{"id":146635,"date":"2023-10-16T08:08:44","date_gmt":"2023-10-16T11:08:44","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2023\/10\/16\/como-a-disney-moldou-a-cultura-e-agora-faz-cem-anos-sob-ameaca-de-perder-mickey\/"},"modified":"2023-10-16T08:08:44","modified_gmt":"2023-10-16T11:08:44","slug":"como-a-disney-moldou-a-cultura-e-agora-faz-cem-anos-sob-ameaca-de-perder-mickey","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2023\/10\/16\/como-a-disney-moldou-a-cultura-e-agora-faz-cem-anos-sob-ameaca-de-perder-mickey\/","title":{"rendered":"Como a Disney moldou a cultura e agora faz cem anos sob amea\u00e7a de perder Mickey"},"content":{"rendered":"<p>S\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; Tudo come\u00e7ou com um rato. Cem anos depois, o rato j\u00e1 n\u00e3o importa tanto assim. Apesar de sintetizar a hist\u00f3ria de sua cria\u00e7\u00e3o com a frase rom\u00e2ntica e pueril, que nem \u00e9 t\u00e3o aut\u00eantica assim, j\u00e1 que seu principal personagem seria criado cinco anos depois, a The Walt Disney Company chega ao seu centen\u00e1rio como muito mais do que a casa de Mickey Mouse. Muito mais at\u00e9 do que uma produtora de anima\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>Uma das marcas mais reconhecidas mundialmente, respons\u00e1vel por moldar gera\u00e7\u00f5es e criar um imagin\u00e1rio coletivo por meio de seus filmes, a Disney virou sin\u00f4nimo de soft power dos Estados Unidos ao expandir seus neg\u00f3cios para esportes, m\u00fasica, teatro, livros, games, parques tem\u00e1ticos, cruzeiros e toda sorte de produto.<\/p>\n<p>Hoje avaliada em US$ 155 bilh\u00f5es, a Disney tem uma trajet\u00f3ria que serve como cr\u00f4nica do pr\u00f3prio sonho americano. Foi em meio aos loucos anos 1920 e aos del\u00edrios de grandeza que Hollywood desenhava para si, afinal, que um Walt Disney de 21 anos sem dinheiro no bolso deixou para tr\u00e1s o pequeno e falido est\u00fadio que havia fundado em Kansas rumo \u00e0 Calif\u00f3rnia.<\/p>\n<p>Ao lado do irm\u00e3o, Roy O. Disney, e do ilustrador Ub Iwerks, fundou em 16 de outubro de 1923 a Disney Brothers Studio, como a companhia foi originalmente chamada, prosperando com o coelho Oswald, mais tarde perdido numa negociata de direitos autorais, e com curtas que misturavam anima\u00e7\u00e3o e live-action.<\/p>\n<p>Mas o sucesso e a independ\u00eancia financeira vieram mesmo com Mickey, em 1928, que no curta &#8220;O Vapor Willie&#8221;, ou &#8220;Steamboat Willie&#8221;, estrelou a primeira anima\u00e7\u00e3o com som sincronizado da hist\u00f3ria. Com um personagem carism\u00e1tico e tecnologia nas m\u00e3os, os neg\u00f3cios prosperaram.<\/p>\n<p>N\u00e3o deixa de ser ir\u00f4nico, portanto, que a Disney chegue agora ao centen\u00e1rio sob a amea\u00e7a de perder a exclusividade de Mickey Mouse, que deve entrar em dom\u00ednio p\u00fablico no ano que vem. N\u00e3o espere ver, por\u00e9m, o ratinho em qualquer canto.<\/p>\n<p>A empresa tem tomado precau\u00e7\u00f5es e se associado de forma mais umbilical ao personagem para embaralhar o que \u00e9 s\u00f3 mais uma propriedade intelectual e o que \u00e9 a sua pr\u00f3pria marca -esta tem restri\u00e7\u00f5es mais rigorosas de uso. Percebeu que, nos \u00faltimos anos, todas as anima\u00e7\u00f5es do est\u00fadio acompanham uma vinheta que rememora &#8220;O Vapor Willie&#8221;, como um selo?<\/p>\n<p>Este, no entanto, \u00e9 o menor dos problemas da Disney. A empresa completa um s\u00e9culo com o barquinho Willie navegando em \u00e1guas turbulentas. N\u00e3o bastassem as greves que chacoalharam a produ\u00e7\u00e3o audiovisual americana nos \u00faltimos meses e puseram sob escrut\u00ednio os sal\u00e1rios exuberantes de seu CEO, seu valor de mercado tem ca\u00eddo.<\/p>\n<p>Suas a\u00e7\u00f5es, na festa de comemora\u00e7\u00e3o, valem menos do que nos primeiros e incertos meses de pandemia. N\u00e3o s\u00e3o n\u00fameros exatamente ruins, mas est\u00e3o longe de permitir serenidade no trato dos neg\u00f3cios, que passaram por um pico de crescimento a partir de janeiro de 2014, \u00faltima vez em que o valor de mercado esteve t\u00e3o baixo.<\/p>\n<p>E a dire\u00e7\u00e3o da Disney j\u00e1 percebeu isso. Tirou da aposentadoria, em novembro, o antigo CEO Bob Iger, ap\u00f3s a desastrosa gest\u00e3o de Bob Chapek e dos n\u00fameros vacilantes do streaming Disney+. A esperan\u00e7a \u00e9 a de que Iger consiga reverter o cen\u00e1rio desfavor\u00e1vel, como j\u00e1 havia feito quando assumiu o cargo pela primeira vez, em 2005.<\/p>\n<p>Os 15 anos em que ele esteve \u00e0 frente da companhia foram marcados pela diversifica\u00e7\u00e3o dos neg\u00f3cios e por aquisi\u00e7\u00f5es importantes. Partiu de sua gest\u00e3o a iniciativa de comprar a Pixar, a Marvel Entertainment e a Lucasfilm, ampliando a biblioteca de personagens valiosos. Sem falar no arremate da 21st Century Fox, seu canto do cisne, que deu \u00e0 Disney um controle sem precedentes do calend\u00e1rio de estreias.<\/p>\n<p>Iger tem dois anos, pelo novo contrato, para p\u00f4r a casa em ordem e escolher um sucessor. Entre as medidas j\u00e1 tomadas est\u00e3o o corte de US$ 5,5 bilh\u00f5es em custos e a demiss\u00e3o de 7.000 funcion\u00e1rios. Decis\u00f5es duras, semelhantes \u00e0s que v\u00e1rias outras empresas do setor v\u00eam tomando, embora mascaradas pelo clima de festa das bodas centen\u00e1rias.<\/p>\n<p>N\u00e3o que essa seja a primeira crise vivida pelo est\u00fadio. Em cem anos de trajet\u00f3ria, afinal, h\u00e1 espa\u00e7o de sobra para maus momentos. Nos anos 1940, a Segunda Guerra fez minguar o interesse pelas anima\u00e7\u00f5es simp\u00e1ticas que eram o bem mais precioso da empresa.<\/p>\n<p>Na virada da d\u00e9cada de 1960 para 1970, a morte de Walt Disney imp\u00f4s ao Walt Disney Animation Studios um bloqueio criativo, e nenhum filme parecia agradar ao p\u00fablico. A concorr\u00eancia aproveitou para florescer, deixando a divis\u00e3o de desenhos da empresa \u00e0 beira do fechamento at\u00e9 que esta fosse salva pelo sucesso de &#8220;A Pequena Sereia&#8221;, em 1989.<\/p>\n<p>E nos anos 2000, quando a f\u00f3rmula dos musicais teatrais se esgotou, outra crise veio. Nenhuma, no entanto, teve o escopo da enfrentada agora, que vai muito al\u00e9m dos dados de bilheteria e, pior, parece ser fruto n\u00e3o do destino, mas das pr\u00f3prias estrat\u00e9gias tra\u00e7adas em anos recentes -com uma ajudinha da pandemia e da inseguran\u00e7a do streaming.<\/p>\n<p>Sair dela vai ser mais dif\u00edcil, sem d\u00favida. E os planos anunciados at\u00e9 agora parecem ir na contram\u00e3o do que tornou a empresa um tit\u00e3 do capitalismo americano -inova\u00e7\u00e3o. Basta olhar para &#8220;Branca de Neve e os Sete An\u00f5es&#8221;, primeiro longa americano animado, recordista de bilheteria ao ser lan\u00e7ado, em 1937, e respons\u00e1vel por fundar a anima\u00e7\u00e3o enquanto g\u00eanero cinematogr\u00e1fico.<\/p>\n<p>Aos poucos, a f\u00f3rmula foi sendo revista, adaptada e aprimorada. Das anima\u00e7\u00f5es em 2D como &#8220;Pin\u00f3quio&#8221; e &#8220;Peter Pan&#8221; \u00e0 xerografia de &#8220;101 D\u00e1lmatas&#8221;; das extravag\u00e2ncias musicais de &#8220;H\u00e9rcules&#8221; e &#8220;O Rei Le\u00e3o&#8221; \u00e0 pegada pop de &#8220;Tarzan&#8221;; do abra\u00e7o na computadoriza\u00e7\u00e3o de &#8220;Dinossauro&#8221; \u00e0 moderniza\u00e7\u00e3o da receita com &#8220;Frozen&#8221;.<\/p>\n<p>Inova\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 entre os desenhos. Se &#8220;Mary Poppins&#8221; inovou ao p\u00f4r Julie Andrews, em carne e osso, para dan\u00e7ar com pinguins ilustrados, &#8220;Avatar&#8221;, agora uma franquia da Disney, inundou os cinemas com c\u00e2meras \u00e0 prova d&#8217;\u00e1gua.<\/p>\n<p>Enquanto &#8220;Star Wars&#8221; era apresentado para uma nova gera\u00e7\u00e3o, o Universo Cinematogr\u00e1fico Marvel moldou a forma de fazer e lan\u00e7ar filmes na \u00faltima d\u00e9cada -mesmo que ambas as franquias agora apresentem sinais de desgaste.<br \/>A solu\u00e7\u00e3o encontrada para a crise parece ser justamente hiper-saturar, apesar de as experi\u00eancias com Jedi e super-her\u00f3is indicarem que essa \u00e9 uma aposta com prazo de validade. Em meio aos dados financeiros frustrantes dos \u00faltimos meses, a Disney pin\u00e7ou de seu acervo bens valiosos e anunciou &#8220;Toy Story 5&#8221;, &#8220;Frozen 3&#8221;, &#8220;Zootopia 2&#8221;, &#8220;Divertida Mente 2&#8221; e live-actions de &#8220;Moana&#8221; e &#8220;Os Incr\u00edveis&#8221;.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma crise de identidade pairando no ar. N\u00e3o s\u00f3 nos est\u00fadios da Disney, mas em toda Hollywood, bagun\u00e7ada em meio \u00e0 reorganiza\u00e7\u00e3o entre cinema, televis\u00e3o e streaming. Enquanto sequ\u00eancias, refilmagens e derivados n\u00e3o ficam prontos, apostas mais singelas podem apontar para um novo caminho.<\/p>\n<p>Em janeiro, a Disney lan\u00e7a &#8220;Wish&#8221;, sua 62\u00aa anima\u00e7\u00e3o em longa-metragem. O filme recupera t\u00e9cnicas empregadas nos prim\u00f3rdios da companhia, como os desenhos em 2D feitos \u00e0 m\u00e3o, e as moderniza. Tamb\u00e9m retoma as fanfarras musicais que marcaram a chamada &#8220;Renascen\u00e7a Disney&#8221; nos anos 1990.<\/p>\n<p>E, nesta segunda, a festa vai come\u00e7ar com um rato. Mickey vai guiar o espectador pela hist\u00f3ria da companhia no curta &#8220;Era Uma Vez um Est\u00fadio&#8221;, que levar\u00e1 para os corredores da sede da Disney Animation todos os personagens aos quais seus l\u00e1pis, pinc\u00e9is e computadores deram vida.<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Mundo<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/ultima-hora\/2072657\/como-a-disney-moldou-a-cultura-e-agora-faz-cem-anos-sob-ameaca-de-perder-mickey?utm_source=rss-mundo&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; Tudo come\u00e7ou com um rato. 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