{"id":149538,"date":"2023-11-06T14:13:32","date_gmt":"2023-11-06T17:13:32","guid":{"rendered":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2023\/11\/06\/rafael-cortez-lamenta-falta-de-espaco-para-atracoes-como-o-cqc-hoje-em-dia\/"},"modified":"2023-11-06T14:13:32","modified_gmt":"2023-11-06T17:13:32","slug":"rafael-cortez-lamenta-falta-de-espaco-para-atracoes-como-o-cqc-hoje-em-dia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2023\/11\/06\/rafael-cortez-lamenta-falta-de-espaco-para-atracoes-como-o-cqc-hoje-em-dia\/","title":{"rendered":"Rafael Cortez lamenta falta de espa\u00e7o para atra\u00e7\u00f5es como o CQC hoje em dia"},"content":{"rendered":"<p>S\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; Entre os anos de 2008 e 2012, n\u00e3o importava o dia da semana, o humorista Rafael Cortez, 47, vestia o terno preto, empunhava o microfone, colocava os \u00f3culos escuros e sa\u00eda para gravar duas, tr\u00eas reportagens que seriam (ou n\u00e3o) veiculadas na semana seguinte no programa CQC (Band). Essa rotina estressante atingia ele e os demais rep\u00f3rteres da atra\u00e7\u00e3o, que fazia bastante sucesso por \u2013na \u00e9poca\u2013 ser considerada inovadora e at\u00e9 an\u00e1rquica.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>&#8220;Naturalmente, havia um desgaste corporal, mental, com\u00edamos algo r\u00e1pido. Viv\u00edamos tudo intensamente. Se as entrevistas eram dentro de uma festa, a gente ficava na festa depois. Muitos desenvolveram estafa e [s\u00edndrome de] burnout (esgotamento profissional), mas a culpa era muito nossa. O lado bom de ter feito o CQC foi infinitamente maior do que a parte ruim&#8221;, diz Cortez ao relembrar os 15 anos da estreia da atra\u00e7\u00e3o, completados em 2023.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, ao longo dos anos, algumas brincadeiras come\u00e7aram a gerar ru\u00eddo com parte do p\u00fablico e houve um desgaste. Cortez lamenta que a TV aberta n\u00e3o tenha aberto mais espa\u00e7o para uma atra\u00e7\u00e3o daquele tipo. Segundo ele, se existisse hoje, o CQC continuaria no prop\u00f3sito de bater de frente e denunciar o que est\u00e1 errado, mas sem as mesmas brincadeiras.<\/p>\n<p>&#8220;At\u00e9 as piadas mais incorretas ca\u00edam como uma luva no pa\u00eds. Foi uma histeria coletiva&#8221;, afirma. &#8220;O CQC foi o \u00faltimo respiro do politicamente incorreto&#8221;, refor\u00e7a o apresentador e humorista, que hoje trabalha como palestrante e sonha retomar seus caminhos na televis\u00e3o, mesmo que seja no pr\u00f3ximo Big Brother Brasil. &#8220;Eu iria. Manu Gavassi mostrou que uma pessoa com conte\u00fado pode passar bem por l\u00e1.&#8221;<\/p>\n<p><span class=\"news_bold\">PERGUNTA &#8211; O ano de 2023 marca os 15 anos da estreia do CQC (Band). O que ficou para voc\u00ea?<\/span><\/p>\n<p>RAFAEL CORTEZ &#8211; A primeira mat\u00e9ria que foi ao ar foi a minha. O que fica \u00e9 uma lam\u00faria por n\u00e3o termos hoje na TV nem sequer um gen\u00e9rico do que foi o CQC. N\u00e3o tenho melancolia, saudade ou algo mal resolvido com o programa, mas d\u00e1 uma tristeza por um projeto t\u00e3o interessante e revolucion\u00e1rio n\u00e3o ter dado frutos. Poderia ter continuado na TV e hoje estar\u00edamos com novos talentos.<\/p>\n<p><span class=\"news_bold\">O CQC existiria hoje da mesma maneira?<\/span><\/p>\n<p>R. C. &#8211; O CQC \u00e9 reflexo de um Brasil que n\u00e3o existe mais. O Brasil de 2008 era diferente do de hoje. O programa foi o \u00faltimo respiro do politicamente incorreto. Na cultura argentina (a atra\u00e7\u00e3o era comandada pela produtora Cuatro Cabezas), as piadas eram encaradas mais facilmente, ent\u00e3o come\u00e7amos a fazer piadas por aqui e as pessoas adoravam. A plateia ria o tempo todo com o que fal\u00e1vamos, at\u00e9 as piadas mais incorretas ca\u00edam como uma luva no pa\u00eds. Foi uma histeria coletiva. Se o CQC existisse hoje, estaria completamente \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do novo momento do humor no Brasil. E seria muito dif\u00edcil. Mas ainda existe uma sobra an\u00e1rquica e uma brecha. Talvez n\u00e3o far\u00edamos as piadas mais incorretas, mas continuar\u00edamos investigando a pol\u00edtica, falar\u00edamos com quem n\u00e3o quer falar&#8230;<\/p>\n<p><span class=\"news_bold\">Voc\u00ea considera que estava no auge naquela \u00e9poca?<\/span><\/p>\n<p>R. C. &#8211; Eu fui treinado para fazer sucesso tarde. Venho de uma fam\u00edlia de artistas e todos foram me treinando para que, se em algum momento eu estourasse, mantivesse o p\u00e9 no ch\u00e3o. O reconhecimento veio quando eu tinha 31 anos no CQC. Sabia que tinha de aproveitar as chances. Tive a sabedoria de guardar uma grana e ter um patrim\u00f4nio. Qualquer pessoa entre 30 e 40 anos tem que trabalhar que nem louco mesmo e eu fiz isso.<\/p>\n<p><span class=\"news_bold\">Ficou rico trabalhando no programa?<\/span><\/p>\n<p>R. C. &#8211; N\u00e3o fiquei rico nem sou rico, mas sem d\u00favidas melhorou muito e mudei a vida de quem eu amo. O CQC foi uma vitrine para o stand-up comedy, todos n\u00f3s rep\u00f3rteres faz\u00edamos isso em 2010. Est\u00e1vamos em um momento incr\u00edvel e fomos beneficiados pela enorme visibilidade do programa. Eu, at\u00e9 ent\u00e3o, era um artista da Vila Madalena, que vivia com um viol\u00e3o nas costas e tocava em restaurante. Foi uma revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><span class=\"news_bold\">Como era a conviv\u00eancia entre os rep\u00f3rteres? Rolava briga?<\/span><\/p>\n<p>R. C. &#8211; Era tudo muito bom, de verdade, a gente n\u00e3o convivia muito, ao contr\u00e1rio do que as pessoas pensam. \u00c9ramos workaholics, grav\u00e1vamos muito, at\u00e9 mais material do que entraria no ar, sempre jogavam fora tr\u00eas, quatro reportagens gravadas. Eu tinha o apelido de golfinho e n\u00e3o me irritava. Um dia comentei isso com o [Marcelo] Tas, que tive uma namorada que dizia que eu tinha pele sedosa, e ficou esse apelido.<\/p>\n<p><span class=\"news_bold\">Com tanto trabalho e press\u00e3o, como ficava o seu lado emocional?<\/span><\/p>\n<p>R. C. &#8211; O que apertava era a rotina. Naturalmente, havia um desgaste corporal, mental, a gente gravava tr\u00eas mat\u00e9rias num dia, comia algo r\u00e1pido, fast food, e isso era cinco vezes na semana. N\u00f3s viv\u00edamos tudo intensamente. Se as entrevistas eram dentro de uma festa, a gente ficava na festa depois. Muitos desenvolveram estafa e [s\u00edndrome de] burnout (esgotamento profissional), mas a culpa era muito nossa por abdicarmos de comer e descansar. O lado bom de ter feito o CQC foi infinitamente maior do que a parte ruim. Conheci 11 pa\u00edses, comprei minha casa, conheci gente sensacional e cobri eventos que sempre sonhei.<\/p>\n<p><span class=\"news_bold\">N\u00e3o h\u00e1 nada que queira apagar da mem\u00f3ria?<\/span><\/p>\n<p>R. C. &#8211; O pior epis\u00f3dio que aconteceu comigo foi quando eu entrevistei a Maria Beth\u00e2nia, que eu amo e considero uma deusa, e fiz uma piada que saiu num contexto que a desagradou. Ela me deixou falando sozinho. Pedi desculpas para a empres\u00e1ria, escrevi uma carta aberta para ela. Ap\u00f3s tr\u00eas anos, ainda como rep\u00f3rter, eu a encontrei e ela me deu uma nova entrevista. Nunca me perdoei por essa piada, que n\u00e3o foi exibida. Pedi para a edi\u00e7\u00e3o cortar.<\/p>\n<p><span class=\"news_bold\">No tempo em que entrevistava pol\u00edticos e celebridades, pegou birra de algu\u00e9m?<\/span><\/p>\n<p>R. C. &#8211; Ao longo dos anos eu entendi que os entrevistados mais chatos s\u00e3o chatos com todos, n\u00e3o s\u00f3 comigo. E quem era legal conosco tamb\u00e9m era gente fina com a Folha, com o TV Fama. Mesmo na \u00e9poca em que fui trabalhar no V\u00eddeo Show (2016-2018), os malas continuavam sendo os mesmos e s\u00e3o conhecidos.<\/p>\n<p><span class=\"news_bold\">Tinha muita falsidade nesse meio?<\/span><\/p>\n<p>R. C. &#8211; Eu percebia que existia uma for\u00e7a maior por parte de celebridades e pol\u00edticos de tentar fazer parte daquele jogo, pois pegava mal n\u00e3o gostar do CQC. Nossa base de f\u00e3s era muito grande e barulhenta. Lembro de assessores cochichando e ensinando parlamentares a falar com a gente. Alguns famosos n\u00e3o nos suportavam, mas faziam um enorme esfor\u00e7o para dar entrevista. O CQC era t\u00e3o popular que n\u00e3o era legal manchar a imagem. O Paulo Betti deu uma resposta atravessada para o Oscar Filho e fizeram da vida dele um inferno depois.<\/p>\n<p><span class=\"news_bold\">O que tem feito hoje?<\/span><\/p>\n<p>R. C. &#8211; Estou apaixonado pelo produto que criei, que \u00e9 uma palestra sobre atitude transformadora. Ministro esses bate-papos em empresas e eventos em que falo sobre como a ousadia e a cara de pau podem ajudar qualquer pessoa. E isso tamb\u00e9m vem das mais de 700 reportagens de CQC, nas quais eu tinha que dar um jeito de entrar no local e trazer conte\u00fado. Desde aquela \u00e9poca, eu n\u00e3o me conformava com os &#8216;n\u00e3os&#8217;. O que tento ensinar nas palestras \u00e9 como qualquer ser humano pode se beneficiar com uma simples atitude.<\/p>\n<p><span class=\"news_bold\">O que projeta para o pr\u00f3ximo ano? Voltar \u00e0 TV?<\/span><\/p>\n<p>R. C. &#8211; Eu queria voltar para a TV aberta com o Mat\u00e9ria Prima da TV Cultura. Espero que esse projeto retorne em 2024. Convites eu tenho o tempo todo, mas at\u00e9 como uma d\u00edvida com o CQC, s\u00f3 quero me envolver num projeto p\u00fablico que desperte as provoca\u00e7\u00f5es que esses dois programas despertaram.<\/p>\n<p><span class=\"news_bold\">Participaria do BBB 24?<\/span><\/p>\n<p>R. C. &#8211; Eu fiz um quadro l\u00e1 em 2017 e acho que o Boninho n\u00e3o me chamaria mais. Mas, se chamasse, eu iria porque a passagem da Manu Gavassi pelo reality (em 2020) mostrou que uma pessoa com conte\u00fado e comprometimento com o trabalho pode passar bem por l\u00e1.<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Fama<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/celebridades\/2080373\/rafael-cortez-lamenta-falta-de-espaco-para-atracoes-como-o-cqc-hoje-em-dia?utm_source=rss-fama&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; Entre os anos de 2008 e 2012, n\u00e3o importava o<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":149539,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-149538","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-fama-e-tv"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/149538","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=149538"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/149538\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/149539"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=149538"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=149538"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=149538"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}