{"id":155065,"date":"2023-12-16T19:08:20","date_gmt":"2023-12-16T22:08:20","guid":{"rendered":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2023\/12\/16\/quentin-tarantino-analisa-filmes-que-o-formaram-em-novo-livro\/"},"modified":"2023-12-16T19:08:20","modified_gmt":"2023-12-16T22:08:20","slug":"quentin-tarantino-analisa-filmes-que-o-formaram-em-novo-livro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2023\/12\/16\/quentin-tarantino-analisa-filmes-que-o-formaram-em-novo-livro\/","title":{"rendered":"Quentin Tarantino analisa filmes que o formaram em novo livro"},"content":{"rendered":"<p>ANDR\u00c9 BARCINSKI<br \/>FOLHAPRESS &#8211; Poucos cineastas s\u00e3o t\u00e3o expl\u00edcitos sobre suas influ\u00eancias quanto Quentin Tarantino. Ele gosta tanto de determinados diretores e g\u00eaneros que escreveu um livro relatando e explicando suas obsess\u00f5es cin\u00e9filas -&#8220;Especula\u00e7\u00f5es Cinematogr\u00e1ficas&#8221;, que acaba de sair no Brasil pela editora Intr\u00ednseca, com \u00f3tima tradu\u00e7\u00e3o de Andr\u00e9 Czarnobai.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>A obra n\u00e3o se prop\u00f5e a ser uma enciclop\u00e9dia de cinema. \u00c9 uma celebra\u00e7\u00e3o do tipo de cinema que fez Tarantino e moldou seu estilo.<br \/>H\u00e1 cap\u00edtulos sobre filmes como &#8220;Amargo Pesadelo&#8221;, de John Boorman, &#8220;Perseguidor Implac\u00e1vel&#8221;, de Don Siegel, &#8220;Os Implac\u00e1veis&#8221;, de Sam Peckinpah, &#8220;Irm\u00e3s Diab\u00f3licas&#8221;, de Brian De Palma, &#8220;Taxi Driver&#8221;, de Martin Scorsese, e at\u00e9 &#8220;A Taberna do Inferno&#8221;, de Sylvester Stallone.<\/p>\n<p>O cineasta n\u00e3o se limita a dar opini\u00f5es sobre o filme, mas discorre longamente sobre os diretores, atores e roteiristas e compara esses filmes a outros do mesmo per\u00edodo, sempre com um ponto de vista interessante e peculiar. \u00c9 um livro para ler com um bloco de anota\u00e7\u00f5es, listando os filmes que n\u00e3o se conhece.<\/p>\n<p>Tarantino faz filmes sobre filmes. Obras em que disseca seus g\u00eaneros cinematogr\u00e1ficos e liter\u00e1rios prediletos -cinema policial asi\u00e1tico em &#8220;C\u00e3es de Aluguel&#8221;, cinema noir e livros &#8220;pulp&#8221; em &#8220;Pulp Fiction&#8221;, faroestes sangrentos em &#8220;Django Livre&#8221;, filmes de guerra em &#8220;Bastardos Ingl\u00f3rios&#8221;, a obra de Elmore Leonard em &#8220;Jackie Brown&#8221;, cinema de artes marciais nos dois &#8220;Kill Bill&#8221;- e pensa cada fotograma como um tributo a algum cineasta, ator ou roteirista que admira.<\/p>\n<p>Em &#8220;Especula\u00e7\u00f5es Cinematogr\u00e1ficas&#8221;, ele escreve sobre a experi\u00eancia de assistir filmes na tela grande, especialmente obras das d\u00e9cadas de 1970 e 1980 a que ele assistiu, em sess\u00f5es duplas e triplas, desde os sete anos, quando come\u00e7ou a ver filmes adultos acompanhados da m\u00e3e, Connie, e do padrasto, o m\u00fasico Curtis Zastoupil. Seu pai, o ator Tony Tarantino, abandonou Connie antes de ele nascer.<\/p>\n<p>A exemplo do cinema de Tarantino, seu livro \u00e9 divertidamente ca\u00f3tico -sem uma ordem aparente, ele enfileira cap\u00edtulos a esmo, falando ora de filmes, ora de diretores, ora de seus cr\u00edticos prediletos. Um dos cap\u00edtulos mais interessantes \u00e9 uma ode a Kevin Thomas, um obscuro cr\u00edtico de cinema de Los Angeles que escrevia sobre os filmes B que os cr\u00edticos mais renomados n\u00e3o se dignavam a assistir.<\/p>\n<p>O livro abre com um cap\u00edtulo autobiogr\u00e1fico, &#8220;O pequeno Quentin assistindo a grandes filmes&#8221;, em que narra seus primeiros anos cin\u00e9filos e o impacto de ver filmes adultos na inf\u00e2ncia, sem entender muito da trama, mas j\u00e1 impactado pela rea\u00e7\u00e3o que imagens causavam nas plateias.<\/p>\n<p>Connie e Curtis levavam o pequeno Quentin para assistir a qualquer coisa, muitas vezes em cinemas &#8220;poeira&#8221; em que a plateia demonstrava seu apre\u00e7o -ou n\u00e3o- pelo filme com gritos ou vaias. Essa experi\u00eancia marcou o menino para sempre.<br \/>Tarantino nasceu em 1963 e teve a sorte de viver, ainda crian\u00e7a e adolescente, uma \u00e9poca de ouro do cinema americano, a chamada Nova Hollywood de filmes como &#8220;O Poderoso Chef\u00e3o&#8221;, de Francis Ford Coppola, &#8220;Lua de Papel&#8221;, de Peter Bogdanovich, e &#8220;O Franco-Atirador&#8221;, de Michael Cimino, entre outros.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o foram apenas esses filmes cl\u00e1ssicos que fizeram a cabe\u00e7a do menino, que enlouqueceu com obras sangrentas e explosivas como &#8220;A Outra Face da Viol\u00eancia&#8221;, de John Flynn, &#8220;Joe: das Drogas \u00e0 Morte&#8221;, de John G. Avildsen, e &#8220;Um Homem Chamado Cavalo&#8221;, de Elliot Silverstein.<\/p>\n<p>Tarantino explica com maestria a g\u00eanese e explos\u00e3o da Nova Hollywood, com o cuidado de dividir os diretores daquele per\u00edodo em dois grupos -os cineastas antissistema e os chamados &#8220;movie brats&#8221;, ou pirralhos do cinema.<\/p>\n<p>&#8220;Para deixar bem claro, os cineastas antissistema p\u00f3s-anos 1960 eram Robert Altman, Bob Rafelson, Hal Ashby, Paul Mazursky, Arthur Penn, Sam Peckinpah, Frank Perry, Michael Ritchie, William Friedkin, Richard Rush, John Cassavettes e Jerry Schtazberg&#8221;, ele escreve.<\/p>\n<p>Segundo Tarantino, eles eram, em sua maioria, cineastas ligados \u00e0 contracultura e com uma vis\u00e3o pessimista dos Estados Unidos e de Hollywood. &#8220;Os cineastas antissistema queriam refazer os filmes de John Ford, mas n\u00e3o da maneira que Paul Schrader e Martin Scorsese fizeram em &#8216;Taxi Driver&#8217; e &#8216;Hardcore: no Mundo do Sexo&#8217;. Eles queriam refazer &#8216;Sangue de Her\u00f3is&#8217; do ponto de vista dos apaches.&#8221;<\/p>\n<p>J\u00e1 os pirralhos eram de uma gera\u00e7\u00e3o posterior -nomes como Scorsese, De Palma, Coppola, Bogdanovich, Spielberg e Lucas. &#8220;Eles foram a primeira gera\u00e7\u00e3o de cineastas homens, jovens e brancos criados assistindo \u00e0 televis\u00e3o e formados em faculdades de cinema. Surgiram para definir o tom daquela d\u00e9cada [1970] com filmes populares e estilosos.&#8221;<\/p>\n<p>Colecionador obsessivo de c\u00f3pias em pel\u00edcula de suas obras favoritas, Tarantino usou a fortuna que ganhou no cinema para tentar formar novas gera\u00e7\u00f5es de cin\u00e9filos e combater o fechamento de salas e o recente dom\u00ednio dos filmes juvenis de Marvel e DC, ao comprar e reformar dois cinemas antigos de Los Angeles, o New Beverly e o Vista, e fazer a programa\u00e7\u00e3o das duas salas ser centrada em filmes cl\u00e1ssicos.<\/p>\n<p>&#8220;Especula\u00e7\u00f5es Cinematogr\u00e1ficas&#8221;, primeira incurs\u00e3o do cineasta pela an\u00e1lise de cinema, \u00e9 mais um esfor\u00e7o de Quentin Tarantino para n\u00e3o deixar a cinefilia morrer.<\/p>\n<p>ESPECULA\u00c7\u00d5ES CINEMATOGR\u00c1FICAS<br \/>&#8211; Avalia\u00e7\u00e3o Muito bom<br \/>&#8211; Pre\u00e7o R$ 89,90 (400 p\u00e1gs.); R$ 62,90 (ebook)<br \/>&#8211; Autoria Quentin Tarantino<br \/>&#8211; Editora Intr\u00ednseca<br \/>&#8211; Tradu\u00e7\u00e3o Andr\u00e9 Czarnobai<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Cultura<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/ultima-hora\/2095697\/quentin-tarantino-analisa-filmes-que-o-formaram-em-novo-livro?utm_source=rss-cultura&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ANDR\u00c9 BARCINSKIFOLHAPRESS &#8211; Poucos cineastas s\u00e3o t\u00e3o expl\u00edcitos sobre suas influ\u00eancias quanto Quentin Tarantino. 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