{"id":149397,"date":"2023-11-05T09:08:34","date_gmt":"2023-11-05T12:08:34","guid":{"rendered":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2023\/11\/05\/queremos-voltar-para-gaza-e-morrer-com-nossa-familia-diz-casal-de-palestinos-no-brasil\/"},"modified":"2023-11-05T09:08:34","modified_gmt":"2023-11-05T12:08:34","slug":"queremos-voltar-para-gaza-e-morrer-com-nossa-familia-diz-casal-de-palestinos-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2023\/11\/05\/queremos-voltar-para-gaza-e-morrer-com-nossa-familia-diz-casal-de-palestinos-no-brasil\/","title":{"rendered":"&#8216;Queremos voltar para Gaza e morrer com nossa fam\u00edlia&#8217;, diz casal de palestinos no Brasil"},"content":{"rendered":"<p>FL\u00c1VIA MANTOVANI<br \/>S\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; &#8220;N\u00f3s ainda estamos vivos.&#8221; No apartamento onde moram, na zona sul de S\u00e3o Paulo, Akram e Ronza Abujayabb passam dia e noite \u00e0 espera de receber essa frase em seus celulares. \u00c9 assim, sem detalhes, a \u00fanica not\u00edcia que seus familiares conseguem enviar nos poucos segundos em que seus telefones ficam ligados.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>Nascidos e criados na Faixa de Gaza, Akram, 31, e Ronza, 29, vivem h\u00e1 um ano no Brasil e foram reconhecidos oficialmente como refugiados poucos dias depois da eclos\u00e3o da guerra Israel-Hamas, em 7 de outubro.<\/p>\n<p>O casal j\u00e1 enfrentou tr\u00eas outras guerras, incluindo em 2014, at\u00e9 ent\u00e3o a mais mortal da regi\u00e3o. Mas desta vez \u00e9 diferente: se por um lado est\u00e3o em seguran\u00e7a, por outro ficam consumidos pela preocupa\u00e7\u00e3o com familiares, amigos e vizinhos que seguem em Gaza, sem eletricidade, combust\u00edvel e \u00e1gua pot\u00e1vel e \u00e0 merc\u00ea dos bombardeios do Ex\u00e9rcito israelense.<br \/>&#8220;Vivemos uma dor dupla, porque sabemos o sofrimento que \u00e9 uma guerra, mas estamos longe e n\u00e3o podemos fazer nada&#8221;, diz Akram.<\/p>\n<p>Com a ajuda do brasileiro que os acolheu, o advogado Edgard Raoul, eles tentam iniciar um processo de reunifica\u00e7\u00e3o familiar para trazer para perto os pais e tr\u00eas irm\u00e3os de Ronza, al\u00e9m da av\u00f3 e de uma irm\u00e3 de Akram. Raoul, que \u00e9 fundador da ONG de direitos humanos Hands On, afirma que est\u00e1 disposto a bancar todos os gastos da fam\u00edlia Abujayabb, incluindo passagens a\u00e9reas, moradia e alimenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O caso, por\u00e9m, \u00e9 complexo, j\u00e1 que, pelos tr\u00e2mites legais, os sete palestinos teriam que ir \u00e0 representa\u00e7\u00e3o diplom\u00e1tica brasileira em Ramallah, na Cisjord\u00e2nia -algo que atualmente \u00e9 imposs\u00edvel devido ao bloqueio da \u00fanica sa\u00edda do estreito territ\u00f3rio.<br \/>Akram e Ronza sa\u00edram de Gaza em 2017, em busca de uma vida mais est\u00e1vel em outro lugar do mundo. Moraram no Egito e na Turquia at\u00e9 que, com o aux\u00edlio de Raoul, viajaram para S\u00e3o Paulo, em 2022.<\/p>\n<p>Com forma\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria -ele em contabilidade e ela em engenharia mecatr\u00f4nica-, os dois est\u00e3o com dificuldade de conseguir trabalho, mas dizem que se sentem acolhidos pelos brasileiros. Ela \u00e9 volunt\u00e1ria em um laborat\u00f3rio de rob\u00f3tica de uma escola particular e ambos fazem aulas intensivas de portugu\u00eas.<\/p>\n<p>Desde que o conflito come\u00e7ou, por\u00e9m, eles mal conseguem dormir e passam o dia checando not\u00edcias, redes sociais e a lista divulgada pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade de Gaza com os nomes das v\u00edtimas do lado palestino.<\/p>\n<p>&#8220;Temos que checar se nossos amigos ou familiares foram mortos ou n\u00e3o. Temos que ver onde a bomba caiu e escrever mensagens para saber se perdemos um tio, um primo. Enquanto estamos sentados dando essa entrevista, n\u00e3o sabemos se estamos perdendo algu\u00e9m&#8221;, diz Akram.<\/p>\n<p>Nomes que o mundo s\u00f3 conhece pelo notici\u00e1rio significam muito para eles. Ronza e dois de seus irm\u00e3os, por exemplo, nasceram no hospital al-Ahli Arab, atingido por uma explos\u00e3o que deixou centenas de mortos e gerou trocas de acusa\u00e7\u00f5es entre Israel e o Hamas sobre a responsabilidade pelo ataque. &#8220;Muita gente se abrigou l\u00e1 achando que seria um lugar seguro. Mas n\u00e3o h\u00e1 lugar seguro em Gaza&#8221;, afirma ela.<\/p>\n<p>Akram fala com tristeza da morte da m\u00e3e de seu melhor amigo, que ele considerava sua segunda m\u00e3e. Foi ela que entrou com Ronza na cerim\u00f4nia do casamento dos dois, j\u00e1 que os pais de Akram tinham migrado para os Estados Unidos para se reunir com um dos filhos.<\/p>\n<p>Ele tamb\u00e9m conta que um bombardeio a um pr\u00e9dio matou 44 pessoas da mesma fam\u00edlia, uma delas casada com seu tio. &#8220;N\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 pr\u00e9dios. S\u00e3o nossas casas, nossas mem\u00f3rias, nossas vidas.&#8221;<\/p>\n<p>Os pais, irm\u00e3os e a av\u00f3 de Ronza -e tamb\u00e9m de Akram, j\u00e1 que os dois s\u00e3o primos- deixaram a vila onde moram, no centro de Gaza, ap\u00f3s um aviso de Israel de que iria bombardear um complexo de 25 pr\u00e9dios em frente \u00e0 casa deles. S\u00f3 levaram documentos; fotos, roupas, objetos de valor sentimental e todo o resto ficaram.<\/p>\n<p>A \u00faltima not\u00edcia que enviaram \u00e9 que est\u00e3o em Rafah, na fronteira com o Egito, &#8220;dormindo em um quarto min\u00fasculo, para morrer juntos se forem bombardeados&#8221;, nas palavras da engenheira.<\/p>\n<p>A viagem foi especialmente penosa para a av\u00f3, n\u00e3o apenas por seus 88 anos de idade, mas pelo trauma de reviver o deslocamento for\u00e7ado de 1948, quando mais de 700 mil palestinos tiveram que deixar suas terras na guerra que se sucedeu \u00e0 cria\u00e7\u00e3o do Estado de Israel. &#8220;Ela n\u00e3o quer deixar Gaza de jeito nenhum, porque sabe que se sair, nunca mais vai voltar&#8221;, afirma Ronza.<\/p>\n<p>A engenheira e o marido j\u00e1 nasceram refugiados e cresceram em um contexto de revolta com as restri\u00e7\u00f5es impostas aos palestinos. Eles descrevem, com exemplos, as dificuldades que enfrentavam para viajar a qualquer lugar.<\/p>\n<p>&#8220;Voc\u00ea precisa de uma justificativa para sair, tem que pedir autoriza\u00e7\u00e3o [para Israel] meses antes. Mesmo assim, pode ser barrado no lado eg\u00edpcio. Sou palestino, mas n\u00e3o posso visitar a Cisjord\u00e2nia, Jerusal\u00e9m. Isso n\u00e3o est\u00e1 certo&#8221;, diz Akram.<br \/>Ele afirma ter perdido oportunidades profissionais, como um mestrado no qual foi aprovado nos EUA e uma confer\u00eancia na Isl\u00e2ndia, por ter o passaporte palestino. Tamb\u00e9m est\u00e1 h\u00e1 seis anos sem ver os pais e n\u00e3o encontra o irm\u00e3o mais velho, que vive nos Emirados \u00c1rabes Unidos, h\u00e1 24 anos.<\/p>\n<p>O casal se refere a Israel como ocupa\u00e7\u00e3o sionista e n\u00e3o consideram o Hamas um grupo terrorista, mas de resist\u00eancia. &#8220;Se n\u00e3o temos Ex\u00e9rcito, tanques, avi\u00f5es militares, como vamos nos defender? Como resistir quando matam suas crian\u00e7as, suas mulheres, seu av\u00f4?&#8221;, questiona Akram.<\/p>\n<p>Eles tamb\u00e9m dizem n\u00e3o acreditar que o Hamas tenha matado deliberadamente civis israelenses em 7 de outubro e comparam os ref\u00e9ns levados para Gaza por eles aos palestinos detidos em pris\u00f5es israelenses.<\/p>\n<p>&#8220;O Hamas n\u00e3o mata crian\u00e7as, mulheres, idosos. A m\u00eddia estrangeira n\u00e3o mostra a verdade. Temos 6.000 palestinos nas celas do lado deles, incluindo mulheres e crian\u00e7as, que tamb\u00e9m est\u00e3o sofrendo&#8221;, diz Akram, questionando tamb\u00e9m a extens\u00e3o dos ataques de Israel a Gaza. &#8220;O que o mundo est\u00e1 esperando para parar esse genoc\u00eddio? Quantas crian\u00e7as ter\u00e3o que ser mortas para que isso pare?&#8221;<\/p>\n<p>O casal se refere a Israel como ocupa\u00e7\u00e3o sionista e n\u00e3o consideram o Hamas um grupo terrorista, mas de resist\u00eancia. &#8220;Se n\u00e3o temos Ex\u00e9rcito, tanques, avi\u00f5es militares, como vamos nos defender? Como resistir quando matam suas crian\u00e7as, suas mulheres, seu av\u00f4?&#8221;, questiona Akram.<\/p>\n<p>Eles tamb\u00e9m dizem n\u00e3o acreditar que o Hamas tenha matado deliberadamente civis israelenses em 7 de outubro e comparam os ref\u00e9ns levados para Gaza por eles aos palestinos detidos em pris\u00f5es israelenses.<\/p>\n<p>&#8220;O Hamas n\u00e3o mata crian\u00e7as, mulheres, idosos. A m\u00eddia estrangeira n\u00e3o mostra a verdade. Temos 6.000 palestinos nas celas do lado deles, incluindo mulheres e crian\u00e7as, que tamb\u00e9m est\u00e3o sofrendo&#8221;, diz Akram, questionando tamb\u00e9m a extens\u00e3o dos ataques de Israel a Gaza. &#8220;O que o mundo est\u00e1 esperando para parar esse genoc\u00eddio? Quantas crian\u00e7as ter\u00e3o que ser mortas para que isso pare?&#8221;<\/p>\n<p>Leia Tamb\u00e9m: <a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/mundo\/2080315\/policia-irlandesa-investiga-roubo-de-esperma-de-touro-em-fazenda\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Pol\u00edcia irlandesa investiga roubo de esperma de touro em fazenda<\/a><\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Mundo<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/mundo\/2080309\/queremos-voltar-para-gaza-e-morrer-com-nossa-familia-diz-casal-de-palestinos-no-brasil?utm_source=rss-mundo&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>FL\u00c1VIA MANTOVANIS\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; &#8220;N\u00f3s ainda estamos vivos.&#8221; No apartamento onde moram, na<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":149398,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-149397","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/149397","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=149397"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/149397\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/149398"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=149397"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=149397"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=149397"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}