{"id":148,"date":"2021-03-07T00:09:17","date_gmt":"2021-03-07T03:09:17","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/03\/07\/exilio-de-niemeyer-em-paris-detonou-a-fase-alienigena-do-arquiteto-de-brasilia-diz-livro\/"},"modified":"2021-03-07T00:09:17","modified_gmt":"2021-03-07T03:09:17","slug":"exilio-de-niemeyer-em-paris-detonou-a-fase-alienigena-do-arquiteto-de-brasilia-diz-livro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/03\/07\/exilio-de-niemeyer-em-paris-detonou-a-fase-alienigena-do-arquiteto-de-brasilia-diz-livro\/","title":{"rendered":"Ex\u00edlio de Niemeyer em Paris detonou a fase alien\u00edgena do arquiteto de Bras\u00edlia, diz livro"},"content":{"rendered":"<p>S\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; Mais conhecido e celebrado arquiteto do pa\u00eds, Oscar Niemeyer teve uma carreira prol\u00edfica tamb\u00e9m no exterior. De 1962 em diante, j\u00e1 consagrado por Bras\u00edlia, Niemeyer come\u00e7a a desenvolver projetos internacionais -no L\u00edbano, nos Estados Unidos, em Israel- e se torna uma esp\u00e9cie de porta-estandarte do modernismo brasileiro.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>Mas \u00e9 em 1965 que o salto se alarga. Naquele ano, ap\u00f3s ver a M\u00f3dulo, revista que fundou e na qual veiculava suas ideias pol\u00edticas e seu trabalho, proibida pelos militares, Niemeyer apontou para a Fran\u00e7a.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, se um fato parece motivar o outro, isso \u00e9 s\u00f3 em parte verdadeiro. O pa\u00eds europeu acolheu o arquiteto comunista assumido, mas quem chegou a Paris n\u00e3o foi um militante pego de surpresa. Antes de ser impelido a deixar o Brasil, aos 57 anos, no auge do reconhecimento, ele j\u00e1 vinha preparando o terreno.<\/p>\n<p>Os arranjos que fez para ampliar seus dom\u00ednios, acionando contatos no meio pol\u00edtico e cultural, s\u00e3o narrados em &#8220;Oscar Niemeyer en France &#8211; Un Exil Cr\u00e9atif&#8221;. O livro, como indica o nome, centra a aten\u00e7\u00e3o na trajet\u00f3ria do arquiteto na Fran\u00e7a, uma &#8220;plataforma importante&#8221; para os planos de Niemeyer, como afirma Vanessa Grossman.<\/p>\n<p>Brasileira, a arquiteta e pesquisadora assina com o historiador Beno\u00eet Pouvreau a publica\u00e7\u00e3o, que sai agora pelas \u00c9ditions du Patrimoine. Por ora, em franc\u00eas.<\/p>\n<p>O primeiro grande movimento de Niemeyer para se estabelecer na Fran\u00e7a foi conceber e financiar uma exposi\u00e7\u00e3o de sua obra no Museu de Artes Decorativas -ent\u00e3o conhecido pelo nome de Ucad, a Uni\u00e3o Central de Artes Decorativas-, que ficava numa ala do Louvre.<\/p>\n<p>Em junho de 1965, a mostra &#8220;Oscar Niemeyer, Architecte de Bras\u00edlia&#8221; foi inaugurada, mostrando n\u00e3o s\u00f3 a capital de Juscelino Kubitschek -que no vernissage representou o arquiteto, impedido de viajar por um acidente\u2013 mas tamb\u00e9m projetos que vinha desenvolvendo no exterior.<\/p>\n<p>O momento seguinte de sua entroniza\u00e7\u00e3o deveria muito ao acaso. Niemeyer chegou a Paris no fim de agosto, poucos dias antes da morte de Le Corbusier. A coincid\u00eancia estabeleceu para o brasileiro um lugar de sucessor do papa franco-su\u00ed\u00e7o do modernismo, observam Grossman e Pouvreau no livro.<\/p>\n<p>Munido de uma autoriza\u00e7\u00e3o excepcional para exercer a arquitetura no pa\u00eds -concedida pelo governo franc\u00eas em 1967, com o interm\u00e9dio do escritor e cr\u00edtico de arte Andr\u00e9 Malraux, que era ministro da Cultura-, manteria um escrit\u00f3rio parisiense de 1972 at\u00e9 1981. Ele se tornou ent\u00e3o &#8220;um expatriado volunt\u00e1rio e solid\u00e1rio, poupado, no entanto, das durezas do ex\u00edlio&#8221;, como escrevem os autores.<\/p>\n<p>O estudo do &#8220;capital simb\u00f3lico&#8221; amealhado por Niemeyer permeia a obra. Os projetos -realizados ou n\u00e3o- do arquiteto na Fran\u00e7a s\u00e3o apresentados em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 conjuntura hist\u00f3rica que os fundamenta. O contexto pol\u00edtico \u00e9 bem explicado e, assim, embora haja um not\u00e1vel trabalho de arquivo embasando a publica\u00e7\u00e3o, ela vai bem al\u00e9m do portf\u00f3lio arquitet\u00f4nico.<\/p>\n<p>Boa parte da an\u00e1lise passa pela liga\u00e7\u00e3o de Niemeyer com o PCF, o Partido Comunista Franc\u00eas, ao qual \u00e9 assimilado com o aux\u00edlio de rela\u00e7\u00f5es pessoais, como editores de revistas especializadas e outros arquitetos ligados ao partido.<\/p>\n<p>Grossman, que \u00e9 professora no departamento de arquitetura na TU Delft, estudou em profundidade os elos de arquitetos com o PCF -nomes como Jean Deroche e Paul Chemetov, que trabalhariam com Niemeyer na nova sede do partido, encomendada ao brasileiro em 1966.<\/p>\n<p>Naquele momento, o PCF &#8220;come\u00e7ava a questionar o dogma do stalinismo&#8221;, afirma Grossman, e Niemeyer representava a mudan\u00e7a. O correligion\u00e1rio vindo dos tr\u00f3picos carregava, ao mesmo tempo, a linguagem universal do modernismo e o olhar regional. A combina\u00e7\u00e3o, plasmada em seu tra\u00e7o singular, significava o meio-termo que o partido queria assinalar em seus pr\u00f3prios rumos.<\/p>\n<p>A longa aventura do arquiteto com a sede do PCF -que teve tr\u00eas etapas e s\u00f3 se concluiu em 1980- foi um dos cap\u00edtulos da tese de doutorado de Grossman na Universidade Princeton e originou um livro independente em 2013, ainda sem publica\u00e7\u00e3o em portugu\u00eas.<\/p>\n<p>Segundo a pesquisadora, a sede \u00e9 &#8220;um alien\u00edgena&#8221; no entorno parisiense. &#8220;Uma das primeiras coisas que ele notou era que Paris n\u00e3o tinha pr\u00e9dios modernos, n\u00e3o tinha arranha-c\u00e9us&#8221;, e ele leva, para esse projeto e outros na Fran\u00e7a, uma no\u00e7\u00e3o constante em sua obra, que \u00e9 a de criar &#8220;vazios em volta&#8221;.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o s\u00f3 vazios. No projeto em quest\u00e3o, Niemeyer parece ter mesmo honrado a tal marca alien\u00edgena, elevando \u00e0 \u00faltima pot\u00eancia os arroubos futuristas que s\u00f3 ensaiava na \u00e9poca de Bras\u00edlia. O audit\u00f3rio ali, com uma c\u00fapula forrada de l\u00e2minas de alum\u00ednio que refletem o verde do carpete, entradas e sa\u00eddas emolduradas por arcos de concreto e fileiras de mesas que reverberam as famosas curvas do arquiteto, se tornou espa\u00e7o cult a ponto de figurar em filmes de realismo fant\u00e1stico, como &#8220;A Espuma dos Dias&#8221;, de Michel Gondry.<\/p>\n<p>Outro aspecto importante relativo \u00e0 sede do PCF e destacado no livro \u00e9 que, ali, foi a primeira vez que Niemeyer se dedicou a projeto de mobili\u00e1rio, criando poltrona e pufe que repousam sobre uma l\u00e2mina de a\u00e7o inox.<\/p>\n<p>Niemeyer trabalhou de gra\u00e7a no projeto do partido, mas foi contratado para outros no departamento de Seine-Saint-Denis, cora\u00e7\u00e3o da &#8220;banlieue rouge&#8221;, o cintur\u00e3o vermelho na periferia de Paris. A Bolsa do Trabalho de Bobigny, capital do departamento, \u00e9 um dos edif\u00edcios dessa lista, que inclui tamb\u00e9m a sede do jornal L&#8217;Humanit\u00e9.<\/p>\n<p>Mas a conex\u00e3o comunista garantiria a Niemeyer trabalho em outras regi\u00f5es, como em Le Havre, cidade portu\u00e1ria onde projetou a Casa de Cultura conhecida como &#8220;vulc\u00e3o&#8221; por sua forma.<\/p>\n<p>Sua proximidade com a esquerda oper\u00e1ria, no entanto, n\u00e3o afastou convites vindos de outras dire\u00e7\u00f5es. Um dos cap\u00edtulos do livro \u00e9 dedicado \u00e0s casas que Niemeyer projeta na C\u00f4te d&#8217;Azur, como a Villa Mondadori, para o propriet\u00e1rio do grupo editorial italiano, cuja matriz, em Mil\u00e3o, tamb\u00e9m conceberia.<\/p>\n<p>Da mesma forma, a obra aborda edif\u00edcios comerciais, como a sede da Renault em Boulogne-Billancourt encomendada ao arquiteto em 1968. Ele conseguiria, como frisa Grossman, trabalhar ao mesmo tempo para os patr\u00f5es e para aqueles que organizavam as greves.<\/p>\n<p>Mas a hist\u00f3ria do &#8220;ex\u00edlio criativo&#8221; de Niemeyer n\u00e3o \u00e9 apenas de sucessos. &#8220;Niemeyer teve uma s\u00e9rie de frustra\u00e7\u00f5es com os projetos&#8221;, resume Grossman.<\/p>\n<p>Muitos deles ficaram no papel, entre os quais os de habita\u00e7\u00e3o social, tipo de projeto que Niemeyer n\u00e3o desenvolveu no Brasil e que tamb\u00e9m merecem um cap\u00edtulo da obra.<\/p>\n<p>Quando Niemeyer \u00e9 convidado para desenvolver ZUPs e ZACs -zonas de urbaniza\u00e7\u00e3o priorit\u00e1ria e de desenvolvimento planejado, segundo os acr\u00f4nimos em franc\u00eas-, j\u00e1 n\u00e3o se admitiam solu\u00e7\u00f5es padronizadas, replic\u00e1veis a despeito da hist\u00f3ria do territ\u00f3rio.<\/p>\n<p>Ascendia a sociologia urbana, com o nascimento do termo &#8220;direito \u00e0 cidade&#8221;, cunhado por Henri Lefebvre. \u00c9 a \u00e9poca da cr\u00edtica dos &#8220;grands ensembles&#8221;, os conjuntos habitacionais feitos em massa para as massas.<\/p>\n<p>Grossman defende que a vis\u00e3o de Niemeyer \u00e9 muito distante da &#8220;concep\u00e7\u00e3o abstrata &#8221; dos &#8220;grands ensembles&#8221;, levando em considera\u00e7\u00e3o a paisagem e contemplando equipamentos de cultura e lazer.<\/p>\n<p>Nada disso serviu para que ele escapasse aos cr\u00edticos, que associavam os edif\u00edcios em l\u00e2mina dos conjuntos habitacionais ao credo funcionalista -cujo grande nome era, como se sabe, o de Le Corbusier.<\/p>\n<p>Da mesma forma como herdara o trono, diz a pesquisadora, Niemeyer &#8220;herdou esse fado&#8221;. &#8220;Foi uma janela que se abriu e se fechou&#8221;, diz ela.<br \/>*<br \/>OSCAR NIEMEYER EN FRANCE &#8211; UN EXIL CR\u00c9ATIF (OSCAR NIEMEYER NA FRAN\u00c7A &#8211; UM EX\u00cdLIO CRIATIVO)<br \/>Quando Lan\u00e7amento em 4 de mar\u00e7o; \u00e0 venda em sites de livrarias francesas<br \/>Pre\u00e7o \u20ac 25 (208 p\u00e1gs.).<br \/>Autor Vanessa Grossman e Beno\u00eet Pouvreau<br \/>Editora \u00c9ditions du Patrimoine.<br \/>*<br \/>PROJETOS MENOS CONHECIDOS DE OSCAR NIEMEYER NA FRAN\u00c7A<br \/>Selecionados e comentados por Vanessa Grossman.<\/p>\n<p>REALIZADOS<br \/>&#8211; Resid\u00eancia Mondadori, 1968 (encomenda), 1971-1972 (realiza\u00e7\u00e3o)<br \/>Em Saint-Jean-Cap-Ferrat (a leste de Nice), Niemeyer concebeu uma resid\u00eancia originalmente encomendada pelo casal Giorgio e Nara Mondadori atrav\u00e9s da colabora\u00e7\u00e3o com o arquiteto Pierre Goujon, o renomado paisagista italiano Pietro Porcinai e, uma vez mais com Athos Bulc\u00e3o.<\/p>\n<p>Partindo do desejo de preservar o &#8220;magn\u00edfico terreno&#8221; no sul da Fran\u00e7a, a solu\u00e7\u00e3o formal prop\u00f5e uma forte separa\u00e7\u00e3o dia-noite atrav\u00e9s de espa\u00e7os dispostos sob uma laje esbelta e sinuosa ecoando a piscina, evocando o seu projeto para a Casa das Canoas.- Bolsa Departamental do Trabalho de Bobigny, 1967 (encomenda), 1972-1978 (realiza\u00e7\u00e3o)<\/p>\n<p>A Bolsa de Bobigny \u00e9 um dos projetos encomendados a Niemeyer pelos comunistas franceses, simb\u00f3lico pois visa a representar o trabalho na chamada &#8220;banlieue rouge&#8221; de Paris.<br \/>\u00c9 um programa cuja origem se inscreve na hist\u00f3ria do movimento sindical franc\u00eas desde o fim do s\u00e9culo 19 como um instrumento de organiza\u00e7\u00e3o da classe oper\u00e1ria.<\/p>\n<p>Como em seu projeto para a sede do partido comunista franc\u00eas em Paris, a solu\u00e7\u00e3o consiste em dois edif\u00edcios, que em Bobigny s\u00e3o separados podendo se associar, mesmo tendo acessos independentes.<\/p>\n<p>Em alus\u00e3o \u00e0 plasticidade e ao dinamismo da concha ac\u00fastica abrigando a sala de confer\u00eancia, o conjunto ficou conhecido em Bobigny como &#8220;albatroz.&#8221;<\/p>\n<p>N\u00c3O REALIZADOS<\/p>\n<p>Zona de Urbaniza\u00e7\u00e3o Priorit\u00e1ria do Plateau Napol\u00e9on, Grasse, 1966-1972<br \/>Desenvolvida a partir de 1965, a ZUP foi o primeiro projeto do tipo que Oscar Niemeyer projetou em territ\u00f3rio franc\u00eas.<\/p>\n<\/p>\n<p>Apoiada pelos ent\u00e3o Minist\u00e9rios da Constru\u00e7\u00e3o e de Assuntos Culturais, esta ZUP &#8220;excepcional&#8221; proposta ao prefeito de Grasse logo atraiu a aten\u00e7\u00e3o de diferentes inst\u00e2ncias administrativas.<\/p>\n<p>Em 1966, Niemeyer apresentou um anteprojeto no qual se podia ver a influ\u00eancia de sua proposta para o Negev (1964), em Israel, seguindo princ\u00edpios de &#8220;vida compacta&#8221; e de &#8220;integra\u00e7\u00e3o program\u00e1tica,&#8221; atrav\u00e9s do projeto de edif\u00edcios residenciais em altura.<\/p>\n<p>Para Grasse, Niemeyer reciclou at\u00e9 mesmo tipologias em arcadas e diagramas de deslocamento ideais para o pedestre propostos para o Negev.<\/p>\n<p>A preemin\u00eancia dada \u00e0 circula\u00e7\u00e3o de pedestres define um partido urban\u00edstico que Lauro Cavalcanti qualifica como &#8220;anti-Bras\u00edlia&#8221;: complexos urbanos onde a natureza tem seu lugar, mas n\u00e3o o autom\u00f3vel.<\/p>\n<p>A premissa se traduziu em tr\u00eas blocos curvos de apartamentos de 16 andares &#8220;que se harmonizam plasticamente entre si criando uma \u00e1rea comum, um parque, no qual se situam equipamentos diversos (creches, escolas, clubes, e centros esportivos) e resid\u00eancias unifamiliares de f\u00e9rias.<\/p>\n<p>Iniciou-se ent\u00e3o uma longa revis\u00e3o por v\u00e1rias comiss\u00f5es, que levantaram muitas quest\u00f5es, incluindo a natureza mista da opera\u00e7\u00e3o, entre habita\u00e7\u00e3o social e sazonal. Mais preocupado com a renova\u00e7\u00e3o do centro antigo da cidade de Grasse, o prefeito confiou, num ato de pragmatismo, o plano de urbanismo ao arquiteto Claude Harlaut, que j\u00e1 era o arquiteto associado a Niemeyer para essa opera\u00e7\u00e3o.- Sede da R\u00e9gie Renault, 1969-1972<\/p>\n<p>No outono de 1968, Pierre Dreyfus, diretor geral da R\u00e9gie Nationale des Usines Renault, fez uma visita a Niemeyer. A empresa ainda n\u00e3o tinha sede em Boulogne-Billancourt.<\/p>\n<p>Conhecida como &#8220;fortaleza dos trabalhadores&#8221; desde o per\u00edodo p\u00f3s-Guerra, a R\u00e9gie continuou sendo um importante local de agita\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-laboral mesmo ap\u00f3s 1968.<\/p>\n<p>A esse projeto se associaram Claude Renard, respons\u00e1vel pelo departamento de &#8220;pesquisa, arte e ind\u00fastria&#8221; da empresa desde 1967, e o arquiteto Pierre Vigneron, autor de numerosas filiais da empresa em toda a Fran\u00e7a.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da sede da empresa, o programa original compreendia um hotel, um sal\u00e3o de exposi\u00e7\u00f5es, um museu automobil\u00edstico, um audit\u00f3rio, um restaurante para funcion\u00e1rios e &#8220;garagens-silo.&#8221;<\/p>\n<p>Em 1969, o projeto tomou a sua forma final, compreendendo somente dois edif\u00edcios: a sede, com 25 pavimentos, e o hotel, com 18. As duas entidades consistiam em blocos curvos, revestidas por envidra\u00e7amento escuro, marcados pela verticalidade de colunas longas, brancas e destacadas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de uma lagoa ligando os edif\u00edcios, Niemeyer projetou uma rede rodovi\u00e1ria que, segundo o arquiteto, deveria conferir &#8220;esse aspecto din\u00e2mico que caracteriza o autom\u00f3vel e a sua presen\u00e7a na vida moderna.&#8221;<\/p>\n<p>Niemeyer desenvolveu assim o tema da rampa, que lhe \u00e9 caro, e cujo resultado apresenta certa afilia\u00e7\u00e3o program\u00e1tica com Lingotto (1922), um \u00edcone pioneiro do g\u00eanero, projetado em Turim para a Fiat pelo arquiteto Giacomo Matt\u00e8 Trucco.<\/p>\n<p>Por\u00e9m a descentraliza\u00e7\u00e3o industrial da regi\u00e3o parisiense acabou mudando os rumos do projeto. Diante da dificuldade em obter a autoriza\u00e7\u00e3o para a constru\u00e7\u00e3o da nova sede segundo a proposta de Niemeyer, a R\u00e9gie acabou atribuindo o projeto a Pierre Vigneron, que concebeu, sem a participa\u00e7\u00e3o do arquiteto brasileiro, uma solu\u00e7\u00e3o mais simples, a partir de um programa bastante reduzido.- Torre em La D\u00e9fense, 1971-1974<\/p>\n<p>Marcado pelo Plan Voisin de Le Corbusier, Niemeyer se dizia surpreso pela aus\u00eancia de arranha-c\u00e9us na Paris dos anos 1960.<\/p>\n<p>A oportunidade de ser o autor de um deles surgiu na \u00e9poca em que o seu projeto para a Renault estava sendo descartado. A torre de Cit\u00e9s Unies em La D\u00e9fense lhe foi encomendada gra\u00e7as \u00e0 sua rede de colabora\u00e7\u00e3o comunista.<\/p>\n<p>A ideia da torre surgiu a partir de 1972, da inten\u00e7\u00e3o da Federa\u00e7\u00e3o Mundial de Cidades Unidas [FMVJ, no acr\u00f4nimo em franc\u00eas] de construir uma nova sede. Fundada em Paris em 1957, a federa\u00e7\u00e3o era uma associa\u00e7\u00e3o de autoridades locais de mais de 80 pa\u00edses da Europa, \u00c1frica e Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>No programa da torre, a entidade ocuparia apenas 1 dos seus 45 andares, sendo o restante do espa\u00e7o destinado a restaurantes, bancos, cinemas, e especialmente a salas de escrit\u00f3rio para aluguel ou compra por outras organiza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Os estudos preliminares de Niemeyer, de julho de 1972, j\u00e1 revelavam a ideia de uma torre tripartite com terra\u00e7os intermedi\u00e1rios apoiados por dois n\u00facleos laterais concentrando as circula\u00e7\u00f5es verticais, em seguida desenvolvida em uma maquete exibida em exposi\u00e7\u00e3o da obra de Niemeyer no Centre Pompidou em 1979.<\/p>\n<p>A inspira\u00e7\u00e3o veio possivelmente do arranha-c\u00e9u da Bolsa de Valores de Montreal, composta de quatro partes distintas, projetada por Pier Luigi Nervi, j\u00e1 que Niemeyer consultou, para o projeto, o renomado engenheiro italiano no final de 1972. Mas Niemeyer j\u00e1 havia desenvolvido um partido an\u00e1logo no seu projeto para a Assembleia Legislativa de Minas Gerais em 1965.<\/p>\n<p>A crise do petr\u00f3leo de 1973 acabou por comprometer a realiza\u00e7\u00e3o do projeto em La D\u00e9fense, que jamais saiu do papel. Ainda assim, a sua repercuss\u00e3o talvez tenha atravessado fronteiras temporais e geogr\u00e1ficas: duas torres concebidas por Norman Foster \u2013a sede do Commerzbank em Frankfurt (1991-1997) e a Torre Cepsa em Madri (2004-2008)\u2013 apresentam grande afinidade com o projeto de Niemeyer.<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Cultura<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/ultima-hora\/1783108\/exilio-de-niemeyer-em-paris-detonou-a-fase-alienigena-do-arquiteto-de-brasilia-diz-livro?utm_source=rss-cultura&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; Mais conhecido e celebrado arquiteto do pa\u00eds, Oscar Niemeyer teve<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":149,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-148","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/148","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=148"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/148\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/149"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=148"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=148"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=148"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}