{"id":146569,"date":"2023-10-15T07:08:49","date_gmt":"2023-10-15T10:08:49","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2023\/10\/15\/seca-na-amazonia-faz-rio-desaparecer-e-ribeirinhos-percorrem-bancos-de-areia-com-agua-da-cidade\/"},"modified":"2023-10-15T07:08:49","modified_gmt":"2023-10-15T10:08:49","slug":"seca-na-amazonia-faz-rio-desaparecer-e-ribeirinhos-percorrem-bancos-de-areia-com-agua-da-cidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2023\/10\/15\/seca-na-amazonia-faz-rio-desaparecer-e-ribeirinhos-percorrem-bancos-de-areia-com-agua-da-cidade\/","title":{"rendered":"Seca na Amaz\u00f4nia faz rio desaparecer, e ribeirinhos percorrem bancos de areia com \u00e1gua da cidade"},"content":{"rendered":"<p>\u00a0(FOLHAPRESS) &#8211; A fuma\u00e7a que entra pela janelas das casas em Manaus, impregnando tudo com o cheiro de queimado por semanas seguidas, \u00e9 um dos principais sintomas da seca severa que atinge a Amaz\u00f4nia. Assim como a decolagem de um avi\u00e3o \u00e0s cegas, sem que os pilotos distingam o que \u00e9 nuvem e o que \u00e9 n\u00e9voa dos inc\u00eandios.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>O encolhimento agressivo de um lago -com o superaquecimento das \u00e1guas, a forma\u00e7\u00e3o de enormes bancos de areia, a limita\u00e7\u00e3o da navega\u00e7\u00e3o e a morte de animais como botos vermelhos e tucuxis- \u00e9 outro s\u00edmbolo da estiagem extrema na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas nada se compara ao desaparecimento de um rio no munic\u00edpio de Tef\u00e9 (AM).<\/p>\n<p>A Folha de S.Paulo esteve nesta quinta-feira (12) no igarap\u00e9 Paran\u00e3 de Tef\u00e9 -um curso d&#8217;\u00e1gua caudaloso em tempos normais, via de navega\u00e7\u00e3o para barcos lotados de passageiros rumo ao rio Solim\u00f5es e habitat de botos- e constatou que ele est\u00e1 morto.<\/p>\n<p>J\u00e1 na boca do rio Tef\u00e9 (ou lago Tef\u00e9, como \u00e9 mais conhecido na regi\u00e3o), onde des\u00e1gua, o igarap\u00e9 virou um banco de areia, superaquecida por temperaturas tamb\u00e9m extremas. O vazio percorre seu curso inteiro, passando por comunidades dependentes da abund\u00e2ncia de \u00e1gua.<\/p>\n<p>Restaram, para as casas com mais sorte, algum filete de \u00e1gua, usada para matar a sede dos animais.<\/p>\n<p>Casas flutuantes j\u00e1 n\u00e3o flutuam. Motores j\u00e1 n\u00e3o bombeiam \u00e1gua. Sem o rio, as fam\u00edlias das comunidades que o margeiam se viram sem \u00e1gua para consumo. O mais frequente era retirar essa \u00e1gua do igarap\u00e9 e submet\u00ea-la a um tratamento e filtragem. N\u00e3o h\u00e1 t\u00e9cnica que d\u00ea conta de tratar o filete de \u00e1gua carregado de sedimentos.<\/p>\n<p>Uma tentativa dos moradores \u00e9 captar a \u00e1gua da chuva -a pouca chuva que existe nos dias de uma seca que j\u00e1 pode ser considerada hist\u00f3rica na regi\u00e3o do m\u00e9dio rio Solim\u00f5es, onde est\u00e3o cidades como Tef\u00e9 e Fonte Boa.<\/p>\n<p>O que \u00e9 comum a todos os moradores dessas comunidades, que n\u00e3o t\u00eam mais um rio, \u00e9 a depend\u00eancia da \u00e1gua que sai de torneiras p\u00fablicas.<\/p>\n<p>A cidade de Tef\u00e9 est\u00e1 pr\u00f3xima; s\u00e3o menos de 30 minutos pelo rio de mesmo nome, entre a boca do igarap\u00e9 que n\u00e3o existe mais e o portinho do munic\u00edpio. Mas as dificuldades s\u00e3o gigantes, mesmo num trecho curto.<\/p>\n<p>Os moradores das margens do Paran\u00e3 de Tef\u00e9 precisam carregar nos ombros os gal\u00f5es e garrafas cheios de \u00e1gua trazidos da cidade. Eles param os barcos at\u00e9 onde \u00e9 poss\u00edvel, descem por um terreno ainda umedecido -uma lama escorregadia- e adentram pela areia quente do que j\u00e1 foi o fundo de um rio. O percurso pode se estender por 1,5 km.<\/p>\n<p>Para as casas mais pr\u00f3ximas do lago, a busca por \u00e1gua na cidade j\u00e1 ocorria em tempos normais.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 caixa d&#8217;\u00e1gua nessas casas, nem \u00e9 comum o processo de tratamento e filtragem. Nas casas mais distantes, a corrida por \u00e1gua em Tef\u00e9 passou a ser mais frequente, em raz\u00e3o do desaparecimento do igarap\u00e9, assim como no pr\u00f3prio Solim\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8220;J\u00e1 s\u00e3o 40 dias assim. E est\u00e1 secando ainda&#8221;, afirma o pescador e agricultor Raimundo Bezerra de Amaral, 59. Ele tem viva na mem\u00f3ria a seca de 2010, a pior que se tem not\u00edcia na regi\u00e3o. &#8220;Em 2010 foi pior no sentido de n\u00e3o ter ficado nada de \u00e1gua, nem para banho. Agora a gente tem um filete, para banho e para os bichos. Mas, em 2010, foram 25 dias assim. Agora j\u00e1 s\u00e3o 40.&#8221;<\/p>\n<p>O rio Tef\u00e9 segue baixando. Nesta quinta, segundo medi\u00e7\u00e3o de pesquisadores que atuam na regi\u00e3o, a altura diminuiu 6 cm. Nos dias anteriores, vinha baixando de 10 a 15 cm por dia.<\/p>\n<p>O renascimento do Paran\u00e3 de Tef\u00e9, assim, pode demorar. A pesca n\u00e3o existe porque n\u00e3o tem \u00e1gua. As fam\u00edlias ficaram dependentes da agricultura, mas o calor e a secura impedem colheitas.<\/p>\n<p>&#8220;Eu planto melancia, milho, maracuj\u00e1. Morre tudo. Queima tudo&#8221;, diz Amaral. &#8220;Estamos vivendo mais da cria\u00e7\u00e3o de galinhas.&#8221;<\/p>\n<p>A casa do agricultor est\u00e1 numa das margens do ex-rio. Uma longa escada de madeira leva ao quintal da casa, onde a \u00e1gua bate em tempos de cheia. Embaixo, um flutuante est\u00e1 atolado no banco de areia. &#8220;Minha esperan\u00e7a \u00e9 que ele vai voltar a flutuar no come\u00e7o de novembro&#8221;, afirma o agricultor.<\/p>\n<p>Na comunidade S\u00e3o Jorge, um pouco mais adiante, na mesma margem, as dificuldades para fazer a planta\u00e7\u00e3o vingar s\u00e3o as mesmas. &#8220;A gente planta hortali\u00e7a e verdura. Com essa seca, nada prestou&#8221;, diz o agricultor Jos\u00e9 Veloso Macedo, 59. &#8220;A gente joga \u00e1gua e n\u00e3o presta. A melancia morreu toda. O que resistiu foi maxixe, feij\u00e3o, banana e um pouco de cebolinha.&#8221;<\/p>\n<p>A pesca ficou imposs\u00edvel, mesmo em outros cursos d&#8217;\u00e1gua. &#8220;T\u00e1 tudo tapado, a gente n\u00e3o pode viajar&#8221;, afirma Macedo.<br \/>Era ele que transportava os alunos para uma escola em outra comunidade. Isso j\u00e1 n\u00e3o ocorre h\u00e1 semanas, o barco n\u00e3o sai do lugar. Agora, com as aulas suspensas, o agricultor busca tarefas e entrega nas casas das crian\u00e7as.<\/p>\n<p>A estiagem \u00e9 um ciclo na Amaz\u00f4nia. Vem e vai todos os anos. Os ribeirinhos sabem que o igarap\u00e9 Paran\u00e3 de Tef\u00e9 vai renascer, mas estranham o prolongamento da seca. A realidade se estende a diversas comunidades da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Rios se aproximam de pontos de baixas hist\u00f3ricas, como no alto e m\u00e9dio rio Solim\u00f5es, no baixo rio Negro (onde est\u00e1 Manaus) e no rio Madeira. A estiagem \u00e9 t\u00e3o severa que deve impactar a pr\u00f3xima, de 2024, segundo pesquisadores. As chuvas est\u00e3o mais escassas que em outros anos, na v\u00e9spera, durante e na previs\u00e3o para o p\u00f3s-estiagem.<\/p>\n<p>Na mem\u00f3ria de quem testemunha e vive todos os dias a morte de um rio, v\u00e3o se avolumando as lembran\u00e7as de secas severas. Os intervalos entre uma e outra se encurtam.<\/p>\n<p>&#8220;Outro dia deu uma chuva grande. A gente aparou a \u00e1gua da chuva. Melhorou mais um pouco&#8221;, diz o agricultor Macedo.<\/p>\n<p>Leia Tamb\u00e9m: <a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/ultima-hora\/2071992\/sem-agua-nao-tem-vida-seca-na-amazonia-brasileira-aumenta-o-temor-pelo-futuro\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">&#8216;Sem \u00e1gua, n\u00e3o tem vida&#8217;: seca na Amaz\u00f4nia brasileira aumenta o temor pelo futuro<\/a><\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Brasil<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/brasil\/2072324\/seca-na-amazonia-faz-rio-desaparecer-e-ribeirinhos-percorrem-bancos-de-areia-com-agua-da-cidade?utm_source=rss-brasil&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0(FOLHAPRESS) &#8211; A fuma\u00e7a que entra pela janelas das casas em Manaus, impregnando tudo com<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":146570,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-146569","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/146569","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=146569"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/146569\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/146570"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=146569"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=146569"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=146569"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}