{"id":146919,"date":"2023-10-17T19:09:46","date_gmt":"2023-10-17T22:09:46","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2023\/10\/17\/seca-na-amazonia-deixa-cidades-em-estado-de-emergencia\/"},"modified":"2023-10-17T19:09:46","modified_gmt":"2023-10-17T22:09:46","slug":"seca-na-amazonia-deixa-cidades-em-estado-de-emergencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2023\/10\/17\/seca-na-amazonia-deixa-cidades-em-estado-de-emergencia\/","title":{"rendered":"Seca na Amaz\u00f4nia deixa cidades em estado de emerg\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p>Se as fotos de lagos e rios secos pela falta de chuva na Amaz\u00f4nia impressionam, as imagens de sat\u00e9lites da floresta s\u00e3o igualmente chamativas. No Estado do Amazonas, por exemplo, a superf\u00edcie da cobertura de \u00e1gua atingiu sua menor extens\u00e3o desde 2018, de acordo com o MapBiomas, plataforma que re\u00fane universidades, organiza\u00e7\u00f5es ambientais e empresas de tecnologia.<\/p>\n<p>Lagos inteiros secaram. Al\u00e9m do Lago Tef\u00e9, onde morreram mais de 100 botos, a seca tamb\u00e9m atinge o Lago de Coari, afetando o acesso a alimentos, medicamentos e o funcionamento das escolas.<\/p>\n<\/p>\n<p>Os dados que revelam o tamanho da seca no Estado foram obtidos a partir de imagens de sat\u00e9lites dos sistemas LandSat e Sentinel. Em setembro foram registrados 3,56 milh\u00f5es de hectares, uma redu\u00e7\u00e3o de 1,39 milh\u00e3o de hectares em rela\u00e7\u00e3o aos 4,95 milh\u00f5es de hectares de setembro de 2022.<\/p>\n<\/p>\n<p>Ao todo, 25 munic\u00edpios do Estado tiveram redu\u00e7\u00e3o na superf\u00edcie de \u00e1gua superior a 10 mil hectares. Barcelos, no centro do Amazonas, teve a maior perda: 69 mil hectares entre setembro de 2022 e setembro de 2023. Na sequ\u00eancia est\u00e3o Codaj\u00e1s (47 mil hectares), Beruri (43 mil hectares) e Coari (40 mil hectares) &#8211; todos com perdas superiores a 40 mil hectares de \u00e1gua.<\/p>\n<\/p>\n<p>Os 20 munic\u00edpios que mais perderam superf\u00edcie de \u00e1gua no Amazonas est\u00e3o em estado de emerg\u00eancia ou de alerta, afetando comunidades ribeirinhas, extrativistas, quilombolas, ind\u00edgenas e \u00e1reas urbanas. Em Manaus, o n\u00edvel do Rio Negro atingiu a menor marca em mais de um s\u00e9culo.<\/p>\n<\/p>\n<p>A seca extrema \u00e9 a pior em mais de um s\u00e9culo, desde quando o n\u00edvel do grande rio amaz\u00f4nico come\u00e7ou a ser monitorado. At\u00e9 hoje, as piores secas do Rio Negro tinham acontecido em 2010 (13,63m), 1963 (13,64m) e 1906 (14,20m). A previs\u00e3o \u00e9 de que o rio continue baixando pelos pr\u00f3ximos dez dias, j\u00e1 que a estiagem amaz\u00f4nica se prolonga at\u00e9 os \u00faltimos dias de outubro.<\/p>\n<\/p>\n<p>A seca hist\u00f3rica acontece dois anos ap\u00f3s o Rio Negro ter registrado a sua maior cheia, em 2021, quando a marca de 30,02 metros foi atingida em Manaus. Quatro munic\u00edpios localizados na calha do rio &#8211; S\u00e3o Gabriel da Cachoeira, Barcelos, Santa Isabel do Rio Negro e a capital, Manaus &#8211; est\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia.<\/p>\n<\/p>\n<p>O governo federal anunciou nesta segunda-feira, 16, a libera\u00e7\u00e3o de R$ 324,3 milh\u00f5es para a\u00e7\u00f5es de sa\u00fade, defesa civil e moradia aos afetados pela seca no Estado do Amazonas. O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade destinar\u00e1 R$ 224,3 milh\u00f5es para as prefeituras, dos quais R$ 102,3 milh\u00f5es ter\u00e3o libera\u00e7\u00e3o imediata. Os outros R$ 122 milh\u00f5es ser\u00e3o liberados em parcelas. O an\u00fancio foi feito pela ministra N\u00edsia Trindade, que visitou Manaus nesta segunda.<\/p>\n<\/p>\n<p>Os outros R$ 100 milh\u00f5es ser\u00e3o destinados aos munic\u00edpios afetados pela seca que possuem comunidades em \u00e1reas de risco. A Associa\u00e7\u00e3o Amazonense de Munic\u00edpios (AAM) anunciou que os recursos v\u00e3o custear o aluguel de seis mil moradias para abrigar as fam\u00edlias que ficaram isoladas ou tiveram perderam as casas em inc\u00eandios.<\/p>\n<\/p>\n<p><b>Alta vulnerabilidade a queimadas<\/b><\/p>\n<\/p>\n<p>De acordo com Carlos Souza, coordenador do MapBiomas \u00c1gua, o impacto da seca na biodiversidade aqu\u00e1tica vem sendo reportado em diferentes pontos, mas ainda n\u00e3o h\u00e1 uma estimativa do total, que pode atingir propor\u00e7\u00f5es alarmantes. Al\u00e9m da seca, o Estado do Amazonas est\u00e1 em uma situa\u00e7\u00e3o de alta vulnerabilidade a queimadas.<\/p>\n<\/p>\n<p>&#8220;Os efeitos do El Ni\u00f1o severo de 2023 e do aquecimento do Atl\u00e2ntico Norte t\u00eam sido considerados, por especialistas, como os principais fatores que est\u00e3o contribuindo com a seca severa na regi\u00e3o, o que pode ser de maior intensidade do que a seca de 2010. As mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e o desmatamento, por sua vez, s\u00e3o considerados a principal causa das secas, cada vez mais frequentes e severas na Amaz\u00f4nia&#8221;, afirma Souza.<\/p>\n<\/p>\n<p>O El Ni\u00f1o eleva as temperaturas do Oceano Pac\u00edfico e o aquecimento anormal das \u00e1guas altera as correntes de ventos e as precipita\u00e7\u00f5es em diversas partes do planeta. Como se trata de um oceano muito grande, a eleva\u00e7\u00e3o das temperaturas superficiais das \u00e1guas tem um impacto no regime de chuvas. No Sul do Pa\u00eds, por exemplo, o fen\u00f4meno contribuiu para a passagem de um ciclone, que deixou 49 mortos e milhares de desabrigados. No Norte, o efeito \u00e9 inverso, com seca extrema.<\/p>\n<\/p>\n<p>Os efeitos do El Ni\u00f1o se somam \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. A ag\u00eancia americana Administra\u00e7\u00e3o Oce\u00e2nica e Atmosf\u00e9rica Nacional (NOAA, em ingl\u00eas) afirmou que o ano de 2023 dever\u00e1 ser o mais quente j\u00e1 registrado. &#8220;H\u00e1 uma probabilidade maior que 99% de que 2023 seja o ano mais quente j\u00e1 registrado&#8221;, afirmou a ag\u00eancia em previs\u00e3o publicada na sexta-feira, 13.<\/p>\n<\/p>\n<p>A previs\u00e3o est\u00e1 alinhada aos estudos do Servi\u00e7o de Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas Copernicus, da Uni\u00e3o Europeia. O instituto tamb\u00e9m anunciou, no dia 4, que 2023 est\u00e1 a caminho de se tornar o mais quente j\u00e1 registrado, com a temperatura m\u00e9dia global at\u00e9 o momento 0,52\u00b0C acima da m\u00e9dia. Na Europa, setembro registrou temperaturas 2,51\u00b0C acima da m\u00e9dia de 1991-2020, tornando-se o mais quente desde o in\u00edcio dos registros.<\/p>\n<\/p>\n<p>O m\u00eas passado foi o setembro mais quente j\u00e1 registrado globalmente, 0,93\u00b0C acima da temperatura m\u00e9dia para o m\u00eas no per\u00edodo de 1991-2020.<\/p>\n<\/p>\n<p>As altas temperaturas registradas em setembro foram decisivas para essa proje\u00e7\u00e3o. O m\u00eas foi o mais quente em 174 anos de registros globais, ainda de acordo com a NOAA. A temperatura global em setembro ficou 1,44\u00b0C acima da m\u00e9dia do s\u00e9culo XX, segundo a ag\u00eancia americana. &#8220;Setembro de 2023 foi o quarto m\u00eas consecutivo com temperaturas recorde&#8221;, afirmou a cientista-chefe Sarah Kapnick.<\/p>\n<\/p>\n<p><b>Pesquisadores alertam para riscos de inc\u00eandios<\/b><\/p>\n<\/p>\n<p>Os efeitos do fen\u00f4meno clim\u00e1tico v\u00eam sendo alertados por pesquisadores e especialistas, como a pesquisadora do Laborat\u00f3rio de Gases de Efeito Estufa, do Inpe, Luciana Gatti. Na Amaz\u00f4nia, anos sob efeito do El Ni\u00f1o significam meses de seca, mais inc\u00eandios florestais, destrui\u00e7\u00e3o da mata e maiores \u00edndices de emiss\u00f5es de di\u00f3xido de carbono (CO2).<\/p>\n<\/p>\n<p>Em 2015 e 2016, as emiss\u00f5es amaz\u00f4nicas atingiram seus pontos mais altos na d\u00e9cada. Foram liberados 1,9 bilh\u00e3o de toneladas de CO2 e 2,2 bilh\u00f5es de toneladas de CO2, respectivamente.<\/p>\n<\/p>\n<p>Naqueles anos, a floresta esteve sob a influ\u00eancia de um fen\u00f4meno t\u00e3o forte que foi apelidado por pesquisadores de &#8220;El Ni\u00f1o Godzilla&#8221;, em alus\u00e3o \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o que poderia causar. E, de fato, causou.<\/p>\n<\/p>\n<p>Ainda que n\u00e3o tenha superado o de 1997 e 1998 na escala de problemas, foi o suficiente para, por exemplo, fortalecer a epidemia de Zika na Am\u00e9rica do Sul e, na floresta tropical, desencadear condi\u00e7\u00f5es perfeitas para enormes inc\u00eandios, como os registrados na por\u00e7\u00e3o norte do bioma, e levar seca t\u00e3o severa capaz de secar quase inteiramente o lago da Hidrel\u00e9trica de Balbina, no Amazonas, o que causou desabastecimento e inseguran\u00e7a alimentar \u00e0s comunidades ribeirinhas.<\/p>\n<\/p>\n<p>O CO2 \u00e9 o principal causador do efeito estufa e reduzir suas emiss\u00f5es \u00e9 um desafio e compromisso assumidos pelo Brasil para cumprir o Acordo de Paris, pacto firmado entre 195 pa\u00edses contra as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, e restringir o aquecimento global em 1,5\u00ba C em rela\u00e7\u00e3o aos n\u00edveis pr\u00e9-industriais at\u00e9 ao final do s\u00e9culo.<\/p>\n<\/p>\n<p>Em 2021, ano com dados mais recentes, o Brasil registrou a maior alta nas emiss\u00f5es de gases de efeito estufa em 19 anos, segundo levantamento do Observat\u00f3rio do Clima. A eleva\u00e7\u00e3o, de 12,2%, ocorreu em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior, e teve como principal causa o desmatamento.<\/p>\n<\/p>\n<p>O Pa\u00eds despejou na atmosfera 2,42 bilh\u00f5es de toneladas brutas de CO2 equivalente &#8211; uma forma de mensurar todos os gases estufa em uma mesma medida. O \u00faltimo aumento dessa monta havia sido em 2003, quando os dados de desmate bateram o recorde hist\u00f3rico. As emiss\u00f5es de gases estufa subiram 20% naquele ano, conforme o Observat\u00f3rio, que re\u00fane mais de 50 organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil.<\/p>\n<\/p>\n<p><b>Floresta sob neblina<\/b><\/p>\n<\/p>\n<p>Agravando a crise clim\u00e1tica no Amazonas, Manaus e outros munic\u00edpios do Amazonas ficaram semanas envoltos em uma nuvem de fuma\u00e7a de queimadas. Em alguns dias, a capital amazonense ficou coberta por uma \u0091neblina\u0092, vis\u00edvel mesmo durante a noite.<\/p>\n<\/p>\n<p>At\u00e9 29 de setembro, foram 6.782 focos de queimadas no Amazonas. No mesmo per\u00edodo de agosto, foram 5,1 mil, uma alta de 33%. Mas o cen\u00e1rio na mesma \u00e9poca do ano passado foi pior: em 29 dias de setembro de 2022 foram 8.103 focos, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), \u00f3rg\u00e3o ligado ao Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia e Tecnologia.<\/p>\n<\/p>\n<p>&#8220;Temos uma situa\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios eventos extremos. O Brasil \u00e9 definitivamente um pa\u00eds vulner\u00e1vel nesse momento em que convivemos com o que acontece no Rio Grande do Sul, que j\u00e1 havia passado um per\u00edodo de estiagem e agora vive chuvas torrenciais&#8221;, afirmou a ministra do Meio Ambiente e Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas, Marina Silva, no final de setembro. &#8220;Temos o Estado do Amazonas, que no in\u00edcio do ano passou por cheia extrema e agora vive estiagem extrema. Os preju\u00edzos s\u00e3o enormes&#8221;, acrescentou.<\/p>\n<\/p>\n<p>A ministra defendeu ainda que s\u00e3o necess\u00e1rias medidas de m\u00e9dio e longo prazo para lidar com esses eventos. Marina afirmou que a meta de redu\u00e7\u00e3o do desmatamento assumida pelo governo \u00e9 um dos pontos que contribuem para mitigar as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Segundo ela, \u00e9 importante tamb\u00e9m que 1038 munic\u00edpios vulner\u00e1veis a eventos clim\u00e1ticos extremos tenham decretado de situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia clim\u00e1tica para agilizar a resposta \u00e0s trag\u00e9dias.<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Brasil<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/ultima-hora\/2073411\/seca-na-amazonia-deixa-cidades-em-estado-de-emergencia?utm_source=rss-brasil&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se as fotos de lagos e rios secos pela falta de chuva na Amaz\u00f4nia impressionam,<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":146920,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-146919","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/146919","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=146919"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/146919\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/146920"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=146919"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=146919"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=146919"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}