{"id":15495,"date":"2021-06-04T06:11:11","date_gmt":"2021-06-04T09:11:11","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/06\/04\/pandemia-impulsiona-posts-antissemitas-na-europa\/"},"modified":"2021-06-04T06:11:11","modified_gmt":"2021-06-04T09:11:11","slug":"pandemia-impulsiona-posts-antissemitas-na-europa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/06\/04\/pandemia-impulsiona-posts-antissemitas-na-europa\/","title":{"rendered":"Pandemia impulsiona posts antissemitas na Europa"},"content":{"rendered":"<p>BRUXELAS, B\u00c9LGICA (FOLHAPRESS) &#8211; Mensagens antissemitas em franc\u00eas e alem\u00e3o se multiplicaram v\u00e1rias vezes durante a pandemia, mostra um levantamento feito na Uni\u00e3o Europeia. O n\u00famero de posts contra judeus publicados em franc\u00eas em janeiro e fevereiro deste ano foi oito vezes o registrado nos mesmos meses de 2020. J\u00e1 em alem\u00e3o, a quantidade se multiplicou por 14.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>Uma das principais tend\u00eancias foi a prolifera\u00e7\u00e3o do que os pesquisadores chamaram de &#8220;linguagem cinzenta&#8221;: o uso de termos amb\u00edguos ou em c\u00f3digo, para escapar das regras das pr\u00f3prias plataformas e evitar acusa\u00e7\u00f5es criminais -a legisla\u00e7\u00e3o alem\u00e3 pro\u00edbe todo discurso de \u00f3dio, e, nos dois pa\u00edses, negar o holocausto \u00e9 crime.<\/p>\n<p>Palavras em ingl\u00eas ou com grafia trocada, com algarismos intercalados e imagens s\u00e3o alguns dos recursos usados. Embora a Uni\u00e3o Europeia exija que redes como Facebook, Twitter e YouTube fiscalizem ativamente e eliminem desinforma\u00e7\u00e3o e conte\u00fado preconceituoso, &#8220;essas mensagens &#8216;legais, mas daninhas&#8217; representam o maior desafio para companhias de tecnologia e governos, pois detect\u00e1-las e categoriz\u00e1-las n\u00e3o \u00e9 simples&#8221;, diz o relat\u00f3rio.<\/p>\n<p>Segundo o Instituto para Di\u00e1logo Estrat\u00e9gico, que fez a pesquisa para departamentos de direitos fundamentais e Estado de Direito da Comiss\u00e3o Europeia, o fen\u00f4meno preocupa porque aumentou a fra\u00e7\u00e3o de postagens que incentivam ou justificam a viol\u00eancia contra judeus, e h\u00e1 liga\u00e7\u00e3o direta entre viol\u00eancia nas redes e fora delas.<\/p>\n<p>&#8220;Houve um salto nos crimes de \u00f3dio durante a pandemia, e \u00e9 importante que pesquisas futuras investiguem essa correla\u00e7\u00e3o e desenhem estrat\u00e9gias conjuntas de preven\u00e7\u00e3o e combate.&#8221;<\/p>\n<p>Os pesquisadores acompanharam cerca de 270 contas antissemitas em franc\u00eas (a maioria delas no Twitter e no Facebook) e n\u00famero semelhante em alem\u00e3o (a maioria no Telegram). As contas francesas produziram cerca de 500 mil posts com mensagens de \u00f3dio e preconceito, enquanto as alem\u00e3s divulgaram mais de 3 milh\u00f5es de posts.<\/p>\n<p>&#8220;A Covid-19 foi acompanhada de um &#8216;v\u00edrus de \u00f3dio&#8217; dirigido contra comunidades vulner\u00e1veis&#8221;, afirmaram os pesquisadores. Eles detectaram, no in\u00edcio da pandemia, uma onda de teorias conspirat\u00f3rias que culpavam comunidades judaicas pela cria\u00e7\u00e3o do coronav\u00edrus e sua dissemina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O Sars-Cov-2 era rotulado como &#8220;v\u00edrus sionista&#8221; e, segundo as postagens, havia sido desenhado para atacar apenas os n\u00e3o judeus. Um post com uma estrela de Davi e o slogan &#8220;fodam-se os cientistas&#8221; foi visto 10 mil vezes no Telegram.<\/p>\n<p>Essas mensagens tiveram crescimento forte ap\u00f3s o in\u00edcio do confinamento, em mar\u00e7o de 2020, reflu\u00edram no ver\u00e3o, quando os governos relaxaram as restri\u00e7\u00f5es contra o cont\u00e1gio e retomaram sua frequ\u00eancia a partir de agosto, com o in\u00edcio da segunda onda de contamina\u00e7\u00f5es pelo coronav\u00edrus.<\/p>\n<p>Com a expans\u00e3o das campanhas de vacina\u00e7\u00e3o na Europa, a partir do come\u00e7o deste ano, o discurso antissemita se expandiu e passou a descrever os imunizantes como um instrumento dos judeus para controlar as popula\u00e7\u00f5es. Nessa fase, ganharam proje\u00e7\u00e3o, principalmente na Alemanha, posts retratando judeus envolvidos na produ\u00e7\u00e3o das vacinas, como o principal executivo da Pfizer, Alfred Bourla.<\/p>\n<p>Outros executivos, como Leif Johansson, da AstraZeneca, e St\u00e9phane Bancel, da Moderna, foram rotulados de sionistas e inclu\u00eddos na teoria conspirat\u00f3ria por meio de investimentos judeus em suas empresas.<\/p>\n<p>O &#8220;influenciador&#8221; de ultradireita alem\u00e3o Attila Hildmann afirmou repetidamente no Telegram que as campanhas de vacina\u00e7\u00e3o contra a Covid-19 eram a implanta\u00e7\u00e3o do plano Kaufman -um panfleto da \u00e9poca da Segunda Guerra que defendia a esteriliza\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o germ\u00e2nica e se tornou tema frequente na propaganda neonazista.<\/p>\n<p>Al\u00e9m das mensagens ligadas \u00e0 pandemia, cresceu o n\u00famero de posts antissemitas que negam o holocausto ou acusam judeus de controlarem institui\u00e7\u00f5es em todo o mundo -na Fran\u00e7a, figuras judaicas conhecidas, como pol\u00edticos, conselheiros do governo e intelectuais, e o presidente Emmanuel Macron, que j\u00e1 trabalhou para o banco Rothschild, foram alvo de acusa\u00e7\u00f5es de integrar uma organiza\u00e7\u00e3o secreta maliciosa.<\/p>\n<p>Os pesquisadores tamb\u00e9m analisaram qualitativamente uma amostra aleat\u00f3ria de cem posts de diferentes plataformas, em cada uma das l\u00ednguas. Nas mensagens em alem\u00e3o, 89% usavam a estrat\u00e9gia de &#8220;desumaniza\u00e7\u00e3o e demoniza\u00e7\u00e3o&#8221;, adotando especialmente a narrativa de que os judeus &#8220;controlam a m\u00eddia, a economia, o governo e institui\u00e7\u00f5es sociais&#8221;.<\/p>\n<p>Uma fra\u00e7\u00e3o de 4% promovia ou justificava a viol\u00eancia contra judeus em nome de uma ideologia radical (como supremacia branca, por exemplo) ou de extremismo religioso, e 3% negavam o holocausto.<\/p>\n<p>Das mensagens em franc\u00eas, 56% recorriam a desumaniza\u00e7\u00e3o e demoniza\u00e7\u00e3o. Em 35% dos casos, as contas defendiam pessoas acusadas de antissemitismo, como o escritor de ultradireita Herv\u00e9 Ryssen, detido por discurso de \u00f3dio em setembro do ano passado, durante o per\u00edodo da pesquisa.<\/p>\n<p>Nos posts em franc\u00eas tamb\u00e9m aparecia o argumento de que judeus s\u00e3o mais leais a Israel que ao pa\u00eds em que vivem (3%), e 2% do conte\u00fado defendia a retirada de direitos da comunidade judaica.<\/p>\n<p>Uma postagem compartilhada em franc\u00eas no Telegram, por exemplo, elogiava o &#8220;santo Bowers&#8221;, em alus\u00e3o ao atirador da sinagoga de Pittsburgh (EUA) em 2018, Robert Bowers. Outra retratava uma m\u00e1scara de caveira em frente a imagens de de Adolf Hitler, Joseph Goebbels e Muammar Gaddafi -vista por mais de 2.000 pessoas.<\/p>\n<p>Segundo os pesquisadores, o uso do Telegram \u00e9 intensivo principalmente por grupos alem\u00e3es ligados \u00e0 teoria conspirat\u00f3ria QAnon -menos de 5% das contas gera quase 60% dos posts contest\u00e1veis. Esse conte\u00fado em alem\u00e3o foi visto mais de 2 bilh\u00f5es de vezes.<\/p>\n<p>Nas mensagens em franc\u00eas, o n\u00famero de visualiza\u00e7\u00f5es superou 5 milh\u00f5es, e mais de 3,7 milh\u00f5es de posts no Twitter foram compartilhados ou favoritados.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio aponta ainda que as contas antissemitas t\u00eam uma quantidade significativa de seguidores: 900 milh\u00f5es nos perfis em franc\u00eas no Twitter e 700 mil nos do Facebook -alguns seguidores acompanhavam mais de uma conta.<\/p>\n<p>Na Alemanha, canais antissemitas do Telegram registravam mais de 3 milh\u00f5es de seguidores e as p\u00e1ginas de Facebook, mais de 830 mil inscritos.<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Mundo<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/mundo\/1810448\/pandemia-impulsiona-posts-antissemitas-na-europa?utm_source=rss-mundo&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>BRUXELAS, B\u00c9LGICA (FOLHAPRESS) &#8211; Mensagens antissemitas em franc\u00eas e alem\u00e3o se multiplicaram v\u00e1rias vezes durante<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":15496,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-15495","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15495","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15495"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15495\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/15496"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15495"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15495"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15495"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}