{"id":14792,"date":"2021-05-31T06:11:19","date_gmt":"2021-05-31T09:11:19","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/05\/31\/destinos-turisticos-se-reinventam-como-cidades-escritorio\/"},"modified":"2021-05-31T06:11:19","modified_gmt":"2021-05-31T09:11:19","slug":"destinos-turisticos-se-reinventam-como-cidades-escritorio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/05\/31\/destinos-turisticos-se-reinventam-como-cidades-escritorio\/","title":{"rendered":"Destinos tur\u00edsticos se reinventam como &#8216;cidades-escrit\u00f3rio&#8217;"},"content":{"rendered":"<p>Cidades de praia sempre foram prec\u00e1rias. Ruas de terra, internet fraca. Mas a pandemia tem provocado uma transforma\u00e7\u00e3o: com o trabalho a dist\u00e2ncia, muita gente, principalmente os mais ricos, tem passado temporadas no litoral ou em munic\u00edpios do interior em busca de um lugar para trabalhar e, ao mesmo tempo, apreciar a natureza. Isso tem aquecido a economia dessas cidades. Prefeituras, empresas de telefonia e at\u00e9 aplicativos de delivery est\u00e3o investindo para atrair um novo tipo de turista: o dos profissionais digitais.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>A paulistana Carla Skaf Abbud, por exemplo, foi para a praia de Guarajuba (em Cama\u00e7ari, na Bahia) e viu avan\u00e7os na regi\u00e3o. &#8220;Aqui n\u00e3o tinha nada. Agora, todo fim de semana tem feirinha ecol\u00f3gica, com v\u00e1rios restaurantes, comida portuguesa, pizza&#8221;, conta ela, que fechou o apartamento em S\u00e3o Paulo, onde morava. Hoje, ela e o marido &#8211; donos de uma rede de restaurantes &#8211; s\u00f3 v\u00e3o para a capital paulista quando t\u00eam algum neg\u00f3cio inadi\u00e1vel. &#8220;Mesmo assim, vamos no primeiro voo e voltamos \u00e0 noite.&#8221;<\/p>\n<p>Carla \u00e9 exemplo de um tipo de turista que come\u00e7ou a chegar no meio do ano passado e foi ficando. E isso fez os olhos das prefeituras locais brilharem. Foi assim em Ilhabela (SP), Campos do Jord\u00e3o (SP), Porto Seguro (BA), Cama\u00e7ari (BA), Alto Para\u00edso de Goi\u00e1s &#8211; munic\u00edpios com alto potencial tur\u00edstico e, ao mesmo tempo, pr\u00f3ximos a grandes centros.<\/p>\n<p>&#8220;A gente s\u00f3 tem o turismo para manter a economia girando. Quando vimos que havia esse potencial, resolvemos investir&#8221;, diz Toninho Colucci (PL), prefeito de Ilhabela. Ele procurou v\u00e1rias empresas de telefonia para melhorar o acesso \u00e0 internet. A Vivo se interessou e investiu R$ 2 milh\u00f5es para esticar um cabo submarino do continente at\u00e9 a cidade, que antes era servida s\u00f3 com ondas de r\u00e1dio.<\/p>\n<p>A obra deve ser conclu\u00edda em junho, mas a prefeitura j\u00e1 decidiu propagandear o feito: aplicou R$ 1 milh\u00e3o numa campanha, na qual chama as pessoas para irem &#8220;trabalhar no para\u00edso&#8221; &#8211; com garantia de internet que n\u00e3o cai.<\/p>\n<p>&#8220;Quando vimos que o fluxo de dados aumentou muito em lugares como Ilhabela e em outras cidades do Litoral Norte e do interior, resolvemos antecipar o investimento e atender esse novo movimento&#8221;, conta Dante Compagno Neto, diretor de marketing da Vivo. S\u00f3 no primeiro trimestre, a empresa investiu R$ 1,9 bilh\u00e3o em expans\u00e3o de rede, 18% a mais que nos primeiros tr\u00eas meses de 2020 &#8211; principalmente para atender aos profissionais digitais.<\/p>\n<p>A Oi tamb\u00e9m tem percebido o aumento na demanda por banda larga de alta velocidade em cidades de veraneio. Em Arma\u00e7\u00e3o dos B\u00fazios (RJ), por exemplo, a base da empresa cresceu 50% em 12 meses at\u00e9 mar\u00e7o. &#8220;Em 2020, a demanda foi acima do esperado. Muita gente querendo mais velocidade e qualidade de internet nessas \u00e1reas&#8221;, diz o diretor de marketing da empresa, Roberto Guenzburger.<\/p>\n<p>No interior, pequenos provedores tamb\u00e9m passaram a faturar mais com esse movimento migrat\u00f3rio, com foco em condom\u00ednios de luxo. &#8220;Tenho instalado links empresariais, antes restritos a empresas, em resid\u00eancias de condom\u00ednios como o Quinta da Baroneza, em Bragan\u00e7a Paulista&#8221;, diz Eduardo Garcia, diretor comercial da provedora Net Turbo, presente em 74 cidades paulistas.<\/p>\n<p>&#8220;Garantir o acesso a uma internet boa e est\u00e1vel foi o primeiro passo para atrair esse p\u00fablico (que trabalha em home office)&#8221;, diz a subsecret\u00e1ria de Turismo de Cama\u00e7ari, L\u00facia Bichara. Para oferecer servi\u00e7os adicionais, diz ela, foi necess\u00e1rio ir um pouco al\u00e9m. &#8220;Criamos um programa para ajudar restaurantes locais a trabalhar com delivery e para explicar para nossos comerciantes como funciona vender pela internet.&#8221;<\/p>\n<p>Um reflexo desse movimento tamb\u00e9m foi o aumento da demanda verificada pelo iFood &#8211; aplicativo de delivery. Segundo a empresa, os munic\u00edpios que mais cresceram no ano foram Pelotas (RS), Petr\u00f3polis (RJ), Cabo Frio (RJ), Mar\u00edlia (SP) e S\u00e3o Jos\u00e9 (SC).<\/p>\n<p>Dono de uma pousada e de uma escola de vela em Ilha Bela, Pedro Rodrigues sempre tocou os neg\u00f3cios de sua casa na capital paulista. Mas o movimento de turistas que antes da pandemia acontecia de sexta a domingo passou a exigir sua presen\u00e7a durante a semana. &#8220;Essa mudan\u00e7a, boa para os neg\u00f3cios, exigiu uma mudan\u00e7a da cultura local e os funcion\u00e1rios tiveram de se adequar a isso.&#8221;<\/p>\n<p>Com essa nova demanda, Ilhabela conseguiu &#8220;segurar&#8221; empregos. A cidade terminou o ano com um saldo positivo de 62 vagas com carteira, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) referentes a Ilhabela, de 35 mil habitantes. No primeiro trimestre de 2021, o saldo tamb\u00e9m foi positivo em 120 vagas.<\/p>\n<p><strong>Alojamento vai de pousadas a mans\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>Muitos dos profissionais digitais que n\u00e3o t\u00eam casa na praia ou no campo, geralmente se programam para ficar em pousadas e casas de aluguel. Alguns gostam tanto que resolvem ficar de vez, segundo Celso Pinto, dono da AirConcierge, uma empresa que administra o aluguel de temporada pelo Airbnb de 200 propriedades de alto padr\u00e3o no interior de S\u00e3o Paulo e litoral. S\u00e3o mans\u00f5es de luxo, com di\u00e1rias de mais de R$ 7 mil.<\/p>\n<p>&#8220;Antes da pandemia, eu alugava para feriados e finais de semana, para grupos de v\u00e1rias fam\u00edlias, que dividiam os custos. Agora, s\u00e3o executivos fugindo de grande cidades que ficam v\u00e1rios meses. E o interessante \u00e9 que tem gente que faz tipo um \u0091test drive\u0092: alugam, gostam tanto que depois fazem uma oferta de compra&#8221;, afirma ele, que j\u00e1 vendeu pelo menos cinco casas.<\/p>\n<p>Em Campos do Jord\u00e3o, na Serra da Mantiqueira, a busca por im\u00f3veis vive um boom. O corretor Ederson Carlos Muniz, que atua h\u00e1 mais de 16 anos no mercado, diz que nunca viu movimento t\u00e3o forte. Inicialmente, a procura foi mais intensa por im\u00f3veis rurais. Depois vieram as ch\u00e1caras e as casas em condom\u00ednios. E, agora, est\u00e3o buscando apartamentos. O efeito colateral foi que o pre\u00e7o do metro quadrado subiu cerca de 40% na cidade &#8211; de R$ 3,5 mil para R$ 5 mil.<\/p>\n<p>Quem ainda n\u00e3o decidiu ficar de vez, recorre \u00e0 hospedagem. A dona da pousada A Capela, em Arembepe, na Costa de Cama\u00e7ari (BA), Claudia Giudice, passou quatro meses de 2020 com o estabelecimento fechado. Foi a\u00ed, ent\u00e3o, que come\u00e7ou a receber liga\u00e7\u00f5es de gente interessada em se hospedar &#8220;desde que a internet aguentasse o tranco&#8221;. &#8220;Corri para aumentar meu pacote, investi em mais roteadores para estender o sinal onde ele falhava e deu certo.&#8221; Dos 14 apartamentos que ela pode alugar &#8211; pelas restri\u00e7\u00f5es da pandemia -, todos est\u00e3o ocupados.<\/p>\n<p><strong>Home Office muda alta temporada<\/strong><\/p>\n<p>A movimenta\u00e7\u00e3o que os novos turistas digitais trouxeram tem feito o com\u00e9rcio de muitas cidades crescer. &#8220;Maio, abril e junho sempre foram os piores meses por aqui, independentemente da pandemia&#8221;, conta Edson Campos Carvalho J\u00fanior, dono da rede de supermercados Pre\u00e7o Bom, de Trancoso.<\/p>\n<p>&#8220;Agora, \u00e9 s\u00f3 u\u00edsque, champanhe, azeite caro e mu\u00e7arela de b\u00fafala. Tivemos at\u00e9 de aumentar o mix de produtos para atender esse novo consumidor, que \u00e9 mais exigente. E as vendas est\u00e3o semelhantes \u00e0s de um per\u00edodo pr\u00e9-ver\u00e3o&#8221;, diz ele, que tem tr\u00eas lojas e abriu uma quarta em Cara\u00edva, na mesma regi\u00e3o. &#8220;E o movimento nessa nova loja est\u00e1 surpreendendo positivamente.&#8221;<\/p>\n<p>Lugares mais no cora\u00e7\u00e3o do Brasil tamb\u00e9m est\u00e3o mudando de cara com os &#8220;migrantes digitais&#8221;. Alto Para\u00edso de Goi\u00e1s, na Chapada dos Veadeiros, por exemplo, era para estar bem pacata e vazia nesta \u00e9poca do ano.<\/p>\n<p>Desde o in\u00edcio da pandemia, por\u00e9m, o munic\u00edpio ganhou um ritmo diferente, com pessoas novas, conforme observa o brasiliense Mateus Le\u00e3o, de 29 anos, dono da pousada Capim Canoa. &#8220;Nessa \u00e9poca do ano, a cidade estava bem mais vazia. Agora est\u00e1 tudo lotado.&#8221; Sua pousada tem quatro &#8220;flats&#8221; e duas casas de aluguel. Todas ocupadas no momento.<\/p>\n<p>Nos restaurantes, que em outras cidades est\u00e3o tendo muita dificuldade, o cen\u00e1rio \u00e9 bem mais animador. &#8220;Hoje tem at\u00e9 fila de espera&#8221;, diz a ge\u00f3grafa Mariana Pavezzi, moradora de Alto Para\u00edso de Goi\u00e1s desde dezembro de 2018. Ela abriu seu restaurante de comida afetiva, o Benzim, no ano passado, ap\u00f3s a quarentena. N\u00e3o esperava que a receptividade fosse t\u00e3o boa num per\u00edodo dif\u00edcil como esse de coronav\u00edrus. Mas se surpreendeu.<\/p>\n<p>&#8220;Recebemos novos moradores e o turismo est\u00e1 muito forte, o que tem impulsionado novos estabelecimentos no local, como lojas de artesanato e de equipamentos para caminhada&#8221;, conta ela, que dava aulas em Bras\u00edlia e Goi\u00e2nia.<\/p>\n<p>Escrit\u00f3rio na praia. Outro lugar que est\u00e1 movimentado \u00e9 Trancoso. O movimento de jatinhos no aeroporto local n\u00e3o para. Executivos e empres\u00e1rios transformaram o balne\u00e1rio em uma esp\u00e9cie de &#8220;cidade-escrit\u00f3rio&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Outro dia tinha um professor da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas dando entrevista online ao vivo para uma rede de TV nacional, aqui do meu bar, com o mar de cen\u00e1rio&#8221;, conta J\u00fanior Fernandes, propriet\u00e1rio do Flyclub Trancoso, uma das barracas de praia mais famosas do destino tur\u00edstico.<\/p>\n<p>Em anos normais, segundo ele, a barraca estaria fechada nos meses de maio e junho, fase de baixa temporada. &#8220;Agora, n\u00e3o tem mais isso. Fico aberto direto. \u00c9 movimento de fim de semana e de segunda \u00e0 sexta&#8221;, relata o comerciante.<\/p>\n<p>As informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o do jornal <strong>O Estado de S. Paulo.<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/economia\/1808981\/destinos-turisticos-se-reinventam-como-cidades-escritorio?utm_source=rss-economia&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><br \/>\nNot\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Economia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cidades de praia sempre foram prec\u00e1rias. Ruas de terra, internet fraca. 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