{"id":144757,"date":"2023-10-02T10:09:26","date_gmt":"2023-10-02T13:09:26","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2023\/10\/02\/tarsila-do-amaral-vira-pivo-de-briga-na-justica-por-supostos-desenhos-perdidos\/"},"modified":"2023-10-02T10:09:26","modified_gmt":"2023-10-02T13:09:26","slug":"tarsila-do-amaral-vira-pivo-de-briga-na-justica-por-supostos-desenhos-perdidos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2023\/10\/02\/tarsila-do-amaral-vira-pivo-de-briga-na-justica-por-supostos-desenhos-perdidos\/","title":{"rendered":"Tarsila do Amaral vira piv\u00f4 de briga na Justi\u00e7a por supostos desenhos perdidos"},"content":{"rendered":"<p>(FOLHAPRESS) &#8211; O tradutor Al\u00edpio Neto entrou na Justi\u00e7a contra duas das maiores pesquisadoras da obra de Tarsila do Amaral, Aracy Amaral e Regina Teixeira de Barros, e a Base 7, produtora do cat\u00e1logo raisonn\u00e9, livro que re\u00fane todos os trabalhos da modernista.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>Neto pede que o trio reconhe\u00e7a a autoria de um conjunto de ilustra\u00e7\u00f5es que retratam o litoral brasileiro que ele herdou. Ele quer a certifica\u00e7\u00e3o para vender as obras e quitar as d\u00edvidas de um div\u00f3rcio. De acordo com o processo, a s\u00e9rie de 15 desenhos em nanquim datados dos anos 1920 valeria R$ 1 milh\u00e3o.<\/p>\n<p>A a\u00e7\u00e3o argumenta que a venda dependeria do aval das especialistas, j\u00e1 que com o selo de autenticidade os trabalhos poderiam ser inclu\u00eddos numa eventual reedi\u00e7\u00e3o do raisonn\u00e9, a publica\u00e7\u00e3o mais importante sobre a obra de Tarsila, considerada refer\u00eancia para o mercado e aquilo que atesta a legitimidade de suas obras.<\/p>\n<p>Como as obras n\u00e3o constam no raisonn\u00e9 e n\u00e3o foram certificadas pelas especialistas nem pela herdeira de Tarsila, elas n\u00e3o t\u00eam validade alguma para o mercado.<\/p>\n<p>Procurada, Amaral n\u00e3o respondeu aos pedidos de entrevista, e seu advogado afirmou que ela s\u00f3 vai se manifestar no processo, devido \u00e0 sua idade \u201393 anos\u2013 e prefer\u00eancia pessoal.<\/p>\n<p>Teixeira de Barros afirma n\u00e3o poder opinar sobre a autoria dos desenhos. Isso porque h\u00e1 um combinado, entre os membros da comiss\u00e3o que selecionou os trabalhos para o raisonn\u00e9, pelo qual eles s\u00f3 se manifestam em grupo. Ela e Aracy Amaral fizeram parte do colegiado respons\u00e1vel pelo cat\u00e1logo.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o quer dizer que n\u00e3o eram Tarsilas. Teve gente que achou que era e gente que achou que n\u00e3o era. N\u00e3o foi un\u00e2nime a decis\u00e3o&#8221;, afirma Teixeira de Barros, sobre as ilustra\u00e7\u00f5es que s\u00e3o alvo do processo.<\/p>\n<p>Resposta semelhante deu a Base 7. Arnaldo Spindel, diretor da produtora, diz que a empresa &#8220;n\u00e3o possui legitimidade nem autonomia para conferir a autenticidade das obras&#8221; e que publicou no livro apenas as que obtiveram consenso da comiss\u00e3o.<\/p>\n<p>Nenhum dos acusados usou a palavra &#8220;falsa&#8221; para se referir \u00e0s ilustra\u00e7\u00f5es, seja nas centenas de documentos do processo, seja nas conversas com a reportagem.<\/p>\n<p>O propriet\u00e1rio das obras relata ainda ter procurado, por telefone, a detentora dos direitos autorais de Tarsila, sua sobrinha-neta, conhecida como Tarsilinha. Ela teria dito que avaliaria as ilustra\u00e7\u00f5es e, se ficasse em sil\u00eancio, isso significaria que as obras s\u00e3o verdadeiras.<\/p>\n<p>De acordo com o processo, Tarsilinha ficou em sil\u00eancio. Mas a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o se resolveu porque o sil\u00eancio n\u00e3o pode ser usado como comprova\u00e7\u00e3o de autenticidade das obras, afirma Mario Solimene Filho, o advogado da acusa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Se voc\u00ea tiver um papel de p\u00e3o assinado pela Aracy ou por alguma dessas pessoas dizendo &#8216;essa obra \u00e9 verdadeira&#8217;, ou uma mensagem que seja, ele usa isso no mercado e vende como verdadeira&#8221;, afirma o advogado.<\/p>\n<p>Procurada pela reportagem, Tarsilinha n\u00e3o quis se pronunciar.<\/p>\n<p>O advogado de Amaral e Teixeira de Barros, Fernando Lamenza, argumenta que quem determina a autoria de uma obra s\u00e3o apenas os herdeiros de um artista. &#8220;Os outros pesquisadores n\u00e3o t\u00eam autoridade sobre a propriedade intelectual. Eles s\u00e3o meras pessoas que estudaram a obra de Tarsila&#8221;, diz ele.<\/p>\n<p>Segundo o processo, os desenhos foram feitos por Tarsila para ilustrar um livro com as confer\u00eancias que o poeta modernista Guilherme de Almeida deu em capitais do Brasil nos anos 1920.<\/p>\n<p>Eles mostram elementos da paisagem litor\u00e2nea, como barquinhos, coqueiros, casinhas, as ondas do mar, e tamb\u00e9m marcos da costa brasileira, como o morro do P\u00e3o de A\u00e7\u00facar, no Rio de Janeiro, e um cen\u00e1rio industrial em Porto Alegre, com o logotipo do frigor\u00edfico Swift numa f\u00e1brica e um ga\u00facho a cavalo.<\/p>\n<p>No verso de uma das imagens, a legenda diz &#8220;viagem pela costa do Brasil, do Rio Grande do Sul ao Cear\u00e1, 1925&#8221;.<\/p>\n<p>Segundo os documentos, a frase foi escrita por Belkiss de Almeida, a mulher de Guilherme de Almeida, na d\u00e9cada de 1940 ou 1950. Contudo, o livro com as confer\u00eancias do poeta n\u00e3o foi publicado, de forma que as ilustra\u00e7\u00f5es nunca vieram \u00e0 tona.<\/p>\n<p>Tradutor premiado tr\u00eas vezes com o Jabuti, Neto relata ter encontrado os desenhos ao mexer no arquivo de Guilherme de Almeida, que ele herdou do bi\u00f3grafo do poeta, Frederico Ozanam.<\/p>\n<p>Para requerer a certifica\u00e7\u00e3o da autoria, a acusa\u00e7\u00e3o elenca uma s\u00e9rie de evid\u00eancias. Uma das mais contundentes seria uma suposta valida\u00e7\u00e3o das obras pela Universidade de S\u00e3o Paulo. A historiadora Michele Petry, que fez um p\u00f3s-doutorado sobre as ilustra\u00e7\u00f5es de Tarsila, deu um curso na USP que continha uma aula sobre os desenhos em quest\u00e3o.<\/p>\n<p>Procurada, Petry n\u00e3o quis falar com a reportagem.<\/p>\n<p>Outra evid\u00eancia da acusa\u00e7\u00e3o \u00e9 uma carta de Ana Magalh\u00e3es, \u00e0 \u00e9poca vice-diretora do Museu de Arte Contempor\u00e2nea da Universidade de S\u00e3o Paulo, o MAC-USP, e supervisora do doutorado de Petry. No texto, ela se refere \u00e0s ilustra\u00e7\u00f5es como &#8220;15 desenhos in\u00e9ditos de Tarsila do Amaral&#8221;, num pedido para que Neto conceda acesso \u00e0s obras para a doutoranda.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o \u00e9 uma carta de autentica\u00e7\u00e3o, de jeito nenhum. O fato de eu usar o termo &#8216;in\u00e9dito&#8217; n\u00e3o significa que estou autenticando as obras. Nem posso fazer isso&#8221;, diz Magalh\u00e3es. &#8220;Eu absolutamente n\u00e3o contesto o trabalho que foi feito pelo cat\u00e1logo raisonn\u00e9 da Tarsila. \u00c9 aquela comiss\u00e3o que efetivamente pode ou n\u00e3o autenticar esses desenhos.&#8221;<\/p>\n<p>Magalh\u00e3es afirma que a carta foi escrita num contexto em que se buscava compreender se as ilustra\u00e7\u00f5es eram de Tarsila ou n\u00e3o. A pesquisa incluiu exames no Instituto de F\u00edsica da Universidade de S\u00e3o Paulo, que constatou que os desenhos foram esbo\u00e7ados a l\u00e1pis para depois receberem o nanquim.<\/p>\n<p>Houve ainda uma avalia\u00e7\u00e3o do Instituto Interface, \u00f3rg\u00e3o especializado na an\u00e1lise de obras de arte e que tamb\u00e9m pertence \u00e0 USP. A institui\u00e7\u00e3o afirma que as ilustra\u00e7\u00f5es foram feitas entre as d\u00e9cadas de 1920 e 1950.<\/p>\n<p>Os desenhos em posse de Neto n\u00e3o foram os \u00fanicos a n\u00e3o entrarem no cat\u00e1logo, n\u00e3o s\u00f3 por uma quest\u00e3o de data \u2013Neto diz ter descoberto as ilustra\u00e7\u00f5es em 2011, tr\u00eas anos depois da publica\u00e7\u00e3o do livro\u2013, mas porque houve ao menos outras 200 obras que seriam de Tarsila, mas n\u00e3o passaram pelo crivo da comiss\u00e3o.<\/p>\n<p>Esses trabalhos foram inclu\u00eddos numa listagem de obras sobre as quais h\u00e1 d\u00favidas de autoria, anexada no final do cat\u00e1logo. Os desenhos de Neto foram avaliados pela comiss\u00e3o e aprovados para entrar em uma listagem semelhante caso haja uma reedi\u00e7\u00e3o do raisonn\u00e9, o que n\u00e3o h\u00e1 previs\u00e3o para acontecer.<\/p>\n<p>A defesa de Neto tamb\u00e9m acusa Teixeira de Barros de ter atuado como intermedi\u00e1ria na venda dos desenhos. Ela teria se valido de sua posi\u00e7\u00e3o influente como integrante do colegiado para tentar achar interessados em comprar as ilustra\u00e7\u00f5es, trabalho pelo qual ganharia uma comiss\u00e3o de 15%. Outros 15% iriam para Petry, que encabe\u00e7ava as tentativas de venda, segundo a a\u00e7\u00e3o judicial. O restante ficaria com o dono.<\/p>\n<p>&#8220;Eu nunca vendi obra. Se tivesse que vender, n\u00e3o seriam esses desenhos que a comiss\u00e3o n\u00e3o tinha aprovado&#8221;, diz Teixeira de Barros. &#8220;Se fosse fazer isso, voc\u00ea imagina quantas oportunidades na minha vida eu teria tido. Por que logo com as Tarsilas dele eu ia inventar uma coisa dessas, me queimar por ele, por esses desenhos? N\u00e3o faz o menor sentido.&#8221;<\/p>\n<p>A reportagem procurou dois agentes de peso do mercado, mas, sem a comprova\u00e7\u00e3o da autoria, eles n\u00e3o quiseram estimar quanto as ilustra\u00e7\u00f5es valeriam. H\u00e1 tr\u00eas anos, o colecionador Marcos Amaro afirmou que desenhos menos representativos de Tarsila valem entre R$ 40 mil e R$ 50 mil.<\/p>\n<p>\u00c0 \u00e9poca, Amaro inaugurava no museu Fama, em Itu, no interior paulista, uma mostra com 200 desenhos de Tarsila que durante d\u00e9cadas ficaram guardados com o empres\u00e1rio Oscar Fakhoury, sem serem vistos pelo p\u00fablico ou por pesquisadores. As ilustra\u00e7\u00f5es haviam sido catalogadas na d\u00e9cada de 1960 por Aracy Amaral, na casa da artista, em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Enquanto um desenho de Tarsila pode chegar a valer R$ 1 milh\u00e3o, de acordo com marchands, suas pinturas s\u00e3o muito mais caras. A tela &#8220;A Lua&#8221; foi comprada pelo MoMA, o Museu de Arte Moderna de Nova York, em 2019, por uma cifra em torno de R$ 75 milh\u00f5es, de acordo com Tarsilinha. J\u00e1 &#8220;A Caipirinha&#8221; bateu recorde e saiu por R$ 57,5 milh\u00f5es, num leil\u00e3o da Bolsa de Arte, em 2020.<\/p>\n<p>Neto pede ainda uma indeniza\u00e7\u00e3o de R$ 100 mil por danos morais. A defesa das acusadas contestou, mas a Justi\u00e7a negou o pedido para que a compensa\u00e7\u00e3o financeira fosse invalidada.<\/p>\n<p>Em outro despacho recente, a Justi\u00e7a afirmou que s\u00f3 um perito pode avaliar quais pesquisas s\u00e3o necess\u00e1rias para que se determine a autoria das ilustra\u00e7\u00f5es. J\u00e1 o Minist\u00e9rio P\u00fablico diz que est\u00e1 acompanhando o caso em raz\u00e3o do valor hist\u00f3rico e cultural de obras que potencialmente comp\u00f5em o acervo de Tarsila.<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Brasil<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/ultima-hora\/2068136\/tarsila-do-amaral-vira-pivo-de-briga-na-justica-por-supostos-desenhos-perdidos?utm_source=rss-brasil&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(FOLHAPRESS) &#8211; O tradutor Al\u00edpio Neto entrou na Justi\u00e7a contra duas das maiores pesquisadoras da<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":144758,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-144757","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/144757","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=144757"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/144757\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/144758"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=144757"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=144757"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=144757"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}