{"id":154721,"date":"2023-12-14T11:08:38","date_gmt":"2023-12-14T14:08:38","guid":{"rendered":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2023\/12\/14\/6-em-cada-10-medicas-ja-foram-vitimas-de-assedio-no-trabalho-diz-pesquisa\/"},"modified":"2023-12-14T11:08:38","modified_gmt":"2023-12-14T14:08:38","slug":"6-em-cada-10-medicas-ja-foram-vitimas-de-assedio-no-trabalho-diz-pesquisa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2023\/12\/14\/6-em-cada-10-medicas-ja-foram-vitimas-de-assedio-no-trabalho-diz-pesquisa\/","title":{"rendered":"6 em cada 10 m\u00e9dicas j\u00e1 foram v\u00edtimas de ass\u00e9dio no trabalho, diz pesquisa"},"content":{"rendered":"<p>(FOLHAPRESS) &#8211; H\u00e1 dois anos, a m\u00e9dica mineira Thays, 29, foi assediada pelo seu preceptor no \u00faltimo per\u00edodo do curso, quando fazia o externato em um hospital de Goi\u00e1s.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>&#8220;Ele entrou na sala, trancou a porta, veio na minha dire\u00e7\u00e3o e disse: &#8216;morena, o pessoal sempre inventa alguma coisa mesmo, que tal a gente dar um motivo?&#8217; Na hora, travei, fiquei gelada, n\u00e3o conseguia fazer nada. Nunca tinha dado espa\u00e7o para ele.&#8221;<\/p>\n<p>A sorte de Thays foi uma colega bater na porta naquele instante, o que fez com que o m\u00e9dico abrisse a porta imediatamente. &#8220;Ele ainda saiu rindo. At\u00e9 hoje sinto uma tremedeira quando me lembro da cena.&#8221;<\/p>\n<p>Ao relatar o ocorrido em um grupo de alunas, ela soube que outras colegas e t\u00e9cnicas de enfermagem do hospital j\u00e1 tinham sofrido abusos pelo mesmo m\u00e9dico. &#8220;Uma delas me contou que ele havia lhe dado um abra\u00e7o, segurado nos seus seios e dito que um era maior que o outro.&#8221;<\/p>\n<p>Thays denunciou o m\u00e9dico \u00e0 dire\u00e7\u00e3o do hospital, mas diz que nada aconteceu. &#8220;O chefe disse que falaria com ele, que isso nunca mais aconteceria, mas ele continuou no mesmo cargo, tudo igual.&#8221;<\/p>\n<p>O relato de Thays ilustra bem os resultados de uma pesquisa in\u00e9dita que aponta que seis em cada dez m\u00e9dicas brasileiras (62,6%) j\u00e1 foram v\u00edtimas de ass\u00e9dio sexual e\/ou moral em seu ambiente de trabalho. Uma taxa ainda maior (74%) testemunhou ou soube de casos envolvendo colegas.<\/p>\n<p>Realizada pela AMB (Associa\u00e7\u00e3o M\u00e9dica Brasileira) e APM (Associa\u00e7\u00e3o Paulista de Medicina), o levantamento online ouviu 1.443 profissionais de todo o pa\u00eds sobre situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia contra as m\u00e9dicas. As entrevistas ocorrem entre os dias 25 de outubro e 16 de novembro. A margem de erro \u00e9 de tr\u00eas pontos percentuais para mais ou para menos.<\/p>\n<p>A maior parte (95%) das entrevistadas tem t\u00edtulo de especialista, 69% s\u00e3o casadas ou est\u00e3o em uni\u00e3o est\u00e1vel e 63% t\u00eam filhos.<\/p>\n<p>De acordo com o levantamento, 70% das m\u00e9dicas j\u00e1 sofreram preconceito, quase um ter\u00e7o (31,7%) durante o curso de medicina, seguido do per\u00edodo de resid\u00eancia m\u00e9dica (39,8%) e da p\u00f3s-resid\u00eancia (45,7%).<\/p>\n<p>Metade das profissionais (51%) tamb\u00e9m relata ter sido v\u00edtima de agress\u00f5es verbais e f\u00edsicas. O percentual das que j\u00e1 testemunharam epis\u00f3dios de viol\u00eancia contra outras colegas chega a 72,3%.<\/p>\n<p>A pesquisa mostra que 55,4% das m\u00e9dicas n\u00e3o denunciaram o ass\u00e9dio e outros abusos \u00e0 chefia ou \u00e0 diretoria. Entre as que o fizeram, uma minoria (11%) relata algum resultado, como apura\u00e7\u00e3o da den\u00fancia ou outras provid\u00eancias.<\/p>\n<p>S\u00f3 10% das profissionais que sofreram algum tipo de viol\u00eancia prestaram queixas a \u00f3rg\u00e3os policiais ou judiciais. E dessas, apenas 5% afirmam que os casos foram apurados e os respons\u00e1veis, punidos.<\/p>\n<p>&#8220;Mesmo quando denunciam, essas mulheres n\u00e3o s\u00e3o ouvidas, o que acontece em outras \u00e1reas tamb\u00e9m. Isso d\u00e1 um des\u00e2nimo total&#8221;, diz a m\u00e9dica Ivone Mein\u00e3o, da APM, que coordenou a pesquisa.<\/p>\n<p>Os resultados servir\u00e3o para nortear a\u00e7\u00f5es de combate \u00e0s situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia e de desrespeito contra as profissionais, segundo a m\u00e9dica Maria Rita de Souza Mesquita, secret\u00e1ria da AMB,<\/p>\n<p>A entidade j\u00e1 criou um canal de den\u00fancias em que as m\u00e9dicas podem registrar as queixas e receber orienta\u00e7\u00e3o e respaldo jur\u00eddico.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m est\u00e1 sendo montada uma comiss\u00e3o nacional de m\u00e9dicas que ir\u00e1 atuar sobre quest\u00f5es de seguran\u00e7a, de igualdade de g\u00eanero e de melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho.<\/p>\n<p>&#8220;As mulheres j\u00e1 representam quase metade da classe m\u00e9dica e, nos pr\u00f3ximos anos, essa participa\u00e7\u00e3o vai aumentar muito mais. Precisamos dar voz a essas novas lideran\u00e7as&#8221;, diz Mesquita.<\/p>\n<p>Embora a pesquisa n\u00e3o detalhe as fontes da viol\u00eancia f\u00edsica e moral, Mein\u00e3o diz que muitas das agress\u00f5es partem de pacientes e familiares. &#8220;Eles entendem que a mulher m\u00e9dica \u00e9 mais fr\u00e1gil. Se for um m\u00e9dico homem, eles pensam duas vezes.&#8221;<\/p>\n<p>As entrevistadas tamb\u00e9m foram questionadas sobre comportamentos inadequados em trotes e competi\u00e7\u00f5es esportivas: 67,2% tinham conhecimento dessas situa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8220;A grande maioria considera um absurdo, defende puni\u00e7\u00f5es e acha que as entidades m\u00e9dicas devem se posicionar contra esses abusos.&#8221; Uma proposta da comiss\u00e3o \u00e9 instigar os reitores adotarem medidas mais duras nessas situa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Ataques pela internet foram outro tema das entrevistas. Quase um quarto das entrevistadas dizem que j\u00e1 foram v\u00edtimas deles ou conhece m\u00e9dicas que sofreram cyberbullying.<\/p>\n<p>A pesquisa levantou ainda o que as m\u00e9dicas pensam sobre quest\u00f5es de igualdade de g\u00eanero na carreira. Quase 80% delas consideram que n\u00e3o h\u00e1 equidade.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, 82,5% dizem que a remunera\u00e7\u00e3o das m\u00e9dicas \u00e9 igual \u00e0 dos m\u00e9dicos em sua unidade de trabalho e 49% j\u00e1 foram indicadas a cargos de chefia.<\/p>\n<p>&#8220;Embora a maioria n\u00e3o veja diferen\u00e7as entre os sal\u00e1rios delas com os dos colegas m\u00e9dicos, muitas se queixam que s\u00e3o preteridas para cargos de chefia, o que as colocam numa situa\u00e7\u00e3o de desigualdade&#8221;, diz Mein\u00e3o.<\/p>\n<p>Das que j\u00e1 foram indicadas a um cargo de chefia, a maioria (89%) diz que n\u00e3o foram impostas condi\u00e7\u00f5es restritivas \u00e0 vida pessoal para assumi-lo.<\/p>\n<p>Segundo Mein\u00e3o, as m\u00e9dicas relataram muitas dificuldades no dia a dia, entre elas excesso de trabalho, desrespeito, misoginia e falta de apoio.<\/p>\n<p>S\u00f3 uma minoria (12,4%) diz, por exemplo, que h\u00e1 creche para os filhos em seus locais de trabalho. &#8220;Eu j\u00e1 tive que levar minha filha no carrinho para o posto de sa\u00fade que eu trabalhava por n\u00e3o ter com quem deix\u00e1-la&#8221;, conta.<\/p>\n<p>Leia Tamb\u00e9m: <a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/lifestyle\/2094803\/esta-sem-energia-tente-recupera-la-com-este-truque-rapido\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Est\u00e1 sem energia? 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