00e7o se repetindo. Na \u00faltima semana, em um gesto de ruptura, Biden criticou publicamente Netanyahu, classificou os bombardeios a Gaza como &#8220;indiscriminados&#8221;, recomendou &#8220;mais cuidado&#8221; com civis e disse que o governo israelense n\u00e3o quer uma solu\u00e7\u00e3o de dois Estados.<\/p>\n<p>As declara\u00e7\u00f5es cimentaram a nova abordagem sinalizada por auxiliares, que elevaram o tom dos alertas, nos \u00faltimos dias, sobre o impacto das opera\u00e7\u00f5es a civis e nos apelos para a entrada de mais ajuda humanit\u00e1ria.<\/p>\n<p>O rec\u00e1lculo de rota sugere a perda de for\u00e7a da diplomacia do &#8220;abra\u00e7o de urso&#8221; defendida por Biden, e que o colocou em diversos momentos em choque com Barack Obama quando era vice-presidente.<\/p>\n<p>Relatos sobre a rela\u00e7\u00e3o entre os dois apontam Tel Aviv como um dos principais pontos de fric\u00e7\u00e3o. Embora ambos concordassem com a necessidade de retomada das negocia\u00e7\u00f5es entre israelenses e palestinos, Obama acreditava que Netanyahu s\u00f3 voltaria \u00e0 mesa se pressionado publicamente, enquanto Biden defendia uma abordagem nos bastidores, temendo alienar o aliado.<\/p>\n<p>&#8220;Biden acredita que ele pode controlar os eventos da guerra Israel-Hamas abra\u00e7ando, com esse abra\u00e7o de urso, sendo muito pr\u00f3ximo, intimamente pr\u00f3ximo dos israelenses&#8221;, diz Ilai Saltzman, diretor do Instituto Gildenhorn para Estudos de Israel da Universidade de Maryland.<\/p>\n<p>&#8220;A abordagem do governo Obama era de que, criando essa fresta, essa esp\u00e9cie de separa\u00e7\u00e3o, voc\u00ea poderia ser mais objetivo em rela\u00e7\u00e3o aos palestinos e ao mundo \u00e1rabe, e tamb\u00e9m em termos de tomar suas pr\u00f3prias decis\u00f5es&#8221;, complementa Saltzman.<\/p>\n<p>Na sua vis\u00e3o, no entanto, a abordagem de Obama falhou -no limite, Israel n\u00e3o aceitou um congelamento total de novos assentamentos na Cisjord\u00e2nia e nas proximidades de Jerusal\u00e9m, como demandaram o ex-presidente americano e lideran\u00e7as palestinas, o que levou ao fracasso do intento.<\/p>\n<p>J\u00e1 Biden conseguiu algumas vit\u00f3rias, como evitar que Israel ampliasse o confronto no L\u00edbano, a entrada de ajuda humanit\u00e1ria e uma pausa nos ataques para a sa\u00edda de ref\u00e9ns da regi\u00e3o. No entanto, a quebra dessa tr\u00e9gua, com a retomada de opera\u00e7\u00f5es em terra por Israel, foi um ponto de inflex\u00e3o para os EUA, que desde ent\u00e3o tornaram p\u00fablicas as press\u00f5es nos bastidores, culminando nas declara\u00e7\u00f5es de Biden na \u00faltima semana.<\/p>\n<p>A isso, soma-se a diverg\u00eancia sobre o que fazer com Gaza depois da guerra. Enquanto Israel sinaliza a inten\u00e7\u00e3o de manter algum controle sobre o territ\u00f3rio, americanos defendem uma solu\u00e7\u00e3o sob o comando da Autoridade Nacional Palestina. A diverg\u00eancia, que vinha sendo tratada nos bastidores, tamb\u00e9m passou para a arena p\u00fablica nos \u00faltimos dias.<\/p>\n<p>A recalibragem diplom\u00e1tica dos EUA responde ainda a press\u00f5es internas. Desde o in\u00edcio, a ala mais \u00e0 esquerda do seu pr\u00f3prio partido criticou o apoio irrestrito do presidente a Tel Aviv. Inicialmente isolada, esse grupo cresceu com o tempo, conforme o escalonamento da crise humanit\u00e1ria, para incluir nomes mais moderados.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m da pol\u00edtica partid\u00e1ria, a pr\u00f3pria opini\u00e3o p\u00fablica nos EUA tornou-se mais cr\u00edtica a Israel, o que \u00e9 vis\u00edvel na cobertura da imprensa local do confronto e em pesquisas de opini\u00e3o.<br \/>&#8220;A guerra exp\u00f4s as tend\u00eancias de mudan\u00e7a na rela\u00e7\u00e3o especial entre EUA e Israel&#8221;, afirma Saltzman. &#8220;As pesquisas mostram que, se voc\u00ea \u00e9 republicano, voc\u00ea tende a apoiar mais o Estado de Israel. Se voc\u00ea \u00e9 democrata, menos. Isso significa que Israel se tornou uma quest\u00e3o partid\u00e1ria, o que n\u00e3o acontecia antes.&#8221;<\/p>\n<p>A isso, o especialista acrescenta o recorte geracional -com consequ\u00eancias de longo prazo para a rela\u00e7\u00e3o entre os pa\u00edses. &#8220;Esses jovens mais cr\u00edticos a Israel hoje ser\u00e3o a cara da sociedade americana no futuro, que se tornar\u00e1 cada vez menos apegada ao Estado de Israel.&#8221;<\/p>\n<p>Leia Tamb\u00e9m: <a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/mundo\/2095954\/um-elevador-com-nove-pessoas-cai-do-quarto-andar-de-um-hotel-em-valencia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Um elevador com nove pessoas cai do quarto andar de um hotel em Val\u00eancia<\/a><\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Mundo<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/mundo\/2095964\/criticas-dos-eua-a-israel-na-guerra-apontam-para-mudanca-profunda-da-relacao?utm_source=rss-mundo&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>FERNANDA PERRINWASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) &#8211; &#8220;Abra\u00e7o de urso&#8221; \u00e9 uma express\u00e3o comumente usada para descrever<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":155116,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-155115","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/155115","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=155115"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/155115\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/155116"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=155115"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=155115"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=155115"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}