{"id":149484,"date":"2023-11-06T09:10:04","date_gmt":"2023-11-06T12:10:04","guid":{"rendered":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2023\/11\/06\/guerra-deixa-milhares-de-palestinos-sem-emprego-em-israel\/"},"modified":"2023-11-06T09:10:04","modified_gmt":"2023-11-06T12:10:04","slug":"guerra-deixa-milhares-de-palestinos-sem-emprego-em-israel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2023\/11\/06\/guerra-deixa-milhares-de-palestinos-sem-emprego-em-israel\/","title":{"rendered":"Guerra deixa milhares de palestinos sem emprego em Israel"},"content":{"rendered":"<p>CISJORD\u00c2NIA E ISRAEL (FOLHAPRESS) &#8211; Desde o in\u00edcio da guerra Israel-Hamas, Isa Zeita, 36, s\u00f3 fuma, joga cartas e toma caf\u00e9 em um tradicional ponto de encontro de trabalhadores da constru\u00e7\u00e3o civil de um vilarejo pr\u00f3ximo a Ramallah, na Cisjord\u00e2nia. Ali ele passa os dias esperando uma liga\u00e7\u00e3o, uma mensagem de WhatsApp, uma informa\u00e7\u00e3o qualquer sobre quando voltar\u00e1 a trabalhar.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>&#8220;Naquele dia eles me ligaram a noite dizendo que n\u00e3o era para eu ir ao trabalho no dia seguinte, que tudo ia parar&#8221;, conta Zeita, em refer\u00eancia ao 7 de Outubro, o s\u00e1bado em que o conflito estourou. &#8220;Liguei para meu patr\u00e3o na segunda-feira, mas ele disse que n\u00e3o sabia quando \u00edamos voltar a trabalhar. Desde ent\u00e3o, ele n\u00e3o atende mais minhas liga\u00e7\u00f5es.&#8221;<\/p>\n<p>Zeita, pai de quatro filhos pequenos, \u00e9 um dos quase 100 mil trabalhadores palestinos que trabalhavam na constru\u00e7\u00e3o civil em Israel at\u00e9 o massacre perpetrado pelo Hamas que deixou cerca de 1.400 mortos. Desde aquele dia, o governo de Binyamin Netanyahu suspendeu as permiss\u00f5es de trabalho para palestinos que vivem na Cisjord\u00e2nia e em Gaza. Ao todo, o governo da Autoridade Nacional Palestina (ANP) estima que cerca de 140 mil pessoas est\u00e3o sem trabalhar em decorr\u00eancia da medida.<\/p>\n<p>&#8220;Estou h\u00e1 quase um m\u00eas sem conseguir fazer um \u00fanico centavo&#8221;, diz Zeita. &#8220;As coisas est\u00e3o come\u00e7ando a ficar muito complicadas.&#8221;<\/p>\n<p>Ele e os outros trabalhadores que passam o dia jogando cartas n\u00e3o est\u00e3o conseguindo nem mesmo comprar o caf\u00e9 que tomam. &#8220;Eles est\u00e3o todos desempregados, o que eu posso fazer? Um dia eles me pagam&#8221;, diz Samir Saad, 70, dono do modesto caf\u00e9 onde os agora desempregados se re\u00fanem. &#8220;Trabalho aqui h\u00e1 mais de 30 anos, nunca vi uma situa\u00e7\u00e3o assim, nem na Segunda Intifada.&#8221;<\/p>\n<p>Os trabalhadores palestinos respondem por mais de 60% da m\u00e3o de obra que atua no servi\u00e7o mais pesado da constru\u00e7\u00e3o civil. Os 40% restantes s\u00e3o trabalhadores do Leste Europeu, do Sudeste Asi\u00e1tico e at\u00e9 mesmo do extremo Oriente, como a China. Israelenses geralmente se recusam a trabalhar em postos de baixa qualifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Estamos num momento muito complicado no setor. N\u00e3o temos os trabalhadores necess\u00e1rios para que as obras sigam; de uma hora para a outra perdemos dezenas de milhares de oper\u00e1rios&#8221;, diz Haim Feiglin, 70, vice-presidente da Associa\u00e7\u00e3o das empresas de Constru\u00e7\u00e3o Civil de Israel. &#8220;N\u00f3s n\u00e3o conseguimos ver a possibilidade de voltar a trabalhar com os palestinos nos pr\u00f3ximos anos. Simplesmente n\u00e3o h\u00e1 mais espa\u00e7o para isso depois do que aconteceu.&#8221;<\/p>\n<p>Feiglin diz que o setor de constru\u00e7\u00e3o est\u00e1 pressionando o governo de Israel para que libere at\u00e9 100 mil vistos de trabalho, de modo que as empresas possam trazer oper\u00e1rios de outros pa\u00edses para substituir os palestinos. &#8220;N\u00f3s estamos negociando com a \u00cdndia para que possamos j\u00e1 nesse primeiro momento contratar entre 50 mil e 100 mil oper\u00e1rios. N\u00e3o podemos ficar na situa\u00e7\u00e3o em que estamos&#8221;, diz Feiglin.<\/p>\n<p>Nem todos os oper\u00e1rios se foram. Chineses e \u00e1rabes-israelenses que t\u00eam a cidadania do pa\u00eds seguem trabalhando. &#8220;Em alguns lugares h\u00e1 alguma atividade, mas em muitos pontos, como aqui, os prefeitos decidiram proibir qualquer atividade na constru\u00e7\u00e3o at\u00e9 que possamos trazer estrangeiros e garantir que n\u00e3o teremos palestinos. \u00c9 uma decis\u00e3o pol\u00edtica&#8221;, acrescenta Feiglin.<\/p>\n<p>Foi o que aconteceu em Ramat Gan, uma cidade ao lado de Tel Aviv. Ali a prefeitura suspendeu todas as atividades ligadas \u00e0 constru\u00e7\u00e3o. &#8220;As pessoas est\u00e3o assustadas, apavoradas, n\u00e3o podem nem ao mesmo ouvir algu\u00e9m falar em \u00e1rabe e est\u00e3o pressionando os governos locais&#8221;, conta o l\u00edder setorial.<\/p>\n<p>A empresa de Feiglin est\u00e1 construindo tr\u00eas edif\u00edcios, com 180 apartamentos, vendidos por cerca de US$ 1 milh\u00e3o cada um. Nos arredores das obras, vizinhos se dizem aliviados com a suspens\u00e3o das atividades. &#8220;Acabou, n\u00e3o h\u00e1 mais espa\u00e7o para eles aqui. Teremos que trazer pessoas de outros lugares. N\u00e3o h\u00e1 mais como termos palestinos entre n\u00f3s&#8221;, afirma Avi, 65, que n\u00e3o quis dizer o sobrenome \u00e0 reportagem.<\/p>\n<p>Como muitos outros, ele descarta a possibilidade de haver qualquer coexist\u00eancia com os palestinos, mesmo com aqueles que vivem na Cisjord\u00e2nia. &#8220;Agora temos que achar pessoas que queiram vir aqui para trabalhar, que n\u00e3o queiram casar, viver, ter uma vida aqui. Temos que achar quem entenda que isso \u00e9 trabalho.&#8221;<\/p>\n<p>A decis\u00e3o do governo israelense em suspender o visto de trabalho dos palestinos deve provocar impactos devastadores na economia da Cisjord\u00e2nia. &#8220;\u00c9 uma trag\u00e9dia. Nossa capacidade de consumo deve cair quase 50%; os sal\u00e1rios pagos em Israel eram parte extremamente importante no PIB&#8221;, diz Samir Huleileh, economista e ex-secret\u00e1rio do gabinete do primeiro-ministro da ANP.<\/p>\n<p>Huleileh estima que com o fim da possibilidade de trabalho em Israel, a taxa de desemprego na Cisjord\u00e2nia possa chegar a n\u00edveis similares aos de Gaza antes de a guerra come\u00e7ar. Em 2022, a estimativa era de que quase 45% da popula\u00e7\u00e3o economicamente ativa de Gaza estava desempregada. &#8220;Isso s\u00f3 vai tornar as coisas mais dif\u00edceis. Vai trazer mais pobreza, mais rea\u00e7\u00f5es violentas. Eu realmente espero que o governo de Israel reveja essa posi\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos oper\u00e1rios da Cisjord\u00e2nia que perderam o direito ao trabalho, outros 10 mil trabalhadores de Gaza tamb\u00e9m ficaram sem emprego. Cerca de mil deles estavam em Israel quando os ataques aconteceram e agora est\u00e3o abrigados em alojamentos em diferentes cidades da Cisjord\u00e2nia, sem emprego e sem a possibilidade de retornar para suas fam\u00edlias em Gaza<\/p>\n<p>No pequeno caf\u00e9 em que Isa Zeita passa seus dias nos arredores de Ramallah h\u00e1 um misto de desespero e resigna\u00e7\u00e3o. Muitos n\u00e3o sabem como v\u00e3o conseguir dinheiro para sustentar suas fam\u00edlias com a s\u00fabita perda do trabalho. Mas, de alguma forma, parecem aceitar a ideia de que as coisas agora s\u00e3o diferentes de outras crises do passado.<\/p>\n<p>&#8220;O que podemos fazer? S\u00f3 Deus sabe o futuro que nos est\u00e1 reservado. Vamos esperar&#8221;, diz Zeita.<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Mundo<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/mundo\/2080505\/guerra-deixa-milhares-de-palestinos-sem-emprego-em-israel?utm_source=rss-mundo&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>CISJORD\u00c2NIA E ISRAEL (FOLHAPRESS) &#8211; Desde o in\u00edcio da guerra Israel-Hamas, Isa Zeita, 36, s\u00f3<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":149485,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-149484","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/149484","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=149484"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/149484\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/149485"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=149484"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=149484"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=149484"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}