{"id":14866,"date":"2021-05-31T13:08:10","date_gmt":"2021-05-31T16:08:10","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/05\/31\/carne-deve-continuar-escassa-no-prato-brasileiro-ate-o-final-de-2022\/"},"modified":"2021-05-31T13:08:10","modified_gmt":"2021-05-31T16:08:10","slug":"carne-deve-continuar-escassa-no-prato-brasileiro-ate-o-final-de-2022","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/05\/31\/carne-deve-continuar-escassa-no-prato-brasileiro-ate-o-final-de-2022\/","title":{"rendered":"Carne deve continuar escassa no prato brasileiro at\u00e9 o final de 2022"},"content":{"rendered":"<p>S\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; Enzo Celulari, filho dos atores Cl\u00e1udia Raia e Edson Celulari, causou furor nas redes sociais na semana passada ao questionar se a queda recorde no consumo de carne no Brasil -que est\u00e1 no patamar mais baixo dos \u00faltimos 25 anos -se deve \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o da renda da popula\u00e7\u00e3o ou a uma mudan\u00e7a de h\u00e1bitos.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>Enzo \u00e9 vegetariano por op\u00e7\u00e3o, mas as classes C, D e E est\u00e3o abandonando a prote\u00edna animal por necessidade. Segundo analistas ouvidos pela reportagem, a atual conjuntura deve manter a press\u00e3o sobre o pre\u00e7o da carne no pa\u00eds pelo menos at\u00e9 o fim de 2022.<\/p>\n<p>Existe uma s\u00e9rie de fatores contribuindo para esta proje\u00e7\u00e3o, que envolve desde a falta de bezerros no mercado, passando pelo alto pre\u00e7o de commodities como soja e milho, respons\u00e1veis pela ra\u00e7\u00e3o do gado e cotadas em d\u00f3lar, at\u00e9 a explos\u00e3o da demanda asi\u00e1tica, em especial da China, regi\u00e3o onde o poder de compra est\u00e1 em alta.<\/p>\n<p>Neste cen\u00e1rio, a alta da carne independe at\u00e9 mesmo de grandes movimentos no mercado interno, inclusive uma eventual fus\u00e3o entre Marfrig e BRF.<\/p>\n<p>O atual patamar de consumo de carne no Brasil, de 27,6 quilos ao ano por habitante, \u00e9 46% menor do que o verificado no auge do consumo no pa\u00eds, em 2006. Naquela \u00e9poca, o brasileiro tinha \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o 42,8 quilos de carne bovina ao ano, segundo dados da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), vinculada ao Minist\u00e9rio da Agricultura.<\/p>\n<p>Com o recrudescimento da pandemia e o aumento da taxa de desemprego (que beira os 15%), a previs\u00e3o \u00e9 que este consumo caia ainda mais em 2021, para 26,4 quilos per capita.<\/p>\n<p>&#8220;O consumo de carne bovina \u00e9 diretamente proporcional ao aumento da renda&#8221;, diz Sergio De Zen, diretor de pol\u00edtica agr\u00edcola e informa\u00e7\u00f5es da Conab. Ele aponta o deslocamento do dinamismo da economia mundial para a \u00c1sia.<\/p>\n<p>&#8220;Trabalhamos com proje\u00e7\u00f5es que apontam a inser\u00e7\u00e3o, em cinco anos, de at\u00e9 250 milh\u00f5es de novos consumidores asi\u00e1ticos com alto padr\u00e3o de renda familiar&#8221;, diz ele, ressaltando que a demanda tamb\u00e9m vem de outros pa\u00edses da regi\u00e3o do Pac\u00edfico.<\/p>\n<p>&#8220;A Indon\u00e9sia, por exemplo, tem 270 milh\u00f5es de habitantes, uma popula\u00e7\u00e3o maior que a do Brasil, enquanto as Filipinas tem 108 milh\u00f5es&#8221;. Com isso, diz, a press\u00e3o sobre os pre\u00e7os tende a se manter ao longo dos pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n<p>A China est\u00e1 \u00e0 frente deste movimento. Segundo a Agrifatto, casa de an\u00e1lise de investimentos em ativos agropecu\u00e1rios, no acumulado entre janeiro e novembro de 2020, a China respondeu por 52% das importa\u00e7\u00f5es de carne brasileira, seguida por Hong Kong (11%). O terceiro lugar pertence ao Egito (6%).<\/p>\n<p>&#8220;Assim que a China se recuperou da crise do coronav\u00edrus, no segundo trimestre, partiu para as compras de alimentos no mercado internacional&#8221;, diz Marcos Henrique do Esp\u00edrito Santo, analista da consultoria Lafis.<\/p>\n<p>O Brasil divide a lideran\u00e7a global na produ\u00e7\u00e3o de carne bovina com os Estados Unidos. Em 2020, foram produzidas 7,77 milh\u00f5es de toneladas no pa\u00eds, de acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica), enquanto as exporta\u00e7\u00f5es somaram 2,13 milh\u00f5es de toneladas, conforme relata a Secretaria Especial de Com\u00e9rcio Exterior e Assuntos Internacionais, vinculada ao Minist\u00e9rio da Economia.<\/p>\n<p>Isso significa que 27,4% do que se produziu de carne bovina no Brasil foi exportado no ano passado. De acordo com especialistas, \u00e9 um avan\u00e7o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00e9dia hist\u00f3rica de 20% de exporta\u00e7\u00e3o observada na d\u00e9cada passada.<\/p>\n<p>A fome asi\u00e1tica n\u00e3o se restringiu aos bifes. Em 2020, os embarques de carne su\u00edna do Brasil para a China cresceram 106% em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior e atingiram 513,5 mil toneladas, ou 50,7% do volume total exportado.<\/p>\n<p>No caso da carne de frango, os embarques do Brasil para a China somaram 673,2 mil toneladas em 2020, 15% mais que em 2019 e 16% do total, segundo dados da ABPA (Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Prote\u00edna Animal).<\/p>\n<p>O aumento da demanda asi\u00e1tica sobre as carnes brasileiras, acompanhado da alta do pre\u00e7o das commodities que alimentam as cria\u00e7\u00f5es, gerou impacto no prato do brasileiro.<\/p>\n<p>Enquanto o pre\u00e7o da carne bovina cresceu 35% em 12 meses at\u00e9 abril, segundo o IPCA (\u00edndice oficial de infla\u00e7\u00e3o do pa\u00eds), o pre\u00e7o da carne su\u00edna avan\u00e7ou 59% no per\u00edodo e o frango congelado, 70%, aponta Esp\u00edrito Santos, da Lafis.<\/p>\n<p>&#8220;A press\u00e3o inflacion\u00e1ria atingiu mesmo as prote\u00ednas mais baratas&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Na opini\u00e3o de De Zen, da Conab, o planeta vive uma mudan\u00e7a estrutural, a partir da eleva\u00e7\u00e3o do patamar da demanda global de alimentos, que traz consigo novos n\u00edveis de pre\u00e7os.<\/p>\n<p>&#8220;Em parte por conta da pandemia, que deixou muita gente em casa, as pessoas v\u00eam alocando mais recursos para alimentos, ao mesmo tempo em que s\u00e3o beneficiadas por pol\u00edticas de prote\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o de renda, adotadas por diversos governos&#8221;, diz.<\/p>\n<p>O alimento bovino, por\u00e9m, \u00e9 um investimento de longo prazo e n\u00e3o pode ser rapidamente adaptado a este aumento de demanda. &#8220;A disparada do consumo chin\u00eas foi provocada n\u00e3o s\u00f3 pelo aumento da renda local, mas tamb\u00e9m pela falta de prote\u00edna no mercado, depois que a peste su\u00edna africana dizimou 40% do rebanho su\u00edno chin\u00eas, no final de 2018&#8221;, diz Lygia Pimentel, diretora da Agrifatto.<\/p>\n<p>Enquanto isso, entre 2016 e 2018, os produtores brasileiros abateram muitas f\u00eameas, o que aumentou o pre\u00e7o do bezerro e diminuiu a oferta de gado pronto para entrega. Desde o final de 2019, com o pre\u00e7o do bezerro em alta, os produtores passaram a reter as f\u00eameas para produzir novos animais.<\/p>\n<p>Com menos f\u00eameas indo para o abate, a oferta de carne ficou reduzida em 2020. &#8220;A tend\u00eancia \u00e9 que a reten\u00e7\u00e3o de f\u00eameas continue neste ano e o pre\u00e7o do bezerro volte a normalizar em meados de 2022&#8221;, diz.<\/p>\n<p>A press\u00e3o sobre o pre\u00e7o da carne no varejo, por\u00e9m, deve permanecer pelo menos at\u00e9 o fim do ano que vem, afirma Lygia. &#8220;De 2020 para c\u00e1, o pre\u00e7o do boi subiu 50%, o pre\u00e7o da carne no atacado subiu 40% e, no varejo, 32%&#8221;, diz a diretora da Agrifatto.<\/p>\n<p>&#8220;O varejo tem segurado esse repasse sobre o pre\u00e7o do produto, e ainda assim uma grande massa de consumidores n\u00e3o consegue adquirir. Algo que s\u00f3 muda com a gera\u00e7\u00e3o de emprego e renda&#8221;, afirma. &#8220;\u00c9 uma crise sem precedentes&#8221;.<\/p>\n<p>A vida do produtor, por sua vez, tamb\u00e9m n\u00e3o est\u00e1 f\u00e1cil. &#8220;O custo de produ\u00e7\u00e3o saltou 70% entre o final de 2019 e o come\u00e7o de 2021, por conta dos insumos atrelados ao d\u00f3lar e a desvaloriza\u00e7\u00e3o da moeda brasileira&#8221;, diz Lygia, lembrando que os produtores independentes s\u00e3o os fornecedores de grandes frigor\u00edficos, como Marfrig, Minerva e JBS (que t\u00eam apenas uma pequena parte da sua produ\u00e7\u00e3o oriunda de rebanho pr\u00f3prio).<\/p>\n<p>&#8220;Os frigor\u00edficos ganham com as exporta\u00e7\u00f5es, mas, por tamb\u00e9m terem boa parte da d\u00edvida em d\u00f3lar, sofrem com o c\u00e2mbio&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Procurados para comentar sobre como pretendem reagir \u00e0 queda hist\u00f3rica do consumo de carne no mercado nacional, JBS, Marfrig e Minerva n\u00e3o quiseram se pronunciar. BRF n\u00e3o respondeu ao pedido de entrevista. Na semana passada, o mercado financeiro especulou sobre uma poss\u00edvel fus\u00e3o entre Mafrig e BRF, depois que a primeira comprou 24% das a\u00e7\u00f5es da segunda por cerca de R$ 3,2 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8220;Uma poss\u00edvel fus\u00e3o entre esses grupos n\u00e3o iria repercutir no curto e m\u00e9dio prazo sobre o pre\u00e7o dos produtos, uma vez que os direcionadores de pre\u00e7o est\u00e3o no mercado externo&#8221;, diz Gregory Ribeiro, analista da \u00e1rea de alimentos da consultoria Euromonitor.<\/p>\n<p>Guilherme Moreira, economista e coordenador do \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor da Funda\u00e7\u00e3o Instituto de Pesquisas Econ\u00f4micas (IPC-Fipe), concorda. &#8220;Os fatores que ditam a disparada no pre\u00e7o da carne est\u00e3o fora do controle dos frigor\u00edficos&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>&#8220;Uma virtual uni\u00e3o entre os grupos poderia ser, inclusive, um rearranjo do mercado brasileiro diante desse novo cen\u00e1rio global de demanda por alimentos&#8221;, diz. Para Moreira, tudo o que os frigor\u00edficos querem hoje \u00e9 boi para vender -mas falta produto.<\/p>\n<p>&#8220;O pre\u00e7o da arroba est\u00e1 em R$ 330, isso \u00e9 mais do que o dobro dos R$ 160 praticados ao final de 2019 &#8211; um pre\u00e7o que n\u00e3o volta mais&#8221;.<\/p>\n<p>Segundo Ribeiro, da Euromonitor, a venda de carne fresca em balc\u00e3o, como nos a\u00e7ougues, registrou queda de 5% no Brasil em 2020 sobre 2019. J\u00e1 a venda carne processada (embalada) caiu 6%.<\/p>\n<p>&#8220;Acreditamos que o primeiro trimestre deste ano tenha observado uma queda ainda mais expressiva&#8221;, afirma. Tamb\u00e9m por conta da press\u00e3o das commodities agr\u00edcolas usadas como ra\u00e7\u00e3o, ele afirma que a press\u00e3o sobre os pre\u00e7os da carne deve permanecer ao longo de 2022.<\/p>\n<p>Um dos caminhos para solucionar a quest\u00e3o \u00e9 tecnologia para aumentar a produtividade. &#8220;Em 2001, a m\u00e9dia nacional era de 100 vacas por 250 hectares, com uma m\u00e9dia de 45 bezerros de 170 quilos. Em 2020, tivemos 100 vacas por 140 hectares, com 65 bezerros de 200 quilos&#8221;, afirma De Zen, da Conab. O tempo m\u00e9dio de engorda, de 30 a 40 meses, baixou para 24 a 30 meses, diz.<\/p>\n<p>Mas para outros especialistas a solu\u00e7\u00e3o est\u00e1 na mudan\u00e7a do card\u00e1pio. Dados do Departamento de Produ\u00e7\u00e3o Vegetal da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da USP (Universidade de S\u00e3o Paulo), apontam que, no Brasil, 85% das terras s\u00e3o dedicadas \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de soja e milho, sendo que a maior parte disso \u00e9 destinado \u00e0 ra\u00e7\u00e3o animal.<\/p>\n<p>No pa\u00eds, s\u00e3o necess\u00e1rios 10 quilos de gr\u00e3os para produzir um quilo de mat\u00e9ria seca de frango, e 22 quilos de gr\u00e3os para um quilo de carne su\u00edna. No que se refere aos bovinos, tomando como base os Estados Unidos, \u00e9 preciso produzir 40 quilos de gr\u00e3os para um quilo de boi. Neste contexto, o grande desafio \u00e9 a mudan\u00e7a no padr\u00e3o alimentar, com a diminui\u00e7\u00e3o da demanda por produtos de origem animal.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/economia\/1809179\/carne-deve-continuar-escassa-no-prato-brasileiro-ate-o-final-de-2022?utm_source=rss-economia&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><br \/>\nNot\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Economia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; Enzo Celulari, filho dos atores Cl\u00e1udia Raia e Edson Celulari,<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":14867,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[11],"tags":[],"class_list":["post-14866","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-economia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14866","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14866"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14866\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/14867"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14866"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14866"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14866"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}