{"id":154207,"date":"2023-12-11T07:08:37","date_gmt":"2023-12-11T10:08:37","guid":{"rendered":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2023\/12\/11\/para-palestinos-lgbtqia-luta-por-direitos-passa-pelo-fim-da-ocupacao-israelense\/"},"modified":"2023-12-11T07:08:37","modified_gmt":"2023-12-11T10:08:37","slug":"para-palestinos-lgbtqia-luta-por-direitos-passa-pelo-fim-da-ocupacao-israelense","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2023\/12\/11\/para-palestinos-lgbtqia-luta-por-direitos-passa-pelo-fim-da-ocupacao-israelense\/","title":{"rendered":"Para palestinos LGBTQIA+, luta por direitos passa pelo fim da ocupa\u00e7\u00e3o israelense"},"content":{"rendered":"<p>(FOLHAPRESS) &#8211; Izat Elamoor descreve a sua experi\u00eancia com a diversidade sexual e de g\u00eanero na regi\u00e3o em que mora em uma frase: o mundo precisa saber que existe uma comunidade LGBTQIA+ vibrante e maravilhosa na Palestina.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>Elamoor cresceu em Kuseife, uma cidade palestina e mu\u00e7ulmana no deserto do Negev, no sul de Israel. Ele conta que deixou de se sentir sozinho ao conhecer palestinos LGBT+ em outras partes do territ\u00f3rio, bem como nas regi\u00f5es ocupadas.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o foi f\u00e1cil crescer sendo queer neste ambiente, mas nunca foi t\u00e3o ruim quanto a imagem que se tem sobre n\u00f3s no Ocidente&#8221;, diz \u00e0 Folha. &#8220;A rela\u00e7\u00e3o que eu tenho com a minha fam\u00edlia n\u00e3o \u00e9 muito diferente daquela enfrentada por pessoas LGBT+ em lares conservadores em outras partes do mundo.&#8221;<\/p>\n<p>Ele hoje vive nos Estados Unidos, onde obteve doutorado em sociologia pela Universidade de Nova York. \u00c9 professor no Hendrix College, no Arkansas, e pesquisa o movimento LGBT+ na Palestina e no Oriente M\u00e9dio.<\/p>\n<p>O pesquisador afirma que Israel frequentemente explora a situa\u00e7\u00e3o de palestinos LGBT+ a fim de projetar uma imagem positiva no exterior -o movimento LGBT+ chama essa estrat\u00e9gia de &#8220;pinkwashing&#8221; (lavagem em cor-de-rosa, em tradu\u00e7\u00e3o literal).<\/p>\n<p>Ele diz que esses esfor\u00e7os se intensificaram desde os ataques terroristas do Hamas em 7 de outubro. Como exemplo, cita uma imagem amplamente compartilhada nas redes sociais que mostra um soldado israelense segurando uma bandeira do arco-\u00edris em meio a pr\u00e9dios destru\u00eddos na Faixa de Gaza.<\/p>\n<p>&#8220;Isso \u00e9 uma tentativa de redefinir o amor, a moralidade e a humanidade em uma arma em cujo nome palestinos s\u00e3o mortos.&#8221;<\/p>\n<p>Palestinos est\u00e3o sujeitos a regimes jur\u00eddicos distintos com base no territ\u00f3rio onde vivem, o que tem impacto direto sobre os direitos da popula\u00e7\u00e3o LGBT+. Rela\u00e7\u00f5es entre pessoas do mesmo sexo eram comuns e permitidas na regi\u00e3o sob o Imp\u00e9rio Otomano, mas passaram a ser criminalizadas em 1936, quando a Palestina estava sob ocupa\u00e7\u00e3o do Reino Unido.<\/p>\n<p>Em Israel, a homossexualidade s\u00f3 viria a ser descriminalizada em 1988. Desde ent\u00e3o, foram criadas prote\u00e7\u00f5es contra a discrimina\u00e7\u00e3o em locais de trabalho, estabelecimentos de ensino e unidades de sa\u00fade. N\u00e3o h\u00e1 casamento civil no pa\u00eds, mas h\u00e1 reconhecimento de casamentos homoafetivos firmados no exterior.<\/p>\n<p>Na Cisjord\u00e2nia, a homossexualidade deixou de ser crime em 1951, per\u00edodo em que o territ\u00f3rio estava sob dom\u00ednio da Jord\u00e2nia antes de ser ocupado militarmente por Israel a partir de 1967. Hoje, o territ\u00f3rio \u00e9 parcialmente administrado pela Autoridade Nacional Palestina (ANP), e n\u00e3o h\u00e1 prote\u00e7\u00f5es espec\u00edficas para a comunidade LGBT+.<\/p>\n<p>J\u00e1 na Faixa de Gaza, continua em vigor o C\u00f3digo Civil promulgado em 1936 durante o mandato brit\u00e2nico. A lei pune rela\u00e7\u00f5es carnais &#8220;contr\u00e1rias \u00e0 ordem natural&#8221; com at\u00e9 dez anos de pris\u00e3o, o que geralmente \u00e9 interpretado no sentido de criminalizar rela\u00e7\u00f5es sexuais entre pessoas do mesmo sexo.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 informa\u00e7\u00f5es precisas sobre a aplica\u00e7\u00e3o da lei nos dias de hoje -a Faixa de Gaza \u00e9 governada desde 2007 pelo Hamas, que tem orienta\u00e7\u00e3o islamita e conservadora. Ap\u00f3s os atentados terroristas de 7 de outubro, que deixaram 1.200 israelenses mortos, Tel Aviv invadiu o territ\u00f3rio com o objetivo de depor a fac\u00e7\u00e3o, em uma campanha que j\u00e1 matou quase 18 mil palestinos.<\/p>\n<p>Organiza\u00e7\u00f5es de direitos humanos como a Anistia Internacional e a Human Rights Watch afirmam que Israel pratica um regime de opress\u00e3o e domina\u00e7\u00e3o que equivale ao crime de apartheid contra todos os palestinos, inclusive os LGBT+.<\/p>\n<p>Para o artista Bashar Murad, que vive em Jerusal\u00e9m, analisar a situa\u00e7\u00e3o dos palestinos somente com base nos direitos LGBT+ \u00e9 uma atitude reducionista. &#8220;Neste momento, h\u00e1 palestinos queer em Gaza que n\u00e3o est\u00e3o muito preocupados com o fato de serem queer. Est\u00e3o tentando fugir de bombardeios que matam indiscriminadamente&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Murad conta que, quando crian\u00e7a, s\u00f3 pensava em ser a Britney Spears. Sendo palestino, por\u00e9m, acabou tendo que falar sobre pol\u00edtica em suas m\u00fasicas. &#8220;Eu acredito no poder da arte, da m\u00fasica e da cultura como um meio de resist\u00eancia. Na pista de dan\u00e7a, eu n\u00e3o vejo fronteiras, vejo pessoas buscando escapar das coisas que nos afetam no dia a dia.&#8221;<\/p>\n<p>Ele diz que vem reavaliando sua rela\u00e7\u00e3o com s\u00edmbolos da comunidade LGBT+. &#8220;Quem a bandeira do arco-\u00edris vem representando? N\u00e3o permitirei que usem a minha identidade para justificar a opress\u00e3o contra o meu pr\u00f3prio povo e contra mim.&#8221;<\/p>\n<p>O ativista Omar al-Khatib afirma que a liberdade dos palestinos LGBT+ passa necessariamente pela luta contra a ocupa\u00e7\u00e3o israelense.<\/p>\n<p>&#8220;Essas quest\u00f5es s\u00e3o insepar\u00e1veis, porque uma pessoa queer n\u00e3o consegue ser verdadeiramente livre sob um regime violento de colonialismo de assentamento. Isso n\u00e3o significa que a libera\u00e7\u00e3o queer seja uma quest\u00e3o secund\u00e1ria. O pensamento queer nos ensina a resistir a qualquer forma de injusti\u00e7a e opress\u00e3o&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Ele vive em Izariyya, um vilarejo que historicamente faz parte de Jerusal\u00e9m, mas que acabou sendo isolado pelo muro constru\u00eddo por Israel no in\u00edcio dos anos 2000. Assim, o local hoje efetivamente vive espremido entre o muro e assentamentos israelenses na Cisjord\u00e2nia.<\/p>\n<p>At\u00e9 o ano passado, o ativista fazia parte da Al-Qaws (arco-\u00edris, em \u00e1rabe), principal organiza\u00e7\u00e3o LGBT+ palestina. Em 2019, a ANP proibiu temporariamente as atividades da Al-Qaws na Cisjord\u00e2nia, sob a justificativa de que o grupo representava uma amea\u00e7a contra os &#8220;valores da sociedade palestina&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;A decis\u00e3o da ANP de proibir uma organiza\u00e7\u00e3o queer \u00e9 definitivamente homof\u00f3bica, mas por tr\u00e1s dessa homofobia est\u00e1 o fato de que a ANP \u00e9 um regime fantoche que trabalha para o sistema colonial&#8221;, afirma Khatib.<\/p>\n<p>Ele diz acreditar que a luta dos palestinos est\u00e1 conectada com a das pessoas LGBT+ no Brasil e em outros pa\u00edses do chamado Sul Global, pois esses povos est\u00e3o acostumados com as heran\u00e7as do colonialismo.<\/p>\n<p>O jornalista Kais Husein, que vive no Rio Grande do Sul, afirma que palestinos LGBT+ enfrentam simultaneamente a ocupa\u00e7\u00e3o israelense e o fundamentalismo religioso dentro de suas comunidades.<\/p>\n<p>Ele, que \u00e9 comunicador da Fepal (Federa\u00e7\u00e3o \u00c1rabe-Palestina do Brasil), conta que j\u00e1 sofreu ass\u00e9dio de soldados e colonos israelenses em aplicativos de paquera nas ocasi\u00f5es em que esteve na Palestina.<\/p>\n<p>&#8220;Os colonos t\u00eam o luxo de viver em liberdade em terras roubadas. E, ainda por cima, aplaudem um genoc\u00eddio em nome das pessoas LGBT+&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Kais lembra ainda que a conquista dos direitos LGBT+ em qualquer lugar passa por processos de mobiliza\u00e7\u00e3o coletiva. &#8220;A ocupa\u00e7\u00e3o israelense suprime a organiza\u00e7\u00e3o da sociedade civil palestina. N\u00e3o temos soberania para promover pol\u00edticas p\u00fablicas que ofere\u00e7am prote\u00e7\u00e3o \u00e0 comunidade LGBT+.&#8221;<\/p>\n<p>Leia Tamb\u00e9m: <a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/mundo\/2093376\/homem-ve-condenacao-anulada-apos-12-anos-preso-testemunha-era-cega\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Homem v\u00ea condena\u00e7\u00e3o anulada ap\u00f3s 12 anos preso. Testemunha era cega<\/a><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Mundo<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/mundo\/2093447\/para-palestinos-lgbtqia-luta-por-direitos-passa-pelo-fim-da-ocupacao-israelense?utm_source=rss-mundo&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(FOLHAPRESS) &#8211; Izat Elamoor descreve a sua experi\u00eancia com a diversidade sexual e de g\u00eanero<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":154208,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-154207","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/154207","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=154207"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/154207\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/154208"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=154207"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=154207"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=154207"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}