{"id":152554,"date":"2023-11-28T12:08:56","date_gmt":"2023-11-28T15:08:56","guid":{"rendered":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2023\/11\/28\/delegar-ao-homem-a-gestao-do-dinheiro-eleva-violencia-contra-mulheres-dizem-especialistas\/"},"modified":"2023-11-28T12:08:56","modified_gmt":"2023-11-28T15:08:56","slug":"delegar-ao-homem-a-gestao-do-dinheiro-eleva-violencia-contra-mulheres-dizem-especialistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2023\/11\/28\/delegar-ao-homem-a-gestao-do-dinheiro-eleva-violencia-contra-mulheres-dizem-especialistas\/","title":{"rendered":"Delegar ao homem a gest\u00e3o do dinheiro eleva viol\u00eancia contra mulheres, dizem especialistas"},"content":{"rendered":"<p>S\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; Mulheres evolu\u00edram do lugar de serem esposas ou herdeiras para serem criadoras de riquezas e tomadoras de decis\u00f5es. Mas, muitas vezes, a pr\u00f3pria riqueza que geram \u00e9 mais um motivo de viol\u00eancia contra elas, relatam advogadas e consultoras financeiras.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>Correspondendo hoje a 43% do total da popula\u00e7\u00e3o ocupada no pa\u00eds, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica), a parcela feminina da popula\u00e7\u00e3o conquistou mais cargos de lideran\u00e7a e j\u00e1 pleiteia paridade salarial, mas em grande parte ainda delega a gest\u00e3o de suas pr\u00f3prias riquezas aos parceiros. E isso as deixa vulner\u00e1veis a abusos envolvendo o patrim\u00f4nio.<\/p>\n<p>O assunto ganhou destaque ap\u00f3s a apresentadora Ana Hickmann dizer em entrevista no \u00faltimo domingo (26) que foi v\u00edtima de viol\u00eancia patrimonial, al\u00e9m de viol\u00eancia f\u00edsica e das viol\u00eancias psicol\u00f3gicas j\u00e1 denunciadas. A apresentadora insinuou que o ex-marido destruiu seu patrim\u00f4nio e o acusou de falsificar assinaturas.<\/p>\n<p>&#8220;Quando a gente fala em independ\u00eancia financeira feminina, a gente fala de uma hist\u00f3ria marcada por conquistas muito recentes. At\u00e9 a d\u00e9cada de 1960, n\u00f3s, mulheres, n\u00e3o pod\u00edamos ter CPF e conta em banco. E as casadas precisavam de uma autoriza\u00e7\u00e3o do marido para trabalhar. Isso tudo \u00e9 de uma viol\u00eancia enorme&#8221;, diz Carolina Cavenaghi, fundadora e CEO da Fin4She -plataforma que impulsiona mulheres para o mercado de trabalho e as conecta com grandes empresas do mercado financeiro<\/p>\n<p>&#8220;Ent\u00e3o, a gente n\u00e3o pode falar do contexto atual sem olhar essa hist\u00f3ria. O lugar de tomar a decis\u00e3o sobre o dinheiro nunca foi nosso, ele foi conquistado muito recentemente&#8221;, completa.<\/p>\n<p>Esses resqu\u00edcios da hist\u00f3ria ainda fazem com que muitas confiem no parceiro ou em alguma outra figura masculina pr\u00f3xima a gest\u00e3o do seu dinheiro.<\/p>\n<p>Cavenaghi conta que \u00e9 comum ouvir de amigas casadas com profissionais do mercado financeiro que preferem deixar o dinheiro nas m\u00e3os dos maridos, porque eles sabem melhor como gerir.<\/p>\n<p>Mas a CEO da Fin4She incentiva, mesmo nesses casos, que as mulheres tenham o controle do seu pr\u00f3prio dinheiro, para evitar que o homem use o poder financeiro como forma de controlar o relacionamento, ou ent\u00e3o de punir a mulher ap\u00f3s o t\u00e9rmino.<\/p>\n<p>A especialista recomenda que as mulheres, antes de planejar qualquer coisa relacionada \u00e0 lideran\u00e7a, pensem acima de tudo na sua independ\u00eancia financeira.<\/p>\n<p>Irm\u00e3 da atriz Ingrid Guimar\u00e3es, a investidora e gestora de patrim\u00f4nio Sigrid Guimar\u00e3es conta que muitas mulheres preferem deixar o dinheiro da fam\u00edlia ser gerido pelos homens por acharem o assunto chato.<\/p>\n<p>&#8220;E \u00e9 de fato chato. Mas a mulher tem que ter o interesse de participar do que est\u00e1 acontecendo com o seu dinheiro. Tem muitas que falam: &#8216;N\u00e3o gosto do assunto&#8217;. Paci\u00eancia! A gente n\u00e3o gosta de um monte de coisas, mas \u00e9 preciso se inteirar da sua vida financeira&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Sigrid orienta que as fam\u00edlias contratem um profissional, como um planejador financeiro, para ajudar a investir o dinheiro, mas ainda assim ela diz que todas as partes precisam buscar entender a gest\u00e3o patrimonial minimamente, como quanto possuem, se conseguem poupar ou n\u00e3o, quais seus gastos mensais, onde seu patrim\u00f4nio est\u00e1 investido e at\u00e9 mesmo saber se alguma recomenda\u00e7\u00e3o de investimento por um consultor parece ser razo\u00e1vel.<\/p>\n<p>Ela diz que o planejador financeiro tem a fun\u00e7\u00e3o de ser claro sobre as aplica\u00e7\u00f5es financeiras de seus clientes, e tirar todas as d\u00favidas que possam existir. E no caso de fam\u00edlias que n\u00e3o t\u00eam condi\u00e7\u00f5es de contratar um consultor, Guimar\u00e3es aconselha que se adote um m\u00e9todo muito simples: papel e caneta.<\/p>\n<p>&#8220;No caso de um casal, um dos dois pode fazer a fun\u00e7\u00e3o de reunir todos os gastos e o que entra de receita para a partir da\u00ed se fazer uma gest\u00e3o mais consciente do dinheiro. Mas mesmo que seja o homem a assumir essa tarefa, a mulher precisa se inteirar sobre o que tem, se inteirar sobre o que gasta para viver, se inteirar sobre as decis\u00f5es financeiras que est\u00e3o sendo tomadas, participar dessas decis\u00f5es e participar das reuni\u00f5es sobre discuss\u00e3o financeira&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Controle do dinheiro \u00e9 usado para manter mulher em relacionamento, diz investidora<\/p>\n<p>Guimar\u00e3es fala da import\u00e2ncia da independ\u00eancia financeira feminina para libert\u00e1-las de relacionamentos que muitas vezes aprisionam as mulheres, seja um casamento ou uma rela\u00e7\u00e3o de trabalho. Ela lembra que a viol\u00eancia patrimonial muitas vezes \u00e9 utilizada como ferramenta quando o homem n\u00e3o sabe mais por onde atingir a mulher.<\/p>\n<p>Embora n\u00e3o esteja enquadrada na lei, a viol\u00eancia patrimonial existe de v\u00e1rias maneiras, desde as mais veladas at\u00e9 as mais expl\u00edcitas, e afeta mulheres cotidianamente. Advogados que lidam com casos desse tipo precisam usar os v\u00e1rios artif\u00edcios legais para contornar a situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Isso acontece diariamente aqui. \u00c9 muito dif\u00edcil chegar uma mulher rec\u00e9m-separada que tenha no\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio do marido&#8221;, diz a advogada Priscila da Fonseca, que tem um escrit\u00f3rio especializado em Direito Familiar na cidade de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>&#8220;Viol\u00eancia patrimonial \u00e9 mais comum do que se imagina. Ainda tem muita mulher com sonho de cinderela, infelizmente, que pensa que o casamento nunca vai acabar e se torna totalmente dependente do marido&#8221;, relata Fonseca.<\/p>\n<p>Ela recebe diversos casos em seu escrit\u00f3rio de mulheres que n\u00e3o t\u00eam conta corrente e nenhum bem em seu nome, e precisam pedir dinheiro a amigos para poder recorrer \u00e0 Justi\u00e7a. V\u00e1rias delas abrem m\u00e3o de sua carreira para conseguir acompanhar o marido empres\u00e1rio nas sucessivas mudan\u00e7as de pa\u00edses e, quando se separam, se veem sem nada. Algumas dependem do marido a tal ponto que, na separa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o conseguem nem preencher um cheque.<\/p>\n<p>&#8220;Eu aconselho sempre que a mulher trabalhe e tenha seu dinheiro, para ser independente. Mas nesses casos extremos, o aconselhamento t\u00e9cnico que dou \u00e9 a pessoa fazer um pacto pr\u00e9-nupcial, se ela opta pelo regime de separa\u00e7\u00e3o total de bens, para ter direito a uma indeniza\u00e7\u00e3o&#8221;, afirma a advogada.<\/p>\n<p>Apesar de lidar com casos de fam\u00edlias com um grande patrim\u00f4nio acumulado, a viol\u00eancia patrimonial afeta mulheres de todas as classes sociais. A planejadora financeira e gerente comercial da Fin4She, Aline Santos, d\u00e1 como exemplo sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria de vida.<\/p>\n<p>Filha de porteiro, que trabalha em um pr\u00e9dio na zona sul do Rio de Janeiro, Aline conta que come\u00e7ou a namorar muito cedo, aos 15 anos de idade, e antes mesmo de pensar em ingressar no ensino superior engravidou. Sempre incentivada pelo pai a estudar, quando seu filho ainda era pequeno, decidiu entrar na faculdade de administra\u00e7\u00e3o de empresas, mas enfrentou a resist\u00eancia do namorado.<\/p>\n<p>&#8220;Todas as vezes que eu queria estudar, fazer um curso ou querer ser diferente daquilo que eu era ele dizia: &#8216;Voc\u00ea vai me abandonar, voc\u00ea vai me largar porque voc\u00ea vai ser uma pessoa melhor do que eu'&#8221;, lembra Santos.<\/p>\n<p>Ela diz que o in\u00edcio da faculdade foi um transtorno por causa do seu relacionamento. &#8220;Ele ficava atr\u00e1s dos pilares da universidade me vigiando. Ele me criticava quando eu conversava sobre trabalho do curso com rapazes da minha sala. Ele tinha as senhas de todas as minhas redes sociais, ent\u00e3o ele via tudo o que eu escrevia, com quem conversava. E eu ficava presa naquele relacionamento, achando que se eu me separasse iria tirar a fam\u00edlia do meu filho&#8221;, conta.<\/p>\n<p>Quando finalmente teve for\u00e7as para sair da casa onde os dois moravam, Aline diz que ficou um tempo sem ter coragem de voltar a estudar, porque a sombra do ex-namorado sempre a perseguia. &#8220;Eu ouvia ele dizendo: se voc\u00ea voltar para a faculdade, estar\u00e1 abandonando o nosso filho&#8221;.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s muita terapia e apoio de familiares e amigos, Aline Santos conseguiu se formar como t\u00e9cnica em administra\u00e7\u00e3o de empresas e obter certifica\u00e7\u00e3o da Anbima (Associa\u00e7\u00e3o Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais). Ela conta que conheceu o planejamento financeiro atrav\u00e9s de um amigo.<\/p>\n<p>&#8220;A\u00ed que eu fui entender a import\u00e2ncia de eu ter o meu dinheiro mesmo, de guardar esse dinheiro, de me tornar uma pessoa investidora e de reorganizar a minha situa\u00e7\u00e3o financeira&#8221;, lembra.<\/p>\n<p>Hoje, al\u00e9m de Santos controlar o seu pr\u00f3prio patrim\u00f4nio, ela ainda auxilia os pais na gest\u00e3o e investimento do dinheiro. &#8220;Meu pai sempre foi uma pessoa organizada, mas n\u00e3o investia. A\u00ed ele abriu uma conta em uma corretora e o grande objetivo dele era quitar o apartamento. Ent\u00e3o, h\u00e1 uns dois, tr\u00eas anos ele come\u00e7ou a investir, e neste ano conseguiu pagar o apartamento. E agora ele planeja comprar um segundo im\u00f3vel como forma de investimento&#8221;.<\/p>\n<p>Carolina Cavenaghi, CEO da Fin4She, destaca a import\u00e2ncia da participa\u00e7\u00e3o das mulheres na gest\u00e3o do patrim\u00f4nio familiar n\u00e3o apenas para que elas tenham independ\u00eancia financeira, mas tamb\u00e9m porque a especialista enxerga uma complementaridade interessante de personalidades que tende a potencializar os ganhos da fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Um raio-X do perfil de investimentos por g\u00eanero feito pela Anbima \u00e9 bem representativo nesse sentido. Tanto homens como mulheres t\u00eam como dois objetivos principais para o investimento o mesmo: o sonho da casa pr\u00f3pria (28% para mulheres, contra 30% para os homens), e ac\u00famulo de uma reserva de emerg\u00eancia (20% em ambos os casos).<\/p>\n<p>Mas algumas prioridades mudam em outras compara\u00e7\u00f5es, segundo a Anbima. Para as mulheres, viajar pelo mundo (9%) e fornecer educa\u00e7\u00e3o para si e filhos e netos (8%) est\u00e3o acima, por exemplo, da necessidade de investir em um neg\u00f3cio pr\u00f3prio (7%) ou na aposentadoria (6%). J\u00e1 no caso dos homens, o planejamento para a velhice e empreender (ambos com 9%) s\u00e3o os terceiros motivos mais citados para investir, \u00e0 frente das viagens e dos estudos.<\/p>\n<p>&#8220;Esse mix, quando voc\u00ea olha para um casal, \u00e9 muito mais inteligente para o futuro do que quando apenas uma pessoa cuida do patrim\u00f4nio. As cabe\u00e7as \u00e0s vezes s\u00e3o muito diferentes, e isso se complementa&#8221;, diz Cavenaghi.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/economia\/2088648\/delegar-ao-homem-a-gestao-do-dinheiro-eleva-violencia-contra-mulheres-dizem-especialistas?utm_source=rss-economia&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><br \/>\nNot\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Economia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; Mulheres evolu\u00edram do lugar de serem esposas ou herdeiras para<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":152555,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[11],"tags":[],"class_list":["post-152554","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-economia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/152554","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=152554"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/152554\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/152555"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=152554"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=152554"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=152554"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}